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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Peter Pan amoral e Sininho insuportável



(c)Disney

As crianças não são hiperactivas, são mal-educadas

É uma comédia que se acumula no dia-a-dia. Um sujeito vai ao café ler o jornal, e o café está inundado de crianças que não respeitam nada, nem os pardalitos e os pombos, e os pais "ai, desculpe, ele é hiperactivo", que é como quem diz "repare, ele não é mal-educado, ou seja, eu não falhei e não estou a falhar como pai neste preciso momento porque devia levantar o rabo da cadeira para o meter na ordem, mas a questão é que isto é uma questão médica, técnica, sabe?, uma questão que está acima da minha vontade e da vontade do meu menino, olhe, repare como ele aperta o pescoço àquele pombinho, é mais forte do que ele, está a ver?". E o pior é que a comédia já chegou aos jornais. Parece que entre 2007 e 2011 disparou o consumo de medicamentos para a hiperactividade. Parece que os médicos estão preocupados e os pais apreensivos com o efeito dos remédios na personalidade dos filhos. Quem diria?
Como é óbvio, existem crianças realmente hiperactivas (que o Altíssimo dê amor e paciência aos pais), mas não me venham com histórias: este aumento massivo de crianças hiperactivas não resulta de uma epidemia repentina da doença mas da ausência de regras, da incapacidade que milhares e milhares de pais revelam na hora de impor uma educação moral aos filhos. Aliás, isto é o reflexo da sociedade que criámos. Se um pai der uma palmada na mão de um filho num sítio público (digamos, durante uma birra num café ou supermercado), as pessoas à volta olham para o dito pai como se ele fosse um leproso. Neste ambiente, é mais fácil dar umas gotinhas de medicamento do que dar uma palmada, do que fazer cara feia, do que ralhar a sério, do que pôr de castigo. Não se faz nada disto, não se diz não a uma criança, porque, ora essa, é feio, é do antigamente, é inconstitucional.
Vivendo neste aquário de rosas e pozinhos da Sininho, as crianças acabam por se transformar em estafermos insuportáveis, em Peter Pan amorais sem respeito por ninguém. Levantam a mão aos avós, mas os pais ficam sentados. E, depois, os pais que recusam educá-los querem que umas gotinhas resolvam a ausência de uma educação moral. Sim, moral. Eu sei que palavra moral deixa logo os pedagogos pós-moderninhos de mãos no ar, ai, ai, que não podemos confrontar as crianças com o mal, mas fiquem lá com as gotinhas que eu fico com o mal.

Henrique Raposo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Andamos todos de garras afiadas?


