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quinta-feira, 14 de março de 2013

Rejubilar e regurgitar ou o fumo branco da Capela Sistina

(Cartoon cujo autor não foi possível identificar)

Fátima Campos Ferreira dizia, embevecida e em direto na RTP1, que os católicos presentes na Praça de S. Pedro regurgitavam quando, após a saída do fumo branco da chaminé da Capela Sistina, um cardeal anunciou à janela "Habemus Papam".
Poucas horas mais tarde a SIC Notícias, difundia que os homossexuais católicos emitiram uma comunicado a dar conta do seu "desalento pela escolha do cardeal Bergoglio para Papa". 
Este jesuíta considera a homossexualidade e o casamento gay como "um plano de  Satanás para enganar os filhos de Deus" e a "destruição do plano de Deus".
A esta seguiram-se dezenas de notícias nas redes sociais a dar conta do passado do cardeal Bergoglio, associando-o ao general Videla, que fez milhares de vítimas na Argentina durante a ditadura militar.
Enquanto isso, uma parte das pessoas, sobretudo as católicas, rejubilavam com esta nomeação, enchendo-se de alegria e esperança por a Igreja Católica ter pela primeira vez um Papa da América Latina, vendo nisso uma esperança de mudança e progresso. 
Outras houve que se encantaram com a escolha do nome Francisco, associando-o, de imediato e na sua boa-fé, a S. Francisco de Assis, o religioso que renunciou à riqueza e se despojou de todos os bens materiais para se unir aos pobres e aos animais, vivendo em comunhão com a Natureza.
Com maior probabilidade o cardeal escolheu, na minha opinião, o nome igual a S. Francisco Xavier, o co-fundador da Companhia de Jesus, à qual pertence.
Por acaso, este Papa nasceu a 17 de dezembro como eu, e também como eu, se licenciou em Filosofia. Por aí, poderia ser-me, à priori, uma figura simpática. Mas bastaram poucas horas para que por todo o lado se pusessem a descoberto notícias que, a serem confirmadas, mais uma vez vêm demonstrar que o Vaticano não tem remédio, é sempre mais do mesmo, a "evolução na continuidade", como dizia o Professor Marcello Caetano.
Este cardeal tinha ficado em segundo lugar na eleição que escolheu Joseph Ratzinger para Papa. Agora, com a resignação daquele, este subiu a primeiro lugar. Apenas a dança das cadeiras, nada mais. O aparelho retrógrado do Estado mais rico e mais tradicionalista do mundo no seu melhor. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Bento XVI volta a ser Joseph Ratzinger

Este é um Blogue crítico, reflexivo,  descomprometido e irreverente. Muitas vezes a roçar o ateísmo. 
O que não significa que todos os que aqui escrevem sejam como eu. Há um respeito pelos sentimentos de fé dos meus amigos e colaboradores.
Porém, não esconderei a satisfação que me deu saber que o atual Papa apresentou a sua demissão do cargo de Sumo Pontífice da Igreja Católica. 
Nessa mesma Igreja fui educada e dela me afastei, provavelmente de forma irreversível, desde que comecei a pensar nas barbaridades e incongruências praticadas em nome da fé cristã.

Joseph Ratzinger, o Papa bento XVI
Desde as cruzadas aos autos-de-fé, passando pelas atrocidades cometidas contra homens de Ciência e crimes de incesto nas próprias famílias dos Papas (como os famigerados Bórgia, por exemplo), uma avalanche de atos repulsivos buliram para sempre com a minha consciência de cristã (católica na infância, com comunhão, crisma e tudo) e deixei de me sentir uma das ovelhas dessa imensa comunidade no mundo.
O mesmo penso em relação a todos os fundamentalismos religiosos que usam o nome de Deus, quer se chame Alá, Jeová ou Nosso Senhor, para lesar o próximo e atacar os direitos humanos e a liberdade de pensamento e expressão, excluir minorias ou ditar de cátedra que isto é bom e Deus aceita, aquilo é mau e que Deus repudia. O que é normal e o que é anormal, o que deve e o que não deve ser feito. 

"Devemos ser todos irmãos em Cristo", repetem os Papas. 
Se calhar é em nome de uma duvidosa tolerância que se convida todos os tipos de líderes de Estado para a festa da "coroação", mesmo que sejam autores de atrocidades (como os ditadores Mugabe ou Kadhafi). Mas não somos todos irmãos? Não devemos perdoar e dar a outra face?
Porquê então a ausência do Dalai Lama, também ele chefe de Estado e líder religioso?

Em tempos idos não éramos assim "tão" irmãos de Giordano Bruno e Galileu Galilei, quando torturámos, espancámos e queimámos vivo o primeiro e arruinámos a carreira, queimámos os livros, mostrámos os instrumentos de tortura e condenámos a prisão domiciliária perpétua o segundo, pois não? 

