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terça-feira, 20 de novembro de 2012

A “Comunicação” até Gutenberg – (apontamentos)



Os homens sentiram sempre uma grande necessidade de comunicação, (as pinturas rupestres são disso os primeiros exemplos), e através dos tempos,  foram vários os suportes e meios utilizados, que têm sido uma importante fonte de informação para o estudo da história das civilizações.

A escrita pictográfica, base da escrita cuneiforme e dos hieróglifos é a origem de todas as formas de escrita e continua a ser utilizada. A escrita ideográfica surge como evolução da escrita pictográfica e os seus símbolos já representam objetos, ideias ou palavras completas associadas aos sons nas diversas línguas.
Verifica-se, assim, na evolução da escrita duas fases essenciais a ideográfica e a fonética.
Os sumérios que com os semitas formaram a Mesopotâmia no 4º. Milénio AC, considerados os inventores da escrita, mais de 20000 ideogramas, importante feito pela sua precisão e detalhe na fixação dos factos e pensamentos, começaram com um sistema pictográfico. Os símbolos sumérios eram desenhados na argila com um caniço afiado chamado estilete. Com o passar dos tempos em vez de traçar riscos passaram a imprimir com uma lâmina talhada em bisel, dando na argila a aparência de pregos ou cunhas, de onde derivou o nome cuneiforme.
Têm sido descobertas milhares de tabuinhas de argila de todos os tamanhos e épocas, não só com registos de negócios mas até cartas pessoais.
A escrita cuneiforme só foi possível ser decifrada através da “Inscrição de Behistun” (Monte Behistun-Irão), descoberta em 1598, texto escrito em três línguas e alfabetos diferentes. Foi uma investigação longa em que se destacaram o alemão Georg Grotefend que, em 1802, descobriu a chave para a decifração da escrita cuneiforme e o inglês Henry Rawlinson que desenvolveu um trabalho difícil e intenso, até que o sistema de escrita fosse totalmente descrito em 1847. A sua importância é comparável à “Pedra de Rosetta”, chave principal da decifração dos hieróglifos, descoberta em 1799, um decreto grafado em hieróglifos e em grego. Foi estudando e comparando esses escritos com outra inscrição bilingue de um obelisco, que Jean-François Champollion conseguiu em 1822 o grande mérito da completa decifração da escrita egípcia.

Uma nova escrita surgiu com o alfabeto fenício composto de 22 letras/sinais, só consoantes, que os gregos aperfeiçoaram e a partir do qual se formou de entre outros o alfabeto latino, que os romanos disseminaram. Na Idade Média iniciou-se uma atividade de reprodução manual de vários textos, sendo exercida principalmente nos mosteiros por grupos de monges. Livros começaram, então, a ser artesanalmente fabricados. Contudo, aumentada a procura, começou a ser utilizada a xilogravura que permitia produzir mais exemplares, mas nem mesmo as técnicas artesanais de gravura conseguiam atender ao aumento da procura de livros.
 A grande revolução aconteceu quando o gráfico alemão Gutenberg, por volta de 1439, introduziu a forma moderna de impressão, passando a utilizar "Tipos Móveis", em liga de metal, na sua prensa, possibilitando a produção e divulgação alargada do livro e, também, uma grande economia de custos para as gráficas e para os leitores. A sua maior obra foi a "Bíblia de Gutenberg", de grande qualidade técnica e estética.
Em 1899, o A&E Network classificou Gutenberg como o nº 1 na sua relação das "Pessoas do Milénio". Em 1997, a revista Time-Life escolheu a invenção de Gutenberg como a mais importante do segundo milénio. O verbete Johann Gutenberg da Catholic Encyclopedia descreve a sua invenção como tendo um impacto cultural praticamente sem paralelo na Era Cristã.

