Há tempos escrevi aqui e aqui sobre a minha incredulidade sobre este tipo de tragédias.
Infelizmente, há dias tornei a sentir-me atónita com outra tragédia, ainda mais mortífera.
Embora de contornos diferentes, esta última foi perpetrada por alguém com um nome parecido.
Na Noruega foi Anders, na Alemanha Andreas. Na Noruega foi Breivik, na Alemanha, Lubitz...
Em ambos os casos, vinte e poucos anos, caras de anjos, rapazes bonitos, com um ar normal.
Bons filhos, cidadãos aparentemente cordiais, bons vizinhos, socialmente respeitados e, no entanto... assassinos!
Juro que até senti um arrepio, como se, de repente, estivesse a assistir a um déjá-vu, noutro cenário.
As semelhanças são evidentes nos nomes, mas não só: embora com diferenças nas motivações e nas personalidades, assistimos a duas mortandades de inocentes protagonizados por jovens sociopatas.
O primeiro disparou rajadas de balas sobre dezenas de jovens inocentes num acampamento de Verão numa ilha, após ter colocado um engenho explosivo de fabrico caseiro no edifício do governo da Noruega. O segundo despenhou propositadamente um avião Airbus sobre uma montanha dos Alpes há dias, matando 150 pessoas. O primeiro agiu por razões de racismo e xenofobia. Não queria ver o seu país "invadido" por outras raças, línguas e cores e achou assim que podia combater a tendência multicultural da Escandinávia. O segundo estava doente, deprimido, com dor de corno, sei lá, de mal com a vida, quiçá com o emprego. Não achou melhor modo de se suicidar do que levando para a morte consigo uma centena e meia de inocentes que viajavam de Barcelona para Dusseldorf. E que não tinham nada a ver com o seu surto psicótico, quadro de ansiedade ou crise amorosa.
Claro que todos temos livre-arbítrio e somos donos do nosso corpo e da nossa vida. Penso mesmo que o suicídio deve ser entendido como um direito. Mas não temos direito a dispor da vida dos outros. Daí que eu compare este crime com o da Noruega. Não deixam de ser ambos homicídios em massa, premeditados e meticulosamente executados.
Para preparar este tipo de atos é preciso que a frieza e o calculismo se sobreponham a toda a sanção moral e a toda a consciência ética. É preciso estar despido de toda a roupagem cívica e educacional que orienta o indivíduo para aquilo que é o mais elementar princípio de cidadania: o respeito pelo outro.
O valor mais universal e tacitamente aceite como supremo e inquestionável, que é o valor da vida, nestes casos, foi completamente subjugado a mentes perturbadas, de mal com o mundo e com raiva à humanidade.
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sábado, 28 de março de 2015
terça-feira, 11 de setembro de 2012
11 anos sobre o 11 de setembro
World Trade Center, New York, 11/09/2001
Naquele dia aparentemente calmo de setembro tinha trabalhado em casa de manhã, por ser feriado no meu município. Parei para almoçar e liguei o televisor na SIC.
Paulo Camacho dava a notícia de um acidente no World Trade Center. Por causas até ao momento desconhecidas, uma aeronave tinha embatido numa das torres e causado um incêndio de enormes proporções. Estavam a dirigir-se algumas viaturas de bombeiros para lá e as primeiras imagens tinham sido captadas por um transeunte.
Pouco depois assisti incrédula e literalmente boquiaberta ao embate do segundo avião na outra torre.
Lembro-me de balbuciar "Porra, isto não pode ser um acidente. Acidente coisíssima nenhuma!!!"
Sozinha no silêncio da minha casa, assisti, sem conseguir almoçar, ao desenrolar de toda aquela tragédia em direto. Nunca tinha até esse momento visto nada assim. E também nunca tinha tinha visto um pivot de televisão a ficar branco e gago no meio de um telejornal.
A tragédia era de proporções incalculáveis e até hoje contam-se os mortos e desaparecidos, em várias versões, mas com a tónica comum do horror, da intolerância e do ódio. Muitos dos sobreviventes são hoje pessoas irremediavelmente doentes física e psicologicamente.
