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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Um gato muito especial


Sir Arthur Pippehouse The Second é um gato de sete vidas que desfia as suas memórias num livro encantador, escrito por Teresa Ximenez e publicado pela Chiado Editora.
"A Memória do Gato" marca uma incursão muito feliz da autora no género romance.


Arthur, o gato, narra com uma memória que atravessa gerações, a vida cheia de peripécias, paixões, desencontros e sofrimento de uma família, alternando com descrições feitas por algumas das personagens que lhe são mais próximas. 
A astúcia daquele gato tão especial, vem a revelar-se determinante na cumplicidade indispensável para resguardar certos segredos.


Entre a Inglaterra dos finais do século XIX até ao Portugal do salazarismo, passando pela Índia dos negócios do chá, a autora revela um grande conhecimento dos lugares, culturas e sentimentos destes personagens, tão humanos, sensíveis e sofridos, que parecem reais.

E mais não conto. Leiam o livro. 
Será certamente com prazer que o fazem. 
Parabéns Teresa, adorei o livro. 
Fico à espera do próximo romance.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Aniversário de Almeida Garrett

"Almeida Garrett e a Cidade Invicta", (c) José Ruy

PREITO

É lei do tempo, Senhora,
Que ninguém domine agora
E todos queiram reinar.
Quanto vale nesta hora
Um vassalo bem sujeito,
Leal de homenage e preito
E fácil de governar?

Pois o tal sou eu, Senhora:
E aqui juro e firmo agora
Que a um despótico reinar
Me rendo todo nesta hora,
Que a liberdade sujeito...
Não a reis! - outro é meu preito:
Anjos me hão-de governar.

“Folhas Caídas” Almeida Garrett,
Vinhetas do álbum em BD de José Ruy 
“ALMEIDA GARRETT E A CIDADE INVICTA”
"Almeida Garrett e a Cidade Invicta", (c) José Ruy

A 4 de fevereiro de 1799 nasce no Porto, João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett. Escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português, foi o grande impulsionador do teatro em Portugal. Propôs a edificação do Teatro Nacional e a criação do Conservatório. Em 1816 inscreveu-se na Faculdade de Leis e tomou contacto com os ideais liberais. Em 1843 começou a publicar as “Viagens na Minha Terra”. Foi o homem que deu à língua portuguesa o preceito de modernidade.

Cortesia de Tita Fan

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Peregrinação


(c) José Ruy /Meribérica Liber

A propósito da exposição “Peregrinação”, que se encontra no CNBDI inserida no tema – Autobiografia – do Festival Amadora BD 2012…



Fernão Mendes Pinto "Peregrinação" 
1ª página, 1ª edição

É muito conhecida a expressão “Fernão mentes? Minto” que durante muitos anos acompanhou a obra “Peregrinação”, depreciando-a.

