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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Defenestração precisa-se...

Maluda - janela de Lisboa
... para quem tem o mau gosto e a triste ideia de abolir do calendário dos dias comemorativos aquele que foi o da restauração da independência de Portugal. Espanha já pousava aqui o seu poder desde há 60 longos anos. E chegou o dia de dizer basta!
Sem o dia 1 de dezembro de 1640, já todos falaríamos castelhano há muito tempo, já não seríamos país e nenhuma das outras datas que ainda nos restam seriam comemoradas.
Conseguiram abolir dois dos mais simbólicos feriados para a identidade de Portugal: o 1 de dezembro e o 5 de outubro; e assim, com eles, numa penada só, remeter para as brumas os ideais republicanos e a ideia de independência.
Depois das demências sebastiânicas, temos os desmandos de um bando de imbecis que só vêem cifrões diante do nariz e para quem até os mais significativos eventos da História bem podem ser apagados da memória coletiva. 
São uns tristes, para quem a cultura é um superavit de luxo para distração de intelectuais! E nós que os aturemos!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Os índios e o vinho


"As pessoas não devem ser criticadas pelos nomes ou pelo aspecto  físico mas os meninos exageram, e eu não sei se os nomes que usam são verdadeiros: existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé? É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal." 
António Lobo Antunes, in Visão, 31/10/13 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Palavras frontais e corajosas


"Temos pavões montados em cátedras de poderes maçónico-mafiosos que nos têm governado de modo tribal. Mas num tempo é-se pavão e no tempo seguinte é-se espanador."

Frei Fernando Ventura
SICN, 29 de Julho de 2013

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Abriu a época da caça a Mário Nogueira


1º de Maio de 1886, Chicago

Não é novidade. Chama-se falácia Ad Hominem. Quando não se quer (ou não se consegue) combater a tese, ataca-se o autor. Quando não se pode refutar a teoria, há que derrubar a personalidade que a defende. Já aconteceu assim na semana passada entre Couto dos Santos que partiu para o ataque pessoal a Paulo Guinote quando percebeu que não conseguia contradizê-lo.

As pessoas não têm a coragem de dizer que os professores (90% dos quais têm feito greves há duas semanas), não têm razão. É muito mais fácil descarregar o ódio em alguém que dá a cara pelas lutas e é reconhecido nos Media como um dos seus líderes. Mata-se e esfola-se vivo, se preciso for, o secretário-geral da Fenprof Mário Nogueira. 

Tenho lido de tudo a tentar denegrir e descredibilizar Mário Nogueira. Até, para meu espanto, um artigo de João Miguel Tavares no "Público", em que revela um anti-comunismo histérico e primário. No Expresso, Daniel Oliveira aborda esta espécie de transferência do ódio aos professores - não assumido - para um ódio - assumido - a Mário Nogueira, que emerge dos mais diversos sectores. 

Assim, as consciências ficam tranquilas por ter encontrado o seu bode expiatório e canalizado a sua revolta para um demónio que até está mesmo ali, à mão de semear. Além disso, é só um, não são 100000. Assim é mais fácil não errar o tiro. Abata-se o Mário Nogueira e todos os problemas que os professores levantam cessarão!

Recomendo a leitura do artigo do Expresso:
"Abriu a caça ao Nogueira", por Daniel OliveiraAqui.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Auscultação aos professores

Este termo costuma aplicar-se no âmbito da Medicina. Aqui, nesta luta, às tantas, estamos a ficar todos mais ou menos doentes cardíacos, stressados, hipertensos e coisas ainda piores.
Mas convém verificar a "tensão" geral antes de adotar formas de prosseguir a luta contra as medidas desastrosas que o MEC pretende aplicar aos professores. Trata-se de uma reunião aberta a todos os que quiserem aparecer e manifestar a sua vontade e opinião.
A tentativa de diabolização dos Sindicatos tem sido uma verdadeira cruzada, desde o tempo da ministra Maria de Lurdes Rodrigues até aos dias das falinhas mansas de Nuno Crato.
Se experimentarem ir a esta reunião magna, vão ver que o chamado "gangster do bigode" afinal não morde, nem os líderes dos outros Sindicatos vos obrigam a tornar-se "peões ao serviço do comunismo", como certa imprensa (n)os tem mimoseado.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Demagogias do governo


