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sábado, 1 de dezembro de 2012

Conjurados e exconjurados


Os tempos vão mesmo beras. E há sintomas e sinais de destruição de uma nação profundamente doente e cujas chagas não cessam de se aprofundar. Hoje não venho referir a tristeza e o desconforto dos bolsos vazios de muitos portugueses. Disso nem é bom falar. 
Mas não posso deixar de falar do retrocesso que constitui a progressiva tentativa de abolir as nossas memórias históricas, como datas de comemorações importantes para a nossa identidade nacional. 
Fazer passar ao esquecimento dias como o 5 de outubro ou o 1º de dezembro são uma afronta a quem preza minimamente a cultura e a História de um país e de um povo. 
Homenagear aqueles que, com bravura, lutaram pela independência nacional em 1640, era o que se costumava fazer a 1 de dezembro, assinalando o dia como feriado, pelo seu significado simbólico. 
Haverá algo mais importante para a identidade de um país do que a sua independência? Parece-me básico. No entanto, ao que se diz, este será o último 1º de dezembro como feriado nacional.
O mesmo se anunciou a 5 de outubro. Pode passar a não se falar mais sequer daqueles que derrubaram o regime monárquico em 1910 para instaurar uma forma de governo com ideais republicanos e democráticos, com vista ao desenvolvimento do país em moldes mais justos e igualitários.
Manter vivas estas duas datas na memória dos portugueses, seria o mínimo do respeito pelas efemérides em causa na História de Portugal, se para tal houvesse brio e vergonha.
Por este caminho, dentro de poucas gerações, já mais ninguém saberá o que foram a restauração da independência ou a implementação da República e passarão rapidamente a ficar envoltas nas brumas da memória.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Licenciaturas fast-food

Desenho de Pedro Domingues, meu ex-aluno.


Já devo ter alguma idade, pois continuo a indignar-me com certos facilitismos, para não lhe chamar baldas e falta de vergonha. Sou de uma era pré-Bolonha e a minha licenciatura foi feita com trabalho a sério, mesmo daquele pré-Internet, sem copianços nem fraudes. Era queimar pestana, após ano, a doer, atrás dos calhamaços, e, muitas vezes vendo a primavera e o verão lá fora, do lado de dentro da vidraça da imponente Biblioteca da Faculdade de Letras. 
Tenho a honra de ter frequentado uma Faculdade de gente séria e de ter feito uma licenciatura "limpinha", à custa de leitura, discussão, escrita e muitas noites em branco. 
Marcou-me pela positiva. Ficou-me o jeito e o gosto. Ainda hoje gosto de passar noites inteiras a escrever e a pensar. Sozinha com o meu candeeiro, como há 30 e tal anos. A mesa não é a mesma e troquei a velha máquina de escrever por um portátil. Já não encho o chão de folhas inutilizadas, pois esta coisa permite-me emendar as gralhas sem estragar o documento, como acontecia nessa época. 
Licenciei-me de cabeça cheia e alma lavada. Fui muito feliz na Faculdade e recordo cada passo daqueles quatro anos como se fosse ontem. 
Oito anos mais tarde, já a trabalhar como professora do Secundário, resolvi fazer outro curso superior, mais quatro anos, desta vez em Língua e Cultura Italiana. 
Acumulei portanto dois diplomas, o que me equivaleu a oito anos de estudo aplicado e muitas cadeiras feitas, a começar em Filosofia Antiga, com 18 anos e a acabar em Tradução, aos 35.
Pelo meio, Lógica, Antropologia, Estética, Ética, Epistemologia, Psicanálise, Ontologia e mais não sei quantas Histórias da Filosofia, Filosofia do Conhecimento, das Ideias e da Cultura, da Linguagem...
Mais tarde doses maciças de Gramática, de Literatura, de História e Cultura Italianas, eu sei lá, no total dos dois cursos, umas boas dezenas de disciplinas, todas anuais.
Pelo meio das aulas e do estudo havia as dissertações, as discussões, os testes e os trabalhos, cujo ponto crítico era a defesa oral; escrever nunca me custou. Lembro-me mais das náuseas matinais do que propriamente de ter medo de encarar o professor, mas frequentemente o suor aflorava na palma das mãos quando ia ao quadro apresentar os meus trabalhos virada para a turma. 
Mesmo sendo já professora quando estudei Italiano, o facto de ali ser aluna, fazia toda a diferença. E a tensão era proporcional à responsabilidade e ao empenhamento.
Orgulho-me dos meus estudos e não os trocaria por nada. Prezo muito as Instituições de prestígio que frequentei e posso dizer que honro os meus diplomas.
Talvez por isso, vejo com dificuldade a mixórdia de cursos superiores que hoje se concedem a troco de equivalências (ou pior do que isso). Os casos de Sócrates ou Relvas devem ser apenas a ponta do icebergue de muitos casos de cursos comprados. 
Não sei se a Universidade em questão é ou não uma casa respeitável, mas todo o ruído à volta destes casos deixa-me francamente mal impressionada. 
Se por uma trágica reviravolta do destino, um dia perder a vergonha, vou lá bater à porta. Com muitos anos de serviço e já tendo feito uma enorme diversidade de tarefas na minha experiência profissional, pode ser que saia de lá com um doutoramento pret-à-porter.
Nessa altura estarei pronta para ingressar numa carreira política.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Isto é muito grave!


