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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Costa Concordia e Titanic

"O ano em que se assinala o centenário do naufrágio do Titanic começou
com o naufrágio do Costa Concordia. E isso é tanto mais inquietante
quanto uma das passageiras do Concordia, Valentina Capuano, era
sobrinha-neta de uma vítima do Titanic, Giovanni Capuano. Mas há
outras rimas perturbadoras, da iminente guerra europeia de há um
século ao presente colapso europeu, passando pelo facto de há dois
anos o Costa Concordia ter sido escolhido pelo cineasta Jean-Luc
Godard como cenário de uma espécie de filme-catástrofe sobre o
capitalismo.
 Também podemos notar, é certo, diferenças pronunciadas. Aqui no
Expresso, o historiador Rui Ramos detectou algumas: “No Titanic, o
capitão foi ao fundo com o navio; no Concordia, é acusado de ter sido
o primeiro a fugir. No Titanic, como demonstra a estatística dos
sobreviventes, os homens honraram a prioridade clássica das mulheres e
crianças; no Concordia, correram logo histórias de latagões a empurrar
mulheres e a pisar crianças para chegar primeiro aos salva-vidas”. É
como se ao colapso naval se viesse juntar agora um “colapso ético”. (...)
(Costa Concordia encalhado junto à ilha de Giglio, na Toscana, janeiro de 2012)
Uma grande diferença entre o Titanic (nome colossal) e o Concordia (nome apaziguador) foi o modo como deles fomos espectadores. O Titanic chocou com um iceberg nos mares gelados do Atlântico Norte, longe da nossa vista, e à época apenas houve relatos nos jornais, ao passo que o Concordia adernou na plácida baía de uma ilha mediterrânica, à vista de todo o mundo. Na nossa ânsia televisiva, somos espectadores deste naufrágio, desta tragédia que, para quem apenas a observa, se torna um espectáculo, um espectáculo do sofrimento alheio, e talvez uma alegoria do nosso." 
Pedro Mexia, Expresso
Artigo completo aqui.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

10 anos sobre o 11 de Setembro de 2001


O horror que os americanos viveram e o que o mundo presenciou naquele dia não se pode varrer da memória. Aquele atentado à humanidade ficou conhecido no mundo de língua inglesa como 9/11, que eles dizem "nine-eleven".

Vi incrédula e em directo o ataque do segundo avião às torres do World Trade Center em New York e não queria acreditar que fosse real. Paulo Camacho na SIC estava igualmente estupefacto e dos canais de televisão norte-americanos confirmava-se a notícia "trata-se de um atentado e não de um acidente"! Pudera, um acidente não teria uma réplica idêntica minutos após o embate do primeiro avião.

Aquilo que parecia inacreditável desfilou diante dos meus olhos nos minutos e horas seguintes como um dos maiores horrores da história: pessoas a atirar-se de arranha-céus para o vazio e duas torres de aço, vidro e betão a despenhar-se como castelos de cartas! Centenas de bombeiros e socorristas pouco puderam fazer perante a magnitude do ataque. Quando a poeira finalmente começou a assentar e permitiu que se contassem os corpos carbonizados, entre mortos e desaparecidos, as vítimas foram quase 3000 pessoas, o que é inédito num atentado urbano.

A Al Qaeda de má memória reuniu durante meses ou anos o capital e os meios necessários para a preparação dos pilotos e, increditavelmente, as comunicações a respeito destes meticulosos planos, escaparam aos serviços secretos norte-americanos. O mundo aprendia com estupor que afinal o gigante era vulnerável e a inteligenzia do país mais poderoso do mundo não estava suficientemente atenta.

Se o perigo soviético, inimigo tradicional dos EUA havia passado depois do desanuviamento introduzido pela perestroyka de Mikhail Gorbachov, a partir de agora seriam as organizações fundamentalistas islâmicas a concentrar as atenções da prevenção contra o terrorismo urbano.

Eu costumava ter medo da ETA e do IRA; a partir dos atentados ao World Trade Center em NY, ao comboio de Madrid e ao Metro de Londres, as bombas daqueles movimentos parecem coisa pouca.

