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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Pérola de Cultura - 9 anos a escrevinhar


Faz hoje 9 anos que criei o Blogue "Pérola de Cultura", com a consultoria do meu querido colega e amigo Francisco Trindade, padrinho do Blogue. Durante vários anos por lá escrevi diariamente. Depois, como muitos outros, esmoreceu. Agora só ocasionalmente lá escrevo.
Contei com algumas preciosas colaborações. A todos, os meus agradecimentos por esses bons e ativos tempos. Agradeço também a todos os leitores e comentadores. E até aos que liam sem comentar.
Uma palavra especial de gratidão aos amigos bloggers que ajudaram a divulgar a existência da "Pérola de Cultura": Anabela Magalhaes, Paulo Guinote, Paulo Prudêncio, Domenico Condito, Luis Alves da Costa, João Amaral, Bago de Romã, Ema e tantos outros.
Foram anos bonitos de estreita colaboração com Luís Diferr, Tita Fan, Carmela, Gabi, P.D., L.A., José Ruy, Tacci, O Que Não Sabe Pensar e Becas.
Em 2009 e nos anos seguintes o Blogue Pérola de Cultura cumpriu o seu papel.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Contrastes

Alguém dizia que a vida está cheia de contrastes e matizes e nos fascina por todas as partes que encerra.
A mim fascina-me a beleza destes dias de final de verão, a luz e a claridade que se desprende de um dia de sol como este, dando-me uma alegria de viver que é por vezes contagiante.
À noite a escuridão aprisiona-me e fecha-me. Mas hoje, vi uma estrada de luz no lago, azul profundo, iluminado pela lua, e a sua magia encheu-me de felicidade.
A atmosfera única do pôr-do-sol, carregado de tons violeta e rosa, cedeu lugar ao brilho leitoso da lua que desprendia poalhas de cristal sobre as águas do lago, manso e tranquilo.
Esta minha atração pelos opostos, o sol e a lua, o dia e a noite, o calor e a frescura, a agitação e a tranquilidade, fazem de mim uma espécie de animal de instintos, quase selvagens, ao mesmo tempo pueris.
Suspiro e sinto-me bem. Vivo ao sabor dos ritmos da natureza e fico feliz.
Dá-me uma tranquilidade enorme adormecer com a lua, acordar com o cantar dos galos, mergulhar nas águas, respirar com a brisa.
Penso, respiro, leio e escrevo. E amo. 
Dentro em breve começarei também a falar, falar…
Para ti, vinte e cinco anos depois, sempre a minha palavra, a minha lembrança, o meu afeto. 
Sempre tu. E ela. E poucos mais. Muito poucos. 
Porque a amizade não trai, não morre, não passa. 
Como tudo o que é genuíno e puro.

Lelé Batita
07/09/2003

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A “Comunicação” até Gutenberg – (apontamentos)



Os homens sentiram sempre uma grande necessidade de comunicação, (as pinturas rupestres são disso os primeiros exemplos), e através dos tempos,  foram vários os suportes e meios utilizados, que têm sido uma importante fonte de informação para o estudo da história das civilizações.