A Peregrinação é, hoje, considerada por estudiosos e investigadores uma obra-prima da literatura portuguesa do século XVI, ombreando com “Os Lusíadas”.
“Os Lusíadas” é uma obra clássica, uma epopeia que celebra e enaltece o povo português, isenta de críticas, contemplando, também, a ficção.
Fernão Mendes Pinto criou outro género de literatura, mais realista, talvez com menos técnica. Ele relata a sua história, o que sentia na pele, o que via com os seus próprios olhos, denuncia intrigas, corrupção, analisa os comportamentos dos homens, a possível intervenção divina, sempre na primeira pessoa.
Segundo alguns analistas a “Peregrinação” não poderá ser lida no sentido restrito de uma viagem pois os símbolos de fé e acontecimentos nela contidos conduzem também, a uma leitura de jornada missionária. Outros, ainda, admitem que poderá ser considerado o primeiro livro de viagens da literatura portuguesa, sendo, no entanto, superior como obra.
As suas descrições sobre animais e paisagens exóticas e situações difíceis de conceber eram extraordinárias e um desafio à imaginação dos leitores da época, que desconheciam completamente o mundo asiático.
Existem dúvidas de que todas as descrições tenham sido, realmente, vivenciadas por Fernão Mendes Pinto, calculando-se que ele utilizou relatos de outras pessoas, que soube incorporar muitíssimo bem, e que utilizou alguma ficção. Contudo, cotejando a “Peregrinação” com obras de autores eruditos e reconhecidos como João de Barros, Fernão Lopes de Castanheda ou Gaspar da Cruz, e, ainda, com base em estudos de documentos asiáticos, foi ficando confirmado que todas as informações estavam certas, que Fernão Mendes Pinto relatou a realidade e que todo o texto é considerado fiável e uma inestimável fonte de informação para se conhecer tudo por que passavam os navegadores e aventureiros que embarcavam nas caravelas portugueses a caminho do oriente.
Foi no contexto a seguir à assinatura do Tratado de Tordesilhas, quando Espanha e Portugal dividiram as terras descobertas e a descobrir, numa época de navegação no auge, Portugal apostando na expansão do comércio e da fé, no oriente, que Fernão Mendes Pinto resolveu embarcar para a Índia. Tinha então 28 ou 30 anos. Durante 21 anos, exerceu funções diplomáticas entre outros cargos, foi 13 vezes cativo e 17 vendido e entre muitas mais coisas protagonizou a entrega da primeira espingarda ao “Daimio” japonês, episódio que ainda hoje é celebrado e perdura na memória cultural japonesa.
Encontrou paz ao conhecer São Francisco Xavier e resolveu ingressar como noviço, na ordem religiosa dos jesuítas. Por fim, em 1558, desiludido, regressou à pátria, instalou-se no Pragal-Almada onde escreveu a sua epopeia realista.
A “Peregrinação” só viria a ser publicada em 1614, 31 anos após a sua morte, não sendo talvez alheios a esse facto o “Santo Ofício” e a própria Companhia de Jesus a que pertencera. Apesar das omissões, cortes ou alterações que o original poderá
ter sofrido a edição obteve de imediato um enorme sucesso. Dezanove edições em 6 línguas.

Fontes:- Documentário sobre a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto da Série da RTP “Os Grandes Livros”-2009. Neste documentário foram incluídas páginas e vinhetas da BD de José Ruy.
-Wikipédia

Tita Fan

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

No centenário de Jorge Amado


Passaram 100 anos sobre o nascimento daquele que o jornal O Globo considerou "o homem que melhor escreveu um país". 
O Brasil de Jorge Amado acompanhou a minha juventude nas noites incontáveis em que, presa às suas páginas, me imaginava a viajar pelos seus areais, as roças de cacau, as praias e as praças das cidades baianas.
Depois vieram as adaptações televisivas de alguns dos seus melhores romances e a seguir o cinema.  Obras como"Gabriela, cravo e canela", "Dona Flor e seus dois maridos", "Tieta do Agreste" ou "Capitães da areia" ganharam forma e corpo nas imagens do écran. E com elas um novo desafio à nossa imaginação e as habituais comparações entre a obra literária e as formas narrativas associadas ao cinema.

Uma atriz em especial parece ter reunido alguma característica comum a muitas das personagens principais de Jorge Amado: Sónia Braga interpretou Gabriela, Tieta, Tereza Batista e Dona Flor.
Agora, por altura do centenário de Jorge Amado, surge um remake de Gabriela, da TVGlobo, onde aparece, surpreendentemente bem no papel, Juliana Paes e mais um excelente elenco. Apetece rever Gabriela e recordar, sempre, Jorge Amado.