Voltei a sentir um frio no estômago há pouco mais de um mês com o atentado de Oslo e cheguei a escrever neste Blogue que a mortandade devia ser coisa da Al Qaeda. Mas o terrorismo ali tinha outro rosto, o de um jovem com cara de anjo, pseudo-neo-templário de extrema-direita, que queria "limpar" a Europa do multiculturalismo...  E dessa história ainda nos faltam muitos dados; mas é certo que a Noruega ainda não se refez, não só do choque, como da impreparação que se evidencou na falta de resposta atempada da polícia aos movimentos do assassino, que acabou por liquidar cerca de 80 pessoas em poucas horas. 

Uma coisa sinto como certa: depois do 11 de Setembro o mundo nunca mais foi o mesmo. Passaram 10 anos. A Mimi Lenox convida-nos aqui a recordar este 10º aniversário de um dos maiores ataques à humanidade. A Pérola de Cultura associa-se ao assinalar deste momento.

Grafismo: (c) Luís Diferr a partir de template de Mimi Lenox

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eyjafjallajökull espirrou há um ano

O vulcão islandês teve a 14 de Abril de 2010 a sua segunda erupção no espaço de um mês e foi o caos na Europa.
Os islandeses, a braços com uma crise de bancarrota, tiveram ainda de enfrentar toda a destruição de casas, estradas e campos de cultivo que o desastre causou. Muitos animais foram afectados pela inalação de cinzas e falta de pastos verdes para se alimentar.
O tráfego aéreo bloqueado deixou o país quase isolado e as companhias de aviação europeias perderam milhões de euros.
Assim se vê, tal como agora no Japão, que a Natureza pode mais do que o Homem e não adianta medir forças com ela.
No ano passado este Blogue comentou o fenómeno aqui.
O canal de televisão National Geographic transmite hoje às 20:40 um programa especial para assinalar a passagem de um ano sobre este acontecimento na Islândia.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Japão um mês após o Tsunami


Já demos conta deste projecto aqui.
O site que tomou esta iniciativa de solidariedade é francês e encontra-se aqui.

Entretanto, já terminou o prazo para o envio de ilustrações de autores/desenhadores que desejassem participar no leilão de ilustrações a favor do Japão. Contudo, continua a ser possível colaborar neste projecto, enviando as suas criações para publicação no Blogue.

A Pérola de Cultura e o Blogue de Luís Diferr enviaram as duas ilustrações abaixo, como oferta a favor das vítimas da catástrofe do dia 11 de Março no Japão, sobre a qual se completa hoje um mês.

Fica aqui a nossa homenagem a todos esses homens e mulheres de muita coragem, que enfrentam a enorme destruição das suas casas e dos seus postos de trabalho e também a nossa admiração pela sua postura cívica e ética exemplares.

Perante todos os que desaparecerm na tragédia, o nosso silêncio reverencial.

Que os desenhos possam expressar aquilo que as palavras não conseguem dizer.

Lelé Batita e Luís Diferr

(Veja as imagens do antes e do depois aqui).

domingo, 10 de abril de 2011

Ilustração para o Projecto Tsunami 1

"SENDAI" - Desenho a lápis e coloração em Phtoshop (c)Luís Diferr

(Clique sobre o desenho para ampliar)

Enviado para o site TSUNAMI, LE PROJET, a favor das vítimas no Japão.

Ilustração para o Projecto Tsunami 2

"HOPE" - Desenho a lápis: (c)Lelé Batita
Coloração em Photoshop de (c)Luís Diferr 

(Clique sobre o desenho para ampliar)

Enviado para o site TSUNAMI, LE PROJET, a favor das vítimas no Japão.

sábado, 2 de abril de 2011

Porque não há pilhagens no Japão?

(Imagem do Cafferty File)

Após o terramoto e tsunami de há três semanas no Japão, o mundo assiste com estupefacção a um fenómeno completamente inusual nestas circunstâncias: quando uma boa parte do país sofre com o caos e a destruição, ninguém ouve falar de roubos ou pilhagens, como aconteceu em 2005 nos EUA com o furacão Katrina, e após os terramotos do Haiti e do Chile.