Outras fontes:
Documentário da RTP2-Notícias da Mesopotâmia, por Jean Bottero-1995
tipógrafos.net-História  da tipografia;
amaury.pro.br/textos/Escrita-História;
Wikipédia
Alfabetos-www.multimedia.pt/musevirtpress/

Tita Fan


(c) José Ruy, Gutenberg

Nos próximos dias publicaremos uma série de pranchas dedicadas a Gutenberg desenhadas por José Ruy em 1945.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Abu Simbel em Óbidos


"Abul-Simbel é um complexo arqueológico constituído por dois grandes templos escavados na rocha, situados no sul do Egipto, no banco ocidental do rio Nilo perto da fronteira com o Sudão, numa região denominada Núbia, a cerca de 300 quilómetros da cidade de Assuão. No entanto, este não é o seu local de construção original; devido à construção da barragem de Assuão, e do consequente aumento do caudal do rio Nilo, o complexo foi trasladado do seu local original durante a década de 1960, com a ajuda da UNESCO, a fim de ser salvo de ficar submerso.
Os templos foram construídos por ordem do faraó Ramsés II em homenagem a si próprio e à sua esposa preferida Nefertari. O Grande templo de Abu Simbel é um dos mais bem conservados de todo o Egipto."
In Wikipedia 
(Foto: Câmara Municipal de Óbidos)

Para quem, como eu, considera remota a hipótese de ver o templo original no Egito, dispõe agora de uma possibilidade mais à mão; trata-se de uma réplica deste monumento, em menor dimensão, instalada em Óbidos desde o dia 14 de setembro e até  31 de outubro. Esta obra é de autoria de Hany Mostafa e está instalada na cerca do Castelo, no Terreiro de Santiago. As entradas variam entre 1,5 e 5 euros.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mulheres gladiadoras?


Tudo leva a crer, segundo dizem os estudiosos, que esta estátua feminina pode representar uma mulher gladiadora, a julgar pela forma com está vestida e o tipo de espada que empunha (sica), em atitude de saudação, após uma situação vitoriosa.


Há um artigo muito interessante para ler aqui.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para onde foi a Cultura Clássica?



Em questão o declínio ou mesmo desaparecimento das línguas clássicas e também dos cursos técnicos e profissionalizantes. Reformas "eduquesas" debatidas por Maria do Carmo Vieira e Medina Carreira.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Hoje acendeu-se a chama Olímpica


Sempre que há Jogos Olímpicos, seja em que parte do mundo for, a chama olímpica é acesa numa cerimónia própria, na cidade-berço dos Jogos, Olympia, na Península do Peloponeso, Grécia, como acontecia na Antiguidade e em honra aos deuses.
Já aqui referimos este assunto e a sua história.
Ainda hoje se repetiu este ritual, que se tem mantido ao longo do último século, e a chama será transportada por muitos estafetas, ao longo de milhares de km, até Londres, onde chegará a 27 de julho, data do início dos Jogos de 2012. 
Nessa altura, no estádio olímpico em Londres, um atleta subirá, como é tradição, até um local onde se encontra uma pira, e com a tocha que transporta, irá incendiá-la, num dos momentos simbólicos mais bonitos de toda a competição. A pira permanecerá acesa até ao final dos Jogos.




A actriz Ino Menegaky teve a honra de acender a tocha olímpica
"A Chama Olímpica é um dos símbolos dos Jogos Olímpicos, e evoca a lenda de Prometeu que teria roubado o fogo a Zeus para o entregar aos mortais. Durante a celebração dos Jogos Olímpicos antigos, em Olímpia, mantinha-se aceso um fogo que ardia enquanto durassem as competições. Esta tradição foi reintroduzida nos Jogos Olímpicos de Verão de 1928." (Wikipédia) 
Spyros Gianniotis, nadador olímpico grego, nascido na Inglaterra 


Notícia aqui. Vídeo aqui.

sábado, 21 de abril de 2012

Os Jogos Olímpicos da Antiguidade


Historicamente é considerado 776 a.C., como o ano de início dos “Jogos Olímpicos da Antiguidade”. Contudo, jogos e concursos em honra de divindades já eram prática dos gregos desde há milénios a.C, em Olímpia, na região de Élis, a oeste do Poloponeso, no bosque sagrado do Altis.
No Séc. III a.C., o local tornou-se monumental com novos templos, palácios e edifícios desportivos.

 Entre outros, existia um templo, em honra à deusa Hera, onde eram celebrados, só para mulheres, os Heraia ou Jogos Heranos.

O Templo de Zeus, a divindade suprema, construído cerca de 460 anos a.C., era o maior templo da Grécia e um dos mais famosos, e a imagem de culto, uma estátua colossal em ouro e marfim do próprio Deus, contava-se entre as sete maravilhas do mundo antigo. Os jogos Olímpicos, em sua honra eram a mais importante festa do mundo grego.



