terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Défice de Atenção e Hiperactividade


A desordem chamada "Défice de Atenção" afecta alguns dos alunos que tenho este ano e anda associada à Hiperactividade; pode ainda aparecer concomitantemente com a Dislexia, outra perturbação cada vez mais frequentemente diagnosticada entre os nossos jovens alunos.

Neste contexto tem cabimento a publicação de um importante trabalho de uma das colaboradoras deste Blogue, a Becas, que se dedica ao estudo desta e de outras patologias no âmbito dos seus estudos de Neurobiologia do Comportamento.

Uma vez que o texto é extenso, vou dividi-lo em partes e irei publicando um capítulo de cada vez. Começaremos com as definições e os sintomas, mais adiante a Becas prometeu enviar-nos as formas de tratamento.

Penso que pode ser útil e interessante para os professores, mesmo aqueles que não se movem na área da Psicologia.


Desordem de Défice de Atenção e Hiperactividade

"A Desordem de Défice de Atenção e Hiperactividade sendo, muitas vezes, confundida com dificuldades de aprendizagem e com perturbações emocionais é, no entanto, referida de forma diferente como distúrbio ou como desordem. Trata-se de um distúrbio neurológico que se caracteriza pelo inadequado desenvolvimento das capacidades de atenção, pela impulsividade e pela hiperactividade. Proveniente da tradução literal do inglês Attention Deficit Hyperactivity Desorder (ADHD) ou, ainda Perturbação Hiperactiva por Défice de Atenção (PHDA) esta Desordem é caracterizada pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) como um padrão persistente de falta de atenção e/ou impulsividade e hiperactividade, com uma intensidade mais ou menos grave e frequente que o observado habitualmente em sujeitos com semelhantes níveis de desenvolvimento.

Durante bastante tempo, a hiperactividade era considerada por muitos autores como sendo a característica da DDA mais marcante. No entanto, compreendeu-se que, provavelmente, existem diferentes tipos de DDA, Algumas pessoas com DDA são excepcionalmente hiperactivas e impulsivas, outras são mais notoriamente afectadas por estados de desatenção e outras, ainda, apresentam uma combinação dos três traços. Existem, portanto, diferentes tipos de desordem de atenção que estão descritas na Fourth Edition of the Diagnostic and Satistical Manual for Mental Disorders (DSM – IV) e de acordo com a American Psychiatric Association existem três tipos de DDA, a saber: a Desordem por Défice de Atenção/Hiperactividade, tipo predominantemente caracterizado pela desatenção; a Desordem por Défice de Atenção/Hiperactividade, tipo predominantemente caracterizado por Hiperactividade-Impulsividade e a Desordem por Défice de Atenção/Hiperactividade, tipo misto.

O tipo que se caracteriza pela predominância da hiperactividade - impulsividade e o tipo que apresenta uma combinação dos diferentes traços representam a maior parte das crianças com desordem de atenção/hiperactividade. O tipo que se caracteriza pela predominância de estados de desatenção e não apresenta sinais de impulsividade ou de hiperactividade seria de um terço de todas as crianças com Desordem por Défice de Atenção.

Para que um indivíduo se qualifique para diagnóstico, deve apresentar (antes dos sete anos de idade) os sintomas da desatenção, de hiperactividade ou impulsividade descritos no DSM-IV. A interferência dos sintomas tem de se fazer sentir em dois ou três contextos, isto é, na escola, em casa ou noutra circunstância, assim como devem existir provas do funcionamento social, académico ou ocupacional. Além disso, convém sublinhar que os sintomas não devem resultar de uma outra desordem do foro psiquiátrico."


Texto de Becas

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