A escrita pictográfica, base da escrita cuneiforme e dos hieróglifos é a origem de todas as formas de escrita e continua a ser utilizada. A escrita ideográfica surge como evolução da escrita pictográfica e os seus símbolos já representam objetos, ideias ou palavras completas associadas aos sons nas diversas línguas.
Verifica-se, assim, na evolução da escrita duas fases essenciais a ideográfica e a fonética.
Os sumérios que com os semitas formaram a Mesopotâmia no 4º. Milénio AC, considerados os inventores da escrita, mais de 20000 ideogramas, importante feito pela sua precisão e detalhe na fixação dos factos e pensamentos, começaram com um sistema pictográfico. Os símbolos sumérios eram desenhados na argila com um caniço afiado chamado estilete. Com o passar dos tempos em vez de traçar riscos passaram a imprimir com uma lâmina talhada em bisel, dando na argila a aparência de pregos ou cunhas, de onde derivou o nome cuneiforme.
Têm sido descobertas milhares de tabuinhas de argila de todos os tamanhos e épocas, não só com registos de negócios mas até cartas pessoais.
A escrita cuneiforme só foi possível ser decifrada através da “Inscrição de Behistun” (Monte Behistun-Irão), descoberta em 1598, texto escrito em três línguas e alfabetos diferentes. Foi uma investigação longa em que se destacaram o alemão Georg Grotefend que, em 1802, descobriu a chave para a decifração da escrita cuneiforme e o inglês Henry Rawlinson que desenvolveu um trabalho difícil e intenso, até que o sistema de escrita fosse totalmente descrito em 1847. A sua importância é comparável à “Pedra de Rosetta”, chave principal da decifração dos hieróglifos, descoberta em 1799, um decreto grafado em hieróglifos e em grego. Foi estudando e comparando esses escritos com outra inscrição bilingue de um obelisco, que Jean-François Champollion conseguiu em 1822 o grande mérito da completa decifração da escrita egípcia.

Uma nova escrita surgiu com o alfabeto fenício composto de 22 letras/sinais, só consoantes, que os gregos aperfeiçoaram e a partir do qual se formou de entre outros o alfabeto latino, que os romanos disseminaram. Na Idade Média iniciou-se uma atividade de reprodução manual de vários textos, sendo exercida principalmente nos mosteiros por grupos de monges. Livros começaram, então, a ser artesanalmente fabricados. Contudo, aumentada a procura, começou a ser utilizada a xilogravura que permitia produzir mais exemplares, mas nem mesmo as técnicas artesanais de gravura conseguiam atender ao aumento da procura de livros.
 A grande revolução aconteceu quando o gráfico alemão Gutenberg, por volta de 1439, introduziu a forma moderna de impressão, passando a utilizar "Tipos Móveis", em liga de metal, na sua prensa, possibilitando a produção e divulgação alargada do livro e, também, uma grande economia de custos para as gráficas e para os leitores. A sua maior obra foi a "Bíblia de Gutenberg", de grande qualidade técnica e estética.
Em 1899, o A&E Network classificou Gutenberg como o nº 1 na sua relação das "Pessoas do Milénio". Em 1997, a revista Time-Life escolheu a invenção de Gutenberg como a mais importante do segundo milénio. O verbete Johann Gutenberg da Catholic Encyclopedia descreve a sua invenção como tendo um impacto cultural praticamente sem paralelo na Era Cristã.

Outras fontes:
Documentário da RTP2-Notícias da Mesopotâmia, por Jean Bottero-1995
tipógrafos.net-História  da tipografia;
amaury.pro.br/textos/Escrita-História;
Wikipédia
Alfabetos-www.multimedia.pt/musevirtpress/

Tita Fan


(c) José Ruy, Gutenberg

Nos próximos dias publicaremos uma série de pranchas dedicadas a Gutenberg desenhadas por José Ruy em 1945.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Teolinda Gersão

Redacção "Declaração de Amor à Língua Portuguesa"
Da escritora Teolinda Gersão; assim mesmo, com dois "c", que isto do Acordo Ortográfico tem os dias contados. Terá?
A Língua Portuguesa é muito traiçoeira!
Quem já se esqueceu da famosa TLEBS?
Leiam aqui.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Jogos de letras


Só a língua portuguesa consegue isso

 A letra "P"
Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo...
Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. - Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.
Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? Papai - proferiu Pedro Paulo - pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando.
Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus.   Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito.
Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.
Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...  Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar.
Pensei. Portanto, pronto parei.
E você ainda se acha o máximo quando consegue dizer:
"O Rato Roeu a Rolha da Garrafa do Rei de Roma" Valha-te Deus...
(Daqui )

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dia mundial para a Liberdade de Imprensa