Patrocinados pelas cidades, eram festas cívicas e ao mesmo tempo religiosas. Além dos concursos atléticos, que incluíam provas de diversas modalidades, havia competições artísticas (dança, teatro, música). Competir, vencer, ser aplaudido e tornar-se vivo na memória da comunidade era uma forma de obter glória e também homenagear o deus celebrado, componentes essenciais da visão de mundo dos gregos antigos.

Interrompidos durante algum tempo, coube, a Héracles, semideus, filho de Zeus, o mais célebre de todos os heróis e paladino da ordem olímpica, reativá-los.
Os jogos olímpicos da Grécia antiga, obrigavam a uma trégua olímpica sagrada, de quatro em quatro anos e porque as diferentes cidades estados adoravam o mesmo Deus, os jogos eram um elemento pacificador e tinham como principal função a consciencialização do povo da sua unidade nacional.


Sempre em pleno verão, na 2ª quinzena (lua cheia) do mês de agosto e primeira de setembro do nosso calendário, eram supervisionados por juízes, que enviavam arautos a todos os pontos do mundo grego a anunciar a data do início das tréguas, e a convidar à participação nos jogos.
Um mês antes do início das provas, os atletas, acompanhados de seus familiares e amigos, participavam de uma procissão solene que ia de Élis até Olímpia (58 quilómetros), pela Via Sagrada.
Os jogos duravam sete dias. No primeiro acontecia o sacrifício no altar de Zeus. Depois, todos seguiam para o estádio e os arautos declaravam a abertura oficial dos jogos. No dia do encerramento, organizava-se outra procissão e um banquete.

Os vencedores recebiam uma coroa de folhas de oliveira, poderiam ter estátuas erguidas em sua honra, serem cantados pelos poetas, verem o seu nome inscrito no catálogo oficial dos olimpiónicos e a sua fama espalhada por toda a Grécia.

Celebrados regularmente a partir de 776 a.C., data do primeiro registo dos vencedores, os gregos adotaram os Jogos Olímpicos ou Olimpíadas, como referência cronológica, chamando "olimpíada" ao período de quatro anos entre um festival e outro. A era das Olimpíadas estendeu-se por aproximadamente 12 séculos, até 393 d.C., quando foram abolidos pelo imperador romano Teodósio, que, convertido ao cristianismo, proibiu todos os cultos pagãos.
Em 426, Teodósio II, mandou queimar o Templo de Zeus para se certificar que não se realizariam mais estes jogos, pelo que se pensa que foi este, na verdade, o último ano dos J.O. da Antiguidade.
O Sítio Arqueológico de Olímpia, é “Património Mundial da Unesco”.

Porta de entrada dos atletas em Olímpia, Grécia
FONTES:
-Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga - http://olimpia 776.warj.med.br
-Wikipédia
-Olimpíadas.com.sapo.pt( Jogos Olímpicos da Antiguidade)
-Enciclopédia Internacional Focus-Vol III

Tita Fan

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Homero e a Criatividade


Homero foi o primeiro grande poeta grego cuja obra chegou até nós, viveu no século VIII a.C.  e consagrou o género épico com as obras Ilíada e Odisséia.
“A poesia é mais durável que a vida” - Odisseia, VIII, 578
Antes do início do pensamento filosófico, as obras de Homero tendem a aproximar os deuses dos homens, num movimento de racionalização do divino.
- De onde vem a poesia?
“A sabedoria dos poetas vem das Musas” - Íliada, II, 484
Vem das musas, dos Deuses
- Qual é o objetivo da Poesia?
Espalhar a alegria, a fruição e o encanto entre os humanos.
 - Qual o efeito da poesia nos seres humanos?
A poesia é como um feitiço, um encantamento. Para Homero a poesia não é vista como uma arte autónoma, mas como um privilégio que vem dos deuses. Para Homero os poetas tinham uma tarefa divina.
Becas

O artigo sobre Homero publicado no blogue Pérola de Cultura partiu de uma investigação conjunta apresentada no Seminário - Questões de Estética na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa em Fevereiro de 2011 - A origem da Criatividade - da Antiguidade à Contemporaneidade. Tratou-se de uma apresentação conjunta de Isabel Castro Lopes (Becas) e Teresa Lousa. A co-autoria não foi explicitada no blogue porque nele utilizamos nomes fictícios.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Povo culto



"Os povos serão cultos na medida em que entre eles crescer o número dos que se negam a aceitar qualquer benefício dos que podem; dos que se mantêm sempre vigilantes em defesa dos oprimidos não porque tenham este ou aquele credo político, mas por isso mesmo, porque são oprimidos e neles se quebram as leis da Humanidade e da razão; dos que se levantam, sinceros e corajosos, ante as ordens injustas, não também porque saem de um dos campos em luta, mas por serem injustas; dos que acima de tudo defendem o direito de pensar e de ser digno."

Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'


Daqui.

domingo, 10 de julho de 2011

"A Rota do Incenso e das Especiarias" no Iémen Antigo


Entre os sec. VIII A.C. e o sec. VI D.C., o Iémen antigo foi dominado por seis estados principais, que umas vezes rivalizavam, outras se aliavam com o fim de controlar rigidamente e monopolizar o lucrativo comércio do incenso e de outras mercadorias preciosas. O contrabando ou o desvio da rota fixada era crime punido com a morte.

Os reinos antigos

Para a população contemporânea é difícil entender a importância do incenso ou da mirra no mundo antigo. Se o primeiro era imprescindível em todas as cerimónias religiosas, a mirra era essencial nos embalsamentos e, adicionada à cal, conferia brilho às paredes das habitações.


Hadhramaut ou Hadramawt

No Hadhamaut/Hadhramawt, grandes fornos eram (são) conservados acesos dia e noite para o fabrico da cal, muito necessária para a conservação dos edifícios bastante vulneráveis, construídos com tijolos fabricados de adobe, segundo técnicas milenares, e secos ao sol.

Segundo Plíneo o Velho, Shawa, capital do Hadhramaut, era a cidade dos 60 templos. Esplendorosa e de arquitetura singular. As habitações tinham de 5 a 7 andares, habitadas por uma só família (só ruínas, agora).

Shivta, cidade no deserto na rota do incenso

Hadhramaut foi o grande produtor do incenso. Ali existia outrora, em abundância, a árvore de onde se extraía a resina, fazendo-se à volta da sua recolha grande segredo, o que deu lugar a várias lendas. Heródoto conta que em torno de cada árvore voavam serpentes aladas, para a proteger. Hoje estão praticamente extintas e apenas nas grandes alturas desérticas se podem encontrar algumas. Os que se dedicam à recolha da resina percorrem a montanha, durante dias, para fazer as incisões nas árvores cujas lágrimas ficam a secar ao sol e só depois são recolhidas com o auxílio de um raspador.

Cão de caça - Hadhramaut

Com um importante porto, "Cane", de intenso comércio marítimo (hoje coberto de areia), por onde entravam as especiarias e todas as mercadorias vindas dos reinos mais a oriente, foi um dos estados marcantes, sendo, pois, dos primeiros grandes reinos caravaneiros (os camelos foram domesticados a partir de 1400 A.C.).

De Cane partia uma rota de caravaneiros até Shawa, capital do Hadhramaut, centro de agrupamento de caravanas e aí, juntando-se à rota do incenso, percorriam, durante mais ou menos 6 meses, todo o deserto e todos os 56 postos de "parada" até ao porto de Gaza, de onde as preciosas mercadorias seguiam para a Síria, Egipto, para todo o império romano e poderem ser desfrutados os aromas, o sabor dos condimentos orientais e também o sal, útil para cozinhar e conservar os alimentos.

Rota do incenso entre Petra e Gaza

No Hadhramaut existia (existe), também, a exploração do sal à força de picaretas e cantorias e com a utilização de métodos muito primitivos.
Em 1985 foram encontradas, para além de casas, um templo e uma alfândega.
Algumas das relíquias descobertas encontram-se no museu em Ataq, capital da atual Shawan.

Shiban, a Manhatan do deserto


Shiban ou Sheiban, a cidade fortificada, que foi, mais tardiamente, durante muito tempo, capital do Hadhramaut (tem edifícios do séc. XVI, considerados os primeiros arranha-céus do mundo), foi considerada Património Mundial da Humanidade em 1982, pela Unesco.

O sul da Arábia é ainda uma terra de mistério. Os arqueólogos têm à sua frente muitos desafios e será possível que algumas descobertas futuras possam vir a rivalizar ou mesmo ofuscar as lendas que deram à região o seu histórico nome "Arábia Felix".