O QUE ESTÁ EM CAUSA NA GREVE DOS PROFESSORES
"O que está em causa para o governo na greve dos professores   é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.
Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa."
José Pacheco Pereira 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Personalidades da Cultura solidárias com a greve dos professores


Manifesto: Obrigado professores
"Sem Educação não há país que ande para a frente. E é para trás que andamos quando o governo decide aumentar o número de alunos por turma, despedir milhares de professores e desumanizar as escolas, desbaratando os avanços nas qualificações que o país conheceu nas últimas décadas. Não satisfeito, continua a sua cruzada contra a escola pública. Ameaça com mais despedimentos e com o aumento do horário de trabalho dos que ficam.
Ao atacar os professores o governo torna os alunos reféns. Com menos apoios educativos e menos recursos para fazer face à diversidade de estudantes, é a escola pública que sai enfraquecida. Querem encaixotar os alunos em turmas cada vez maiores com docentes cada vez mais desmotivados. Cortam nas disciplinas de formação cívica e do ensino artístico e tecnológico, negando aos jovens todos os horizontes possíveis.
Os professores estão em greve pela qualidade da escola pública e em nome dos alunos e das suas famílias. Porque sabem que baixar os braços é pactuar com a degradação da escola. Os professores fazem greve porque querem devolver as asas aos seus alunos que o governo entretanto roubou. Esta greve é por isso justa e necessária. É um murro na mesa de quem está farto de ser enganado. É um murro na mesa para defender um bem público cada vez mais ameaçado.
Por isso, estamos solidários. Apoiamos a greve dos professores em nome de uma escola para todos e onde todos cabem. Em nome de um país mais informado e qualificado, em nome das crianças que merecem um ensino de qualidade e toda a disponibilidade de quem sempre esteve com elas. É preciso libertar a escola pública do sequestro imposto pelo governo e pela troika. Aos professores dizemos “obrigado!” por defenderem um direito que é de todos."

Para ver quem são os subscritores deste Manifesto, clique aqui

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Aniversário nº 2 de um governo de imprestáveis


A desgraça não é pequena, quando até tenho saudades da Dra. Manuela Ferreira Leite na pasta da Educação. Já dei por mim a desejar alguém como os Professores Adriano Moreira ou Eduardo Lourenço nesse tipo de cargos hoje em dia. Nuno Crato é a maior desilusão da minha vida. Cheguei a linkar neste Blogue a sua rubrica diária na Rádio "5 minutos de Ciência". 
Admirava-o, respeitava-o e partilhei de algumas das suas ideias sobre Educação que aí veiculava.
Nunca me repugnou trabalhar, considero-me uma profissional séria, não fujo de responsabilidades e sou rigorosa e exigente. 
Mas cansei-me de ver, em nome desse rigor, tantos e perigosos disparates. 
Abomino a mentira e a hipocrisia e sinto-me atraiçoada, como muitos milhares de professores.
Este é aquilo a que se chama com toda a propriedade um grande "desgoverno"; a começar no próprio primeiro-ministro que se tem revelado indigno de qualquer credibilidade.
Sou de um tempo em que a palavra contava e aprendi que a cara das pessoas devia ser digna de olhar o outro de frente e sem subterfúgios. Não é nada disto que se vê: não há a mínima confiança; e governantes indignos da estima e do respeito do seu povo, devem retirar-se.
Vão-se embora, senhores, tenham vergonha da vossa incompetência e desumanidade. 
Boa viagem e até nunca mais, se Deus quiser. 

