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domingo, 9 de novembro de 2014

25º aniversário da queda do muro de Berlim


"O Muro de Berlim era uma barreira física construída pela República Democrática Alemã durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental, separando-a da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental." (Wikipédia)



A 9 de novembro de 1989 esta estrutura foi derrubada, ante o regozijo de milhares de berlinenses dos dois lados. O que dela resta é uma herança simbólica da Guerra Fria, da separação Leste-Oeste, não só dentro da Alemanha, mas por todo o mundo, para onde foram exportadas dezenas de fragmentos.
Estimulada pela Perestroyka de Gorbachov, a Europa de Leste viria a conhecer uma nova era de liberdade; e a queda do muro simbolizou a destruição da "cortina de ferro" sob a qual os países do leste tinham vivido, com a cidade de Berlim aprisionada por um muro desde 1961, ano da sua construção. 
Uma aurora de esperança nascia com o seu derrube, há 25 anos.
Hoje o troço do muro que está preservado foi transformado em galeria de arte a céu aberto, com centenas de graffiti que retratam a opressão, o racismo, as prisões, a censura, mas também a liberdade, a mudança e a esperança. 
Em 2000, de visita a Berlim, senti que a capacidade criativa e regeneradora dos povos e das gentes que confluem na capital alemã fizeram do muro de Berlim um Museu vivo e em constante evolução. Ele constitui um testemunho histórico importantíssimo para a memória dos seus antigos habitantes, mas também promove uma aprendizagem sobre o passado, junto das gerações de jovens que nasceram após a sua queda. 


Porta de Brandenburgo
Os 16 km originalmente ocupados pelo muro em Berlim, estão durante este fim de semana reconstituídos através de uma fileira de balões luminosos para comemorar este aniversário. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

As voltas da Europa



Dos resultados das eleições europeias duas coisas saltam à vista: na França a subida, da extrema-direita, pela mão da família Le Pen; na Grécia, a vitória da Syriza, cujo líder é Alexis Tsipras.  
Se o fenómeno francês já era  algo esperado, pelo contrário, a subida da esquerda dita radical na Grécia é surpreendente. 
Se por um lado a sociedade francesa há muito que se debate com conflitos de natureza racista e xenófoba, o que pode explicar esta subida, os gregos estão cansados dos partidos ligados aos habituais governos, que sistematicamente têm imposto ao povo uma austeridade crescente e sacrifícios nunca antes vividos.
Interessante será ver como a Syriza vai encarar a Front National no Parlamento Europeu, depois de o seu patriarca ainda há pouco ter declarado à imprensa que "o problema do excesso de emigrantes se resolveria facilmente com o vírus ébola"!


Se não se conseguir dominar em breve estes aspirantes a Hitler, podemos vir a enfrentar na Europa um déjà-vu de seríssimas consequências, como se as memórias do holocausto nazi já se tivessem dissipado das nossas mentes... 
Para este combate é fundamental a presença da Syriza no Parlamento Europeu. 
Pena é que Portugal tenha tido uma expressão tão fraca de deputados eleitos pela esquerda e uma abstenção tão elevada. Pensava eu que o pessoal já estava mentalizado que não é não votando que os problemas se resolvem...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Votar nas Europeias

(foto: cortesia da Carmela)
Ao aproximar das eleições europeias, ouvimos muitas vozes dizendo que não vão votar, que não sabem em quem votar ou, pior, que acham que estas eleições não servem para nada. 
Sistematicamente estas eleições registam uma taxa enorme de abstenção.
Menospreza-se à boca cheia a importância das decisões tomadas em Bruxelas e Estrasburgo pelos representantes dos países membros da UE, que, na realidade, são por nós eleitos. 
Cada vez mais aquilo que nos afeta internamente vem das instâncias europeias, que nos governam não só com diretrizes explícitas, mas também com pressões e influências diretas nas medidas assumidas pelos executivos dos países, incluindo o nosso.
Com a escalada recente e exponencial dos grupos de extrema direita na Europa, é mais do que nunca fundamental o voto nas europeias de forma massiva. É necessário que a participação seja mais expressiva do que o habitual, sob pena de deixarmos que a indiferença tome conta de nós. Ela é o pior de todos os males. Não se deve desperdiçar a oportunidade de votar que nos é dada.
Nem sempre foi assim. O voto foi conquistado a partir de muitas lutas e sacrifícios de outros e outras no passado. 
Não deixemos que se perca esta importante conquista, ou que o seu significado fique progressivamente esvaziado de conteúdo. Usemos de um direito civilizacional de construção da cidadania nos países europeus. A democracia e a liberdade não são valores garantidos. Eles têm de ser mantidos e cultivados.
Vamos sair de casa e votar nas eleições europeias!