Para saber mais sobre as personagens femininas na obra de Jorge Amado, clique aqui.

terça-feira, 17 de julho de 2012

"O Infante Portugal" de José de Matos-Cruz no CNBDI

Ilustração: (c) Daniel Maia

Já falei aqui e aqui desta obra e da mostra de ilustrações a ela associada, em Cascais. 
Agora o 3º livro da trilogia de José de Matos-Cruz dedicada ao Infante Portugal, "O Infante Portugal e as sombras mutantes", será objeto de um lançamento oficial no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora no dia 19, pelas 19 horas. Trata-se de uma obra de ficção, profusamente ilustrada por cerca de três dezenas de artistas portugueses do mundo da Banda Desenhada.

Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem
Av. do Brasil, nº 52-A
2700-134 Amadora
T: 214369057 Fax: 214962353

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Exposição "O Infante Portugal" em Cascais

Ilustrações: Daniel Maia

A série de ficção "O Infante Portugal" de José de Matos-Cruz já vai no seu 3º volume; desta vez o  livro "O Infante Portugal e as sombras mutantes" (Edição Apenas Livros) contou com a participação de três dezenas de autores de Banda Desenhada e Ilustração; a capa, contracapa e muitas das ilustrações do livro são de Daniel Maia. Têm também presença muito marcante neste livro os desenhadores Susana Resende e Daniel Henriques. 

Ilustrações: esq. Pedro Massano; dir. Luís Diferr


Os trabalhos que constam deste livro estão expostas no Centro Cultural de Cascais. 
Vale a pena visitar e ver o vídeo de José de Matos-Cruz. A mostra ficará patente ao público até 26 de agosto. (Av. Rei Humberto II de Itália, de terça a domingo das 10 às 18 horas.)


Fotos: Pérola de Cultura

terça-feira, 10 de julho de 2012

"O Infante Portugal e as sombras mutantes"

Inauguração da mostra Entre.Visões, respeitante ao 3º livro da série "O Infante Portugal", de autoria de José de Matos-Cruz, hoje, no Centro Cultural de Cascais, às 19 horas. 
Esta obra contou com a participação de 31 ilustradores e autores de Banda Desenhada. Eis alguns deles:
- Daniel Maia (autor da capa e contracapa e de muitas das ilustrações do livro)
- Daniel Henriques
- Susana Resende (autora de muitas ilustrações do livro)
- Renato Abreu
- Pedro Massano
- Luís Diferr
- José Garcês
- Zé Manel
- Eugénio Silva
- Baptista Mendes
- Teotónio Agostinho
- João Amaral
- João David
- J. Mascarenhas
- Catherine Labey
- Sara Franco
- Isabel Aboim
- Fernando Filipe
- Fernando Vilhena de Mendonça
- Cação Biscaia
- Augusto Trigo
- José Ruy


"O Infante Portugal" visto por Luís Diferr

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar"

Ilustração e projecto de capa (c) Luís Diferr


Decorreu hoje no Museu da Música em Lisboa o lançamento do livro "Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar" da autoria da Dra. Isabel Ribeiro Monteiro, uma conceituada poetisa, cronista e blogger. 
Esta querida amiga e colega é professora de Língua e Literatura Portuguesas  na Universidade de Lisboa para a 3ª idade e esta é a sua sétima obra literária publicada.
Este livro contou com uma ilustração inédita de autoria de Luís Diferr*, concebida especialmente para se harmonizar com a temática dos afectos, que este conjunto de poemas retrata.
É sempre com enorme prazer e honra que partilho os momentos em que os livros da Isabel Ribeiro Monteiro vêem a luz do dia; e hoje foi mais um belíssimo momento em que os mais chegados puderam ouvir alguns dos seus poemas recitados e peças de música a envolver este lançamento.
Obrigada Isabel por continuares a oferecer-nos tanta beleza e sentimento. Esperamos que o faças muitas mais vezes e durante muitos anos. Cá estaremos para te apoiar e ajudar a difundir o teu talento e a força telúrica da tua poesia, tão humanamente sensível e tão profundamente feminina.
"A poesia é para ler, dizer, cantar", dizia hoje uma das representantes das Edições Esgotadas. 
Eu acrescentaria: a poesia é para mastigar, digerir, sentir, embriagar-nos e encantar-nos. Até às entranhas, como a Isabel sabe tão bem fazer!