 O dia 3 de Maio foi declarado Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pela Decisão 48/432, de 20 de Dezembro de 1993, aprovada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas. 
Foi escolhido o dia 3 de Maio por se tratar da data do aniversário da Declaração de Windhoek. 
Esta Declaração foi aprovada durante um Seminário organizado pela UNESCO sobre a "Promoção da Independência e do Pluralismo da Imprensa Africana", que se realizou em Windhoek, Namíbia, de 29 de Abril a 3 de Maio de 1991. 
A Declaração considera a liberdade, a independência e o pluralismo dos media como princípios essenciais para a democracia e os direitos humanos.  (PAN - Sintra)

quarta-feira, 21 de março de 2012

O desacordo ortográfico

Os leitores frequentes já se aperceberam que aqui no Blogue comecei a escrever segundo o Novo Acordo Ortográfico a partir de setembro. Isto prende-se com o facto de que, a nível profissional fui obrigada a fazê-lo e parece-me um tanto esquisito usar duas ortografias diferentes no mesmo idioma. 
Contudo, os colaboradores do Blogue têm a liberdade de não querer fazê-lo ou mesmo não concordar de todo com o A.O., coisa que acontece com pelo menos dois deles. Porque o Blogue é plural e respeita outras opções, divulgo aqui a opinião de um deles.
"Andaram os miúdos, durante 10 anos, a estudar segundo as regras de antes do acordo ortográfico e, em 2 anos, têm de reprogramar o seu cérebro para os exames do 12º ano, que já são corrigidos com o novo AO. Para agravar ainda mais, vem o secretário de Estado da Cultura a dizer que cada um pode escrever como quiser:
(http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/acordo-ortografico-andam-a-brincar-com-o-ensino)?
Por isso é que ainda continuo a escrever como se não existisse acordo. Por mais explicado que seja (http://www.ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=29368) e para exemplificar, não posso aceitar que cor-de-rosa tenha hífenes e cor-de-laranja os tenha perdido. É verdade que ainda não fui à procura, mas gostaria de saber quem foi o, ou os Senhores Doutores, Professores Catedráticos com Pós-Doutoramento, que fizeram esta idiotice. Sim, lá ideias não faltaram. Possivelmente são estes que dizem que, quem não tem o grau de Mestre, no mínimo, não pode opinar nem produzir opinião... mas depois fazem estas merdax, ops, digo, merdas. Não pretendo ser ofensivo mas isto é português correCto... Claro que existem, e penso que são a maioria, catedráticos que não têm este tipo de estar."
O Que Não Sabe  Pensar 

quinta-feira, 1 de março de 2012

A Associação de Professores de Português em defesa do Acordo Ortográfico



Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português, em entrevista à Agência Lusa, disse
"lamentar as declarações do secretário de Estado [da Cultura], e também que entre os governantes não haja acordo". A responsável recordou que "saiu uma portaria do Ministério da Educação, segundo a qual os professores são obrigados a aplicar o novo Acordo Ortográfico a partir do ano lectivo 2011/12, a decorrer". "E agora com que cara vão dizer aos alunos que cada um escreve como entende", questionou a docente. "Andam a brincar com o ensino, com os professores, com os alunos, com os pais, com toda uma comunidade", disse. (Daqui)
Eu cá, como devo ser bruxa, já tinha dito isto mesmo a noite passada aqui mesmo abaixo, num post chamado "O Acordo Ortográfico, uma teia de Penélope" .
Não há paciência para quem não respeita o trabalho dos docentes.