Nunca mais o 11 de setembro me soube a feriado, nunca mais o gozei como uma folga, pois ele sabe-me a luto e a fel. Gostaria de apagá-lo do calendário, mas a História não volta para trás.
sábado, 14 de abril de 2012
Titanic, uma viagem sem regresso há 100 anos
Pintura de Michel Guyot, Titanic em Cherbourgh
Faz esta noite 100 anos que o maior e mais luxuoso navio do mundo se afundou na sua viagem inaugural. A 14 de abril de 1912, cerca das 23:40 horas o Titanic embatia num iceberg no Atlântico Norte e afundava passadas duas horas, levando consigo mais de 1500 almas. Foi o maior desastre marítimo até hoje.
Passados 100 anos, esta viagem sem retorno é recordada na imprensa mundial e hoje à noite, no local do acidente, haverá uma homenagem às vítimas, num moderno navio de cruzeiros, o Balmoral, que partiu para a mesma rota a 8 de abril, de Southampton até New York; a bordo encontram-se alguns dos descendentes dos sobreviventes do Titanic. Haverá música da época e os décors procuram recriar os momentos mais glamourosos da viagem, nomeadamente servindo os menus originais. Esta "graça" custa por pessoa entre 3.387 e 7255 Euros. Alto preço para exorcizar os fantasmas do passado.
Veja aqui um esquema interativo do navio RMS Titanic.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Últimas fotos do Titanic antes do naufrágio
Last picture of the Titanic leaving Queenstown, Ireland to New York, April 12, 1912.
Reading and writing room aboard the Titanic, 1912.
Woman selling Irish lace aboard the Titanic, April 11, 1912
São documentos históricos que hoje cabe recordar, em homenagem àqueles que fizeram a última viagem das suas vidas, sobretudo os que partiram da sua terra em busca de uma vida melhor do outro lado do Atlântico.
Aqui.
Documentos do Titanic disponíveis on-line
(Detalhes da notícia aqui.)
Titanic de novo no cinema, agora em 3D
O filme "Titanic" de James Cameron reconstitui com enorme mestria a tragédia do naufrágio, romanceando a história com uma paixão fulgurante entre uma jovem burguesa e um jovem desenhador que viajava na 3ª classe do navio.
O jovem viajava juntamente com centenas de emigrantes que se dirigiam aos EUA, muitos deles irlandeses pobres; ele acaba por morrer de hipotermia nos braços da sua amada, que sobreviveu em cima de um destroço de madeira.
A personagem Rose foi inspirada numa passageira do Titanic que existiu mesmo e foi uma das sobreviventes do Titanic.
Agora, por altura do centenário do naufrágio, o filme reapareceu em versão 3D. Para rever, com Kate Winslet e Leonardo Di Caprio no esplendor da sua beleza.
Visite o site oficial interativo Titanic Movie
A sinopse da história está aqui.
Para os fans dos filmes de James Cameron, deixo aqui o trailer desta nova versão
A tragédia do Titanic na correspondência de Fernando Pessoa
“Pretória,
21 de abril de 1912
(...) Que
grande impressão me tem feito aquele horror do naufrágio do “Titanic”, que se
despedaçou no gelo na sua viagem para a América. 1595 pessoas morreram! Que
heroismo o de alguns, que coragem para encarar a morte! A banda de música do
navio reuniu-se na casa de jantar quando o navio ia a submergir e tocou o hino
religioso “Nearer, my God, to Thee”. É tão admirável esta coragem que arranca lágrimas
de admiração, como lágrimas pela triste sorte de todos os que pereceram no
naufrágio. Tanta viúva, tantos filhos sem Pai! Um horror, um verdadeiro horror!
(...)”
Excerto de carta da mãe de Fernando Pessoa a mencionar a tragédia do Titanic.
Titanic, 100 anos
A 10 de abril de 1912, aquele que fora anunciado como o maior navio do mundo, o mais majestoso, e, além do mais, inafundável, saía de Southampton, na Inglaterra, em direção a New York.
Esta maravilhosa obra de engenharia naval, o luxuoso e moderno "Titanic", jamais haveria de chegar ao seu destino. A sua viagem inaugural foi afinal a última, marcada pela maior tragédia náutica, lembrada até hoje, passados 100 anos.