(imagem do jornal Sol)

O mais grave de tudo é que não se trata de uma medida pontual, mas algo para durar anos, quem sabe, para sempre. Mas ninguém do governo parece muito preocupado com o empobrecimento real das pessoas. A bem dizer, ninguém está preocupado com as pessoas. Só com os números.
Isto é um roubo legal. É o roubo institucionalizado. O Estado rouba àqueles a quem pode roubar e que não lhe podem roubar a ele; os funcionários públicos são aqueles que justamente não fogem ao fisco, têm sempre os seus impostos em dia, retidos a tempo e horas, quase sempre a mais. 
Os funcionários públicos não têm participações nos lucros, não entram nas empresas por cunhas, sujeitaram-se a concursos, em muitos casos têm décadas de tempo de serviço prestado ao Estado, que agora se torna um rigoroso e castigador padrasto.
Foi apresentada uma queixa sobre estes cortes ao Provedor de Justiça, que entretanto já revelou que a análise pode demorar muito tempo...
Sorry, mas hoje estou mesmo muito amarga!

Roubo sem precedentes



Pela primeira vez na minha vida profissional, que já soma 30 anos, vejo-me na situação inusitada de não receber o subsídio de férias, sem o qual as mesmas dificilmente se realizarão. 
Sempre tive direito a ele e nada fiz para perdê-lo. Não esbanjei, não me endividei, não gastei mais do que podia e, no entanto, dizem que devo, assim como todos os cidadãos, não sei quanto...
A função pública vê-se, deste modo, espoliada de um direito conquistado há muitos anos; e em muitos casos esta falta é mesmo vital para as famílias, tal como o subsídio de Natal. E não me refiro só às férias, a que todo o trabalhador deve ter direito, mas a despesas a cujo rendimento mensal (normal) não consegue fazer face, como por exemplo seguros, gastos de saúde e outros.  
Mais valia dizerem logo de uma vez "a bolsa ou a vida". 
Por pouco esta situação não leva a bolsa e a vida. Até ver.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Terramoto de valores em Itália



Enquanto o Dalai Lama fez uma doação de 50 mil Euros para as vítimas do terramoto em Itália, a estadia de 3 dias do Papa em Milão custará cerca de 3 milhões! 
Sem comentários.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Humberto Delgado, o general sem medo

(c) José Ruy 
Hoje é dia de recordar Humberto Delgado, um dos grandes opositores do regime de Salazar, que perdeu as eleições num ato eleitoral fraudulento. Nasceu a 15 de Maio. Capa do livro em BD de José Ruy, sobre o General Sem Medo.
Tita Fan