O Acordo Ortográfico, uma teia de Penélope



Era bom demais para ser verdade, que alguma coisa se pudesse fazer sem a respetiva guerrinha. Tudo gera polémicas, oposições e inimigos figadais. O Acordo Ortográfico não é exceção. Como quase todo o resto, transformou-se numa batalha com contornos políticos.
Neste país está a tornar-se moda os governos dizerem uma coisa e depois vir alguma coisa que os desautoriza. Não está em causa a justeza ou a pertinência dessas ordens, mas que sistematicamente as decisões se façam e desfaçam, faz lembrar uma teia de Penélope.
Desculpem os opositores ao A.O. mas depois de ações de formação obrigatórias nas escolas, manuais editados e instruções de como ensinar aos alunos a nova grafia, parece um nadinha atrasada a polemização de uma medida que já tinha sido implementada (e, para alguns, a muito custo). Porque não se discutiu a questão há um ano? Ou mais para trás ainda, antes da assinatura do Acordo?
Não será isto, por acaso, andar a gozar com a cara dos professores? Cá a mim parece-me. Mas também me parece que é para o lado que o secretário de estado Viegas dorme melhor. Deve estar mais preocupado em não contrariar o seu amigo Graça Moura, a quem empossou como diretor do CCB, desde o princípio um dos maiores opositores ao A.O. A notícia ridícula é esta:



Francisco José Viegas afirmou ontem que o Governo se prepara para alterar o Acordo Ortográfico até 2015 e que cada português é livre para escrever como entender. (EXPRESSO)
Como vai o secretário Viegas articular esta decisão de alterar o A.O., uma coisa que o MEC já mandou implementar nas escolas há meio ano? Não são agentes do mesmo governo? Em que ficamos?
Tenho vindo a utilizar minúsculas e a suprimir consoantes mudas nos textos do Blogue desde o dia 1 de setembro, data em que, no meu local de trabalho fui compelida a fazê-lo em todos os textos escritos, qualquer que fosse o seu teor. Até ordem expressa em contrário, escreverei assim. A maior parte dos colaboradores do Blogue também está a usar a nova ortografia nos textos, antes mesmo de eu ter decidido implementá-la. 
Por favor, entendam-se de uma vez as cabecinhas pensadoras. Mas sem fazer disto uma questão política ou guerrinhas de poderes, cada uma no seu quintal. 
A questão deve ser devolvida a quem de direito: aos especialistas em Linguística, à Academia das Ciências, mas não aos políticos, que só por mero acaso, às vezes, são também escritores.
Cada um fazer como quer não é nada. A ortografia deve ter uma norma comum aos falantes da mesma língua, ou, no mínimo, aos habitantes da mesma comunidade territorial. Ou não???


A Associação de Professores de Português reagiu assim a esta declaração do secretário de estado.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A importância dos textos

 " Les textes peuvent maintenant être lus non plus comme un résultat d’un don ou d’une inspiration divine mais bien comme le produit d’un ensemble de taches qui, répertoriées, explicitées, théorisées, deviennent accessibles à quelqu’un qui veut apprendre à écrire à partir des lectures qu’il fait.” 
Claudette Oriol-Boyer
(Cortesia de Cátia Barroso) 

sábado, 26 de novembro de 2011

Apanhar a onda


"Nas conversas mais fundas não falo de pessoas - das suas pequenezes, do que fazem neste assunto ou no outro, na maneira como sorriem, irritam ou enternecem. As pessoas e as notícias que nos atropelam trazem-nos ressentimento e nunca clarividência. Um dia, na idade dos balanços, talvez consiga desviar-me do ruído e apanhar uma onda gigante onde vivem as ideias e a imensidão do mundo. Aí, onde não se discute o dia de amanhã, tudo fará sentido."

domingo, 16 de outubro de 2011

Agustina Bessa-Luís



Fez 89 anos umas das mais notáveis escritoras portuguesas.
Para mim Agustina está para a prosa como Sophia de Mello Breyner Andresen estava para a poesia. Alguma coisa pulsional, tão forte e indispensável como respirar as leva(va) a escrever e a descrever sentimentos, emoções, lugares e tempos.


Habituei-me a ver a  "Sibila" na mesa de cabeceira da minha avó Matilde. Acho que tinha grande afinidade com a escrita dela e até fisicamente eram parecidas. A partir daí ofereci-lhe regularmente livros de Agustina, que ela devorava com igual devoção da que dedicava a Virgílio Ferreira.