* Ver aqui a homenagem do ilustrador à autora do livro.


Foto (c) Pérola de Cultura
Luís Diferr com Isabel Ribeiro Monteiro no lançamento do livro "Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar"  publicado por "Edições Esgotadas", Museu da Música, em Lisboa. (26 de Junho de 2012)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

(Cartoon cuja autoria não foi possível identificar)
"A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo escravo." 
António Lobo Antunes

domingo, 15 de abril de 2012

Álbum "Portugal" foi lançado há dois anos

"Portugal" EDIÇÃO PORTUGUESA
Texto e Desenhos de Luís Diferr
Introdução de Jacques Martin
Edições ASA, Junho de 2010


De Luís Diferr, em co-autoria com Jacques Martin, o álbum "Portugal" apareceu a 14 de abril de 2010 pelas Éditions Casterman, em França e na Bélgica. Em junho do mesmo ano viu a sua tradução em língua portuguesa publicada nas Edições ASA.
Está à venda nas livrarias da Leya, FNAC, Bertrand e outras. Também pode ser adquirido on-line, por exemplo na Amazon.fr .

domingo, 25 de março de 2012

Provérbios com gatos

A desenhadora Catherine Labey lança o livro "Provérbios com gatos" na livraria LEYA NA BUCHOLZ, rua Duque de Palmela, nº 4, Lisboa, no dia 3 de abril às 18 horas. 
A Catherine ainda diz que "depois os gatos estarão também à solta no stand da LEYA ASA, na Feira do Livro de Lisboa, e estarei para autografar o livro nos sábados 28 de Abril e 5 de Junho, das 16h às 18h". Para saber mais sobre o trabalho da Catherine clique aqui.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Blogue de Luís Diferr, 1º aniversário



O Blogue "Luís Diferr" foi uma criação da Pérola de Cultura, faz hoje um ano. 
E, como todos os filhos, primeiro gatinhou, depois começou a andar sozinho e finalmente tornou-se um caminheiro dos seus próprios destinos e escolhas. 
Parabéns pela persistência, Luís, sobretudo num país onde os artistas são muitas vezes subestimados!
Ver o post 365 dias + 1

terça-feira, 13 de março de 2012

Leonardo Coimbra por José Ruy

"Leonardo Coimbra foi uma das figuras mais proeminentes do movimento da Renascença Portuguesa. Os conteúdos doutrinários da sua obra remetem-nos para o conceito de criacionismo, uma filosofia da liberdade, radicando nas infinitas capacidades criadoras do pensamento. É a figura ímpar deste filósofo e pensador que o Mestre José Ruy, nos dá a conhecer, através do seu traço e cor incomparáveis, em Leonardo Coimbra e os Livros Infinitos." (Sinopse)
José Ruy,"Leonardo Coimbra e os livros infinitos", Edições Âncora.
Leonardo Coimbra desde novo aplicou a sua força física em defesa dos mais fracos

Leonardo Coimbra disserta sobre o «monismo», o «humanismo transcendentalista» e o «panteísmo»

Leonardo Coimbra privou de perto com Teixeira de Pascoaes e com Unamuno, também grande pensador

Capa e pranchas 6, 14 e 24 de "Leonardo Coimbra e os livros infinitos"
Desenhos e textos de (c) José Ruy, Edições Âncora

segunda-feira, 12 de março de 2012

Dia dos bibliotecários

Ilustração (c) Evangelina Prieto 
"Hoje é o dia dos bibliotecários: 
os guardadores e provedores de sonhos.
Precisamos deles, todos os dias."