Ainda há poucos dias uma colega na sala de professores me dizia que as pessoas andam agressivas e disparam por tudo e por nada. Hoje tive ocasião, infelizmente, de sentir isso na pele. 
De garras afiadas, uma senhora com idade para ser minha mãe destratou-me em público, sem pudor algum e com bastante agressividade. Pensei, no fim de tudo e para com os meus botões, que certamente o seu poder económico era inversamente proporcional à sua boa educação e cultura de cidadania.
Senhora certamente habituada a mandar em subalternos a quem fala de alto, deixou transparecer em voz alta e para duas outras pessoas que estavam na fila, o seu desagrado por eu estar a demorar alguns minutos na caixa multibanco, onde, sem qualquer prazer, tive de fazer cinco operações: duas para consultar saldos, outra para consultar NIB, uma para pagar a mensalidade do telemóvel (luxo de que ainda não prescindi por ter família), e outra para fazer uma transferência. Ao todo, cerca de 5 minutos. Uma eternidade, para quem, visivelmente, não está habituada a esperar uns minutos numa fila. 
- "Está a ver papeis". 
- "Está a fazer a escrita do mês". 
- "Ai, valha-me Deus, parece impossível!" 
Fui escutando calada, a ver se não me enganava nos algarismos do NIB, na quantia a transferir, no nº do telemóvel. Calada, incomodada, terminei as cinco operações inadiáveis que tinha de fazer,  guardei os cartões e fechei a carteira. A dita senhora era a quarta pessoa da fila. A segunda e a terceira esperavam atrás de mim civilizadamente e em silêncio aqueles cinco longuíssimos minutos.
Olhei a senhora de frente e perguntei se tinha alguma coisa para me dizer. Disparou que era uma grande falta de educação da minha parte fazer aquelas operações todas. Devia fazer duas e retirar-me para o lado, dar a vez às pessoas e depois voltar e fazer as restantes quando já não estivesse lá mais ninguém. As outras duas pessoas parecem ter ficado tão estupefactas quanto eu.
- "Perdão???" reagi com surpresa.
A senhora repetiu a mesma frase e eu, ainda incrédula respondi se não seria falta de educação dela, a senhora emitir comentários nas minhas costas enquanto eu estava a fazer o que precisava. Afinal de contas, eu tinha tanto direito a usar o multibanco como qualquer outra pessoa.
- "Mas a escrita faz-se em casa. E conversa acabada, não lhe dou o direito de continuar!"
- "Mas eu não estive a fazer a escrita, apenas umas operações que não podia adiar. E porque deveria dar-lhe a vez?"
- "Acabou, já lhe disse, acabou a conversa. Acabou!!!", vociferou já a gritar.
Então baixou-me a minha condição de povo e respondi à senhora que não a conhecia de lado nenhum e que ela não sabia com quem estava a falar. E dei meia volta afastando-me.
Sabem o que mais aconteceu? 
A senhora ficou subitamente mansinha e, acorbardada, respondeu-me "Boa noite".
Eu, que já ia a descer a rua, fiquei furiosa e repliquei:
- "Vá para o diabo que a carregue, minha senhora!"

Aquela senhora não tinha aspeto de quem anda a contar euros e a ver se tira daqui para ali para não ficar com as contas a descoberto. Coisa que eu me vejo, no segundo semestre deste ano, compelida a fazer. 
Não tinha o direito de me condenar e chamar mal-educada. Não sei porque tinha tanta pressa e tanta agressividade. Acabei por perder a paciência e falar tão alto quanto ela, o que parece tê-la feito descer à terra e perceber que não estava a dar um fora à sua criada, ao seu jardineiro ou ao seu chauffeur. Eu não costumo dizer estas coisas. Mas que há pessoas que as merecem, há!

Fiquei preocupada e a pensar na agressividade latente que os cidadãos andam a carregar consigo, num quotidiano cada vez mais difícil. 
Vamos lá a ver se pelo Natal não vamos para aí andar à estalada uns aos outros na via pública.
Se calhar não era bem ao cidadão do lado que nos apetecia dar um par de estaladas...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Coragem de ensinar



"Coragem de Ensinar" é uma reportagem da jornalista Conceição Queiroz, com imagem de Gonçalo Prego e montagem de Miguel Freitas. Será emitida no dia 23 de Abril, no "Jornal das 8".
O "Repórter TVI" ouviu testemunhos de professores que enfrentam as dificuldades que decorrem da experiência de trabalhar com alunos que lhes transformam a vida num inferno, sem deixar de dar voz aos estudantes que provocam esses conflitos.

O que aconteceu para que o professor perdesse prestígio e autoridade? Os professores queixam-se da extrema indisciplina vivida na sala de aula, das ameaças e do desrespeito. Também reconhecem que a classe perdeu prestígio com o passar dos anos.

Mais de 4 mil ocorrências de natureza criminal em contexto escolar foram participadas no ano letivo 2010/2011, no âmbito do programa Escola Segura. O Observatório de Segurança em Meio Escolar registou quase 250 casos de agressões contra professores e funcionários. Ofensas à integridade física, injúrias, vandalismo ou furtos são alguns dos crimes detetados.
Enviado por Ana C. Silva

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Da vigarice na esfera docente



Eu defendo a partilha de materiais, mas não a cópia descarada, que não é mais do que uma fraude. E de fraudulentos estou eu cheia, neste país onde há tanta gente corrupta. Era só o que faltava, ver gente desta nas nossas fileiras. Ainda por cima a fazer uma pressão desgraçada sobre colegas, esses sim, que têm dignidade para ser professores!