Obras de referência como "Vale Abrãao", que deu origem a um filme de Manoel de Oliveira, são imensas e não as posso enumerar. Desejo muita vida a Agustina e dou-lhe os parabéns pela excelência da sua escrita. Para mim falar de Agustina é como recordar a minha avó, que teria hoje 90 anos.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Acordo ortográfico será aplicado no ensino em 2011/2012


O Governo aprovou hoje uma resolução que determina a aplicação do acordo ortográfico da língua portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011/2012 e na administração pública a partir de 01 Janeiro de 2012.

Ler aqui.

Não adianta fazer resistência. A entrada em vigor do novo acordo ortográfico é um facto consumado.
O melhor é ir começando desde já a treinar, ao menos para minimizar os efeitos da mudança quando chegar a altura de ter de começar a corrigir os "novos erros" dos nossos alunos...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Escrever à mão ou no teclado? Eis a questão


  

Debate-se aqui essa questão. Há medicos que defendem o abandono do uso dos computadores.

De colegas professoras do primeiro ciclo do ensino básico ouvi muitas queixas sobre o computador Magalhães na sala de aula, cujo uso quase em exclusivo, a breve prazo se traduz numa grande dificuldade em ensinar as crianças a escrever à mão. Acredito que se ganhe facilmente dependência do teclado, até porque, com a luz radiante que emite, as cores, as barras e as janelas, convenhamos, que para uma criança, se pode tornar muito mais apelativo do que uma simples página de caderno.

Confesso que desde sempre senti fascínio pelos cadernos, livros e revistas e ainda hoje retiro grande prazer da escrita à mão, infelizmente cada vez menos frequente. A brancura imaculada de um caderno, o seu cheiro e o seu toque, a maciez da caneta que faz nascer a escrita, construída pelo movimento da mão em sucessivos arabescos, são algo que nada substitui.
As conexões intectuais da escrita manual não são entrecortadas pela busca sucessiva das letras no teclado e tudo parece ganhar uma textura mais uniforme.

Porém, não poderia abandonar a escrita no computador. Nada como ele nos permite tantas correcções em tempo mínimo, a substituição de páginas ou documentos por inteiro, ou a inserção de excertos, imagens ou hiperligações. Concordo, contudo, que se evite o seu uso excessivo pelas crianças, antes de estas obterem um bom domínio da escrita manual e conseguirem estruturar uma caligarfia própria. Ainda continuo a sofrer muito com a correcção das provas escritas dos alunos cuja escrita é de difícil decifração e manifesta uma ausência quase total de treino de caligrafia.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O acordo ortográfico em doses homeopáticas


Não vale a pena alimentar o medo de que vamos chegar a um dia em que constatamos não saber escrever.
O acordo ortográfico já não está sujeito a "desacordos", pois ele já é um facto consumado (foi assinado em 1990) e veio para ficar.

Presume-se que a 1 de Setembro de 2011 o acordo será começado a introduzir nas escolas, mas a nova grafia já circula abundantemente na melhor imprensa. Temos até 2014 para adoptar (adotar) a nova grafia e deixar de escrever com erros.

Há que não confundir a língua com a ortografia e o melhor será irmo-nos desde já tentando adaptar, para daqui a alguns meses não depararmos com tantas dúvidas ao escrever.

Este acordo é um instrumento regulador da grafia, mas não é um acordo de unificação a língua. Ela continuará a ter diferenças nos planos sintáctico e lexical consoante os países. Noutros países onde há vocabulário e construções gramaticais diversas de Portugal,  como é o caso do Brasil, que tem 180 milhões de falantes, é óbvio que a superioridade numérica pesa sobre os 10 milhões de falantes de Portugal, mas ninguém nos irá obrigar a falar como os brasileiros.