(Texto inspirado em séries televisivas
Consultas:História do Iémen Antigo ( Reino do Hadhramaut); Rota do incenso e das especiarias - Wikipédia)


Tita Fan

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rainha de Sabá


Ainda hoje, apesar de nenhum testemunho arqueológico o ter comprovado, o sonho dos Iémenitas é sem dúvida encontrar o rasto da sua lendária soberana, a muito citada Rainha de Sabá. O nome de Sabá encontra-se mencionado centenas de vezes nas inúmeras inscrições já decifradas, além disso, segundo os arqueólogos iémenitas,  a reforçar a ideia da lenda existe  o facto dela perdurar no Iémen desde há 3000 anos até à actualidade, sendo aceitável que o reino de Sabá tenha sido governado por uma rainha. Apontam também a descrição bíblica da visita sumptuosa feita ao rei Salomão há 30 séculos.  Parece que fascinada pela sabedoria e poder daquele rei, a rainha deixara o seu país longinquo e teria empreendido a viagem para o visitar e pôr à prova através de vários  enigmas, pois segundo lhe constara nenhuma pergunta era para o sábio rei suficientemente difícil. A grande quantidade de valiosos presentes em ouro e especiarias  que levou, na sua faustosa caravana, demonstravam quanto o seu reino, terra  dos perfumes e do incenso,  era próspero e bem sucedido.



Esta mítica rainha foi celebrada  em pinturas, vitrais e em outras formas de arte nomeadamente num dos painéis que compõem o portal do Batistério de Florença. Terá realmente existido? De qualquer forma perpetuou, sem dúvida, o nome do seu reino.

A prosperidade do reino de Sabá assentava na agricultura e no comércio das especiarias. A fertilidade do oásis de Mareb (Mar'ib), a capital, ficou lendária. O Corão para além de citar A rainha de Sabá, evoca também Mareb (Mar'ib), numa sura, como sendo um excelente país que possui dois maravilhosos jardins.


Efectivamente, passavam por Mareb (Mar'ib) todas as grandes caravanas, que do porto de Hadramawt, percorriam toda a borda do deserto em direção ao norte, formando uma rota, com a proteção dos reinos ao longo do caminho, através de impostos,  que se tornou conhecida como a "rota do ouro e do incenso". Ligava a Índia ao Egipto e ao norte da Síria. Chegavam a Petra. Transportavam especiarias, seda, ébano, ouro, peles de animais, etc.


Os vestígios da antiga capital Mar'ib, construída entre o 2º e o 1º milénio A.C., numa zona bastante estratégica, encontram-se a um km da cidade moderna, em torno da velha aldeia de Mareb abandonada. Os arqueólogos estão atualmente convencidos de que sob as suas ruinas permanecerão ainda vestígios do palácio real de Sabá e quem sabe alguma informação da sua raínha,  já que os principais lugares de culto, fora da cidade no meio do oásis, como era uso, já estão sendo estudados, incluindo um templo com 3000 anos, encontrado no deserto,  considerado o mais antigo da arábia e que terá, certamente, muitos segredos a serem desvendados.


Mas não são só os iémenitas que reivindicam ser a pátria desta tão lendária rainha, os etíopes também acreditam ser dela descendentes, pelo menos de um seu filho com o rei Salomão. Em 2008, arqueólogos alemães anunciaram ter encontrado, em Axum, os restos de um sumptuoso palácio pertencente  à Rainha de Sabá.

Mais uma descoberta para ajudar a desvendar um dos maiores mistérios da historia antiga......

Tita Fan

Salomão e a Rainha de Sabá






A bela Gina Lollobrigida e Yul Brynner num filme épico, que marcou a minha infância.

domingo, 3 de julho de 2011

Introdução breve e resumida à história do Iémen antigo

Sabá

O berço da civilização da Arábia do sul, um dos mais antigos centros da civilização do próximo oriente, a sua mítica história surpreendente e fascinante, só a partir dos anos 50 começou a emergir através de trabalhos de arqueólogos vindos da América ou da Europa, sem a continuidade que seria desejável. Vários reinos existiram desde há três mil anos, sendo o de “Sábá” um dos mais importantes - séc. VIII A.C. a séc. VI D.C.

Sabe-se que foi fundado por um povo semita, (a sua língua era do ramo semita), que entrou na Arábia pelo norte. Cerca de 680 A.C. o seu rei empreendeu oito campanhas e o seu domínio estendeu-se até à Abissínia, podendo ter chegado a incluir o actual Iémen e a Etiópia. Esse seu rei tomou o título de “federador” e impôs soberania aos outros reinos.