Uma coisa é a partilha sã, a troca de opiniões e o trabalho colaborativo; outra é a sem-vergonhice de pessoas que, além de mal-educadas, pelos vistos são incompetentes. Se não são capazes de escrever um relatório, como dão aulas??? Como podem reivindicar qualquer autoridade sobre os alunos que copiam??? Esquecem-se de que o exemplo vem de cima???

Eu se fosse o Ricardo mandava-os bugiar. Nem que tivesse de fechar o Blogue; um editor de um Blogue não é nenhum criado de parasitas e vigaristas!

Não há pachorra, vão mas é pôr a massa cinzenta a trabalhar: vá, pode ser que consigam!
"#$%&/()=?»*+*^^!!!

sábado, 26 de março de 2011

"Pileca idosa desentende novos linguajares"*


A levar a sério o adágio, já nem vale a pena gastar latim com semelhante peça.
Já passei da irritação à indiferença, pois visivelmente, MST, ou é falho de inteligência ou teimoso.
Continua a afirmar no Expresso de hoje alguns absurdos acerca da remuneração da classificação (que ele chama correcção) dos exames e dos dias que os professores têm de "folga" para o efeito.
Não se informa, ou simplesmente as suas fontes não são credíveis, pois de cada vez que fala sobre assuntos dos professores, mente. E o dia de hoje não foi excepção. Invenções tiradas de nowhere!
Depois queixa-se de ofensas e de "terrorismo"...

Enfim, bem poderia fazer coro com Francisco Assis, para quem a culpa de tudo o que aconteceu na Assembleia da República a respeito da revogação da ADD, é dos bloggers, pois claro! Essa corja corporativista que até janta com Passos Coelho às vésperas da conspiração anti-governamental! Ser blogger é mau, ser blogger-professor ainda é pior! Tal e qual como para o MST. É trauma!

*O adágio do título é daqui, onde estão descritas as "pérolas" que me causaram todo este azedume. O boneco é do Kaos e veio-me à memória bem a propósito. 

Tenho perdido tempo demais com esta pileca. Não há mais pachorra, é caso perdido, pois já nada tem a ver com o pedigree com que nasceu e nesta idade não irá recuperar o bom-senso. Hélas!

(Post actualizado a 27 de Março)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Criancinhas


"A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos."

Miguel Carvalho - A DEVIDA COMÉDIA
Artigo publicado na revista VISÃO online

(Enviado por Becas)

domingo, 21 de novembro de 2010

Cenas dos CEF


Escola manda turma inteira reflectir em casa

"Estudantes alegam ter sido suspensos sem processo disciplinar pela escola da Levada.
A direcção da escola diz que tomou a medida na sequência de um mais um episódio de "instabilidade".

Uma turma de 18 alunos foi mandada para casa "reflectir sobre o seu comportamento", segundo a directora da Escola Básica e Secundária Dr. Ângelo Augusto da Silva, ou "suspensa sem processo disciplinar", de acordo com a versão dos estudantes.

Eram cerca das 10h30 de ontem quando uma professora do Conselho Executivo da Escola, acompanhada pelo director de turma, e mandou a turma parar a aula do Curso de Educação e Formação em Assistente Administrativo, que está inserido no ensino alternativo e dá equivalência ao 9º se concluído com aproveitamento.

Aos alunos, que estavam a fazer uma ficha de trabalho, foi ordenado que colocassem os cartões de estudante sobre a mesa. Depois da recolha e contagem destes, foram mandados sair da sala e acompanhados até ao portão de entrada do estabelecimento de ensino. "Não estava a acontecer nada de anormal", disse uma aluna, reconhecendo que o ambiente na sala de aula "já foi pior noutras situações".