Também não queremos ser irmãos de pessoas que por "azar" se apaixonam por outras que nasceram com o sexo semelhante ao nosso, pois é contra-natura e Deus vai achar repulsivo. 
Deus também não vai gostar que nos deitemos com o nosso namorado antes do casamento, pois, se calhar, quem sabe, após a experiência, já não queiramos casar com aquele mas sim procurar outro com quem as coisas funcionem melhor. Sim, porque isto do corpo também tem as suas empatias. Mas não, sexo é pecado se não for com o exclusivo propósito da procriação. E tudo o que é pecado é sujo e feio e, como tal, Deus não gosta.

Como uma das prerrogativas do Papa é (ou era) ser infalível, nenhum dos seus ditames pode ser questionado, porquanto todas as encíclicas assinadas pela sua mão, passam a ter o mesmo valor das Sagradas Escrituras, que supostamente foram ditadas pelo próprio Deus e da palavra divina ninguém pode duvidar. Se o Sumo Pontífice da Igreja Católica é infalível e até lhe chamam o Santo Padre, se é Santo não se pode enganar e é como se fosse Deus na Terra. Sabe o que faz e diz, e o que diz é sagrado verbo. O que escreve é de cera forma também uma "sagrada escritura", já que ganha força de lei. Para não ser questionada e para dela ninguém poder duvidar assume-se como dogma.

Perdão, mas não funciono com dogmatismos e para mim não há homens infalíveis e nem santos. Nem Papas, nem Ayatollahs, nem gurus de nenhuma espécie.

Diálogo e abertura na Igreja, precisa-se urgentemente. Reconhecer erros do passado, também não faz mal a ninguém, mas mais importante do que isso é pensar no presente e projetar-se no futuro e saber que Igreja queremos ter e para quê.  

Nunca escondi a minha antipatia por Joseph Ratzinger, desde a primeira hora. Sabia que ele fazia parte da ala mais conservadora e retrógrada dos Cardeais do Vaticano e tinha responsabilidades na excomunhão de católicos progressistas, como por exemplo, Leonardo Boff e outras pessoas ligadas a interpretações teológicas mais liberais. 
A minha má impressão sobre aquele que muitos viram como um grande pensador ou mesmo filósofo alemão, poliglota, culto, reflexivo e moderno, confirmou-se quando soube das suas ligações à Juventude Hitleriana e, last but not least, a imperdoável omissão sobre o conhecimento dos factos ligados aos crimes de pedofilia nas fileiras da Igreja, cujos dossiers ignorou propositadamente, só tendo vindo a admitir a sua existência anos mais tarde.

Depois disso, só ocasionalmente ouvi falar dele, pois propositadamente, decidi não perder tempo com a sua pessoa, as suas viagens, as suas campanhas anti-preservativo e outros dislates afins.
Não gostei nunca das suas falas mansas que cheiram a falso, pois manso é que ele não é e não deve ser tão cordeiro como quer fazer parecer. 

Ratzinger evidencia algumas fragilidades, o que é normal para a sua idade e condição física. E neste momento revelou lucidez e sentido de oportunidade, e aqui tenho de lhe tirar o chapéu, ao apresentar a demissão e terminar as suas funções na vida pública, antes de nos sujeitar ao espetáculo degradante a que assistimos com João Paulo II nos últimos anos do seu pontificado. 
É a primeira vez desde há séculos que um Papa sai de funções a não ser pela mão pesada da morte.

"Já não me sinto com forças para continuar a governar barca de S. Pedro". Aqui o intolerante, preconceituoso e rígido Ratzinger portou-se mais como um homem de Estado (o Vaticano é isso mesmo e não só a sede da Igreja Católica Apostólica Romana) do que como Papa, o que atesta a sua formação alemã e pragmática. A mesma faceta demonstrou ao aderir ao Twitter e começar a enviar mensagens a mais de um milhão e meio de seguidores. Qual Cavaco Silva!
Faz bem em sair de cena pela porta grande, antes de começar a ter desmaios, quedas e a babar-se ou adormecer durante os discursos. Aufwiedersehen Joseph; e obrigada por nos poupares!

Muitos crentes viram no raio que supostamente caiu sobre o teto da Basílica de S. Pedro algum tempo depois um sinal do céu. Parecia "Deus a manifestar-se". 
Pode ser, mas a manifestar o quê? Raiva, júbilo, alívio? 
Seria o equivalente do terramoto de hoje de manhã, após as experiências nucleares realizadas por aqueles loucos megalómanos na Coreia do Norte?
Os deuses não são distraídos como se possa pensar! E os artistas da fotografia também não...

Ver aqui a imagem do raio sobre a Basílica de S. Pedro em Roma.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Terramoto de valores em Itália



Enquanto o Dalai Lama fez uma doação de 50 mil Euros para as vítimas do terramoto em Itália, a estadia de 3 dias do Papa em Milão custará cerca de 3 milhões! 
Sem comentários.

terça-feira, 15 de maio de 2012

O fenómeno de Fátima



No tempo de Salazar, havia a célebre sigla dos 3 'f': futebol, fado e Fátima. Afinal, parece que não mudámos assim tanto. O fado tem vindo a ganhar novos valores e roupagens de uma estética mais moderna, o futebol tornou-se numa indústria milionária e o fenómeno de Fátima parece estar a recrudescer, se é que alguma vez esmoreceu. Segundo rezam as notícias, este ano, a 13 de maio, compareceram cerca de 300.000 peregrinos ao santuário, uma das maiores enchentes de sempre.