(Filme: cortesia de Maria Alda Silva) 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Zé Povinho, acordado ou dormindo?

Pois não sei! 
Até quando poderão os senhores desta terra fazer tudo a seu belo parecer, desconsiderando os bolsos vazios e o cinto apertado de quem trabalha. 
Não sei se o Zé Povinho está acordado ou a dormir.
Se afinal é parvo ou finge que o é. 
Para menos sofrer, não quer perceber que estão a lixá-lo; não só a si, como aos descendentes que tentou criar para não deixar despovoar de todo um país, que qualquer dia só terá velhos, desempregados e reformados compulsivos. 
Pobre Zé, iludido e ostracizado.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Que vive la France! 2

"La liberté guidant le peuple" - Eugène Delacroix - Louvre

Aos valores da Revolução Francesa - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - o vencedor das eleições em França, François Hollande, veio hoje no seu discurso afirmar ainda outras bandeiras que, esperemos, sejam para para pôr em prática: Solidariedade, Dignidade, Igualdade de Género, Justiça e Educação, afirmando ainda que os problemas da Juventude são uma das suas prioridades.

O Partido rosa teve quase 52% dos votos, apenas mais (cerca de) 4% do que Sarkozy e afirma-se presidente de todos os franceses. A "unidade na diversidade" é uma das suas palavras de ordem, fazendo lembrar alguns dos chavões utilizados por Mário Soares, ao afirmar o pluralismo.

Este ex-assessor de François Miterrand e ex-marido de Segolène Royale, é formado em Direito e Ciência Política e traz de novo o socialismo democrático para a França, 17 anos depois. Espero que Hollande não me desiluda muito, como fizeram Sócrates e Zapatero abaixo dos Pirinéus. E, já agora, que não ajude a França a tornar-se uma nova Grécia e a mandar ao fundo a Europa toda.

Daqui a algum tempo começaremos a perceber a nova correlação de forças na Europa, depois desta eleição e do novo mosaico parlamentar - complicadíssimo - da Grécia, onde vão sentar-se deputados de extrema-direita pró-nazi, o que é francamente assustador, e, para mim, inédito. Felizmente Marine Le Pen não conseguiu passar à segunda volta nas presidenciais francesas...

A melhor notícia da noite foi a impossibilidade de continuar a perpetuar-se a "santa aliança" Merkel-Sarkozy. Oxalá este novo presidente não venha a tornar-se um novo lacaio da "Frau-Chancelerina". Sempre lhe achei um aspeto de dona-de-casa da RDA, com a mania de mandar cortar rente a relva daquilo que ela pensa ser  o perímetro do seu quintal.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Children of the Rainbow

"40.000 fighting terror with love, care and roses in Oslo"
(by Renny B. Amundsen)


A cidade de Oslo mobilizou-se debaixo de chuva e frio para entoar uma canção infantil como forma de protestar pelo assassinato de 77 pessoas há quase um ano, enquanto decorre o julgamento de Anders Breivik. O homem é um assassino confesso sem qualquer espécie de arrependimento e odeia o multiculturalismo, aquilo que para os 40.000 noruegueses que se manifestaram nesta praça, é um valor de cidadania indissociável da sua democracia inclusiva.
A Pérola de Cultura, desde o trágico acontecimento, solidarizou-se com a dor destes cidadãos e continua a fazê-lo neste momento, esperando uma punição exemplar para o responsável pela morte crua de adultos e crianças inocentes na Noruega.