"Estão suspensos. Voltem na segunda-feira para uma reunião de turma, onde vamos decidir se este curso vai continuar", terá dito, segundo a mesma aluna, o membro do Conselho Executivo (CE) que mandou parar a aula. Os alunos ouvidos pelo DN mostram-se preocupados com este cenário, dado que não querem ser obrigados a começar o 8.º ano de novo.

"Não foram expulsos nem suspensos", assegurou-nos, depois de confrontada com esta situação, Maria Gorete da Silva, presidente do CE. "Foram mandados para casa reflectir", esclareceu, justificando que a decisão está prevista no regulamento escolar e foi tomada com base na "instabilidade que estavam a manifestar" na sala de aula. Ironicamente, na aula seguinte, a turma ia ter um teste no âmbito da disciplina Cidadania e Mundo Actual.

Maria Gorete da Silva declinou entrar em pormenor sobre os comportamentos que motivaram a medida porque, sublinhou, "são assuntos internos da escola". Contudo, quando instada a comentar o descontentamento de alguns alunos, e respectivos encarregados de educação, por a medida ter feito com que os 'justos pagassem pelos pecadores', a responsável foi lacónica na resposta: "Não, eles alinham todos".

"Esta turma tem um elenco de luxo em termos de professores mas eles criaram uma má relação com os professores todos", acrescentou, observando que a medida tinha de ser tomada porque ainda "estamos no primeiro período" e é preciso "fazer cumprir desde já os regulamentos e objectivos do curso."

DN – 20/10/10

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Damned, she's hot!"


O que fariam perante um aluno do secundário, apostado em impor-se pela negativa, que declina toda e qualquer tarefa (em sala de aula ou fora dela),  e que, armado em galã, se vira para todos os lados a rir e a fazer gestos?
Quando chego perto dele com a intenção de ver o texto sobre o qual era suposto estar a trabalhar, deparo com uma folha de papel  apoiada sobre o estojo dos lápis e visível para as carteiras de trás, que diz assim:
"Damned, she's hot!"
Por favor comentem isto, porque eu já não devo estar a ver bem...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Bullying - Imagem estereotipada mas nem sempre consensual dos Bullies ou Agressores


 Não gostam da escola, têm capacidades intelectuais mais reduzidas, são ansiosos, impulsivos, inseguros, têm uma maior probabilidade de depressão e um nível de auto-estima relativamente baixo.
 São agressivos com os seus pares, para os professores, pais, irmãos e outros.
 Têm atitudes positivas relativamente à violência.
 A Violência como única forma de resolução de conflitos.
 Dificuldade de relacionamento interpessoal.
 Reduzido círculo de amigos.
 Comportamentos de risco associados: tabaco, álcool, drogas, delinquência e actividades criminais.


Diversos autores argumentam que:

 Alguns agressores têm boas competências sociais e são relativamente activos e assertivos.
 São capazes de evidenciar elevados níveis de inteligência social e de compreender as emoções e os sentimentos dos outros.
 Embora, muito frequentemente, usem essas competências e capacidades pessoais para alcançarem vantagens ou benefícios pessoais.
 O que na realidade lhes falta são as capacidades de empatia, ou seja, de avaliarem as consequências emocionais dos seus comportamentos sobre aqueles que agridem, sentindo pouco ou nenhum arrependimento pelos seus actos.
 As crianças fortemente agressivas têm expectativas positivas acerca do resultado da agressão.
 Aumento da auto estima e capacidade de controlo sobre os comportamentos dos outros.
 A tensão e o medo das vítimas constituem um reforço do comportamento agressivo.


Texto de BECAS

domingo, 19 de setembro de 2010

É mêmo só pa criancinhas que inda nã sabem porteguês...



