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segunda-feira, 21 de julho de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Capitães de Abril a jogar uma bisca
"A Dona "Estebes" tem claramente ar de inglesa e tem toda a razão. Tem ainda mais razão quando é óbvio que o lugar dos Capitães – e de toda a soldadesca, aliás – é nos quartéis, de onde só deveriam sair para namorar ou visitar a família. Que raio de ideia tiveram eles de sair à rua num dia assim, naquela madrugada de 25 de abril, após o inconseguimento anterior, só para conseguirem derrubar o governo do esclarecido e ginasticado Marcelo, homem de visão apesar dos óculos que usava! Vieram logo ao quartel do Carmo, é claro, respondendo ao apelo da farda.
Aquilo foi para inglês ver e não só. Viram os americanos e também os russos, por via do astronauta Gagarin, que andava às voltas lá no espaço. Viu a Simone de Bemver mas não o Immanuel do Kant, que estava há muito ocupado com imperativos de outra categoria.
Convença-se o povo de que a Dona "Estebes" tem toda a razão. “Nada de relaxações!!” (como diria a Titi). Ou “c’est excessivement fort !” (como diria o embaixador da Finlândia n’Os Maias). Por que raio querem agora os ex-Capitães ir palrar ao Hemiciclo? Aquilo é só para gente séria. Eles que vão jogar uma bisca no quartel!
God save the President of the Assembly (and the former President of the Council, despite having been fired from the Government)!
Viva a Dona "Estebes"! Viva Portugal!"
Luís Diferr
domingo, 13 de abril de 2014
Abril sem a voz dos capitães
Ai, Dona Esteves! E eu, que me regozijei quando a Sra. foi eleita para presidente da AR, por ser mulher... É que para mim, a paridade de género ainda é só para inglês ver. Mas a Sra. tem sido uma das crescentes desilusões para muita gente. Não lhe basta citar Immanuel Kant ou Simone de Beauvoir para conquistar as minhas simpatias. Mais uma vez, essas citações de filósofos ilustres, para quem a Ética era uma práxis, são para inglês ver. E, Dona Esteves, palavras leva-as o vento. Mesmo que sejam palavras bonitas, de mulheres e homens bons de alma, vindas lá de longe, no passado. O que me interessa mais são os atos. A Dona Esteves ficará apenas com o domínio das belas palavras (podemos questionar a sua eloquência); mas os atos, esses ficarão, decerto e para sempre, com os capitães de Abril. Pode ir para a sua casinha e gozar a sua gorda reforma, Sra. Dona Esteves. Muito agradecida, mas a gente pode ler diretamente Kant e Beauvoir e sem sotaque.
(Notícia aqui)
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
So long, Madiba!
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| Nelson Mandela (1918-2013) Pintura de Olinda Gil |
Se há personalidade que merece ser lembrada hoje, Dia Mundial dos Direitos Humanos, é Nelson Mandela. Desaparecido fisicamente na última quinta feira, este líder sul-africano tornou-se, de modo incontornável e para várias gerações, num símbolo mundial dos direitos humanos, não só pelo fim do Apartheid no seu país, mas também da luta pelos direitos de igualdade e cidadania para todos, independentemente da sua cor ou condição social. Preso durante quase 30 anos, nunca desistiu dos seus ideais, tendo sido um chefe de Estado negro respeitado e reconhecido internacionalmente como um exemplo de coragem e persistência.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Palavras frontais e corajosas
"Temos pavões montados em cátedras de poderes maçónico-mafiosos que nos têm governado de modo tribal. Mas num tempo é-se pavão e no tempo seguinte é-se espanador."
Frei Fernando Ventura
SICN, 29 de Julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Abriu a época da caça a Mário Nogueira
1º de Maio de 1886, Chicago
As pessoas não têm a coragem de dizer que os professores (90% dos quais têm feito greves há duas semanas), não têm razão. É muito mais fácil descarregar o ódio em alguém que dá a cara pelas lutas e é reconhecido nos Media como um dos seus líderes. Mata-se e esfola-se vivo, se preciso for, o secretário-geral da Fenprof Mário Nogueira.
Tenho lido de tudo a tentar denegrir e descredibilizar Mário Nogueira. Até, para meu espanto, um artigo de João Miguel Tavares no "Público", em que revela um anti-comunismo histérico e primário. No Expresso, Daniel Oliveira aborda esta espécie de transferência do ódio aos professores - não assumido - para um ódio - assumido - a Mário Nogueira, que emerge dos mais diversos sectores.
Assim, as consciências ficam tranquilas por ter encontrado o seu bode expiatório e canalizado a sua revolta para um demónio que até está mesmo ali, à mão de semear. Além disso, é só um, não são 100000. Assim é mais fácil não errar o tiro. Abata-se o Mário Nogueira e todos os problemas que os professores levantam cessarão!