Foto de Visit Oslo

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de abril em Portugal e em Itália




O dia 25 de abril é feriado em Portugal e em Itália. Em ambos os países se assinala o dia da liberdade. Poucas pessoas sabem que a queda do Estado Novo (1974) coincidiu com o dia e o mês em que havia caído o fascismo em Itália. 
"O “25 Aprile” deu-se em Itália em 1945. Os "partigiani" (guerrilheiros anti-fascistas) e as forças aliadas protagonizaram a libertação da ocupação das tropas nazis, pondo fim à ameaça do fascismo ressurgir no seu panorama político". 
Ler mais aqui

25 de abril

(Cartaz cuja autoria não foi possível identificar)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Recordar Martin Luther King

"Yes, if you want to say that I was a drum major. Say that I was a drum major for justice. Say that I was a drum major for peace. I was a drum major for righteousness. And all of the other shallow things will not matter."
Martin Luther King

Este é um extrato do seu discurso na Igreja Batista de Ebenezer, a 4 de fevereiro de 1968. No mesmo ano, a 4 de abril, era assassinado em Memphis este homem, que lutou por manter vivo um sonho: o da igualdade de direitos civis para todos os negros.
"Martin Luther King nasceu em Atlanta, a 15 de janeiro de 1929 e foi um pastor protestante e ativista político norte-americano. Destacou-se na defesa direitos civis dos negros, promovendo uma campanha pela liberdade, contra a violência e a segregação racial."
(Daqui)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O que vai acontecer à Grécia e a Portugal?



Não consigo escrever comentários, pois fiquei com a alma embargada depois de ler esta notíciaParece que já estivemos mais longe de ver os países periféricos perderem a sua soberania. Mas, para todos os efeitos, apagando o 1º de dezembro, tal coisa parece já não interessar para nada! Só a simples conjetura me causa arrepios... 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Democracia

Pablo Picasso

Roubai-nos e chamai-lhe economia nacional.
Tirai-nos as nossas casas e chamai-lhe planificação regional.
Humilhai-nos e chamai-lhe assistência social.
Tornai-nos loucos e chamai-lhe higiene mental.
Envenenai-nos e chamai-lhe conservação do meio ambiente.
Adormecei-nos e chamai-lhe ideologia de consumo.
Deixai-nos no desemprego e chamai-lhe reconversão.
Confundi-nos e chamai-lhe publicidade.
Vendei os nossos corpos e chamai-lhe liberdade sexual.
Enganai-nos e chamai-lhe política de rendimentos.
Coisificai-nos e chamai-lhe nível de vida.
Escarnecei do nosso trabalho e chamai-lhe jubilação antecipada.
Menti-nos e chamai-lhe liberdade de expressão.
Tiranizai-nos e chamai-lhe democracia.
Claes Andersson1974, Versão a partir da tradução castelhana de Francisco J. Uriz
Enviado por Carmela

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O muro de Berlim e os outros



O muro de Berlim começou a ser derrubado há 22 anos a 9 de Novembro. Desde então o mundo mudou no que se refere à tolerância às ditaduras e todas as formas de opressão e segregação de seres humanos.
Porém, e por incrível que pareça, ainda há muros deste tipo no mundo. Há que derrubá-los a todos. E para isso há que trabalhar para alertar as consciências e dar ânimo aos povos oprimidos para que não desistam de continuar a sua luta pela liberdade. 
Há organizações no terreno com essa vocação, como a Amnistia Internacional, mas cabe também a cada um de nós, levar por diante, à sua maneira e com os meios de que dispõe, essa cruzada. 
Há dois anos promovi uma exposição na minha escola em que os alunos de Artes recriaram, com o seu sentimento e através de técnicas mistas, a vida dos cidadãos antes da queda e as repercussões deste acontecimento no mundo após a mesma.


Aqui um artigo sobre o significado do derrube do muro de Berlim

domingo, 11 de setembro de 2011

O 11 de setembro de Allende





Após o horror das imagens das torres do World Trade Center e restantes atentados de 11 setembro de 2001, quase nos esquecemos do outro 11 de setembro: quando em 1973 as tropas de Pinochet derrubaram por golpe de Estado o regime democrático de Salvador Allende, prendendo, matando e torturando milhares de democratas e anti-fascistas do Chile. Entre as vítimas conta-se o inesquecível cantor Vitor Jara.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que valem as sondagens?


Sondagem do dia 13/05 - Público e TVI

No dia 5 de Junho teremos a resposta a esta velha questão.
Só é pena não dispormos de dados relativos às intenções de abstenção, um fenómeno crescente nas sociedades europeias e sobre o qual deveríamos reflectir.
Sou levada a crer que estarão a passar de validade as tradicionais fórmulas de seduzir o eleitorado, mediante uma retórica já gasta e inadequada a um tempo em que as velhas dicotomias esquerda/direita deixaram, eventualmente, de fazer sentido.
Não será tempo de repensar um novo homem político, mais humano, mais sensível e menos calculista?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os partidos sem representação parlamentar


Este Blogue muito raramente se aventura na análise política, fazendo raramente comentários acerca de actividades político-partidárias. Não é essa a sua vocação. Ao contrário de vários colegas da blogosfera docente, que vão puxando a brasa aos seus partidos de eleição, este Blogue não faz campanha por ninguém e não dá indicações de voto. Porém, vê-se que os que o fazem, se centram nos cinco partidos com assento no parlamento. Pela Lei de Hondt, os pequenos partidos nunca deixarão de o ser e as hipóteses de eleger deputados são mínimas.