... porque se fosse, de facto, para alunos, professores e famílias, seria um verdadeiro desastre, a começar pela língua portuguesa. Parece um discurso para mentecaptos. Triste!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cavaco Silva: Bento XVI sim, Saramago não!



"Ele até disse os nomes dos meus netos, um a um, foi repetindo todos!"
Cavaco Silva

Evidentemente, sendo Saramago arrasado como foi no próprio dia do seu funeral, pelo jornal do Vaticano, a posição do presidente, coerentemente, só podia ser a de recusar-se a participar das cerimónias.

Em vez da presença, mandou os faxes, a coroa, e assunto arrumado, pois o que interessa é o beijo no anel papal, que o pontífice até decorou os nomes da criançada Silva.

Tal como no tempo da outra senhora se dizia, "quem não é por mim é contra mim". Portanto, sendo o Vaticano contra José e Cavaco pelo Vaticano, logo Cavaco é contra José. A matemática nestas coisas nunca falhou e a propriedade transitiva também não. Impecável, esta lógica salazarista, mais actual do que nunca!

Eu acho que quem andou a calcorrear Portugal de lés-a-lés atrás do Papa não ficava bem num funeral de um ateu, assim a atirar para o herege e, ainda por cima, velado num espaço que é tudo menos sacro-santo. Com direito a Bach e tudo, tocado por uma violoncelista vestida - heresia das heresias! - com um vestido vermelho de Pilar usado por esta na ocasião do Nobel!

Um funeral assim um bom bocado vermelho; eu quase posso jurar que vi o Satanás espreitar furtivamente atrás de uma coluna quando tentava fotografar à socapa dos seguranças a coroa de flores enviada pelo Fidel!

Aquilo parecia um funeral a atirar para o esquerdista, tal a quantidade de cravos que caíam sobre a urna, que, por mais um pouco, só faltava a populaça entoar ali mesmo, no cemitério a "Grândola, vila morena/terra da fraternidade", à mistura com os exemplares autografados do Memorial, da Jangada e quejandos, agitados no ar, quais planfletos, quais bandeiras de uma cultura que esbraveja para não morrer junto com o escritor.

Eram muitos intelectuais, artistas, actores, músicos. Políticos da esquerda, pois claro, que chatice! Escritores e poetas, então eram aos molhos. O que poderia ali fazer Cavaco? Nem Maria ali teria a companhia de senhoras de véu e terço, nem incenso, nem hóstia! Não havia beija-mão, nem ninguém se podia entreter com um pedaço de bolo-rei para trincar!

Era muito povo, sei lá, se calhar até alguns não sabem ler, têm de mandar o vizinho soletrar em voz alta o romance. "Tão lindo, tão lindo!" Vinham de longe, falavam a cantar, traziam bandeiras e cravos vermelhos. Talvez cheirassem a suor. Mas não tinham vergonha de chorar o seu "camarada", o escritor que levou o seu linguajar numa escrita oralizada até ao fim do mundo. Mesmo que esse fim não seja o céu mas os quintos dos infernos!

sábado, 22 de maio de 2010

Professor condenado por chamar "preto" a aluno


Noticia o Público que um professor de Música foi condenado no Tribunal de Santarém a pagar uma multa de 1000 euros por ter dito a um aluno que entrou atrasado na sala de aula "entra lá ó preto".

A decisão resulta da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, que considera que o comportamento do professor configura a prática de crime de discriminação racial.

Segundo os testemunhos de outros alunos, este professor já tinha incorrido em formas de expressão menos próprias no tratamento aos alunos, chamando-lhes "cães" e "palhaços".

Quando a função educativa já é tão difícil e a reputação da classe docente se encontra em tão maus lençóis depois da campanha de desautorização que a equipa ministerial de Maria de Lurdes Rodrigues conseguiu fazer, é muito triste que haja profissionais que se põem tão a jeito para a opinião pública continuar a sua cruzada contra os professores.

Lamentável, do meu ponto de vista, que se chegue aqui e que alguns professores contribuam para denegrir a imagem da classe.