Recomendo a leitura do artigo do Expresso:
"Abriu a caça ao Nogueira", por Daniel Oliveira. Aqui.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Auscultação aos professores
Este termo costuma aplicar-se no âmbito da Medicina. Aqui, nesta luta, às tantas, estamos a ficar todos mais ou menos doentes cardíacos, stressados, hipertensos e coisas ainda piores.
Mas convém verificar a "tensão" geral antes de adotar formas de prosseguir a luta contra as medidas desastrosas que o MEC pretende aplicar aos professores. Trata-se de uma reunião aberta a todos os que quiserem aparecer e manifestar a sua vontade e opinião.
A tentativa de diabolização dos Sindicatos tem sido uma verdadeira cruzada, desde o tempo da ministra Maria de Lurdes Rodrigues até aos dias das falinhas mansas de Nuno Crato.
Se experimentarem ir a esta reunião magna, vão ver que o chamado "gangster do bigode" afinal não morde, nem os líderes dos outros Sindicatos vos obrigam a tornar-se "peões ao serviço do comunismo", como certa imprensa (n)os tem mimoseado.
Mas convém verificar a "tensão" geral antes de adotar formas de prosseguir a luta contra as medidas desastrosas que o MEC pretende aplicar aos professores. Trata-se de uma reunião aberta a todos os que quiserem aparecer e manifestar a sua vontade e opinião.
A tentativa de diabolização dos Sindicatos tem sido uma verdadeira cruzada, desde o tempo da ministra Maria de Lurdes Rodrigues até aos dias das falinhas mansas de Nuno Crato.
Se experimentarem ir a esta reunião magna, vão ver que o chamado "gangster do bigode" afinal não morde, nem os líderes dos outros Sindicatos vos obrigam a tornar-se "peões ao serviço do comunismo", como certa imprensa (n)os tem mimoseado.
sábado, 15 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Demagogias do governo
O QUE ESTÁ EM CAUSA NA GREVE DOS PROFESSORES
"O que está em causa para o governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.
Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa."
José Pacheco Pereira
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Zeco, 1 - ex-ministro, 0
(Cortesia de Luís Costa)
Há dias em que vale a pena ver televisão.
Comecei por ver a cara de Nuno Crato como se tivesse sido atropelado. O colégio arbitral não lhe deu razão quanto à expectativa de ter uma definição de serviços mínimos para assegurar os exames. O seu discurso está a ficar perigosamente parecido, não só na autocracia e na prepotência, como também na tendência para a vitimização, com aquela que juntou 120000 "zecos" na rua há uns bons pares de anos.
Depois, tive o grande gozo de ver o Paulo Guinote arrumar às boxes um ex-ministro petulante e ignorante de factos da história recente da Educação em Portugal, apesar de ter ocupado a pasta respetiva no final do século XX. Até coisas elementares ele confundiu, como a diferença entre Conselho Geral e Assembleia de Escola, para não falar do desconhecimento profundo da proposta de organização do ano letivo que aí vem, com as graves alterações que visa introduzir. Foi só vê-lo a enrolar-se nos números, a mudar de assunto, a fugir às questões, visivelmente incomodado com a preparação do seu interlocutor, e também a sua coragem. Certamente Couto dos Santos não estava à espera de ninguém com esta fibra e que, pela sua independência, não usa chavões gastos.
Habituados que estão a confundir os professores com as cúpulas dos Sindicatos, estes políticos não esperam ver a força nem a segurança que só aqueles que têm razão conseguem evidenciar sem medo algum.
Parabéns, Paulo Guinote. Continuas a representar todos aqueles que, não tendo cargos, dinheiro ou chauffeur, medem a sua coerência pela espinha dorsal que fazem questão de manter.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Aniversário nº 2 de um governo de imprestáveis
A desgraça não é pequena, quando até tenho saudades da Dra. Manuela Ferreira Leite na pasta da Educação. Já dei por mim a desejar alguém como os Professores Adriano Moreira ou Eduardo Lourenço nesse tipo de cargos hoje em dia. Nuno Crato é a maior desilusão da minha vida. Cheguei a linkar neste Blogue a sua rubrica diária na Rádio "5 minutos de Ciência".
Admirava-o, respeitava-o e partilhei de algumas das suas ideias sobre Educação que aí veiculava.
Nunca me repugnou trabalhar, considero-me uma profissional séria, não fujo de responsabilidades e sou rigorosa e exigente.
Mas cansei-me de ver, em nome desse rigor, tantos e perigosos disparates.
Abomino a mentira e a hipocrisia e sinto-me atraiçoada, como muitos milhares de professores.