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pingo muito pouco Doce

As imagens da afluência às lojas da cadeia Pingo Doce difundidas hoje pela televisão, são bastante inquietantes. Tendo em conta os níveis crescentes de desemprego e endividamento excessivo de um grande número de famílias portuguesas, fiquei perplexa por ver a enorme massa de gente que se precipitou para as compras para adquirir toneladas de géneros, como se vivesse em pleno desafogo económico.
Consideremos que 50% de desconto é dinheiro. Mas a poupança só poderia funcionar em despesas superiores a 100 euros. Analisemos então por partes a questão.
Primeiro de tudo, é preciso ter mais de 100 euros disponíveis para gastar num só dia, sem que isso vá colocar em cheque o equilíbrio dos dias seguintes; segundo, um grande número de famílias gastou quantias acima dos 400 euros, algumas mais de 800 euros; terceiro, esgotou um grande número de bebidas alcoólicas, o que está muito longe de ser um bem de primeira necessidade e ainda mais para um povo com tantos desempregados e endividados. 
Felizmente (ainda!) não é o meu caso, mas sinto-me empobrecer gradualmente desde o ano passado e embora não precise de passar fome, também não me passa pela cabeça atafulhar a despensa da casa, como se viesse aí a guerra ou um qualquer cataclismo amanhã.
Pergunto-me: terão essas compras sido maioritariamente em débito direto ou a crédito? Como terão ficado os plafonds?
A minha avó costumava dizer um provérbio engraçado e que aqui serve como uma luva: "de tanto que te queres benzer, ainda partes a cara!" 
Como farão os açambarcadores que, soberba e egoisticamente, limparam tudo quanto havia nas prateleiras, (rompendo stocks e deixando à míngua quem só lá foi à procura de pão ou leite), para gerir os cartões de crédito?
De duas uma: ou têm muito dinheiro e não há problemas de plafond, e, nesse caso, também não precisam de ir aos saldos de comida; ou não têm, e se endividaram, o que é manifestamente um disparate, ainda mais na presente situação.
Sou frontalmente contra que haja supermercados e quejandos abertos aos feriados, ainda por cima no dia 1º de maio, em que os trabalhadores de todo o mundo reivindicam o direito a descansar. 
Por outro lado, a empresa em questão está a incorrer numa concorrência desleal para com as suas congéneres que eventualmente tenham encerrado. 
Por fim, penso que não se deve comprar a não ser aquilo de que se precisa. Só porque há desconto, vamos atafulhar o carrinho de compras de tudo e mais alguma coisa? Para quê? É o espetro da fome ou um consumismo desenfreado? Em qualquer dos casos é grave e sério e deve deixar-nos a pensar.
Haverá ainda resquícios de outras épocas, em que as populações se viram forçadas ao racionamento dos géneros alimentares mais básicos? Ou, pelo contrário, estes comportamentos decorrem de anos mais recentes em que algum desafogo económico instalou maus hábitos de consumo nos portugueses?
Por todas as razões e mais algumas, o que se passou hoje deixa-me preocupada e inquieta, também pelos sinais que deixa transparecer: histeria, descontrole, falta de auto-regulação, falta de educação e de civismo, tendo chegado nalguns casos à violência física. Uns comiam tudo o que podiam sem pagar, outros partiam garrafas de bebidas, outros saqueavam: o Caos!
Já não vou aos estádios de futebol há muitos anos. Não me obriguem a começar a ir aos hipermercados de capacete e joelheiras. Ou passarei a fazer compras apenas nos mercados tradicionais, pois estas cenas não me assistem!


(Imagens do FB, cuja autoria não foi possível identificar)

Ver a notícia do Público: "Parece o fim do mundo"

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Inveja

(c) Tacci

“Amigas e amigos, companheiros, correligionários e outros avulsos não especificados:
Dantes, quando eu era puto, a jogar à bola na rua, havia sempre alguém que marcava um golo «àqueles gajos» e gritava «arrecada! trê-zó-Moscavide!» 
Nunca percebi bem o que queria dizer a frase, nem de onde vinha, mas era bem expressiva.
Usava-se para mostrar um soberano desdém para com o «inimigo», fosse ele quem fosse, desde que defendesse a outra baliza. 
É o comentário que os nossos deputados devem estar a fazer uns com os outros, se for verdade o que se diz aí em baixo. 
E a gente «arrecada».
Que remédio: a baliza é nossa, o inimigo somos nós.”
Ilustração e texto de Tacci 

Afinal há subsídios de férias e Natal... mas na função pública só para os deputados e funcionários da Assembleia da República. Saiu o Orçamento para a Assembleia da República e eles lá estão: o Subsídio de Férias e de Natal. 
Deputados e funcionários da Assembleia da República contemplados com subsídios de férias e de natal em 2012 no orçamento APROVADO por TODOS os partidos! À semelhança do que foi justificado para a TAP PORTUGAL e para a Caixa Geral de Depósitos...
(Dados aqui)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Petição pela não matança desportiva de animais



As Viages El Corte Inglés organizam safaris milionários para caçar animais em África, que vão desde babuínos e impalas, até leões, passando por rinocerontes, elefantes e girafas. Com tabelas de preços, que aumentam proporcionalmente ao porte e peso do animal. Por exemplo caçar uma girafa custa 2.200 euros, enquanto que matar um elefante pode ir até 70.000 euros.
Há uma petição para boicotar este absurdo aqui. 
Eu já assinei e não me apetece comprar viagens no Corte Inglés nunca mais na vida.


