Há tempos escrevi aqui e aqui sobre a minha incredulidade sobre este tipo de tragédias.
Infelizmente, há dias tornei a sentir-me atónita com outra tragédia, ainda mais mortífera.
Embora de contornos diferentes, esta última foi perpetrada por alguém com um nome parecido.
Na Noruega foi Anders, na Alemanha Andreas. Na Noruega foi Breivik, na Alemanha, Lubitz...
Em ambos os casos, vinte e poucos anos, caras de anjos, rapazes bonitos, com um ar normal.
Bons filhos, cidadãos aparentemente cordiais, bons vizinhos, socialmente respeitados e, no entanto... assassinos!
Juro que até senti um arrepio, como se, de repente, estivesse a assistir a um déjá-vu, noutro cenário.
As semelhanças são evidentes nos nomes, mas não só: embora com diferenças nas motivações e nas personalidades, assistimos a duas mortandades de inocentes protagonizados por jovens sociopatas.
O primeiro disparou rajadas de balas sobre dezenas de jovens inocentes num acampamento de Verão numa ilha, após ter colocado um engenho explosivo de fabrico caseiro no edifício do governo da Noruega. O segundo despenhou propositadamente um avião Airbus sobre uma montanha dos Alpes há dias, matando 150 pessoas. O primeiro agiu por razões de racismo e xenofobia. Não queria ver o seu país "invadido" por outras raças, línguas e cores e achou assim que podia combater a tendência multicultural da Escandinávia. O segundo estava doente, deprimido, com dor de corno, sei lá, de mal com a vida, quiçá com o emprego. Não achou melhor modo de se suicidar do que levando para a morte consigo uma centena e meia de inocentes que viajavam de Barcelona para Dusseldorf. E que não tinham nada a ver com o seu surto psicótico, quadro de ansiedade ou crise amorosa.
Claro que todos temos livre-arbítrio e somos donos do nosso corpo e da nossa vida. Penso mesmo que o suicídio deve ser entendido como um direito. Mas não temos direito a dispor da vida dos outros. Daí que eu compare este crime com o da Noruega. Não deixam de ser ambos homicídios em massa, premeditados e meticulosamente executados.
Para preparar este tipo de atos é preciso que a frieza e o calculismo se sobreponham a toda a sanção moral e a toda a consciência ética. É preciso estar despido de toda a roupagem cívica e educacional que orienta o indivíduo para aquilo que é o mais elementar princípio de cidadania: o respeito pelo outro.
O valor mais universal e tacitamente aceite como supremo e inquestionável, que é o valor da vida, nestes casos, foi completamente subjugado a mentes perturbadas, de mal com o mundo e com raiva à humanidade.
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sábado, 28 de março de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Do horror em Paris e algumas boas suspresas
Já foi dito e escrito quase tudo sobre os trágicos acontecimentos dos últimos dias em Paris.
A intolerância e o racismo, a violência e obscurantismo, a liberdade de imprensa ou os seus limites, o retrocesso civilizacional de quem quer reinstaurar a pena de morte, o circo mediático em torno de dezenas de chefes de Estado, uns mais sinceros, outros mais hipócritas, e uns que mais valia terem ficado em casa, já que, direitos humanos são coisa com a qual não costumam propriamente tomar o pequeno almoço.
De qualquer modo saliento duas ou três notas positivas a respeito do desempenho de alguns políticos:
1ª) a comparência (quase imediata) junto do escritório do Charlie Hebdo, vandalizado e objeto de uma carnificina, do presidente da república François Hollande.
2ª) a assunção (quase imediata) das responsabilidades pela falha na segurança nacional que permitiu a ocorrência de atentados perpetrados por criminosos já referenciados, por parte do primeiro-ministro Manuel Vals.
3ª) a participação na manifestação de Pedro Passos Coelho e Assunção Esteves, em representação de do Estado português. Não simpatizo com nenhum dos dois, mas gostei de vê-los por lá nesta ocasião.
4º) a participação do casal real da Jordânia, do qual já tinha boa impressão, em particular de Rânia, sobre quem já tinha escrito aqui em 2009 por ocasião da sua visita a Portugal.
Ao contrário das tradicionais rainhas árabes, que sempre vivem à sombra dos maridos e submetidas à tradição, Rânia da Jordânia continua a surpreender-me pela positiva.