Dispomos de algumas publicações especificamente dedicadas à divulgação das alterações introduzidas pelo acordo ortográfico, nomeadamente, alguns livros:
- de autoria de Sandra Duarte Tavares e Sara de Almeida Leite, que se pretende um guia temático para a resolução de grandes dúvidas intitulado SOS Língua Portuguesa;
- de Paulo Feytor Pinto, O Essencial sobre Política de Língua;
- um Dicionário de dúvidas, dificuldades e subtilezas da Língua Portuguesa, da autoria de Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão;
- um novo Dicionário da Língua Portuguesa coordenado por João Malaca Casteleiro, à luz do novo acordo.
Dispomos ainda do Portal da Língua Portuguesa.

No programa "Sociedade Civil" da RTP2 às 14 horas, todas as sextas-feiras passará a haver uma rubrica dedicada à divulgação das alterações consignadas no acordo ortográfico. Hoje o programa contou com as presenças de Henrique Monteiro, director (diretor) do jornal Expresso, Hermínio Corrêa da CONFAP, Paulo Feytor Pinto, da Associação de Professores de Português e Sandra Duarte Tavares, consultora do site Ciberdúvidas.

Pode ver aqui a emissão de hoje.

MINHA PÁTRIA É MINHA LÍNGUA

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Função do apóstrofo


A pergunta foi: qual a função do apóstrofo?
Para quem não se lembra, apóstrofo é aquele "risquinho" que serve para suprimir vogais entre duas palavras.... Ex: caixa d'água.

E a resposta (imperdível) merece um troféu:


(Clique sobre esta imagem para ampliar)

Enviado por L.A.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Isabel Alçada desdramatiza Acordo Ortográfico


"A ministra da Educação defende que os professores com um simples lápis devem fazer o exercício com os alunos de corrigirem a antiga grafia dos livros.

A ideia foi deixada esta tarde na sessão oficial de abertura das Correntes d’Escritas, o encontro de escritores, que decorre na Póvoa de Varzim.

Isabel Alçada, que defendeu a aplicação do Acordo Ortográfico nas escolas no ano lectivo de 2011/2012, considera que não se trata de uma tarefa complicada, terá os seus ritmos, mas os professores poderão já começar a ajudar.

Vasco Teixeira, administrador da Porto Editora e membro da Comissão do Livro Escolar, até não vê com maus olhos a ideia, mas lembra que o Acordo vai levar mais tempo a ser aplicado.

“Não é possível num único ano lectivo substituir os livros e os manuais todos que temos no país, não só pelos prejuízos que isso podia causar aos editores, mas sobretudo pelos prejuízos que causava às famílias”, argumenta.

Há que fazer um planeamento da implementação do Acordo Ortográfico em “dois ou três anos lectivos” e Portugal deve atender aos ritmos da lusofonia africana, defende
Vasco Teixeira."


Rádio Renascença, 24 de Fevereiro de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Acordo Ortográfico disponível on-line


"Acordo Ortográfico com consulta gratuita na Net"

"O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado em Outubro pela Porto Editora, está disponível gratuitamente na Internet.

A obra teve orientação científica do linguista João Malaca Casteleiro e está disponível em http://www.infopedia.pt.

Graciete Teixeira, do departamento de dicionários da Porto Editora, justifica a disponibilização online da obra com a fase de transição ortográfica face à aplicação do novo Acordo Ortográfico.

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) permite pesquisar mais de 180 mil vocábulos representativos do património lexical da língua portuguesa.

Disponibiliza ainda informações sobre classificação gramatical, indicação de pronúncia, formas irregulares no feminino, plurais de compostos, estrangeirismos, abreviaturas e símbolos mais usados na língua portuguesa."


Jornal de Notícias, 29 Janeiro 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O desacordo do Acordo (Ortográfico)


Para fazer o ponto da situação relativamente ao Acordo Ortográfico importa esclarecer que:
- entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2009;
- manter-se-á em período de transição até 1 de Janeiro de 2012, altura em que se tornará obrigatória a nova grafia.
- até lá admitem-se em contexto escolar e nos órgãos de comunicação social as duas formas.

Fica aqui a síntese do que mais importante ficou escrito pelos comentadores de ontem, a quem agradeço a colaboração nesta discussão.