Na noite de 14 para 15 de abril, cerca das 2 horas da madrugada e perante o olhar atónito dos que conseguiram sobreviver, o Titanic afundava-se nas águas geladas do Atlântico, após ter sido literalmente rasgado por um icebergue.
Ali pereceram mais de 1500 pessoas, incluindo o comandante, que (ao contrário de Francesco Schettino, capitão do Costa Concordia), se recusou a abandonar o navio enquanto houvesse passageiros a bordo.
Excesso de velocidade e alguns erros humanos em cadeia terão estado entre as razões apontadas para a incapacidade de evitar o acidente. Tristemente, o número de botes salva-vidas era insuficiente e o Titanic tornou-se em duas horas um autêntico caixão; a maior parte das vítimas afundou-se com o navio.
Apesar das diligências de várias equipas de exploradores, incluindo o cineasta James Cameron, o Titanic nunca pôde ser resgatado e os seus restos repousam até hoje a 4000 metros de profundidade.
Museu Titanic- Belfast
"O RMS Titanic foi um navio transatlântico da Classe Olympic operado pela White Star Line e construído nos estaleiros da Harland and Wolff em Belfast, na Irlanda do Norte. Na noite de 14 de abril de 1912, durante sua viagem inaugural, entre Southampton, na Inglaterra, e Nova York, nos Estados Unidos, chocou-se com um iceberg no Oceano Atlântico e afundou duas horas e quarenta minutos depois, na madrugada do dia 15 de abril de 1912. Até o seu lançamento em 1912, ele foi o maior navio de passageiros do mundo."
"Com 2.240 pessoas a bordo, o naufrágio resultou na morte de 1.523 pessoas, hierarquizando-o como uma das piores catástrofes marítimas de todos os tempos. OTitanic provinha de algumas das mais avançadas tecnologias disponíveis da época e foi popularmente referenciado como "inafundável" - na verdade, um folheto publicitário de 1910, da White Star Line, sobre o Titanic, alegava que ele fora "concebido para ser inafundável". Foi um grande choque para muitos o facto de que, apesar da tecnologia avançada e experiente tripulação, o Titanic não só tenha afundado como causado grande perda de vidas humanas. O frenesi dos meios de comunicação social sobre as vítimas famosas do Titanic, as lendas sobre o que aconteceu a bordo do navio, as mudanças resultantes no direito marítimo, bem como a descoberta do local do naufrágio em1985 por uma equipe liderada pelo Dr. Robert Ballard fizeram a história do Titanic persistir famosa desde então."
(Wikipedia).
domingo, 11 de março de 2012
O tsunami do Japão um ano depois
"HOPE" - (c) Lelé Batita
Parece mentira que já passa um ano sobre uma das maiores tragédias a que assisti, quase em direto, pela televisão.
A primeira tinha sido o atentado às Twin Towers em New York (11 de Setembro) e a segunda o tsunami na Indonésia.
Ciclicamente, ora a natureza, ora a mão dos homens, devastam a vida de outros homens.
Os três acontecimentos tiraram-me o sono.
Este último, o do Japão, pelas suas proporções e trágica espetacularidade, fez-me levantar da cama de madrugada para ir desenhar, algo que já não fazia há muito tempo. O resultado pode não ser comparável às obras dos meus amigos que são profissionais das Artes, mas foi um desenho sentido, feito em muito pouco tempo e cada traço me arrancou emoções que, nessa altura e ainda hoje, passado um ano, não consigo expressar em palavras.A 11 de Março de 2011 um sismo de grau 9 na escala de Richter com epicentro a 24 km de profundidade provocou um tsunami que arrasou 400 quilómetros quadrados na costa nordeste do Japão. A tragédia provocou ainda o segundo mais grave acidente nuclear da história na central de Fukushima e causou a morte a mais de 19 mil pessoas. 340 mil pessoas ainda estão desalojadas. (Daqui)
Chamei ao desenho "Hope" e enviei-o para um blogue criado em França chamado Projet Tsunami. Quis transmitir com este desenho um sentimento positivo, de esperança, tranquilidade e paz, que era o que efetivamente desejava para todos aqueles seres afetados pela tragédia.