Foi a primeira vez que vi uma rainha a desfilar numa manifestação, ainda mais sendo uma mulher árabe. A sua posição permite-lhe, felizmente, lutar e defender alguns direitos das mulheres no mundo árabe, como o direito à instrução e a uma participação ativa no mundo do trabalho.
Ficam aqui as suas palavras na página oficial do Facebook:
A intolerância e o racismo, a violência e obscurantismo, a liberdade de imprensa ou os seus limites, o retrocesso civilizacional de quem quer reinstaurar a pena de morte, o circo mediático em torno de dezenas de chefes de Estado, uns mais sinceros, outros mais hipócritas, e uns que mais valia terem ficado em casa, já que, direitos humanos são coisa com a qual não costumam propriamente tomar o pequeno almoço.
De qualquer modo saliento duas ou três notas positivas a respeito do desempenho de alguns políticos:
1ª) a comparência (quase imediata) junto do escritório do Charlie Hebdo, vandalizado e objeto de uma carnificina, do presidente da república François Hollande.
2ª) a assunção (quase imediata) das responsabilidades pela falha na segurança nacional que permitiu a ocorrência de atentados perpetrados por criminosos já referenciados, por parte do primeiro-ministro Manuel Vals.
3ª) a participação na manifestação de Pedro Passos Coelho e Assunção Esteves, em representação de do Estado português. Não simpatizo com nenhum dos dois, mas gostei de vê-los por lá nesta ocasião.
4º) a participação do casal real da Jordânia, do qual já tinha boa impressão, em particular de Rânia, sobre quem já tinha escrito aqui em 2009 por ocasião da sua visita a Portugal.
Ao contrário das tradicionais rainhas árabes, que sempre vivem à sombra dos maridos e submetidas à tradição, Rânia da Jordânia continua a surpreender-me pela positiva.
Foi a primeira vez que vi uma rainha a desfilar numa manifestação, ainda mais sendo uma mulher árabe. A sua posição permite-lhe, felizmente, lutar e defender alguns direitos das mulheres no mundo árabe, como o direito à instrução e a uma participação ativa no mundo do trabalho.
Ficam aqui as suas palavras na página oficial do Facebook:
"As a Muslim, it pains me when someone derides Islam and my religious beliefs. It also pains me when someone derides other religions and other people’s religious beliefs. But what offends me more, much more, are the actions of the criminals who, this week, dared to use Islam to justify the cold-blooded murder of innocent civilians. This is not about Islam or being offended by the Charlie Hebdo magazine. This is about a handful of extremists who wanted to slaughter people for any reason and at any cost.Islam is a religion of peace, tolerance and mercy. It is a source of comfort and strength for more than 1.6 billion Muslims – the same people who are shocked, saddened and appalled by the events in Paris this week.
Today, I join His Majesty King Abdullah in Paris to stand in solidarity with the people of France in their darkest hour... To stand in unity against extremism in all its forms and to stand up for our cherished faith, Islam. And so that the lasting image of these terrible events is an unprecedented outpouring of sympathy and support between people of all faiths and cultures."
sábado, 18 de outubro de 2014
Centenário da 1ª Guerra Mundial
![]() |
| Marcha para a primeira linha (frente), por Sousa Lopes Pormenor do quadro no Museu Militar |
Entre as mortes nas trincheiras (principalmente na Flandres), para além dos ferimentos em combate, as doenças infeciosas (como a febre tifóide, a sífilis, a gonorreia e a tuberculose), foram as maiores causas desta tragédia de enormes proporções, para um país já de si enfraquecido como estava Portugal.
Segundo alguns historiadores, a participação nesta guerra foi o maior erro que este país já cometeu. Devemos homenagear os mortos, esperando que não haja mais nenhum conflito destas proporções.
domingo, 17 de março de 2013
domingo, 25 de novembro de 2012
Violência sobre as mulheres
(c) Luís Diferr, in "O Homem de Neanderthal", Edições ASA, 1991
Numa casa perto de si.
Não finja que não ouve.
Não finja que não vê.
Denuncie.
APAV - apoio às vítimas
Não é demais alertar contra a violência doméstica. Em Portugal continuam a morrer dezenas de mulheres e homens todos os anos por causa desta disfunção familiar. Problema sociológico ou de saúde mental?