A propósito da greve dos professores

Ilustração: (c) Luís Diferr, Kallilea, imagem 4, pág.4 (a publicar)

Carta aberta de um estudante grego

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.
Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.
A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual "estaria em causa" devido à greve.*
De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?
Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
  • Quem construiu o futuro do meu avô?
  • Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
  • Quem governou mal e estripou este país?
  • Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
  • Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
  • Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
  • Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
  • Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
  • Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
  • Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
  • Quem lançou tanta gente no desemprego?
  • Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
  • Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?
Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?
Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:
Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.
Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.
Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:
Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?
Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?
Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?
Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?
Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?
Finalmente, quereis que vivamos como escravos?
De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: "Avançar e derrotar a tirania fascista!"
Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.
PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que "só quero escapar às aulas": Comportamento do aluno: "Muito Bom". Classificação média: 20 ("Excelente") [a nota mais alta nos liceus gregos].
Traduzida de "Echte Democratie Jetzt"

terça-feira, 7 de maio de 2013

Do exame da 4ª


(c) Olinda Gil, Sereia do Ilhéu

Agora é o 4º ano da escolaridade obrigatória. Com exame e tudo, como antigamente, na 4ª classe. 
Estive por lá, vi e participei, apesar de não ser professora do ensino básico.
Logo pela manhã, aportaram à Escola Secundária onde trabalho, magotes de crianças ruidosas, entre o entusiasmado e o curioso, pela novidade. 
Não só o espaço era novo  para aquelas crianças, como os professores e até o mobiliário. 
À sua dimensão, tudo se afigurava um pouco monumental, gigantesco mesmo; cerca de metade destes meninos passaram duas horas com as pernas a balançar no ar, os pés sem chegar a tocar no chão, numa posição de evidente desconforto. Tudo era tão estranho que houve mesmo quem chorasse e não fizesse nada de jeito. Outros, mais maduros, ou com mais capacidade de adaptação, lá se desenrascaram.
Vamos aguardar pela publicação dos resultados para ver quais são os ganhos efetivos que a introdução deste exame veio trazer. Ou se o show-off se saldou apenas por mais uma gigantesca operação de propaganda deste governo, o único que conheci até hoje a mandar pôr o seu símbolo nos cabeçalhos das provas.   
Não faço ideia quais os gastos que toda esta operação de logística acarretou, mas às vezes os gastos para este governo parecem importar muito, outras vezes, não faz mal! 
Na minha Escola várias centenas de alunos ficaram sem aulas e voltarão a ficar na sexta-feira, mas parece que também não faz mal. 
Faz de conta que veio um Papa e se deu tolerância de ponto, prontos!
Escolas houve em que se organizou visitas de estudo em massa para entreter os alunos cujas salas de aula estavam ocupadas com os seus colegas da primária a fazer exame.
Quanto se gastou? Quantas aulas se perdeu? Ora, isso não interessa nada! 
O que interessa é que se introduziu mais uma "medida de rigor", para preparar a criançada para a vida, ora pois! 
E, sobretudo, nada de confiar nesses "zecos" que enrouquecem nas salas de aula, para fazer das crianças homenzinhos e mulherzinhas, cultos e educados q.b. 
Essa malta, a quem o cabelo teima em embranquecer, e que despede a família às noites e aos fins-de-semana para fazer autênticas maratonas de correção de provas, na realidade só precisava era de uma boa desculpa para atrasar em cerca de dois dias mais uma dessas etapas, deixando no repouso da mesa de trabalho umas resmas de papel. 
E os alunos sempre estavam a precisar de uns feriados, pois isto de União Europeia só tem o nome e por cá nem sequer há férias de neve; assim sempre deu para um salto a Carcavelos a apanhar um valente escaldão! 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

António Vieira atual em 2013

 "Tudo quanto tenta e intenta o diabo em um poderoso, tudo leva ao cabo, ou seja nos pecados de homem, ou nos de ministro. Nos pecados de homem, se se ajunta o poder com o apetite, não há honra, não há honestidade, não há estado, nem ainda profissão, por sagrada que seja, que se não empreenda, que se não conquiste, que se não sujeite, que se não descomponha. E nos pecados de ministro, se o poder se ajunta com a ambição, com a soberba, com o ódio, com a vingança, com a inveja, com o respeito, com a adulação, não há lei humana, nem divina, que se não atropele, não há merecimento que se não aniquile, não há capacidade que se não levante, não há pobreza, nem miséria, nem lágrimas que se não acrescentem, não há injustiça que se não aprove, não há violência, não há crueldade, não há tirania que se não execute.” 