Deixo aqui os nossos dois desenhos, feitos há um ano; se o primeiro foi feito de um repente pela madrugada e debaixo de emoção, já o segundo, de profissional experiente, foi muito pensado e discutido ao mínimo detalhe. Representa um guerreiro Samurai a lutar contra a fúria das ondas, cortando-as com o seu sabre, sobre um vórtice de lama e pedras.
"SENDAI" - (c) Luís Diferr
O mais importante que posso dizer é que ambos produzimos os desenhos com um enorme sentimento de compaixão e solidariedade por todas as vítimas no Japão.
Neste dia, passado um ano, muitos japoneses estão em vigília e em oração por aqueles que partiram; os nossos sentimentos estão sobretudo com aqueles que sobreviveram e lutaram contra a dor da perda, do luto, da falta de abrigo e ainda assim, conseguiram ter a força de recomeçar.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Do incesto nos humanos
Escrevia uma amiga minha ontem no Facebook:"Acho que devia haver um mecanismo biológico que levasse uma gravidez incestuosa a aborto espontâneo. Nesta faceta a evolução falhou. Não imagino o que seja ser filha e neta do mesmo homem. Estou a imaginar um mecanismo tipo chave-fechadura, como existe nos enzimas e nos respectivos substratos, que impedisse a violação dum pai sobre uma filha."
Terá a evolução das espécies falhado ao não bloquear as relações incestuosas nos humanos, ou, no caso de estas existirem, terá falhado algum mecanismo que impedisse a fecundação ou provocasse um aborto espontâneo?
Bom, só seria assim, se a própria Natureza soubesse fazer a distinção entre os indivíduos da espécie humana e os outros, os não humanos, onde se assiste ao livre cruzamento de pais com filhos, pelo menos em algumas espécies, sem problemas aparentes.
Porque há problemas nos humanos? Porque é o incesto um comportamento reprovável e até repugnante?
Porque a espécie humana é a única dotada de uma consciência moral e de uma Ética social. Efetivamente existe um mecanismo que normalmente bloqueia as relações incestuosas, mas é cultural, não biológico.
Os seres humanos foram os únicos a evoluir até um estádio de desenvolvimento do córtex cerebral que permitiu a criação de uma inteligência superior e com ela um sistema de valores.
Sempre que há valores, há códigos de conduta a eles associados. A família nuclear, entendida com célula base das civilizações, normalmente reprova o incesto e desse modo em muitas sociedades humanas ele torna-se um crime. Se do incesto resultam filhos, que podem ser filhos e netos ao mesmo tempo, o cenário torna-se hediondo, difícil de gerir e leva muitas vezes à criminalização.
Nalguns dos casos em que o incesto ocorre, encontramos as chamadas psicopatias ou sociopatias, em pessoas com distúrbios de personalidade, que podem ser mais ou menos violentas, mas são certamente destituídas dos valores morais aceites pela sociedade. Esses indivíduos manifestam muitas vezes viver alheados das noções do sofrimento que podem causar aos que lhes estão próximos. O incesto está muitas vezes associado à violação de menores, dentro de famílias em que basta um indivíduo assumir um comportamento desviante, para desestruturar todos os membros.
Havendo ruptura na consciência moral, o que existe nos sociopatas, a relação incestuosa pode dar-se, mas quase sempre por violação de uma das partes, a mais forte subjugando a mais fraca.
Assim, o bloqueio do desejo sexual pelos familiares só existe se existir uma interiorização de valores como o respeito pelo outro e pela estrutura da família. Esse bloqueio existe naturalmente nas famílias saudáveis, na medida em que estas se vão estruturando enquanto unidades orgânicas, assentes num equilíbrio e numa harmonia, onde constrangimentos como os comportamentos de natureza incestuosa não teriam sequer lugar.
Um pai equilibrado protege a sua filha, não a seduz. Ama-a, mas não a deseja. Faz-lhe carinhos, mas não a viola. E o mesmo se dirá das mães em relação aos filhos rapazes. Os irmãos em geral não têm relações sexuais entre si, mas nas espécies como os cães, gatos ou macacos, isso é frequente. É uma questão de genes? De um par de cromossomas a mais? Não, é uma questão da consciência moral, que só existe nos humanos e com ela a auto-repressão e a censura que vai filtrar todos os seus atos.