Não se pode permitir o bullying na escola, venha ele de onde vier; e a má educação dos jovens não pode ser combatida com este tipo de práticas, que não educam para o respeito e a cidadania.


Ler o artigo aqui.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Professoras indignadas com livro infantil que as compara a vacas



Docentes criticam piada que surge em fase de ataques de alunos à sua autoridade

"Uma anedota destinada a crianças que compara o professor a uma vaca está a causar mal-estar junto da classe e até já levou docentes a queixarem-se à editora Civilização, responsável pelo livro infantil onde foi publicada (ver imagem). Os professores entendem que a piada surge na pior altura, precisamente quando sucedem casos de ataques de alunos à sua autoridade.

A editora já anunciou que vai retirar a anedota do livro 365 Piadas Novas, indicado para crianças a partir dos sete anos. "Recebemos duas ou três cartas de professores e como estamos a fazer uma nova impressão decidimos retirar essa anedota. Por isso, na nova edição já não aparece", adiantou ao DN a directora editorial da Civilização, Simona Cattabiani.

No entanto, este é um episódio que os professores dizem ser lamentável. "Da nossa parte só posso manifestar repúdio por essa piada", refere João Dias da Silva, dirigente da Federação Nacional da Educação (FNE). Já o professor Ramiro Marques, que foi o primeiro a denunciar publicamente o caso no seu blogue ProfBlog, vê a publicação da anedota como "uma falha de supervisão da editora". Apesar de desvalorizar o incidente, o professor admite que "a situação tem a sua gravidade". Até porque "há muitos alunos que chamam vacas às professoras. E esse é que é o problema", sublinha Ramiro Marques.

A intenção do autor é algo que os docentes querem ver esclarecido. O líder do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), Ílidio Trindade, defende que "é preciso saber se é pura invenção ou se o autor pretende ironicamente demonstrar o que será a forma como são vistos os professores pela sociedade". De qualquer modo, Ílidio Trindade entende que esta anedota "é uma vergonha".

Para Ramiro Marques, a anedota é levada ainda mais a sério devido às circunstâncias. "Veio numa altura má, porque os professores lidam com injúrias todos os dias e não conseguem travá-las. Os alunos desrespeitam-nos e os pais depois ainda os defendem", explica. O docente acrescenta que se o livro tivesse saído há seis anos ninguém ia levar a mal.

O autor do blogue conta que foram colegas da escola que lhe mostraram o livro com a anedota. Na sua opinião, este tipo de situações só acontece porque, em tempos, responsáveis, como secretários de Estado e directores regionais da Educação, puseram em causa a imagem dos professores. E claro que isto se reflecte no bem-estar e na motivação dos professores, alerta Ramiro Marques.

Quanto ao impacto que esta anedota pode ter nas crianças, o psicólogo Jorge Gravanita diz que cabe aos pais desvalorizar a situação. "É uma piada de mau gosto, mas os pais devem explicar o seu sentido", esclarece.

O livro está na 4.ª edição, o que significa que "já vendeu bastante", adianta Simona Cattabiani, da Civilização, que garante: "Não pensámos que pudesse ser ofensivo. A pensar assim todas as anedotas podiam ser entendidas como ofensivas.""


DN Portugal, por ANA BELA FERREIRA, 14 de Maio de 2010


Não tentemos branquear a coisa. O conteúdo é injurioso e de um enorme mau gosto, além de encerrar um profundo desrespeito pelos docentes, mais particularmente pelas mulheres, que constituem a maioria dos professores deste país.

Constato pelos muitos comentários deixados nos blogues de professores e também no Facebook que são as professoras a sentir muitíssimo mais este insulto como algo que as afecta na sua condição de docentes e cidadãs, do que aos seus colegas homens. Até certo ponto é compreensível, pois nenhum colega homem sabe o que é que uma mulher sente se for chamada de vaca.