Levem este selo e difundam nos vossos Blogues.

Juan Carlos I, um rei em queda

Imagem do Kaos


Se ao princípio sentia alguma simpatia pelo monarca de Espanha, hoje percebo que tal deve ter ocorrido por razões subjetivas, que se prendem com a sua vida em Portugal, o seu empenho em falar em português sempre que a ocasião o permitia e demonstrar algum conhecimento da cultura ibérica, se assim se pode dizer. 
Recentemente, pode dizer-se que Juan Carlos de Espanha, mesmo antes da sua queda física, já era de há algum tempo um monarca em queda de popularidade, a julgar pela divulgação de certos comportamentos seus na imprensa espanhola. 
Esta infeliz ideia da caçada aos elefantes em África acabou com a sua já frágil reputação e, pela parte que me toca, para mim, é o golpe final.



Não vou mais dar o benefício da dúvida a uma pessoa destas, que não é um cidadão qualquer, anónimo, é um rei de um país europeu, e que faz coisas com esta gravidade. Já noutras ocasiões o tinha feito, aparecendo triunfante ao pé de animais de grande porte abatidos a tiro. Que bonito! Hoje, como se nada fosse, vem pedir desculpa a dizer "lo siento, me he equivocado"...! What????
Quer Sua Alteza Real dizer que quando o seu amigo, um príncipe Saudita, o convidou para a caçada, Sua Senhoria não sabia ao que ia? E estas imagens dos anos passados, com búfalos a seus pés e um elefante agonizante tombado sobre uma árvore? São também equívocos? Não lhe dizem nada? Estará Sua Alteza Real com Alzheimer? 




Equivocou-se? Não sabia que matar elefantes é crime? Que este animal está em vias de extinção por causa das batidas de caça que se têm feito ao longo de gerações para captura e contrabando do marfim? Que o elefante é o maior animal terrestre da atualidade, chegando a pesar 12 toneladas? Que um adulto chega a viver 60 anos em liberdade na Natureza? Que a gestação de uma cria de elefante demora quase dois anos e que um  bebé pesa 90 quilos? Que se trata de um animal herbívoro, extremamente sensível às alterações do habitat? 
Temos um monarca ignorante? Ou leviano? Ou inconsciente? Ou demente? Ou hipócrita???
Qualquer das hipóteses é triste e preocupante; e uma pessoa nestas condições não deve continuar a ser o presidente honorário da World Wide Fund for Nature, quanto mais um chefe de estado!
Melhor será abdicar e dar o trono ao filho, o Príncipe Felipe, que parece uma pessoa decente.
Mas as histórias tristes com as caçadas já vêm de há muito tempo. Só não se compreende como é que ainda é o presidente honorário de uma organização não-governamental com fins ambientalistas, de preservação da biodiversidade, das florestas, dos oceanos e das espécies em vias de extinção. 
Ao Sr. D. Juan, um Rei em queda, que sofre de equívocos destes há 50 anos, só lhe falta ir à China abater os pandas, que são o símbolo da WWF!


(Há uma notícia sobre este assunto no Público).



"The current President of Honor of WWF in Spain, King Juan Carlos I, is a known hunting enthusiast, practicing it from 1962, when with 24 years was invited by the German Baron Werner von Alvensleben to a hunt in Mozambique. From then the King has taken part in huntings in Africa and Eastern Europe. In October 2004 he take part in a hunt in Romania that killed a wolf and nine brown bears, including one pregnant, according to the Romanian newspaper Romania Libera. He was also accused by a Russian official of killing a bear called Mitrofan, supposedly after giving vodka to the animal, in an episode that sparked some controversy in Spain, although it was never proven. In the same year, according to The Guardian, the Polish government allowed him to kill an European bison in Bialowieza forest, even when it is an endangered species. In April 2012 was discovered that the king was in a hunt of elephants in Botswana when he returned to Spain in an emergency flight, after tripping over a step and fracturing his hip in accident, adding further controversy. Although some Spanish environmentalist groups and leftist parties have criticized the hobby of the monarch, the opinion of WWF is yet to be seen."
(WWF - Wikipedia) 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Inqualificável abuso sobre animais