A propósito do debate de ontem na RTP1 com responsáveis de partidos sem representação parlamentar, decidi partilhar convosco o meu sentir a respeito das diversas prestações. Para mim, o debate revelou aquilo de que já suspeitava: alguns deles mereciam, sem dúvida lá estar, constitundo uma mais valia para a democracia parlamentar, enquanto outros é melhor que de lá continuem arredados.

- Garcia Pereira do PCTP/MRPP foi o mais eloquente, assertivo e certeiro; dono de uma capacidade retórica difícil de ultrapassar, é um jurista muito bem conceituado no mundo do Direito do Trabalho e tem muitos anos de experiência na militância política. Daí que não seja surpreendente a sua eficácia no discurso sobre os problemas que mais afligem o país neste momento.

- Paulo Borges, do PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza) foi o maior defensor da Ética. Filósofo de formação humanista, tem vasta obra de reflexão sobre Agostinho da Silva, Fernando Pessoa e muitos outros. É professor universitário de Filosofia e presidente da União Budista Portuguesa, seguindo muitos dos ensinamentos do Dalai-Lama.

- Rui Marques, do Movimento Esperança Portugal, tem uma intervenção notável ao nível da Juventude, da Emigração e de várias causas sociais e humanitárias. Defende os direitos de protecção à família.

- Pedro Quartin Graça, do Movimento Partido da Terra, defende uma linha de ambientalismo antropocentrista, como partido ecologista que é, com provas dadas.

- Paulo Estevão do Partido Popular Monárquico, defende uma monarquia constitucional, com aliança aos valores da Igreja e a manutenção do número de deputados por distrito.

Todos estes representantes estiveram bem, demonstrando estar perfeitamente à altura de participar num debate televisivo. Foram correctos, esclarecedores, educados, respeitando as ideias alheias.

Chegámos a José Manuel Coelho, do Partido Trabalhista Português, e ficou tudo, mas mesmo tudo estragado: provocação, insulto, boçalidade, impreparação, enfim, uma participação ao mais baixo nível. Estas atitudes fizeram por mais de uma vez perigar a continuação do debate. Deplorável!

Por fim o representante do sector mais à extrema-direita, como eu pensava já não existir em Portugal: José Pinto Coelho, do Partido Nacional Renovador puxou dos valores mais retrógrados que se possa imaginar, defendendo a saída da zona euro, o fechamento das fronteiras aos emigrantes, imputando-lhes a culpa da criminalidade crescente em Portugal, a revogação da lei do aborto e do casamento dos homossexuais, chamando-lhes aberrações; sempre numa perspectiva de regresso ao nacionalismo, em tudo faz recordar o isolamento dos tempos de Salazar, em que vivíamos "orgulhosamente sós". Uma tristeza sem tamanho, fora do tempo e de toda a razoabilidade, como se o tempo pudesse, alguma vez, voltar para trás!

Espero muito sinceramente que estes dois partidos não elejam um único deputado. Para bem da democracia e da liberdade, num caso, e do civismo e educação para a cidadania, no outro.

terça-feira, 26 de abril de 2011

25 de Abril, 37 anos depois


Esperamos que todos os leitores e amigos tenham tido uma Páscoa Feliz.
Desejamos ainda que tenham tido um excelente dia 25 de Abril: aqueles para quem a data faz parte das suas memórias, ou outros que, não sendo ainda nascidos, a adoptaram como um símbolo da liberdade de que podem gozar e da democracia em que vivem. 

A Pérola de Cultura teve de suspender temporariamente as suas publicações por razões imperativas. Porém, já fez escola e tem discípulos à altura de continuar este trabalho de divulgação cultural e evocação de efemérides e perfis de personalidades ligadas à Cultura. Eles são os Criadores d'Arte e o 25 de Abril está amplamente comemorado por estes amigos, cujo Blogue a Pérola de Cultura recomenda vivamente.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Lula, um homem da luta


Lula da Silva é verdadeiramente um homem da luta. Lula era um operário metalúrgico, sindicalista e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhores, que acabou por chegar ao poder como o 35º presidente do Brasil, cargo que exerceu até ao dia 1 de Janeiro de 2011.