Mas, a relativizarmos a importância deste episódio, estamos a aceitar tacitamente que se pode faltar ao respeito à figura da professora, o que infelizmente a sociedade parece já ter assumido como normal e corriqueiro.

Caros colegas: vocês são pais, filhos, irmãos e maridos de mulheres.
Experimentem imaginar o que sentiriam se um dia destes uma das mulheres da vossa vida entrasse em casa e vos confrontasse com o facto de ter sido insultada por um aluno ou aluna nos referidos termos...
O que fariam? Diriam para desconsiderar, que "era apenas uma anedota inocente"?

Deixamos passar coisas como esta, que são sementes de ervas daninhas na falta de ética, hoje numa editora, amanhã noutro contexto, e depois queixamo-nos que já não temos mão na má educação e falta de respeito dos alunos e dos pais?

Espero que a Editora cumpra o que promete acima e retire mesmo a infeliz "anedota" na próxima edição do livro. Porém, até lá, os exemplares que ainda se encontram à venda continuarão a espalhar a lamentável ideologia de tratar as professoras como vacas.

E não me venham com a história de que a vaca até é um animal amistoso e simpático, como a coruja ou qualquer outro, porque toda a gente sabe o que é que em Portugal significa chamar vaca a uma mulher! Ora façam-me o favor de não nos tomarem por tolinhas ou ingénuas!

Publico aqui o e-mail enviado pela colega professora e blogger Olinda Gil, que concorda comigo:


Colegas
Enviei o seguinte mail à editora Civilização que nos insulta num livro de anedotas para crianças.
Espero que se indignem e mandem muitos mais mails a esta editora para que não continuem a gozar connosco.


info@civilizacao.pt

Ex.mos Senhores

Esqueceram-se de que os professores são as pessoas que mais compram livros neste país e que fazem com que os outros os comprem.
Uma editora que se chama "Civilização" e que trata assim os professores de um país não pode continuar a ser digna da minha preferência.
Num país onde a falta de autoridade dos professores é cada vez maior, em vez de termos as editoras do nosso lado no combate à iliteracia e desenvolvendo a civilização do povo, assistimos a este lamentável enxovalho.
Nunca mais comprarei livros da vossa editora e vou divulgar por todos os meus contactos este mail, para que saibam da minha indignação.

A professora

Olinda Gil


Actualização: O Forum EDUCAR já reagiu a esta publicação com um artigo, aqui: "Como é possível que se chegasse a isto?"
Têm-me chegado em grande número protestos de colegas professoras via e-mail, dando conta da indignação e também cópias de mensagens enviadas à Editora Civilização.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Enxovalho infame


Tomei conhecimento disto pelo ProfBlog.
Levei dois dias a tentar encontrar uma possível atenuante que acalmasse a minha raiva. Não resultou e ainda serviu para fermentar.

Aviso a navegação que por aqui costuma andar que estou a ficar assim um bocadinho para o cansadote de fazer questão de manter um Blogue politicamente correcto.

Hoje atirei com as fotos do jovem Ratzinger nas fileiras da juventude Hitleriana. Apeteceu-me fazer o contraponto com tamanhas doses de santidade e subserviência do Estado português.

Agora atiro com este vómito produzido nas entranhas do mau gosto e da falta de vergonha. Chama-se CIVILIZAÇÃO EDITORA, compara a figura de uma professora a uma vaca. Do meu ponto de vista merece um processo por difamação e atentado ao bom nome e à dignidade profissional de toda uma classe docente.

Há cerca de um ano insurgi-me contra o facto de Emídio Rangel ter apelidado os professores de HOOLIGANS, espalhei o protesto pela Blogosfera e enviei-o para o SPGL. O homem acabou condenado em tribunal. Agora vou fazer a mesmíssima coisa.

No mínimo deve ser feita uma petição on-line para suspender a venda deste livro infantil.

Podem fechar-me o Blogue, mas nem assim calarão a minha indignação!