Trata-se pois fundamentalmente de uma questão Ética e não biológica em sentido estrito, como desejaria a minha amiga. A prova disso é que muitas pessoas dizem não conseguir namorar ou casar com amigos de infância, na medida em que foram desenvolvendo por esses parceiros/as de brincadeiras uma espécie de "sentimento de irmandade". Embora não haja com eles/as nenhuma consanguinidade, o desejo sexual não funciona por as/os sentirem como irmãos/ãs.
Se se detetam comportamentos tais como: é o pai ou o tio a desflorar a noiva no dia do casamento, logo entendemos isso como "tribal", "primitivo" ou "bárbaro", e nos provoca um sentimento de reprovação. E mais uma vez é de valores morais que falamos e não de impedimentos biológicos.
Até na literatura, o incesto gera sempre sofrimento: veja-se o caso das tragédias gregas, como Édipo, por exemplo (que acasala com a sua mãe), ou "Os Maias" de Eça de Queirós (em que Carlos e Maria Eduarda se amam sem saber que são irmãos).
Mesmo o incesto sendo por vezes praticado sem a consciência da consanguinidade dos agentes envolvidos, (como ocorreu nestes casos, pelo menos numa primeira instância), eles acabam sempre por ser punidos pelas circunstâncias que daí advêm, e, de algum modo, arcar com um sofrimento, maior ou menor, mas para a vida toda, como forma de redenção dos seus crimes.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O Euro a naufragar?
(c) Clou
"O capitão ainda está a bordo?"
"Qual capitão?"
"A 13 de janeiro, no mesmo dia em que a agência de notação Standard & Poor's baixou a classificação da dívida de vários países da zona euro, o navio Costa Concordia naufragou ao largo da ilha de Giglio, na Toscana, causando a morte a onze pessoas e mais de vinte desaparecidos."AUTOR
"Clou é um desenhador belga, nascido em 1952, cujo verdadeiro nome é Christian Louis. Formou-se em banda desenhada, em Bruxelas e em sociologia, em Louvain, e colabora como ilustrador e desenhador de imprensa com La Libre Belgique, desde 1992. Em junho de 2010, ganhou o prémio do público no prestigiado."
Não sou dada a fazer humor com situações de tragédia, mas tenho de reconhecer neste cartoon um particular sentido de oportunidade na comparação. Superstição ou apenas uma triste coincidência, foi na sexta feira 13...
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Por Rafael, vítima de bullying
Era aluno da Escola Pedro de Santarém, tinha 10 anos e as orelhas grandes. Diz-se que estava farto que gozassem com ele. Estava referenciado como aluno hiperativo, mas ainda assim, com sucesso escolar.
Aparentemente preparou a sua morte (?) com requintes improváveis para a sua idade: um fato de surf e uma coleira de cão serviram para uma encenação macabra de suicídio por enforcamento.
Cheira por todos os lados a história mal contada. Mas o que é facto é que uma criança morreu.
Seja como for, paz à sua alma e castigos exemplares para os bullies. Enquanto tal não acontecer, não vão parar os casos de violência sobre alunos e professores nas escolas.
Notícia aqui.
domingo, 11 de setembro de 2011
O 11 de setembro de Allende
Após o horror das imagens das torres do World Trade Center e restantes atentados de 11 setembro de 2001, quase nos esquecemos do outro 11 de setembro: quando em 1973 as tropas de Pinochet derrubaram por golpe de Estado o regime democrático de Salvador Allende, prendendo, matando e torturando milhares de democratas e anti-fascistas do Chile. Entre as vítimas conta-se o inesquecível cantor Vitor Jara.
A queda do colosso
Muitas são as dúvidas que se levantam sobre como é que as duas torres do World Trade Center, estruturas fenomenais de aço, betão e vidro se puderam "pulverizar" de modo a cair em apenas 10 segundos. Testemunhos de sobreviventes falam em explosões nos andares de baixo, coisa que nenhuma investigação conseguiu apurar.
Sou por princípio contra todas as teorias que tentam culpar os próprios EUA pelos atentados, por achá-las absurdas; mas que a incompreensível pressa de a cidade se desfazer do todos os destroços, enviando-os para o exterior dá que pensar, dá...