Os trabalhos arqueológicos descobriram vestígios de diques, palácios, templos, estatuária e centenas de inscrições alfabéticas em todas as regiões habitadas, algumas simplesmente com nomes, outras, verdadeiros documentos históricos.

Durante séculos os sabeus souberam utilizar as águas das chuvas que corriam das montanhas para o aprazível oásis de Mar’ib (Mareb).

Não sendo os diques já suficientes, foi construída uma barragem, impressionante obra de engenharia primitiva, da qual se podem ainda ver as duas comportas. São ainda visíveis espantosos alinhamentos de gigantescas pedras, datadas de 3000 anos, testemunhos das primeiras instalações hidráulicas.

Na estação das chuvas a barragem sustinha as águas, que passavam pelas comportas e depois um complexo sistema as redistribuía para os campos situados no nível inferior. Os antigos Iémenitas levaram até ao apogeu as técnicas de irrigação, proporcionando florestação, beleza e prosperidade, um verdadeiro oásis. Mar’ib (Mareb) era a cidade mais populosa, o centro económico e cultural da Arábia Feliz - Arábia Felix, como ficou conhecida a partir do que dela escreveu “Plíneo o Velho”.

Era um povo de mercadores bem sucedidos, tendo tido mesmo o monopólio do comércio sobre bens exóticos.

O declínio dos sabeus deu-se quando os “Plotomeus” do Egipto passaram a utilizar a nova rota pelo mar vermelho, que ligava diretamente Alexandria ao Egipto. Os reinos do Sul da Arábia enfraqueceram. Himyar, situado nas terras altas, longe das rotas das especiarias e do ouro, conhecido, entre os gregos e os romanos, como o reino Homerite, conquista a independência em 110 AC. e entre 115 AC. e 300 DC., conquista os reinos vizinhos, fazendo Zafar (hoje a  moderna Sanaa), sua capital. Pela primeira vez o sul da arábia foi unificado, sendo a religião de alguns dos seus reis monoteísta.

Após um breve período de domínio persa o Iémen torna-se parte do império muçulmano.

Ainda hoje os iémenitas estão profundamente convictos de que a lendária rainha de Sabá existiu e que efectivamente reinou em Sabá,  mas isso é outra história......

(Texto inspirado em séries televisivas.
Consultas: História do antigo Iémen- Wikipédia)

Tita Fan

(NOTA: A editora responsável deste Blogue está sem tempo nenhum.
Mas os colaboradores apostam em não deixar este espaço desaparecer ou cair no esquecimento. Mil obrigadas, Tita Fan!)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Nada de Cultura - vamos falar dos Clássicos

"Esta semana, "Nada de Cultura" irá falar dos clássicos. Numa altura em que as inscrições nas faculdades estão a aumentar nos cursos de letras clássicas é importante saber quando se fala de língua e literatura clássica.

Terão os pedagogos modernos receio dos clássicos? Para falar sobre esta e outras questões Francisco José Viegas convida Raul Rosado Fernandes, professor catedrático jubilado de filologia clássica da Faculdade de Letras e investigador do Centro de Estudos Clássicos, Raul Rosado Fernandes e o professor de literatura portuguesa e brasileira, Abel Barros Baptista.

"Nada de Cultura" , quarta-feira dia 26 de Janeiro, no TVI24, à 01h06 com a apresentação de Francisco José Viegas."

"Nada de Cultura" é o novo programa do TVI24 apresentado por Francisco José Viegas. Conheça o Blogue do programa aqui.

(Enviado por Becas)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Nerfertiti deve voltar ao Egipto


Carta enviada hoje às autoridades de Berlim:

Egipto exige à Alemanha a devolução do busto da rainha Nefertiti

"O Egipto formalizou finalmente, junto das autoridades alemãs, o pedido de devolução do busto da rainha Nefertiti (1370-1330 a.C.), actualmente em exposição no Neues Museum em Berlim, e que foi transportado para a capital alemã em 1913."