Pensavam que já sabiam tudo a respeito de sexo no seu pior? Violação? Pedofilia? Prostituição? Abuso de menores? Incesto? Etc.? 
Não! Aposto que isto ainda não vos tinha ocorrido esta baixaria aberrante: que se capturem fêmeas de orangotango, se coloquem em bordeis e se utilizem como prostitutas. Para gáudio de tarados e lucro de madames.
Que há pessoas que não são gente, pois são destituídas de respeito e compaixão, já sabíamos. Mas que se queira fazer negócio com escravos sexuais, sejam eles adultos ou crianças, é absolutamente execrável, como se faz na Tailândia, por exemplo. 
Com animais é porventura ainda mais inqualificável. Não tenho adjetivos para expressar a minha indignação perante semelhante façanha, já que se trata de animais tornados indefesos, provavelmente drogados, violados e que não sabem falar. Isto é, nestes casos, a provável denúncia ou fuga das vítimas é impossível!
Isto passa-se na Indonésia, onde a maior parte dos orangotangos já tem o seu habitat destruído pela desflorestação massiva para cultivar óleos alimentares. Estes símios correm o risco de desaparecer, pois já se perderam 50.000 nos últimos anos. Violar e prostituir as fêmeas é o derradeiro golpe nesta espécie de primatas, que têm bastante proximidade genética com os seres humanos.
O nojo que sinto não é ditado por razões moralistas, é mesmo repulsa pela crueldade que significa maltratar animais desta forma abjeta. Eles não se sabem defender, não podem telefonar, mandar emails, ir para os jornais ou pedir ajuda aos vizinhos, à Polícia ou à APAV. 
E tristemente, também nem sequer podem dar um justo corretivo às tais madames ou aos energúmenos "clientes"!


Na imagem vemos a fotografia da fêmea Pony no seu habitat normal, as árvores da floresta, com a sua pelagem natural de um castanho forte e abundante e depois drogada, violada e depilada, presa a uma parede com correntes e abusada como escrava sexual num bordel do Bornéu. Foi encontrada numa "prostitute village" pela Orangutan Survival Foundation.


O mínimo que podemos fazer é assinar esta petição on-line para acabar com esta barbaridade. Ainda só há 22.123 assinaturas; é muito pouco! É necessário bombardear o Ministro do Ambiente em Jakarta com muitas centenas de milhar de assinaturas e denunciar este escândalo internacionalmente, pois as florestas são património mundial e os animais são seres vivos que sofrem, mas não têm voz e nem sabem escrever. Assinem, o site é seguro e não custa nada.


A foto é daqui. A notícia está no Expresso.
Obrigada, Anabela Magalhães pela denúncia.


Últimos dados: a petição à 01.00 de dia 13 de abril, já tem 23.525 assinaturas. 
É pouco; temos de chegar às 50.000.
A petição é dirigida a: 
- Indonesia Ministry of Environment, Mr. Dana A. Kartakusuma
- Embassy of Indonesia, Deputy Chief of Mission Mr. Salma Al Farisi

sexta-feira, 23 de março de 2012

Os comentários deste Blogue a partir de hoje estão vedados a "Anónimos"

Porque há quem perca o seu tempo (apesar de não gostar, ou sobretudo por isso), a vir aqui fazer ataques pessoais à blogger, em vez de contribuir de algum modo para a discussão dos temas propostos.
São certamente especialistas em falácias ad hominem! 
Mas de construção assaz pobre, devo dizer...
Entretenham-se por outras bandas, s.f.f.. 
Há por aí muito site à altura de vocelências. 
Aqui não há lugar para gente medíocre que só sabe demolir o que os outros fazem, nada acrescentando de construtivo. 
Peço desculpa aos meus amigos que, sem perfil registado no Google têm alguma dificuldade em entrar na caixa de comentários e costumam fazê-lo como "Anónimos". Doravante não poderão fazê-lo. Sorry!


(Imagem cuja autoria não foi possível identificar)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sobre os plágios na Internet

Sou tida pelos meus colegas de profissão como pessoa de "muito mau feitio".
Traduza-se: exigente, chata, rigorosa...  Sagitário de mau feitio, pronto. 
Ora, perante uma coisa deste tipo, é óbvio que não sou de repente acometida de uma crise de bom feitio. Então, reajo mal se alguém usurpar a autoria dos meus textos e os publicar como se fossem seus, coisa que já aconteceu mais do que uma vez. Reajo ainda pior se os meus alunos copiam trabalhos da Internet e os apresentam como feitos pela sua própria pena e ideia. Imaginem como poderia reagir se alguém viesse, por precipitada aflição, sugerir que este Blogue plagiava outros. Fazer plágios é coisa medíocre de quem não tem imaginação. E nós desse mal não padecemos.