11 de Setembro, dia de luto
Para que a memória do mundo ocidental não se apague, convém recordar que houve cerca de 3000 pessoas mortas em poucas horas nos EUA a 11 de Setembro de 2001.
Matar pessoas só porque sim? Em nome de uma qualquer jihad, porque eram do ocidente, "infiéis", habitantes de um país inimigo de um certo islão fundamentalista. Daí o terror, a afirmação de força perante o poder, outrora tido por invulnerável, do gigante americano.
Hoje, passados 10 anos revivo as imagens daquele dia com um nó na garganta e lembro-me da angústia que senti, misturada com incredulidade, perante aquele crime hediondo, que foi afinal, contra toda a humanidade.
Se o respeito pela vida não for um valor fundamental na construção da cidadania, todos os outros se tornarão vazios de significado, venham de onde vierem.
Este Blogue faz hoje um dia de luto pelas vítimas dos brutais atentados terroristas sobre o World Trade Center de NY e o Pentágono, que fizeram ainda despenhar um avião na Pensylvania cheio de cidadãos inocentes.
Ler notícia e ver fotos aqui.
Grafismo de Mimi Lenox
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
10 anos sobre o 11 de Setembro de 2001
O horror que os americanos viveram e o que o mundo presenciou naquele dia não se pode varrer da memória. Aquele atentado à humanidade ficou conhecido no mundo de língua inglesa como 9/11, que eles dizem "nine-eleven".
Vi incrédula e em directo o ataque do segundo avião às torres do World Trade Center em New York e não queria acreditar que fosse real. Paulo Camacho na SIC estava igualmente estupefacto e dos canais de televisão norte-americanos confirmava-se a notícia "trata-se de um atentado e não de um acidente"! Pudera, um acidente não teria uma réplica idêntica minutos após o embate do primeiro avião.
Aquilo que parecia inacreditável desfilou diante dos meus olhos nos minutos e horas seguintes como um dos maiores horrores da história: pessoas a atirar-se de arranha-céus para o vazio e duas torres de aço, vidro e betão a despenhar-se como castelos de cartas! Centenas de bombeiros e socorristas pouco puderam fazer perante a magnitude do ataque. Quando a poeira finalmente começou a assentar e permitiu que se contassem os corpos carbonizados, entre mortos e desaparecidos, as vítimas foram quase 3000 pessoas, o que é inédito num atentado urbano.
A Al Qaeda de má memória reuniu durante meses ou anos o capital e os meios necessários para a preparação dos pilotos e, increditavelmente, as comunicações a respeito destes meticulosos planos, escaparam aos serviços secretos norte-americanos. O mundo aprendia com estupor que afinal o gigante era vulnerável e a inteligenzia do país mais poderoso do mundo não estava suficientemente atenta.
Se o perigo soviético, inimigo tradicional dos EUA havia passado depois do desanuviamento introduzido pela perestroyka de Mikhail Gorbachov, a partir de agora seriam as organizações fundamentalistas islâmicas a concentrar as atenções da prevenção contra o terrorismo urbano.
Eu costumava ter medo da ETA e do IRA; a partir dos atentados ao World Trade Center em NY, ao comboio de Madrid e ao Metro de Londres, as bombas daqueles movimentos parecem coisa pouca.
Voltei a sentir um frio no estômago há pouco mais de um mês com o atentado de Oslo e cheguei a escrever neste Blogue que a mortandade devia ser coisa da Al Qaeda. Mas o terrorismo ali tinha outro rosto, o de um jovem com cara de anjo, pseudo-neo-templário de extrema-direita, que queria "limpar" a Europa do multiculturalismo... E dessa história ainda nos faltam muitos dados; mas é certo que a Noruega ainda não se refez, não só do choque, como da impreparação que se evidencou na falta de resposta atempada da polícia aos movimentos do assassino, que acabou por liquidar cerca de 80 pessoas em poucas horas.
Uma coisa sinto como certa: depois do 11 de Setembro o mundo nunca mais foi o mesmo. Passaram 10 anos. A Mimi Lenox convida-nos aqui a recordar este 10º aniversário de um dos maiores ataques à humanidade. A Pérola de Cultura associa-se ao assinalar deste momento.