Andante Associação Artística

domingo, 11 de março de 2012

O Projet Tsunami para o Japão

                                                       "helpourjapan" - (c) Ricardo Cabral

O meu desenho "Hope", assim como o "Sendai" de Luís Diferr, foram enviados para um blogue criado em França chamado Projet Tsunami. Esse projeto foi criado por um grupo chamado "Café Salé", de desenhadores e argumentistas de BD, um deles a viver temporariamente em Tokyo. Rapidamente se organizaram e solicitaram o envio de ilustrações para leiloar, cujo produto seria transformado em donativos a enviar às vítimas do tsunami. 
Durante vários meses centenas de artistas, japoneses, europeus e das Américas se solidarizaram, enviando desenhos dos mais diversos estilos e técnicas para este site. 
De Portugal fomos muito poucos a enviar desenhos. Que eu saiba, apenas três pessoas: eu, Luís Diferr e Ricardo Cabral, que enviou o desenho acima.

Logo que tomei conhecimento desta iniciativa através do Público, enviámos os nossos dois desenhos sem hesitar, como forma simbólica de ajudar as vítimas no Japão. Esperando que servissem para comprar, quem sabe, talvez um colchão ou um par de ténis novos para alguém, ficámos a saber mais tarde que o leilão dos muitos desenhos rendeu apenas 31.550 EU, entregues ao cuidado da organização Give2Asia.


A 8 de setembro de 2011, o mesmo grupo editou um livro chamado "Magnitude 9", para com a sua venda angariar mais fundos. Esse livro conta com uma seleção de 250 imagens de autores de várias nacionalidades e está à venda por 30 Euros (acrescidos dos portes de envio) aqui.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A importância dos textos

 " Les textes peuvent maintenant être lus non plus comme un résultat d’un don ou d’une inspiration divine mais bien comme le produit d’un ensemble de taches qui, répertoriées, explicitées, théorisées, deviennent accessibles à quelqu’un qui veut apprendre à écrire à partir des lectures qu’il fait.” 
Claudette Oriol-Boyer
(Cortesia de Cátia Barroso) 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Exposição sobre Fernando Pessoa na Gulbenkian

"Exposição dedicada a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos, que pretende mostrar toda a multiplicidade da obra do grande poeta de língua portuguesa, conduzindo o visitante numa viagem sensorial pelo universo de Pessoa, para que leia, veja, sinta e ouça a materialidade das suas palavras. Com curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, nesta exposição encontra-se um espaço repleto de poemas, textos, documentos, fotografias e pintura, onde se incluem raridades como a primeira edição do livro Mensagem, com uma dedicatória escrita pelo poeta."

De 10 Fev 2012 a 30 Abr 2012
Das 10:00 às 18:00
Encerra Segunda-feira e domingo de Páscoa
Edifício Sede
Entrada: €4

Ver mais informação aqui.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A obra criativa de Freud


A ampla bibliografia de Freud é composta por vinte e quatro livros (dois dos quais em colaboração, um com Josef Breuer e outro com William Bullit), por cento e vinte e três artigos e cerca de quinze mil cartas.
Foram realizadas duas edições completas da obra de Freud em alemão, uma durante a sua vida – Gesammelte Schriften, e outra depois da sua morte – Gesammelte Werke (GW) publicadas, primeiro em Londres, depois em Frankfurt. As obras Gesammelte Werke tornaram-se universalmente, a edição de referência. Esta obra foi completada por outros dois volumes (um índice e um volume de suplementos) realizado por Angela Richards e Ilse Grunbrich-Simitis.
A edição inglesa realizada por James Strachey sob o título Standard Edition of the Complete Phychological Works of Sigmund Freud (SE) é a única edição crítica da obra de Freud sendo, por isso, que constitui uma obra de referência no mundo inteiro.
Convém salientar, que nenhum dos textos de Freud anteriores ao ano de 1886 foi integrado nas diversas obras completas. Durante  este período pré-psicanalítico (de 1877 a 1886) Freud publicou vinte e um artigos sobre diversos temas, que em 1973 foram recenseados por Roger Dufresne.
Becas

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Matthieu Ricard sobre a felicidade



Matthieu Ricard é francês, filho de filósofo, doutorado em Biologia e monge budista. Por esta ordem. Segundo as pesquisas efetuadas no seu cérebro por uma equipa de neurocientistas, ele pode ser o homem mais feliz à face da Terra. O segredo: nunca estar num "bad mood"!
Quando for grande quero ser assim.