- Padre António Vieira, Sermão da Primeira Dominga do Advento [1652].

domingo, 3 de março de 2013

Marés de Lisboa









Fotos na manifestação de 2 de março (c) Luís Diferr

Quem quiser apoucar e dizer que foi irrelevante ou que não serve para nada, deixem lá: as câmaras de televisão não mentem. No Terreiro do Paço até havia uma dessas telecomandadas, que parecia um ovni, qualquer coisa high-tec, com luzes, pilotada à distância a medir ou contar, a infra-vermelhos, ou coiso e tal, modernices inventadas pela engenharia. Não sei números, nem faço questão de saber. Estive lá, da Fontes Pereira de Melo, onde me integrei na maré da Educação, logo atrás o Sindicato dos Músicos e a seguir a animadíssima maré da Saúde. Pouco passava das três da tarde e às sete ainda a cauda da manifestação não tinha conseguido entrar no Terreiro do Paço. Faça as contas quem souber, eu por mim não tenho quaisquer dúvidas de que foi das maiores manifestações de sempre em Portugal e sem organização institucional/sindical, note-se. Muitos milhares de idosos, a deslocarem-se com sacrifício por alguns km, jovens que já nasceram depois da revolução de abril... o que significa isto? Que tire as devidas ilações quem quiser. 
Do meu ponto de vista o governo deve ir para casa, não tem (MESMO) apoio popular. Não vale a pena continuar a querer tapar o sol com a peneira. 

sábado, 2 de março de 2013

Hoje há marés de Grândolas para todas as cores



Para quem pergunta repetidamente para que servem manifestações, só tenho uma hipótese de resposta:
- em termos práticos, pode não servir para nada se os nossos governantes continuarem com a surdez obsessiva que vêm demonstrando. 

Já no tempo da Dona Maria de Lurdes de má memória era isso mesmo que se passava: autismo, pseudo-indiferença e obstinação pelo poder.
A senhora chegou a dizer a frase temerária que era irrelevante ter 120000 professores em protesto na rua. Era o mesmo que 20000! Coitada, odiada se tornou e caiu, como todos caem. E estes também cairão. É uma questão de tempo.  Só que está na mão de todos aqueles que, como eu se sentem espoliados e compelidos de forma ilegítima a pagar dívidas que não contraíram, protestar e mostrar a sua indignação perante a insensibilidade, para não dizer desumanidade, dos que nos desgovernam. 

Participarei na maré da Educação. Contra tudo o que seria lógico, a Educação é um dos sectores mais sacrificados da sociedade. Desinvestir na Educação é hipotecar o futuro das novas gerações, condenando-as ao abandono escolar e ao insucesso; é condenar os docentes mais qualificados a uma profunda decepção e a sacrifícios incomportáveis para a sua idade e indignos do seu percurso; por fim, é lançar para o desemprego muitos dos que apostaram numa carreira condigna, por gosto e legítima escolha.

Contudo, a manifestação que hoje terá lugar reunirá muitas outras marés, muitos outros sectores da população, desde jovens estudantes até pessoas aposentadas, passando por desempregados, mal empregados, precários e suas famílias.

Não é altura para ficar no sofá. Amanhã pode ser tarde e poderás ver-te com uma carta de demissão na mão, quando menos esperavas, ou constatares que não tens como pagar as contas ou as propinas dos teus filhos. 