Este é aquilo a que se chama com toda a propriedade um grande "desgoverno"; a começar no próprio primeiro-ministro que se tem revelado indigno de qualquer credibilidade.
Sou de um tempo em que a palavra contava e aprendi que a cara das pessoas devia ser digna de olhar o outro de frente e sem subterfúgios. Não é nada disto que se vê: não há a mínima confiança; e governantes indignos da estima e do respeito do seu povo, devem retirar-se.
Vão-se embora, senhores, tenham vergonha da vossa incompetência e desumanidade.
Boa viagem e até nunca mais, se Deus quiser.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
António Vieira atual em 2013
"Tudo quanto tenta e intenta o diabo em um poderoso, tudo leva ao cabo, ou seja nos pecados de homem, ou nos de ministro. Nos pecados de homem, se se ajunta o poder com o apetite, não há honra, não há honestidade, não há estado, nem ainda profissão, por sagrada que seja, que se não empreenda, que se não conquiste, que se não sujeite, que se não descomponha. E nos pecados de ministro, se o poder se ajunta com a ambição, com a soberba, com o ódio, com a vingança, com a inveja, com o respeito, com a adulação, não há lei humana, nem divina, que se não atropele, não há merecimento que se não aniquile, não há capacidade que se não levante, não há pobreza, nem miséria, nem lágrimas que se não acrescentem, não há injustiça que se não aprove, não há violência, não há crueldade, não há tirania que se não execute.”
- Padre António Vieira, Sermão da Primeira Dominga do Advento [1652].
terça-feira, 9 de abril de 2013
Séneca ainda muito atual
O que interessa não é o que vemos mas o modo como o vemos; e no geral o espírito humano mostra-se cego para a verdade."
"Cartas a Lucílio"Séneca
quinta-feira, 14 de março de 2013
Rejubilar e regurgitar ou o fumo branco da Capela Sistina
(Cartoon cujo autor não foi possível identificar)
Fátima Campos Ferreira dizia, embevecida e em direto na RTP1, que os católicos presentes na Praça de S. Pedro regurgitavam quando, após a saída do fumo branco da chaminé da Capela Sistina, um cardeal anunciou à janela "Habemus Papam".
Poucas horas mais tarde a SIC Notícias, difundia que os homossexuais católicos emitiram uma comunicado a dar conta do seu "desalento pela escolha do cardeal Bergoglio para Papa".
Este jesuíta considera a homossexualidade e o casamento gay como "um plano de Satanás para enganar os filhos de Deus" e a "destruição do plano de Deus".
A esta seguiram-se dezenas de notícias nas redes sociais a dar conta do passado do cardeal Bergoglio, associando-o ao general Videla, que fez milhares de vítimas na Argentina durante a ditadura militar.
Enquanto isso, uma parte das pessoas, sobretudo as católicas, rejubilavam com esta nomeação, enchendo-se de alegria e esperança por a Igreja Católica ter pela primeira vez um Papa da América Latina, vendo nisso uma esperança de mudança e progresso.
Outras houve que se encantaram com a escolha do nome Francisco, associando-o, de imediato e na sua boa-fé, a S. Francisco de Assis, o religioso que renunciou à riqueza e se despojou de todos os bens materiais para se unir aos pobres e aos animais, vivendo em comunhão com a Natureza.
Com maior probabilidade o cardeal escolheu, na minha opinião, o nome igual a S. Francisco Xavier, o co-fundador da Companhia de Jesus, à qual pertence.
Por acaso, este Papa nasceu a 17 de dezembro como eu, e também como eu, se licenciou em Filosofia. Por aí, poderia ser-me, à priori, uma figura simpática. Mas bastaram poucas horas para que por todo o lado se pusessem a descoberto notícias que, a serem confirmadas, mais uma vez vêm demonstrar que o Vaticano não tem remédio, é sempre mais do mesmo, a "evolução na continuidade", como dizia o Professor Marcello Caetano.
Este cardeal tinha ficado em segundo lugar na eleição que escolheu Joseph Ratzinger para Papa. Agora, com a resignação daquele, este subiu a primeiro lugar. Apenas a dança das cadeiras, nada mais. O aparelho retrógrado do Estado mais rico e mais tradicionalista do mundo no seu melhor.