Leia a notícia no Público de hoje.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nova biblioteca de Alexandria

Este é o novo complexo cultural da Biblioteca de Alexandria, no Egipto, de autoria dos mesmos arquitectos da Opera House de Oslo.

domingo, 17 de outubro de 2010

O Disco de Festos

Em 03 de Julho de 1908, durante uma escavação nas ruínas da cidade cretense de Festos, foi encontrado por Luigi Pernier um pequeno disco de argila medindo 16 centímetros de tamanho e 16 milímetros de espessura. Em ambos os lados havia dezenas de sinais representados por figuras humanas, objectos do quotidiano, animais e plantas. Estes sinais eram separados em grupos pequenos divididos por linhas verticais, sendo ao todo 31 grupos de sinais no lado A e 30 grupos de sinais no lado B. Tudo indica que tais grupos de sinais encerram cada um o conceito de palavra. O que ainda não se sabe é se esse disco forma um texto, um calendário, uma relação ou outro tipo qualquer de registo.


O Disco de Festos foi composto com linhas espirais, divididas com linhas verticais. Há uma grande probabilidade destes quadros marcados por linhas verticais encerrarem cada um, uma palavra isolada. O disco comporta ao todo 31 “palavras” no lado A e 30 “palavras” no lado B. São ao todo 241 símbolos impressos, 122 símbolos no lado A e 119 símbolos no lado B. Mas a quantidade total de sinais sem repetição é de apenas de 45 símbolos.

As ruínas de Festos localizam-se no sul da Ilha de Creta, nas planícies de Mesara no extremo leste do Monte Kastri. Festos foi construído no Período Proto-palacial (1900-1700 a.C.) da civilização minóica ou cretense.
 
(Clique sobre a imagem para ler) 

Não é possível decifrar as escritas hieroglíficas anteriores à escrita Linear A e Linear B. Segundo os dados arqueológicos Creta torna-se uma potência marítima em torno de 1900 a.C. Esse é o período em que são construídos diversos palácios, Knossos e Festos.

OS SÍMBOLOS E SEUS CÓDIGOS

Observando detalhadamente os símbolos do Disco de Festos podemos perceber que alguns destes sinais também encontram similaridades com os hieróglifos egípcios. Desta forma, a hipótese de ser uma escrita hieroglífica cretense derivada da escrita egípcia antiga não é infundada. A questão gira em torno de saber se esta escrita é logográfica ou fonográfica.

Há a possibilidade de serem os sinais do Disco de Festos apenas uma escrita logográfica, isto é, ela representaria numa frase ideias. Por exemplo, se a escrita de Festos fosse logográfica poderíamos talvez lê-la associando os símbolos entre si. No lado A do Disco de Festos, utilizando o primeiro quadro na periferia do disco que é encerrado por uma linha vertical com quatro pontos há as respectivas figuras de um “rei”, de um “sol com sete pontos”, de uma “espiga de cereal”, de um “homem a andar” e de um “boomerang”. Numa escrita logográfica o que importa mais são os conceitos e não o sons. O sons não são delimitados dentro de regras estritas como no sistema fonético silábico de Linear B. Então este trecho poderia ser traduzido como: “o rei divino ao campo foi para caçar”. A característica da escrita logográfica é a de que não se precisa de conhecer a língua em que se foi escrito tal texto, basta apenas saber os significados dos sinais.

No Disco de Festos alguns sinais relacionam-se com os modelos dos sinais egípcios. Não há a possibilidade de se considerar este sistema de escrita como estritamente alfabética, pois existem ao todo 45 sinais utilizados no disco, sendo que a escrita alfabética necessita de muito menos. Então, a escrita hieroglífica de Festos pode ser também abordada como um conjunto misto de escrita, da mesma forma que a escrita hieroglífica egípcia. Além de sinais com valor fonético consonantal, próprio de uma escrita alfabética, haverá também outros sinais hipotéticos representando entre outros, sílabas, morfemas, ideias ou contextos.

A DESCODIFICAÇÃO

Se os sinais de Festos tiverem valores fonográficos, o que resta saber é como os grupos de sinais no Disco de Festos são lidos, isto é, a partir de que direcção se deve iniciar a leitura e a apreensão da semântica textual. A possibilidade do texto escapar do curso em espiral, dependendo de uma regra de leitura parece ser muito pequena. Então, tanto começando pela periferia como a partir do centro do disco, só há uma direcção a seguir, a espiral.

No Disco de Festos, pode-se perceber que na periferia e em ambos os lados a sequência do texto é limitada por uma linha vertical com cinco e quatro pontos e o grupo do centro não possui nenhum sinal que os caracterize como ponto de partida para a leitura. Esta seria a percepção mais óbvia, mas há a necessidade de se levar em conta também outros factores.

Becas