Não certamente por acaso, isto acontece numa altura de agudização da pobreza, do aumento crescente do desemprego e da impossibilidade de muitas famílias continuarem a honrar os seus compromissos com a Banca. Não obstante, queimaram 19 toneladas de velas de cera, incluindo promessas, pedidos e iluminação de uma das maiores procissões das velas de que há memória.  Mas, não ficando por aqui, há quem diga que os donativos em dinheiro ao santuário foram muito avultados e até houve oferendas em ouro.


Dá que pensar. Não tenho nada contra a fé, mas o recrudescimento deste excessivo fervor religioso não deixa de ser preocupante, dado que muitas das pessoas que fizeram donativos, talvez nem para si tenham; e o santuário nunca devia aproveitar, por um lado a devoção dos fiéis, e por outro, a sua situação de fragilidade para incentivar doações de quem é infinitamente mais pobre do que a estrutura da Igreja!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Que cena mais estranha


O que estarão a congeminar estas duas "mentes brilhantes"?
Quererá isto significar a reconciliação do Marxismo com a Igreja???
Pode ver aqui os pedidos que Bento XVI deixou aos governantes comunistas em Cuba.
Desiludido ficou o grupo das "Mulheres de Branco", familiares de presos políticos do regime cubano, que esperavam conseguir chegar à fala com Sua Santidade e pedir-lhe que intercedesse junto das autoridades em prol da liberdade...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Terá ele estado sexta feira na AR?

O Papa Bento XVI diz que (do DN Globo):

Matrimónio heterossexual é único "digno" para procriar  


O papa Bento XVI afirmou hoje que a união entre um homem e uma mulher no matrimónio é o único "lugar digno" para trazer ao mundo um novo ser humano, procriação que é expressão da sua união biológica e espiritual.

Fotografia © REUTERS/Giampiero Sposito

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O amor ao próximo

 

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus, 22, 39).
-.Quem é o meu próximo? Aquele que pertence ao mesmo grupo familiar, local, social, económico, nacional, étnico, cultural, linguístico, político ou religioso? Aquele que pertence à mesma espécie, ao mesmo planeta ou à mesma galáxia? Ou o meu próximo é aquele de quem me sentir próximo, ao ponto de o não sentir separado de mim nem a mim separado dele? O meu próximo tem então de ter duas pernas e dois braços ou pode ter quatro patas, muitas, nenhuma, caule, tronco, folhas, flores e frutos? Tem de ter cabelos e pele quase nua ou pode ter pêlos, penas, couraça, escamas e casca? Tem de viver sobre a terra ou pode rastejar dentro dela e voar e brilhar nos céus? Tem de ter uma vida individual ou pode ser a própria terra, as areias, as rochas, os minérios, as águas, os ventos, o fogo e as energias que em tudo isso habitam? Tem de falar a minha linguagem ou pode miar, ladrar, zumbir, uivar, cacarejar, grunhir, mugir, relinchar, rugir, trinar, grasnar, trovejar, soprar, relampejar, chover ou florir, frutificar, repousar e mover-se em silêncio? Tem de ter forma e ser visível ou pode não ter forma e ser invisível? Tem de ter vida consciente e senciente? Tem de ter vida? Tem de ser algum ser ou coisa ou pode ser tudo? A empatia, o sentir em si o outro como o mesmo, a compaixão, têm limites? Temos limites? Conhecemos a fronteira do que somos? Ou só o medo nos limita? O medo de tudo o que há. O medo do infinito e da vasta multidão que somos.


(Professor de Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, querido colega e amigo) 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Matthieu Ricard sobre a felicidade



Matthieu Ricard é francês, filho de filósofo, doutorado em Biologia e monge budista. Por esta ordem. Segundo as pesquisas efetuadas no seu cérebro por uma equipa de neurocientistas, ele pode ser o homem mais feliz à face da Terra. O segredo: nunca estar num "bad mood"!
Quando for grande quero ser assim.