domingo, 3 de março de 2013
Marés de Lisboa
Fotos na manifestação de 2 de março (c) Luís Diferr
Quem quiser apoucar e dizer que foi irrelevante ou que não serve para nada, deixem lá: as câmaras de televisão não mentem. No Terreiro do Paço até havia uma dessas telecomandadas, que parecia um ovni, qualquer coisa high-tec, com luzes, pilotada à distância a medir ou contar, a infra-vermelhos, ou coiso e tal, modernices inventadas pela engenharia. Não sei números, nem faço questão de saber. Estive lá, da Fontes Pereira de Melo, onde me integrei na maré da Educação, logo atrás o Sindicato dos Músicos e a seguir a animadíssima maré da Saúde. Pouco passava das três da tarde e às sete ainda a cauda da manifestação não tinha conseguido entrar no Terreiro do Paço. Faça as contas quem souber, eu por mim não tenho quaisquer dúvidas de que foi das maiores manifestações de sempre em Portugal e sem organização institucional/sindical, note-se. Muitos milhares de idosos, a deslocarem-se com sacrifício por alguns km, jovens que já nasceram depois da revolução de abril... o que significa isto? Que tire as devidas ilações quem quiser.
Do meu ponto de vista o governo deve ir para casa, não tem (MESMO) apoio popular. Não vale a pena continuar a querer tapar o sol com a peneira.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
"O roubo do presente" por José Gil
"Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspetivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro.
O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu.
O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho.
O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias border-line enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens).
O presente não é uma dimensão abstrata do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público.
Atualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convívio. A solidariedade efetiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil.
Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espetral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si.
Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de ação. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país."
José Gil, filósofo, in Visão
Sobre o entoar da canção "Grândola vila morena" que agora vem ressurgindo (primeiro num órgão de soberania como a Assembleia da República e depois junto do governante Miguel Relvas), eis a interpretação de José Gil na TSF.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Eis a explicação
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O Nobel da Paz atribuído à União Europeia
O APELO DE OSLO À EUROPA
O Nobel da Paz atribuído à Europa representa um apelo duplo: aos dirigentes europeus, para que salvem uma União danificada; aos cidadãos, para que deem provas de solidariedade, num momento em que a crise coloca em causa o modelo social europeu, escreve o filósofo alemão Jürgen Habermas.É no momento da crise mais grave da sua história que a União Europeia vê ser-lhe atribuído o Nobel da Paz. Nas suas motivações, o Comité Nobel felicita-a por ter “contribuído para passar a maior parte da Europa de um continente em guerra para um continente de paz”. De facto, seria difícil imaginar outros motivos para motivar a atribuição de um prémio Nobel da Paz.Portanto, as circunstâncias da crise atual esclarecem a entrega deste Nobel, ou mais precisamente as repercussões que tal decisão pode ter na situação atual da União. Interpreto a decisão da atribuição do prémio Nobel da Paz à UE neste preciso momento, em que esta nunca esteve tão mal, como uma súplica às elites políticas europeias – as mesmas elites que vemos hoje, em tempos de crise, a agir sem qualquer coragem, nem qualquer visão.
Para além dos antagonismos históricos
Este prémio Nobel da paz mostra claramente aos governos que estão hoje na liderança dos países-membros da união monetária que precisam de olhar para além da sua própria sombra e que devem portanto avançar com o projeto europeu. Algo que está explicitamente escrito, no mínimo três vezes, no texto do apelo. O Comité Nobel começa por elogiar a reconciliação da construção da paz na Europa após a Segunda Guerra Mundial.
O texto evoca, em seguida, os esforços para construir e promover a democracia e a liberdade, assim como os processos de liberalização que a União Europeia levou a cabo nos anos 1980 a favor da Grécia, da Espanha e de Portugal, similares aos dos anos 1989-90 para os países da Europa central e oriental, que integraram mais tarde a União. Esforços que a Europa deve agora aplicar nos Balcãs. O Comité Nobel louva a coragem que a Europa teve para superar os antagonismos históricos e obter este sucesso civilizador que é o alargamento da União Europeia, que deverá um dia incluir a Turquia.
A Europa dos cidadãosMas há mais. É preciso esperar pela terceira motivação do Comité para encontrar a ironia da atribuição deste prémio Nobel da Paz à União Europeia. O Comité Nobel faz referência à crise económica que, nos países-membros da zona euro, está na origem “de perturbações e tensões sociais consideráveis” e que quase leva à rutura uma Europa comprometida por responsáveis incompetentes. Ao analisarmos bem o texto, percebemos que o que está em jogo é a terceira grande concretização da União, isto é, o seu modelo social, baseado no Estado-Providência.Neste momento, nós europeus estamos obstinados a permanecer imóveis e silenciosos numa União a duas velocidades. É por isso que interpreto também a decisão de atribuição do prémio Nobel da Paz à União Europeia como um apelo à solidariedade dos cidadãos, que deverão dizer que Europa pretendem. Somente o reforço das instituições da “KernEuropa” – o núcleo essencial europeu – permitirá dominar um capitalismo que se tornara incontrolável e parar o processo de destruição interna da União.
Publicado por LA REPUBBLICA ROMA, 15 outubro 2012
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