O povo japonês, devastado pela perda de habitações, indústrias e campos de cultivo, anda ainda à procura dos seus familiares desaparecidos e conta os seus mortos. A acrescer a tudo isso, a ameaça nuclear é um perigo real que se abate sobre este país, já castigado no passado com duas bombas atómicas.

Tem sido notada a contenção, o civismo e a cidadania demonstarda pelos habitantes das zonas mais devastadas, que choram a sua desgraça, evidentemente, mas não se esquecem de ajudar o vizinho. No terreno multiplicam-se equipas de voluntários, que, sem nada ganhar, se vão revezando na busca de sobreviventes e resgate de pessoas e haveres no meio da destruição.

Nos supermercados os preços baixaram drasticamente logo que foi possível restabelecer o funcionamento dentro da "normalidade" possível na vida das populações. Os donos de máquinas de venda de bebidas passaram a distribui-las gratuitamente, por via do entendimento de que "todos trabalham para a sobrevivência de todos".

Onde nos outros países haveria vandalismo, ali há solidariedade. Onde haveria pilhagens, ali há generosidade. Qual a diferença? Como se explicam comportamentos em tudo contrários àquilo que é historica e sociologicamente expectável em situações de catástrofe?

Não páro de me espantar com esta elevada postura de cidadania e de me interrogar sobre os seus fundamentos, que contrastam aparentemente com o resto do mundo em condições idênticas.


Jack Cafferty, da CNN no seu artigo "Why there's no looting in Japan?" refere a possibilidade de haver uma relação entre esta demonstração de civismo e prática do Budismo e do Xintoísmo no Japão, decorrente dos valores éticos e morais inerentes à sua interiorização. Como refere Caffferty "values of conformity and consensus are considered virtues in their culture".

Cafferty fala num "vazio de moralidade" que acompanha os sentimentos das pessoas em situação de perdas múltiplas. No Japão, definitivamente, mesmo perdendo quase tudo, (algumas pessoas perderam mesmo tudo, incluindo a sua família e amigos), não se perdeu a moralidade.

(Obrigada ao Francisco Trindade pelo envio do artigo de Jack Cafferty).

sábado, 19 de março de 2011

Projecto Tsunami - imagens para o Japão

(c)Rémi Maynègre

O projecto partiu de um grupo de bloggers ligados à Banda Desenhada francesa agrupados em torno da comunidade criativa "Café Salé", com o propósito de ajudar as vítimas do terramoto e tsunami que assolaram o Japão no passado dia 11 de Março.

(c)Rémi Maynègre

Criou-se um espaço dedicado à recolha e publicação de desenhos e ilustrações para posterior leilão, cujos proventos reverterão a favor das populações afectadas, através da Give2Asia, uma organização de suporte local.

(c)Fabien Lacaf

São já muitos os desenhos publicados, dos 200 recebidos, de variados estilos e para todos os gostos. Reproduzo aqui apenas alguns daqueles que me tocaram especialmente e que considero de muita qualidade.


(c)Fabien Jacques

Os trabalhos, à medida que vão sendo recebidos, são sujeitos a uma pré-selecção, de modo a assegurar os padrões de qualidade exigidos.
 
(c)Felix Pray

O Blogue "Projet Tsunami" tinha até ontem 53000 visitas, conforme refere a notícia desta iniciativa no Figaro.

(c)Carole Maurel

O L'Express refere ainda outras ajudas de ONGs e grupos de artistas, como por exemplo a Festa de Animação em Lille, no dia 20 de Março, em que serão feitas doações de desenhos, numa iniciativa subordinada ao lema "un dessin, un don".