Para quem não tiver muita paciência para tentar perceber este linguajar, assim num inglês afrancesado, deixo aqui as linhas gerais da entrevista traduzidas:
Para Matthieu Ricard a compaixão e o amor incondicionais vão ativar certas ondas cerebrais produzidas no córtex que podem ser detetadas pela neurobiologia. 
O amor altruísta é o sentimento mais positivo e produz o mais construtivo estado de espírito de todos, enquanto que o egoismo é o mais miserável. 
Mathieu Ricard nunca está num "bad mood", apesar de sentir por vezes indignação (o que é diferente de raiva), por exemplo perante um massacre. Nesse caso, poderá usá-la como motivação para resolver uma situação de injustiça insustentável: "é uma questão de brio dizermos por vezes 'isto não pode ser!' e buscarmos um remédio à altura."
 O que impede a felicidade são estados de espírito de raiva, ciúme, inveja, arrogância ou desespero.
A meditação fornece recursos para lidar com os altos e baixos das circunstâncias, em vez de ficar vulnerável a elas, mantendo a mesma abertura e a mesma resiliência perante os acontecimentos agradáveis e desagradáveis do mundo exterior. Isto não significa indiferença, apenas nos deixamos afetar menos pelas coisas, já que temos a liberdade de olhá-las de um modo mais realista e construtivo, para si e para os outros. 
Alguns artistas falam da dor, da preocupação e da depressão como fontes para a criatividade. Matthieu Ricard refere que já foram feitos estudos sobre a criatividade e a grande maioria dos artistas consta de pessoas comuns, normais, que não andam a cortar as orelhas. Mesmo nos que sofrem depressões cíclicas, os estudos mostram que as suas melhores obras são produzidas fora desses períodos.
Salienta-se nesta entrevista o papel positivo do exercício da meditação, que começa por uma postura física de coluna direita, a respiração controlada e a atenção concentrada. Não tem de ser um exercício aborrecido que se faz de pernas cruzadas, queimando incenso ou debaixo de uma árvore. Para meditar não é preciso ser-se um Yogi, apenas concentrar-se e respirar em harmonia com a Natureza.
Já tive o privilégio de estar na presença de Matthieu Ricard várias vezes em Lisboa e posso confirmar que a sua personalidade faz jus à proximidade que tem com o Dalai Lama (ele é um dos seus porta-vozes e tradutores oficiais). Este monge, que afinal é também um homem de Ciência, não só possui uma enorme humildade e simplicidade, mas também, alia à sabedoria, sobretudo, humanidade e doçura.

Na barra lateral deste Blogue consta desde a primeira hora, como livro recomendado, a obra "O Monge e o Filósofo", um diálogo muito instrutivo entre Matthieu Ricard e o seu pai, o filósofo francês Jean-François Revel, entretanto já falecido. É uma leitura que vale a pena, pelo confronto construtivo de pontos de vista sobre o mundo, entre um ateu e um monge budista.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Os Derviches rodopiantes da Turquia



O restaurante Dervixe, na Avenida 24 de Julho, em Lisboa, tem a informação que transcrevo abaixo no verso da sua ementa. Não pude resistir à tentação de copiá-la e trazê-la para o Blogue. Fui jantar a este agradável restaurante no verão, mas entretanto perdi de vista o apontamento, agora reencontrado; partilho convosco este aspeto curioso da cultura turca, da qual conheço ainda tão pouco.



O espaço do restaurante é agradável, com recantos de decoração tradicional turca e a cozinha é uma revelação de sabores de influência decididamente mediterrânica, provavelmente de predominância grega, misturada com influências do norte de África. O acolhimento é muito simpático e os mais supersticiosos têm a possibilidade de obter a leitura das borras do seu café, feita pelo próprio proprietário do restaurante, que já se expressa num português satisfatório.



«Os Mevlani, derviches rodopiantes, são os seguidores de Mevlana Jelaleddin Rumi, que nasceu em 1207 no seio de uma família de teólogos. Fundou a ordem Mevlana Sufi, que defendia que a melhor via para se chegar à divindade era através da poesia, da música e da dança.

Uma das suas características é a aceitação de outros credos e perspetivas, bem refletida no convite que Rumi faz à participação no sema:
"Quem quer que sejas, vem
 Mesmo que sejas
Um infiel, um pagão, ou um adorador do fogo". » 

Agrada-me particularmente esta abertura a outros credos... 
Fundamentalistas sectários, o mundo já tem de sobra.




A dança dos derviches rodopiantes foi reconhecida como património cultural imaterial da humanidade pela UNESCO. Para saber mais sobre este bailado clique aqui.



(A dança rodopiante começa por volta do minuto 5. Até lá aprecie a música). 


Tive a oportunidade de assistir a uma destas espantosas danças cerimoniais na Expo 98 em Lisboa. Observei estupefacta este bailado, ao som de uma música inebriante, perguntando-me como aguentavam eles, sem cair, aquele interminável rodopio. 
A explicação está em alguma coisa parecida com uma espécie de transe religioso, que também pude observar de perto num artista chamado Bali, pertencente a uma tribo Tuareg, que assentou o seu acampamento durante 15 dias próximo da Torre Vasco da Gama.


Contacto do restaurante aqui.

sábado, 19 de novembro de 2011

Livros de bronze numa Gruta da Jordânia


Numa gruta de Saham, Jordânia, localizada numa colina com vista para o Mar da Galileia, foram encontrados 70 livros do século I da era cristã que, segundo as primeiras avaliações, contêm as mais antigas representações do catolicismo.