Grafismo: (c) Luís Diferr a partir de template de Mimi Lenox
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Vigília em Oslo pelas vítimas de sexta feira

Imagens de Odd Andersen/leparisien.fr
Pode ler-se aqui a notícia sobre a vigília que juntou 150 mil pessoas hoje no centro de Oslo. Ontem via-se já a família real e o o primeiro-ministro junto das famílias das vítimas.
"Norway will be recognizable again"
Foto: Ilha de Utoya, Noruega, de Renny Bakke Amundsen
Post de Luís Diferr aqui, como mensagem de condolências ao povo norueguês.
domingo, 24 de julho de 2011
Anders Behring Breivik, cavaleiro templário 2083
Ainda não estou em mim de incredulidade a respeito do que aconteceu em Oslo e na ilha de Utoya. Já aqui o afirmei: a Noruega é dos países que conheço provavelmente aquele onde o sentido de cidadania é mais elevado. Mas não só: é tembém o país onde melhor se exerce aquilo a que eu chamo a democracia directa, ou seja, os cidadãos têm uma enorme proximidade dos seus governantes e as suas opiniões são efectivamente consideradas.
Há um cerca de um ano, por ocasião do Oslo Blog Gathering ainda se respirava em Oslo um clima de paz, segurança e tranquilidade. O grupo internacional de bloggers, que integrei com Luís Diferr, foi recebido pelo Mayor de Oslo na sala nobre da Câmara Municipal, sem quaisquer medidas de segurança. Seria pois o país onde menos eu esperaria ver aparecer uma acção terrorista.
Nessa altura, certamente, este fundamentalista já estaria a preparar estes actos terroristas, na medida em que elaborou um manifesto de 1518 páginas! Usa uma cruz semelhante à dos Templários e é iniciado de uma tal "Loja Azul" pertencente à Maçonaria. É ultranacionalista de extrema-direita e membro activo de um forum sueco de tendência neo-nazi. É contra o multiculturalismo e contra o islão. Há dias citou John Stuart Mill no twitter e parece ter feito uma interpretação muito peculiar da sua citação "Uma pessoa com uma crença equivale à força de 100 mil que só têm interesses".
De vez em quando aparece no mundo um paranóico capaz de espalhar o terror e praticar inqualificáveis genocídios. Este passou à história por ter morto centenas de pessoas num só dia.
Como se já não bastassem criminosos com Hitler, Sadam Hussein, Kadafhi e outros mais, agora aparece na Noruega, o país do Prémio Nobel da Paz, alguém que em tudo se assemelha a uma besta nazi, não fosse o facto de agir, ao que parece sozinho. Os nazis tinham um fortíssimo sentimento de grupo e Hitler apoiava-se muito na máquina de propaganda do partido para arregimentar os jovens e moldá-los ideologicamente.
Este parece que não precisou muito de uma máquina partidária atrás de si, pois segundo disse à polícia, agiu sozinho. Mas, tal como os nazis, Breivik deve por certo achar-se investido de uma missão divina de salvar a Europa dos males do multiculturalismo.
Os princípios onde baseia a sua ideologia "de esperança" são: Força, Honra, Sacrifício e Martírio! Os seus heróis: Charles Martel, El Cid, Richard The Lionheart, Jacques de Molay (o último dos Templários), Vlad Tepes (conhecido como o empalador por lutar contra o Califado Otomano na Roménia), John III Sobiesky (rei lutador contra o Califado Otomano-Islâmico na Polónia e Lituânia), e o Czar Nicolau I (imperador da Rússia)!
Lindo, não é?
O auto-denominado "Cavaleiro Templário 2083" identifica (preconiza?) uma Guerra Civil Europeia entre 1999 e 2083, ano em que deverá estar erradicado o multiculturalismo e a diversidade, que, segundo ele, estão a destruir a cultura dos países europeus. E o manifesto termina com um apelo: "Needless to say, my brothers; we, the conservatives of Europe, have a lot of work to do. Before we can star our Crusade, we must do our duty by decimating cultural marxism".
Estou atónita! Tenho a sensção de ter acabado de ler o Mein Kampf!
Pode ver aqui (de preferência sentado!) os vídeos com o perfil de Breivk e a visita de solidariedade da família real norueguesa às vítimas e às suas famílias.
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