(c)Hibi for Japan

Também entre nós o Público noticiou esta interessante iniciativa, acompanhando o artigo com uma fotogaleria de 12 imagens.
Se é artista plástico ou autor de Banda Desenhada e deseja ajudar esta causa, clique aqui.

terça-feira, 15 de março de 2011

Carta a uma família franco-japonesa

(c)Hokusai -"La grande vague de Kanagawa"

"Je viens de voir (...) les moments tragiques que traverse le Japon. C’est vraiment difficile à croire la destruction provoquée par ce tsunami, les scènes dantesques de maisons, bateaux, trains, avions, traînées par les eaux comme de simples jouets d’enfant !

Moi et ma femme nous avons été (et sommes encore) choqués par les images et les numéros de victimes mortelles qui s’annoncent pour cette tragédie. Car c’est vraiment une tragédie, une catastrophe, et encore, comme tu dis, « la menace nucléaire n’arrange rien ! »

Bouleversée, ma femme a commenté aujourd’hui même : « Et puis, les Japonais, ils ne méritent pas ce coup parce qu’ils ont travaillé énormément pour construire leur pays, ils sont parmi les gens qui travaillent le plus sur Terre ! ». Évidemment, personne ne mérite pas une disgrâce pareille mais je la comprends, il y a du vrai dans ce qu’elle dit. Et les images de satellite avant et après la catastrophe sont suffisantes à le prouver. (...)

Nous voulons vous témoigner notre solidarité, tout en espérant que ta famille au Japon n’ait éprouvé que le tremblement de terre, sans trop de dommage. (...)

Toi, qui m’avais récemment parlé de ton envie d’aller au Japon, tu étais loin de deviner une catastrophe comme celle-ci !... Si la Nature est belle, elle est parfois terrible.

Mais, si l’on connait ce peuple, les Japonais surpasseront la peine et remettront leur pays en état. Et bien d’autres participeront sans doute à cet effort.

Tiens, je viens de lever le regard et d’apercevoir le dessin d’Hokusai « La grande vague de Kanagawa », que j’ai là au mur devant moi ; et je me dis : « Quel beau dessin !! Voilà comment l’artiste a transformé des moments de terrible angoisse en quelque chose éternelle et très belle ! »"

Luís Diferr

terça-feira, 15 de junho de 2010

Efeitos 100 vezes pior que o Katrina


O pelicano é uma das aves que corre perigo de extinção no Golfo do México pela acção absolutamente devastadora do derrame de crude proveniente da explosão da plataforma da BP. Já sucumbiram cerca de 800 exemplares desta espécie e receia-se muito mais consequências deste que é considerado um dos maiores desastres ambientais de sempre. Na Louisiana os estragos estão estimados em 100 vezes maiores do que os provocados pelo furação Katrina, prevendo-se ainda que o desastre continue a alastrar.

Ler pormenores aqui.

Avizinham-se tempestades solares


De 11 em 11 anos o nosso amigo Sol entra em desvario e começa a ter engasgos, convulsões e espirros, que podem causar danos nos nossos aparelhos eléctricos e até influenciar o clima, podendo provocar efeitos mais devastadores do que o furacão Katrina.

Cuidado com o Rei Sol! É tão lindo quanto perigoso, sobretudo nos ciclos de fúria.

Galileu, pioneiro na observação das manchas solares com a sua luneta, acabou por cegar devido à falta de protecção adequada das lentes na época.

Associado aos deuses Apolo na mitologia grega e a Rá no Egipto, o Sol é simultaneamente a nossa fonte de vida, já que o planeta não subsiste sem ele, e, simultâneamente, o nosso maior presumível inimigo. Veja-se a previsão do fim do mundo dos Mayas, que aparece associada a um desses ciclos de destruição.

Parece que a 21 de Dezembro de 2012 o Sol estará alinhado com a Terra e o centro da Via Láctea, o que poderá eventualmente (?) produzir alguns efeitos nefastos, como tsunamis, terramotos, furacões, etc... Mas isso não quer dizer necessariamente o "fim do mundo", como dizem algumas profecias catastrofistas, apenas que devemos estar atentos e tomar alguma precauções.