Os livros têm a peculiaridade de serem gravados em folhas de bronze presas por anéis metálicos. O tamanho das folhas vai de 7,62 x 50,8 cms a 25,4 x 20,32 cms. Em média, cada livro tem entre oito e nove páginas, com imagens na frente e no verso. Segundo o jornal britânico Daily Mail, 70 códices de bronze foram encontrados entre os anos 2005 e 2007 e as peças estão a ser avaliadas por peritos na Inglaterra e na Suíça.

A cova fica a menos de 160 km de Qumran, a zona onde se encontraram os rolos do Mar Morto, uma das maiores evidências da historicidade do Evangelho, informou a agência ACI Digital.


Importantes documentos do mesmo período já haviam sido encontrados na mesma região. 
No local ter-se-iam refugiado, no ano 70 d.C., os cristãos de Jerusalém, durante a destruição da cidade pelas legiões de Tito, que afogaram em sangue uma revolução de judeus que queriam a independência.

Cumpria-se então a profecia de Jesus Cristo relativa à destruição de Jerusalém e à dispersão do povo judaico.
Segundo o "Daily Mail" os académicos, que estão convencidos da autenticidade dos livros, julgam que é uma descoberta tão importante quanto a dos rolos do Mar Morto em 1947.
Nelas, há imagens, símbolos e textos que se referem Jesus Cristo e sua paixão. 
David Elkington, especialista britânico em arqueologia e história religiosa antiga, foi um dos poucos que examinaram os livros. Para ele, tratar-se-ia de uma das maiores descobertas da história do Cristianismo.

"É uma coisa de cortar a respiração pensar que nós encontrámos estes objectos deixados pelos primeiros santos da Igreja", disse ele.
Com efeito, na época da desastrosa rebelião judaica, o bispo de Jerusalém era São Simeão, filho de Cleofás (irmão de São José) e de uma irmã de Nossa Senhora. Por isso, São Simeão era primo-irmão de Jesus Cristo e pertencia à linhagem real de David. 
Quando o apóstolo Santiago, "O Menor" (primeiro bispo de Jerusalém) foi assassinado pelos judeus que continuavam seguidores da Sinagoga os Apóstolos que ficaram, em rotura com o passado, escolheram Simeão como sucessor e ele recebeu Espírito Santo em Pentecostes.
Os primeiros católicos - naquela época não tinham aparecido heresias e todos os cristãos eram católicos - lembravam com fidelidade o anúncio feito por Jesus Cristo de que Jerusalém seria destruída e o Templo arrasado. Porém, não sabiam a data.

O santo bispo foi alertado pelo Céu da iminência do desastre e de que deveriam abandonar a cidade sem demora. São Simeão conduziu os primeiros cristãos à cidade de Pella, na actual Jordânia, como narra Eusébio de Cesárea, Padre da Igreja.

Após o arrasamento do Templo, São Simeão voltou com os cristãos que se restabeleceram sobre as ruínas. O facto favoreceu o florescimento da Igreja e a conversão de numerosos judeus pelos milagres operados pelos santos.
Assim, começou a reconstituir-se uma comunidade de judeus fiéis à plenitude do Antigo Testamento e ao messias redentor aguardado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas.

Porém, o imperador romano Adriano mandou arrasar os escombros da cidade, e os seus sucessores pagãos, Vespasiano e Domiciano, mandaram matar a todos os descendentes de David.

São Simeão fugiu. Mas, durante a perseguição de Trajano foi crucificado e martirizado pelo governador romano Ático. São Simeão recebeu com fidalguia o martírio quando tinha 120 anos. (cf. ACI Digital)
Emociona pensar que esses heróicos católicos judeus tenham deixado para a posteridade o testemunho da sua fé inscrito em livros tão trabalhados. O facto aponta também para a unicidade da Igreja Católica.

Philip Davies, professor emérito de estudos bíblicos da Universidade de Sheffield, disse ser evidente a origem cristã dos livros que incluem um mapa da cidade de Jerusalém. No mapa é representada o que parece ser a balaustrada do templo, mencionada nas escrituras.

"Assim que eu vi fiquei estupefacto", disse. "O que me impressionou foi ver uma imagem evidentemente cristã: Há uma cruz na frente e, detrás dela, há o que deve ser o sepulcro de Jesus, quer dizer, uma pequena construção com uma abertura e, mais no fundo, ainda os muros de uma cidade".
"Noutras páginas destes livros também existem representações de muralhas que, quase de certeza, reproduzem as de Jerusalém. E há uma crucificação cristã fora dos muros da cidade", acrescentou.


Pesquisa de Tita Fan

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo António de Lisboa ou Pádua?



·       Há 123 anos nascia Fernando Pessoa. E há 780 anos morria no dia 13 de Junho, Fernando de Bulhões, internacionalmente conhecido como Santo António de Pádua, ou Santo António de Lisboa.

Fernando de Bulhões (Lisboa, 15 de Agosto de 1191-1195 (?) - Pádua, 13 de Junho de 1231), foi um doutor da Igreja que viveu na viragem dos séculos XII e XIII.