Andar faz bem e ainda podes ver alguns amigos que não contavas encontrar.
Vamos evocar aqui o ano de 68, pois faz todo o sentido recuperar alguns dos seus princípios. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Valter Hugo Mãe sobre os professores


Os professores 
 "Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito
... Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo. Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível. Dá -me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os
professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto. As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se."
Texto de Valter Hugo Mãe 

sábado, 3 de novembro de 2012

A refundação do Estado português

A fundação do reino de Portugal foi feita por D. Afonso Henriques lá para as bandas de 1143, depois de ter andado à pancada com a mãe e o primo, rei de Castela. 
Pode dizer-se que a vontade de fundar uma nação devia ser mesmo grande para justificar tais demandas, pelo que o seu cognome é "O Fundador".
Depois, ainda veio por aí abaixo à espadeirada, contra tudo o que cheirava a mouro, justificando o seu segundo cognome "O Conquistador".
Agora estamos a assistir estupefactos à segunda fundação, ou seja, à "refundação".
Passados quase 900 anos, refunda-se Portugal pela mão de estrangeiros, vindos de sabe-se lá onde e por que espúrios motivos e extravagantes vontades!
Ainda por cima pessoas com nomes estranhos, como Selassie...
Podia ser Joaquim, Silva ou Pires. Mas não, é Selassie; podia ser Kroger ou Ruffer . Mas não, é Selassie. Podia ser Costa, Ferreira ou até Barroso, mas não: é Selassie! 
Portanto, em 1143 tivemos o Fundador, D. Afonso Henriques, filho do Conde D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa de Leão, nascido em Viseu (embora as versões oficiais digam que foi em Guimarães). Em 2012 temos o Refundador, de nome Abebe Aemro Selassie, nascido na Etiópia, que não deixa o caminho criar erva, como chefe da troyka, a dar sentenças sobre o que é melhor para "salvar o estado português". Ora esta!
Este nome só pode ser de ascendência moura. Ai, se D. Afonso Henriques o apanhasse a jeito aqui em Lisboa, não escaparia por certo aos presumíveis 60 Kg da sua espada! 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A culpa é do corneteiro de D. Afonso Henriques

Nos idos tempos do D. Afonso Henriques, após o fim de uma batalha, a força ganhadora tinha direito ao saque (s. m. Acto de saquear. Roubo público...).
Pois bem, após uma dessas batalhas, ganha pelo nosso 1º Rei de Portugal, o seu corneteiro lá tocou para dar início ao dito saque, que por direito tinham as suas tropas. Depois ele voltaria a tocar uma 2ª vez a anunciar o fim do período do saque.

Mas... fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro finou-se antes de tocar para o fim do saque.
Até hoje ninguém voltou a tocar "fim ao saque"...Afinal a culpa é mesmo do Corneteiro...
(recebido por e.mail) 

domingo, 7 de outubro de 2012

Encontro de bloggers nas Caldas da Rainha






Fotos: (c) Pérola de Cultura, Caldas da Rainha, 6/10/2012

Neste encontro de bloggers sob o tema "A Blogosfera e a discussão das políticas educativas em Portugal" teve lugar uma interessante troca de ideias, nem sempre consensual, às vezes polémica, mas que trouxe, certamente, alguma luz sobre o que nos une, que é certamente mais do que o que nos divide.
Os pontos mais importantes discutidos e em agenda foram: os modelos de gestão, a autonomia, a situação dos professores contratados, a burocracia, a desinformação e a gestão de expectativas na classe docente.
O melhor de tudo foi reencontrar velhos amigos e finalmente poder abraçar alguns que há muito só conhecia pela Internet. De resto os afetos são um dos temas deste Blogue, e para isso também serviu este encontro: uns velhos, com tendência a eternizar-se, outros novos, mas sempre um encanto muito especial na (re)descoberta.
Deixo um agradecimento público ao Paulo Guinote, por me ter endereçado um convite pessoal e convido-vos a ler os resumos das várias sessões do encontro.
O colega Paulo Prudêncio foi o gentil anfitrião do encontro e está a publicar também resumos das comunicações.

Portugal de pernas para o ar


(Imagem recebida por email)

O hastear da bandeira nacional teve um incidente ridículo que todos se perguntam se terá sido intencional. Mas a expressão do presidente, perante aquilo que se tornou na metáfora do estado em que se encontra a República Portuguesa, dá vontade de perguntar: "Vocelência desculpe, mas... ri de quê?"