Veio a Portugal receber um prémio pela sua luta a favor dos direitos humanos e receberá um doutoramento honoris causa na Universidade de Coimbra. Está acompanhado de Dilma Rousseff, a sua sucessora, também ela uma mulher da luta.

Convém lembrar que o Brasil é uma república federativa de regime presidencialista e o partido do presidente da república é quem na prática detém a orientação política dominante.


Lula, que nasceu em Pernambuco e trabalhou desde os sete anos, assumiu que foi apenas "um encarregado do povo brasileiro, o verdadeiro herói das Terras de Vera Cruz e o inquilino do Palácio do Planalto". 

Ninguém, aparentemente, à excepção dos brasileiros que o elegeram para dois mandatos consecutivos, acreditava ser possível a um operário vindo dos bairros periféricos de S. Paulo e quase sem instrução académica, dirigir o maior país da América do Sul, com muitos milhões de habitantes.


Lula andou nas greves e manifestações de rua, assim como Lech Valesa. Lula fez crescer o PT nas ruas dos bairros paulistas industriais conhecidos como ABC (Santo André, S. Bernardo e S. Caetano). Valesa esteve na linha da frente do crescimento do Solidarnosc na Polónia, a partir dos estaleiros de Gdansk.

Este homem, contra todas as expectativas da velha Europa, elevou nos últimos anos o Brasil a uma potência em desenvolvimento, com um crescimento económico extraordinário, com a democracia mais consolidada e os direitos sociais mais distribuídos.

Lula foi considerado pelo Financial Times uma das 50 "personalidades que moldaram a década", a Time referiu-o como um dos 25 líderes mais influentes do mundo em Abril de 2010, e os seus concidadãos classificam-no como "o líder mais popular da história do país", pelo seu "charme e habilidade política".



Ao contrário do que diz o inenarrável Miguel Sousa Tavares, as revoluções podem fazer-se na rua. Fazem falta os homens da luta. Em Portugal, no Brasil, no Magrebe, no Médio Oriente, em toda a parte. Os grandes movimentos sociais fazem-se de uma componente fundamental de rua. O resto vai atrás.

É pena que alguns movimentos de rua tenham acabado em massacres como Tiananmen e que um homem da luta com Lui Xiao Bo continue preso nas malhas de uma ditadura fora do tempo, sem que a comunidade internacional deixe de se vergar aos "superiores" interesses económicos do comércio com a China.

Foi pena também que os movimentos de rua da Checoslováquia conhecidos como "Primavera de Praga" tenham acabado num interminável inverno cinzento, sob o domínio neo-estalinista.

Mas algumas das revoluções podem fazer-se na rua. Não foi na rua a Revolução Francesa, com a tomada da Bastilha? Não foram na rua as recentes revoluções da Tunísia e do Egipto?

Que vivam todos os homens da luta, pois eles muitas vezes são capazes de transformar as sociedades, libertar os povos e fazê-los crescer!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Eleições presidenciais


“A maior paixão da humanidade é iludir a realidade”
Sigmund Freud, 1856-1939


Quem ganhou as aleições presidenciais foi a abstenção, superior a 50%. Mais exactamente 53, 37%, o que corresponde a 5.139.483 de portugueses.

Só se pode concluir que a participação dos cidadãos é cada vez menor na vida da pólis.
A Democracia está doente, a Cidadania deficiente, ou simplesmente, devemos conjecturar a falência de um modelo de representatividade?

Aníbal Cavaco Silva foi eleito por pouco mais de dois milhões de portugueses; de entre os dez milhões que compõem o país, mesmo excluindo os menores que não votam, assim como os doentes e idosos acamados, não se pode dizer que este número seja muito expressivo, pelo que a real representatividade de Cavaco Silva é mesmo de uma minoria. 

Se a maioria do povo não quer eleger um presidente da República, talvez seja altura de reflectir nas suas razões.

Desde que a participação dos cidadãos na Democracia e as liberdades fundamentais sejam garantidas, não abomino a ideia de uma monarquia parlamentar como as da Escandinávia. Assim neste marasmo suicida é que não!