Originalmente frade agostiniano, ingressou como noviço (1210) no Convento de São Vicente de Fora em Lisboa, tendo mais tarde ido para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde fez os seus estudos de Direito. O martírio de cinco franciscanos, decapitados em Marrocos, e a vinda dos seus restos mortais em 1220 para Coimbra fizeram Fernando abraçar o espírito de evangelização e trocar a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais de Coimbra e mudando então o nome para António. Viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois na Itália e na França.

No ano de 1221 passou a fazer parte do Capítulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio Francisco, o fundador. Foi professor de Teologia e grande pregador. Foi convidado por São Francisco para pregar contra os Albigenses em França. Foi transferido depois para Bolonha e de seguida para Pádua, onde morreu aos 36 (ou 40) anos.

Em Lisboa, festeja-se o Santo António desde o século XVI, com as festas populares. Santo António é também o santo casamenteiro. Existe aqui uma mistura de tradições entre as festas pagãs e o cristianismo. Este santo é comemorado no início do Verão, numa época relacionada com a fecundidade, quando nascem novos frutos, novos cereais e quando acontecem mais casamentos.

A festa das Noivas de Santo António em Lisboa remonta a 1950, sob iniciativa do Diário Popular e ainda hoje conta com o apoio da Câmara Municipal.

Mas Santo António não é só casamenteiro. É evocado como o santo que ressuscita os mortos, que cura as enfermidades, que assegura e multiplica as provisões, que ajuda os marinheiros, que vela pela felicidade do matrimónio, que encontra as coisas perdidas e que fala com o Menino Jesus.

sábado, 11 de junho de 2011

Sócrates, Francisco de Assis e os originais

Nunca se ouviu tanto em Portugal estes dois nomes como nos últimos tempos. Aqueles que para mim tinham sido sempre, respectivamente, um dos maiores filósofos gregos da Antiguidade e um santo italiano da Idade Média, são hoje dois hiper-badalados políticos da cena portuguesa: o primeiro, um líder em queda, o outro, em provável ascenção para futuro líder.


Sócrates, filósofo ateniense, era um homem culto e amigo da sabedoria. Era suficientemente humilde para se juntar sem receios aos mais fracos, e, juntamente com eles, buscar a luz do conhecimento. Tornando-se incómodo para uma certa aristocracia intelectual com influência junto do poder político em Atenas, acabou condenado à morte pela cicuta por volta do ano de 399 a. C.

Perante a indignação da juventude que o seguia, houve um discípulo que decidiu escrever as suas memórias da convivência com este homem singular, perpetuando assim o seu pensamento, feito de ensinamentos orais. Falo de Platão, um dos mais brilhantes pensadores ocidentais.

A ironia e a maiêutica socráticas rivalizavam, provavelmente sem desvantagem, com a retórica demagógica e relativista dos Sofistas, sábios itinerantes cujo saber enciclopédico era pago pelos jovens aristocratas.

Considerado o homem mais feio de Atenas, Sócrates foi caricaturado por Aristófanes na comédia "As Nuvens" que o retratava com um gago ridículo. Por outro lado, os seus admiradores contam que ele foi considerado o mais sábio entre todos os sábios pela Pitonisa do oráculo de Delfos, sob comunicação do próprio deus Apolo...




Francisco de Assis foi um frade italiano do século XII, fundador da ordem religiosa que ganhou o seu nome e atribuem-se-lhe qualidades de homem santo. Considerava todas as criaturas do Universo como suas irmãs e como tal as respeitava e amava. Este frade é muitas vezes representado rodeado de animais, numa paisagem bucólica e pacificadora. 

Dotado de profunda bondade e compaixão, Francisco de Assis ganhou muitos seguidores e despojou-se de todas as riquezas materiais em favor do cultivo dos bens do espírito. 

Atribui-se-lhe também a fundação de uma ordem feminina, a das irmãs Clarissas, o que, na época, suponho, deve ter causado alguma perplexidade nos meios católicos, habituados a que os religiosos fossem sempre homens.

Francisco de Assis é hoje tido como um exemplo de despojamento e abnegação, assim como sinónimo de uma simplicidade que contrasta frontalmente com o luxo e a opulência dos meios eclesiásticos. É admirado e seguido por filósofos budistas e cristãos e é o patrono das causas ecológicas e ambientalistas.

Confesso que continuo a preferir os originais Sócrates e Francisco de Assis aos actuais. As cópias perdem muito para os originais: eles foram os autênticos, os que buscavam com humildade e tolerância a simpatia das gentes, e o amor a uma coisa chamada a Verdade!

sábado, 30 de abril de 2011

O Papa João Paulo II canonizado?