Nesta casa há princípios e um deles é não escrever uma coisa e fazer outra; sempre e em toda a parte, aquilo que se diz, não pode ser de fachada, mas deve valer para dar o exemplo. Na barra lateral deste Blogue há muitas coisas que talvez passem despercebidas, mas não estão lá por acaso. Uma delas é uma tarjeta simples que diz:


 "Respeite os direitos de autor" 


Logo a seguir há outra aplicação com a legenda: 


"Não pratique o plágio"


Não é preciso dizer que, se me dei ao trabalho de lá colocar estes e outros apelos logo de início, é porque defendo a sua efetiva aplicação. Nenhuma aplicação da barra lateral é mero elemento decorativo. Todas foram selecionadas com motivo e intenção. 
Mesmo sendo habitual aqui no Blogue alguns de nós usarmos os petits-noms de famille da infância que as nossas mães ou tias nos chamavam, sabemos todos muito bem quem somos, e, sobretudo, conhecemos os valores e os perfis intelectuais e morais uns dos outros. Não somos, por conseguinte, personagens de ficção, que se escondem atrás de nicknames inventados para a blogosfera.
Como infelizmente na Net são recorrentes os roubos de autoria de textos, fotografias e outros elementos recolhidos na web, mesmo entre pessoas que não era suposto terem tais comportamentos, cabe esclarecer aqui alguns pontos essenciais:


- Todas as publicações são da minha decisão editorial, mas nem todas são da minha autoria.
- Todos os trabalhos assinados veiculam a autoria de quem os assinou, e logo, a sua responsabilidade.
- Textos não assinados são escritos por mim. 
- Se há transcrições ou citações, estão referenciadas ou linkadas as fontes respetivas.
- Todos os comentários são filtrados por mim antes da publicação nos posts, a fim de evitar a publicação não controlada de linguagem imprópria (já recebi injúrias e mesmo ameaças).
- Em caso de alguém identificar algum texto ou imagem como seu/sua que esteja supostamente assumida como propriedade intelectual de outrem nestas páginas, é favor contactar-me de imediato na caixa de comentários, rementendo para o seu original, a fim de que eu possa repor a verdade e proceder em conformidade, quer atribuindo a respetiva creditação, quer mesmo, suprimindo a publicação.
- Uma coisa é a partilha de conhecimentos, análises e ligações, às claras, e dando conhecimento às partes envolvidas; outra, é o roubo de produções, que colocam em causa a propriedade intelectual sobre uma obra, seja ela poema, texto de blogue, imagem, composição musical ou seja o que for.
Lelé Batita  

domingo, 22 de janeiro de 2012

Boa oportunidade para estar calado


Às vezes parece que não tem bem a noção do ridículo ou então que não tem respeito por aqueles que verdadeiramente têm dificuldades; ou ainda, na pior das hipóteses, já não está muito bem da cabeça. E nós a termos de aturar estas tristes figuras.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A morte de Vaclav Havel e as incongruências do PCP


"O PCP ficou isolado na oposição a um voto de pesar pela morte de Vaclav Havel, herói da revolução de Veludo na antiga Checoslováquia. Os deputados comunistas levantaram-se quando a presidente da mesa perguntou quem vota contra e foram vaiados pelas bancada à direita.
A mensagem de pesar foi apresentada em conjunto por BE, CDS, PS e PSD. Os deputados dos quatro partidos - com excepção de alguns bloquistas - levantaram-se e bateram palmas quando o voto foi aprovado. Os Verdes, partido que corre coligado com o PCP, abstiveram-se.
Depois do aplauso o socialista José Lello lançou uma farpa aos comunistas perguntando à mesa se não teria dado entrada "nenhum voto de pesar para o Querido Líder", o líder da Coreia Norte Kim-Jong Il, que morreu esta semana.
Enquanto dramaturgo, Havel destacou-se pelas peças que satirizavam o antigo regime comunista da Checoslováquia, que integrava o Pacto de Varsóvia. Reconhecido como líder da resistência pacífica, Havel tornou-se presidente em 1989 e liderou a transição para a democracia que antecedeu a cisão do país na República Checa e Eslováquia."