Pode ler a notícia do Expresso aqui.

terça-feira, 20 de abril de 2010

EYJAFJALLAJÖKULL e o vizinho do lado



O pior ainda pode estar para chegar se o Katla resolver replicar.
Imagens tão terríveis quanto belas com música magnífica de Jonn Serrie, Lookback, Midsummer Century.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Islândia - temor e tremor


Só costumava deitar umas fumarolas de vez em quando. Era como um gigante adormecido na placidez do véu branco onda jazia deitado. Acordou, rugiu e fez evacuar as populações do Sul. Como se de repente recuassem duzentos anos e tivessem de pegar à pressa nos filhos e migrar para outras paragens. Em vez de borregos levam sacos cama e em vez de candeias de óleo de rena, telemóveis de última geração, iniciando uma outra espécie de transumância, que não se sabe aonde e quando irá terminar.

Deixei aqui um post sobre a proibição do striptease na Islândia, a cuja discussão prometi voltar. Mas perante esta ocorrência tão séria, preocupa-me mais o risco eminente de uma erupção brutal de um outro vulcão vizinho, o Hekla, muito maior e mais devastador. Algumas populações islandesas estão a viver próximo desta espécie de bomba relógio, que pode estoirar a qualquer momento.

Uma consequência imediata desta erupção é o derretimento do glaciar que está associado a este vulcão, que já provocou o alagamento com água e lama de muitos hectares de terra cultivada.

A enorme quantidade de cinzas que está a ser lançada para a atmosfera já fez hoje encerrar um grande número de aeroportos do Norte da Europa e cancelar milhares de voos. Dizem os especialistas que a nuvem vulcânica está a alastrar e pode prolongar-se durante semanas.

Podem ver as imagens do vulcão em erupção: chama-se Eyjafjallajokull e assemelha-se àquilo que imaginamos ser o Inferno.
O que é, ao pé disto, o mini tornado de ontem sobre o Tejo?


quarta-feira, 3 de março de 2010

Sismo do Chile desviou o eixo da Terra 8 cm


"O sismo de 27 de Fevereiro no Chile que matou mais de 700 pessoas terá feito os dias na Terra mais curtos – embora imperceptivelmente, apenas 1,26 milionésimos de segundo mais curtos. Mas o eixo de rotação do planeta ter-se-á deslocado cerca de oito centímetros, em resultado do abalo de magnitude 8,8 na escala de Richter."

Notícia no Público, 02.03.2010 - 16:21

Embora os cálculos mostram que o sismo também tornou os dias mais curtos, o que acho mais impressionante é o desvio em si do eixo da Terra. Parece que a deslocação das placas submarinas causou um forte abanão no planeta inteiro, ao ponto de lhe alterar a posição.

Com sismos, tsunamis e dilúvios em série, um dia destes começo a pensar que os Maias tinham razão e se calhar em 2012 nos vai mesmo cair o céu em cima da cabeça, como receavam os gauleses da aldeia de Astérix...!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Uma flor para a Madeira


A SIC promove hoje domingo um concerto de solidariedade a favor das vítimas das inundações da Madeira, no Coliseu, com a participação de dezenas de artistas.
Esta iniciativa conta com o apoio do Presidente da República, que assistirá ao espectáculo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Desastre na Madeira



Nunca pensei vir a utilizar esta belíssima canção de Michael Jackson a propósito de um desastre desta dimensão em Portugal.

Como sempre há que tirar lições dos desastres naturais, pois a eles não é alheia a mão do homem: há que pensar que tipo de ordenamento territorial queremos nas nossas cidades, vilas e aldeias e parar de construir edifícios pelas encostas acima, sem atender à necessária florestação para segurar as terras.

Parece que continuamos a ter a tendência de pensar que as coisas más só acontecem aos outros; hoje enquanto via as imagens desta desolação, parecia-me que estava a assistir aos videos das derrocadas no Brasil, onde as pessoas empoleiram casotas pelas encostas acima formando favelas. Costumamos associar as desgraças à miséria, à fome e às más condições de vida. Aqui não era isso, era um destino turístico, chique e caro, onde reina há 30 anos um governante pretensioso...