Pareceu-me ouvir esta notícia do Vaticano ontem. Ao longo da história do catolicismo muitos têm sido aqueles que, por uma razão ou por outra, levam a chancela de santos pela mão dos doutores da Igreja. Sempre que o Vaticano se pronuncia, eu tenho arrepios. Desta vez são mesmo dúvidas aquilo que me assalta:
- quem pode, em consciência, ter critérios fiáveis para considerar alguém como santo?
Supondo que Deus exista, só ele poderia definir os padrões da santidade, uma vez que a qualidade de ser santo é transcendente ao humano!
Para amanhã, domingo, está previsto o primeiro passo para a canonização, que é beatificação.
Para que João Paulo II seja considerado santo é necessária a confirmação de um novo milagre.
Por agora, e enquanto esse milagre não for encontrado, o Papa será beato, mas não santo.
Veja aqui a notícia.

sábado, 2 de abril de 2011

Porque não há pilhagens no Japão?

(Imagem do Cafferty File)

Após o terramoto e tsunami de há três semanas no Japão, o mundo assiste com estupefacção a um fenómeno completamente inusual nestas circunstâncias: quando uma boa parte do país sofre com o caos e a destruição, ninguém ouve falar de roubos ou pilhagens, como aconteceu em 2005 nos EUA com o furacão Katrina, e após os terramotos do Haiti e do Chile.

O povo japonês, devastado pela perda de habitações, indústrias e campos de cultivo, anda ainda à procura dos seus familiares desaparecidos e conta os seus mortos. A acrescer a tudo isso, a ameaça nuclear é um perigo real que se abate sobre este país, já castigado no passado com duas bombas atómicas.

Tem sido notada a contenção, o civismo e a cidadania demonstarda pelos habitantes das zonas mais devastadas, que choram a sua desgraça, evidentemente, mas não se esquecem de ajudar o vizinho. No terreno multiplicam-se equipas de voluntários, que, sem nada ganhar, se vão revezando na busca de sobreviventes e resgate de pessoas e haveres no meio da destruição.

Nos supermercados os preços baixaram drasticamente logo que foi possível restabelecer o funcionamento dentro da "normalidade" possível na vida das populações. Os donos de máquinas de venda de bebidas passaram a distribui-las gratuitamente, por via do entendimento de que "todos trabalham para a sobrevivência de todos".

Onde nos outros países haveria vandalismo, ali há solidariedade. Onde haveria pilhagens, ali há generosidade. Qual a diferença? Como se explicam comportamentos em tudo contrários àquilo que é historica e sociologicamente expectável em situações de catástrofe?

Não páro de me espantar com esta elevada postura de cidadania e de me interrogar sobre os seus fundamentos, que contrastam aparentemente com o resto do mundo em condições idênticas.


Jack Cafferty, da CNN no seu artigo "Why there's no looting in Japan?" refere a possibilidade de haver uma relação entre esta demonstração de civismo e prática do Budismo e do Xintoísmo no Japão, decorrente dos valores éticos e morais inerentes à sua interiorização. Como refere Caffferty "values of conformity and consensus are considered virtues in their culture".

Cafferty fala num "vazio de moralidade" que acompanha os sentimentos das pessoas em situação de perdas múltiplas. No Japão, definitivamente, mesmo perdendo quase tudo, (algumas pessoas perderam mesmo tudo, incluindo a sua família e amigos), não se perdeu a moralidade.

(Obrigada ao Francisco Trindade pelo envio do artigo de Jack Cafferty).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

La Chandeleur: o dia dos crepes en França


Tradição popular e festa religiosa, a Chandeleur é também o dia em que os estudantes de França, Suiça e Bélgica dão largas à sua imaginação para cozinhar os mais deliciosos crepes. Eis aqui a receita do Lycée Flemming e o respectivo vídeo:





Para saber toda a história desta tradição e a evolução dos seus rituais, clique aqui.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Feliz dia de Reis

Wiseman Adoration (c)Murillo

O Dia de Reis, segundo a tradição cristã, seria aquele em que Jesus Cristo recém-nascido recebera a visita de "alguns magos do Oriente" que, segundo a lenda, foram três Reis Magos, e que ocorrera no dia 6 de Janeiro. A noite do dia 5 de Janeiro e madrugada do dia 6 é conhecida como "Noite de Reis".

A data marca, para os católicos, o dia para a veneração aos Reis Magos, que a tradição surgida no século VIII converteu nos santos Belchior, Gaspar e Baltazar. Nesta data, ainda, encerram-se para os católicos os festejos natalícios - sendo o dia em que são desarmados os presépios e por conseguinte são retirados todos os enfeites natalícios.

Em alguns países, como Espanha, é estimulada entre as crianças a tradição de se deixar sapatos na janela com ervas antes de dormir para que os camelos dos Reis Magos se possam alimentar e retomar viagem. Em troca os Reis magos deixariam doces que as crianças encontrariam no lugar das ervas após acordar.

A tradição também consiste em comer Bolo-Rei, no interior do qual se costumava encontrar uma fava e um brinde escondidos. A pessoa que encontra a fava deveria "pagar" o Bolo-Rei no ano seguinte. Em França come-se "Buché a la Renne" onde também encontram um brinde no seu interior; a buché também costuma trazer uma coroa e quem encontrar o brinde será coroado como rei.