Notícia do DN.


Tinha jurado, nos tempos conturbados que estamos a viver, não tornar a pronunciar-me sobre política neste Blogue. Mas esta notícia é revoltante. Não só porque apreciava bastante a pessoa de Vaclav Havel - pelo que faz todo o sentido o voto de pesar pela sua morte - como porque pensava que no PCP já havia sido varrida a mentalidade sectária e dogmática dos velhos tempos de inflência estalinista e quejandos. Afinal, um Partido que eu quereria jovem e renovado, ainda não fez a sua perestroyka!
Pode saber mais sobre Vaclav Havel aqui 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Desfaçatez



Um aluno do 5º ano, com 10 anos de idade é apanhado a copiar num teste via sms.
Do outro lado do telemóvel estava... a mãe da criança!

É caso para dizer: quem será a mãe da criança, que ainda nem sequer compareceu no agrupamento!

O petiz, a continuar assim, instruído por tão zelosa educadora, tem assegurado um belo futuro no mundo das fraudes académicas e vai, quem sabe, licenciar-se a um domingo.

E depois dizem que a Escola é que não educa!!??

Ver aqui a notícia.

sábado, 24 de setembro de 2011

As barracas maiores da ADD ainda estão debaixo dos panos

(c) Pérola de Cultura, Alqueva, 2011 

A respeito da ADD, estou firmemente persuadida de que as dores de cabeça maiores porventura ainda estão para chegar, quando nas escolas, por mais que se tape, hão-de (forçosamente!) destapar-se as assimetrias, as injustiças e os absurdos nas classificações, só possíveis num modelo que não acautela situações de oportunismo.

Cá para nós, que ninguém nos ouve, hoje mesmo fiquei a saber que, numa escola bem conhecida neste país, e que tem professores efetivamente muito competentes, há um professor que é uma "nódoa", segundo parece rezar a fama generalizada entre os alunos.

E ai, meu Deus, os alunos!!!! Eles, neste tipo de coisas são terríveis, têm olhos de lince, e, sobretudo aos melhores de entre os melhores, não escapam os muitos e repetidos atentados pedagógicos de alguns, felizmente uma escassa minoria de docentes.

Vai daí, que, para espanto geral, o dito professor vai ter Excelente ou Muito Bom na sua avaliação de desempenho. Para isso teve o cuidado de atempadamente negociar com os alunos uma colaboração e comportamento irrepreensíveis, em troca de notas altíssimas, para que nas duas aulas assitidas que pediu, tudo corresse de forma "espetacular"! E assim foi: um espetáculo, nunca antes presenciado pelos alunos. "As duas únicas aulas decentes em dois anos", disseram os alunos, que são os nossos melhores avaliadores.

O professor avaliador, de outra área disciplinar, ficou literalmente "maravilhado" e não tem dúvidas sobre a menção a atribuir, que prometeu, será "a mais alta possível"! Ora bem, passada a conveniente encenação, tudo voltou à mediocridade habitual naquelas aulas.

O saldo é que a criatura, entre saltos e flic-flacs à retaguarda, lá conseguiu passar a brilhantina nos olhos do avaliador, esteta de expressões plásticas e não de trampolins, que vai afinfar-lhe com a menção de mérito. O dito cujo será assim glorificado por duas aulitas, e continuará no seu cinzento exercício de um mister que visivelmente não aprecia, com notas que o catapultam para um pódio superior aos comuns mortais!

Os bons professores continuarão a ser bons professores, mesmo sem menções de mérito, a estar em todas as reuniões, a preparar as suas aulas cuidadosamente e a manter uma boa relação com os alunos. Diz-me a experiência de várias décadas de ensino que só pela competência e pela dedicação os professores são merecedores do respeito e admiração dos alunos. Sempre assim foi e sempre assim será. Independentemente de qualquer sistema de avaliação de desempenho, só esses ficam na sua lembrança de forma positiva e indelével.

Os professores que todos os dias se esfalfam a trabalhar, não só nas aulas, como em casa, para ensinar os seus alunos a aprender com prazer e satisfação, e com os quais têm, efetivamente, uma relação pedagógica, muito provavelmente não andam a correr atrás de notas, mas vão ser por elas injustiçados. Numa qualquer escola perto de si.