"O Krónikas Tugas foi ao cerne da questão e da trafulhice que é este acordo ortográfico. Vou transcrever para aqui o que foi dito então no referido blogue.

«5 – Quanto às consoantes mudas, aí até sou capaz de compreender, porque apesar da sua função de abrir a vogal seguinte, a pronúncia não terá grande tendência a alterar-se. Essa ainda será a mudança que menos me incomoda, apesar de tornar difícil distinguir um “corrector” ortográfico dum “corretor” da bolsa de valores. O que já não faz sentido é uma série de alterações que, longe de trazerem algum ganho, só vêm lançar a confusão, nomeadamente ao nível dos hífenes. Qual é a vantagem de transformar mini-saia em minissaia? E director-geral em director geral? Isto é que é o caos, porque há hífenes que desaparecem e as palavras separam-se, enquanto noutros casos dobram a vogal.

6 – Mas a grande aberração ainda vem a seguir: é que ao admitir a escrita de acordo com a pronúncia entra-se no domínio do vale tudo. Se cada um escreve como fala, então tudo é legítimo, até um portuense escrever que “eu beijo o cu daquela baca” enquanto um lisboeta escreve “eu vejo o cu daquela vaca”! Pior que isso, com a obsessão de fazer cair consoantes mudas, a “uniformização” cria situações de dupla grafia quando antes e grafia era igual. Como os brasileiros lêem o “c” de “perspectiva” ficam com ele. Como os portugueses não o lêem o “c” cai, e assim se tornou diferente o que antes era igual.»

A isto, a não ser que com o acordo se tenha mudado o significado das palavras, não se dizer que seja uniformização.

Quando aquilo que antes era igual agora fica diferente e quando as coisas mudam de duas ou três maneiras diferentes, juntando a questão da escrita conforme os sons, então o que se tem é 50 ortografias diferentes. Em vez de passarmos de meia dúzia de maneiras de escrever para uma, estamos é a multiplicar as coisas para 10 vezes mais.

E já agora aproveito para levantar uma questão. Para se escrever com a nova ortografia vai ser preciso aprende-la, certo? Assim sendo, quanto tempo acham que será preciso para ensinar 250 milhões de pessoas, muitos deles até sem acesso a escolas, outros ainda com já décadas de grafia antiga em cima a escrever com a nova? Arrisco dizer, 50 anos.

Por isso pergunto: em 50 anos a língua vai permanecer estática? É que se calhar, quando toda a gente já souber escrever conforme as regras deste acordo será já preciso outro.

(...) não vai haver grafia comum nenhuma. Essa é que é a questão. A grafia, com a possibilidade de se escrever "foneticamente", vai criar imensas maneiras diferentes de escrever a mesma coisa, mesmo dentro dos próprios países.

De resto é como se diz, no inglês há grafias e sotaques diferentes de país para país. Na Commonwealth of Nations eles entendem-se perfeitamente sem precisarem de acordos. Para que raio vamos nós inventar coisas?

(...) só entra em vigor se as pessoas quiserem. Se ninguém escrever como o acordo quer, ou se forem poucos a fazê-lo, se os professores baterem o pé e não o ensinarem, se os jornais não forem na onda do acordo e baterem eles também o pé e por aí fora, não há nada para ninguém."


Elenáro


"Em Portugal é instituída uma lei específica (Lei n.º 107/01) que no artigo 2º conceitua o património Cultural como:
Artigo 2º

1. Para os devidos efeitos da presente lei “integram o património cultural todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devam ser objecto de especial protecção e valorização.”

2. “A língua portuguesa, enquanto fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português.”

Estou totalmente em desacordo com o acordo. Não percebo como é que a língua portuguesa, que faz parte do nosso património nacional pode ser assim tão maltratada, com estes atropelos.

Como dizia o Jorge Amado "não há acordo que me faça escrever de forma diferente""


Safira

(Foto de Ramiro Marques)