Em Portugal e também noutros países as pessoas que moram em pequenas terras costumam ir cantar os reis de porta em porta para receber goluseimas ou outras ofertas. Esses cânticos ficaram conhecidos como "As Janeiras".


William Shakespeare é autor da peça teatral "Noite de Reis" (no original inglês chama-se Twelfth Night, Or What You Will). Trata-se de uma comédia romântica que conta a história de um triângulo amoroso composto pelo duque de Orsino, Lady Olivia e Viola, sobrevivente de um naufrágio. Como sempre, nas peças de Shakespeare há intrigas e equívocos bem urdidos para prender a atenção do leitor/espectador até ao desenlace final.

(Fonte de informação: Wikipédia)

sábado, 20 de novembro de 2010

Bento XVI fez uma pirueta com o preservativo

(Cartoon de António)

Ratzinger finalmente acordou? É inacreditável!
Estava eu a tentar digerir as últimas sobre a Cimeira da NATO, eis que sou surpreendida com a notícia (confirmada em dois canais e mais num jornal) de que o Papa Bento XVI aceitou finalmente o uso do preservativo.
Contrariamente a tudo o que tinha vindo a afirmar até agora, assim como os antecessores da sua Igreja, para quem o único método contraceptivo admitido até hoje era a abstinência, Bento XVI declara a um jornalista alemão que "se for para controlar a propagação da infecção pelo virus da SIDA, sim", é legítimo usar o preservativo. Mas vai mais longe ao referir que "esse pode ser um passo em frente para se viver uma sexualidade mais humana"!
Por este andar, ainda vai acabar por reconhecer a necessidade de acabar com a obrigatoriedade do celibato dos padres.
É caso para até eu dizer: haja Deus! Antes tarde do que nunca...
O que não se sabe é qual irá ser a reacção dos sectores mais conservadores do Vaticano (o ex-Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa, pertencia à ala mais retrógrada), a estas declarações, ainda por cima no dia de hoje, em que foram entronizados 24 novos cardeais...
Não será isto bom demais para ser verdade?
O Vaticano esclarece as possíveis dúvidas quanto ao sentido das afirmações do Papa aqui.
D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas disse à Lusa que "rejubilou" com esta notícia e que os católicos há muito tomaram esta medida por uma questão de responsabilidade ética.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Exposição das Relíquias de Buda em Portugal



RELÍQUIAS DO BUDA E DE MESTRES BUDISTAS VISITAM PORTUGAL - Projecto Maitreya

Ringsel, exposição das Relíquias do Buda e de Outros Grandes Mestres do Budismo Tibetano

Lisboa - 6 a 14 de Novembro 2010. Entrada livre.

Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa
Rua de D. Estefânia, 175
1000-154 Lisboa



Abertura: 6 de Nov. às 17:00 (por convite)
7-14 de Nov. das 10:00 às 19:00 (entrada livre)

Programa das actividades, informações e contacto






sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A moda do Halloween


O Dia das Bruxas - Halloween é o nome original na língua inglesa - é um evento tradicional e cultural, que ocorre nos países anglo-saxónicos, com especial relevância nos EUA, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos.

A origem do Halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcadas diferenças em relação às actuais abóboras ou da famosa frase "Gostosuras ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o Halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão").

A celebração do Halloween tem duas origens que no decurso da História se foram misturando: origem Pagã e origem Católica.

A primeira tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo prestar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou por misturar a cultura latina com a celta, sendo que esta última se desvaneceu com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades.  Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de Novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam origem ao ano novo celta. A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrada com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que actuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar os seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

A origem Católica prende-se com o facto de, desde o século IV, a Igreja da Síria consagrar um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV (615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses  num templo cristão que é hoje o Panteão de Roma, dedicando-o a "Todos os Santos".

A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de Maio, mas o Papa Gregório III (741) mudou a data para 1º de Novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de Outubro).
Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e "All Hallow Een" até chegar à palavra actual "Halloween".

(Fonte: Wikipédia)


Por aqui não há comemorações do Halloween, já que as bruxas nos visitam ao longo de todo o ano.
Em todo o caso, e como em Gaia e noutras terras, os festejos começam hoje, dia 29, sobretudo para a criançada, desejamos Happy Halloween.
Como a noite de sexta-feira é a mais aprazível para as bruxas, e para quem gostar do folclore, aqui fica a sugestão: arranjem uma abóbora grande, esvaziem-na do seu conteúdo, escavem uma boca e uns olhos, coloquem-lhe uma ou mais velas acesas por dentro e ponham-na à porta de casa. Pode ser que isso afaste os ditos seres e as respectivas vassouras de pôr a mão na vossa vida e nas vossas coisas...

domingo, 3 de outubro de 2010

Druidas finalmente reconhecidos


"Reino Unido reconhece Druidismo como religião. O culto defende a harmonia entre os seres humanos e a natureza."

Ler aqui.