Para quem não tiver muita paciência para tentar perceber este linguajar, assim num inglês afrancesado, deixo aqui as linhas gerais da entrevista traduzidas:
Para Matthieu Ricard a compaixão e o amor incondicionais vão ativar certas ondas cerebrais produzidas no córtex que podem ser detetadas pela neurobiologia. 
O amor altruísta é o sentimento mais positivo e produz o mais construtivo estado de espírito de todos, enquanto que o egoismo é o mais miserável. 
Mathieu Ricard nunca está num "bad mood", apesar de sentir por vezes indignação (o que é diferente de raiva), por exemplo perante um massacre. Nesse caso, poderá usá-la como motivação para resolver uma situação de injustiça insustentável: "é uma questão de brio dizermos por vezes 'isto não pode ser!' e buscarmos um remédio à altura."
 O que impede a felicidade são estados de espírito de raiva, ciúme, inveja, arrogância ou desespero.
A meditação fornece recursos para lidar com os altos e baixos das circunstâncias, em vez de ficar vulnerável a elas, mantendo a mesma abertura e a mesma resiliência perante os acontecimentos agradáveis e desagradáveis do mundo exterior. Isto não significa indiferença, apenas nos deixamos afetar menos pelas coisas, já que temos a liberdade de olhá-las de um modo mais realista e construtivo, para si e para os outros. 
Alguns artistas falam da dor, da preocupação e da depressão como fontes para a criatividade. Matthieu Ricard refere que já foram feitos estudos sobre a criatividade e a grande maioria dos artistas consta de pessoas comuns, normais, que não andam a cortar as orelhas. Mesmo nos que sofrem depressões cíclicas, os estudos mostram que as suas melhores obras são produzidas fora desses períodos.
Salienta-se nesta entrevista o papel positivo do exercício da meditação, que começa por uma postura física de coluna direita, a respiração controlada e a atenção concentrada. Não tem de ser um exercício aborrecido que se faz de pernas cruzadas, queimando incenso ou debaixo de uma árvore. Para meditar não é preciso ser-se um Yogi, apenas concentrar-se e respirar em harmonia com a Natureza.
Já tive o privilégio de estar na presença de Matthieu Ricard várias vezes em Lisboa e posso confirmar que a sua personalidade faz jus à proximidade que tem com o Dalai Lama (ele é um dos seus porta-vozes e tradutores oficiais). Este monge, que afinal é também um homem de Ciência, não só possui uma enorme humildade e simplicidade, mas também, alia à sabedoria, sobretudo, humanidade e doçura.

Na barra lateral deste Blogue consta desde a primeira hora, como livro recomendado, a obra "O Monge e o Filósofo", um diálogo muito instrutivo entre Matthieu Ricard e o seu pai, o filósofo francês Jean-François Revel, entretanto já falecido. É uma leitura que vale a pena, pelo confronto construtivo de pontos de vista sobre o mundo, entre um ateu e um monge budista.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Milan Kundera e a questão da inexperiência


O Planeta da InexperiênciaPrimeiro título pensado para A Insustentável Leveza do Ser: «O Planeta da Inexperiência». A inexperiência como uma qualidade da condição humana. Nascemos uma vez por todas, nunca poderemos recomeçar uma outra vida com as experiências da vida anterior. Saímos da infância sem sabermos o que é a juventude, casamo-nos sem sabermos o que é ser casado, e mesmo quando entramos na velhice, não sabemos para onde vamos: os velhos são crianças inocentes da sua velhice. Neste sentido, a terra do homem é o planeta da inexperiência. 

Milan Kundera, in "A Arte do Romance"