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
11 anos sobre o 11 de setembro
World Trade Center, New York, 11/09/2001
Naquele dia aparentemente calmo de setembro tinha trabalhado em casa de manhã, por ser feriado no meu município. Parei para almoçar e liguei o televisor na SIC.
Paulo Camacho dava a notícia de um acidente no World Trade Center. Por causas até ao momento desconhecidas, uma aeronave tinha embatido numa das torres e causado um incêndio de enormes proporções. Estavam a dirigir-se algumas viaturas de bombeiros para lá e as primeiras imagens tinham sido captadas por um transeunte.
Pouco depois assisti incrédula e literalmente boquiaberta ao embate do segundo avião na outra torre.
Lembro-me de balbuciar "Porra, isto não pode ser um acidente. Acidente coisíssima nenhuma!!!"
Sozinha no silêncio da minha casa, assisti, sem conseguir almoçar, ao desenrolar de toda aquela tragédia em direto. Nunca tinha até esse momento visto nada assim. E também nunca tinha tinha visto um pivot de televisão a ficar branco e gago no meio de um telejornal.
A tragédia era de proporções incalculáveis e até hoje contam-se os mortos e desaparecidos, em várias versões, mas com a tónica comum do horror, da intolerância e do ódio. Muitos dos sobreviventes são hoje pessoas irremediavelmente doentes física e psicologicamente.
Nunca mais o 11 de setembro me soube a feriado, nunca mais o gozei como uma folga, pois ele sabe-me a luto e a fel. Gostaria de apagá-lo do calendário, mas a História não volta para trás.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Tumbuktu em risco de destruição
Não é caso inédito; a destruição de relíquias arquitetónicas que são património mundial já ocorreu em várias partes do mundo, como por exemplo no Afeganistão. Os Budas gigantes, esculpidos em nichos escavados na rocha, foram objeto de cargas explosivas por parte dos talibans. Estes fanáticos consideraram que os Budas de Bamyan eram símbolos pagãos, logo, atentados contra o Islão, a destruir pela base. Lá ficaram portanto feitos em destroços.
Agora, a cidade de Tombuktu, património da Humanidade, está em risco de ser destruída, pelas fações islâmicas extremistas. O grupo que destruiu já seis dos dezasseis mausoléus classificados pela UNESCO, tem ligações à Al-Qaeda e prometeu destruir todos os símbolos, incluindo cemitérios, mesquitas e outros monumentos. Quem consegue pôr cobro a esta barbárie?
“Eles [combatentes islamistas] arrombaram a porta de entrada de uma das mesquitas classificadas (a de Sidi Yahia) e prometem destruir todos os lugares considerados sagrados, incluindo os cemitérios e os locais com símbolos artísticos”, contou Lassana Cissé, explicando que os islamistas “querem destruir todo o património significativo ligado a um Santo ou uma tradição ancestral (crença em fenómenos sobrenaturais e lendas)”. “A única razão é o extremismo religioso, o fanatismo e o obscurantismo cultural.”
(...) Situada às portas do deserto do Sara, Tombuctu fica a mil quilómetros da capital, e tem 30 mil habitantes. É património da humanidade desde 1988 e deve a sua fundação aos tuaregues. Graças à prosperidade que atingiu, sobretudo nos séculos XV e XVI devido ao comércio das grandes caravanas, transformou-se no centro cultural e espiritual de África, pólo a partir do qual o islão se alargou a grande parte do continente."
Notícia aqui.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Crime repugnante sobre crianças
Escola no Afeganistão
(Daqui)"O ataque ocorreu na província de Takhar, Afeganistão, e, segundo a polícia, pertence a um grupo de radicais islâmicos que se opõe à educação de raparigas.As alunas foram contaminadas com um pó tóxico que não foi identificado.Mais de 120 alunas e três professores da escola morreram. Muitas crianças ficaram inconscientes.Este já é o segundo ataque semelhante este ano, há um mês, 150 alunas foram envenenadas através da água.Lutfullah Mashal, porta-voz do National Directorate of Security, acredita que, em 2014, após a retirada das forças estrangeiras do Afeganistão, os talibãs vão fechar as escolas. “Com o envenenamento das raparigas, os talibãs querem provocar o medo. Estão a tentar que as famílias não enviem os filhos para a escola”, acrescentou.O Ministro da Educação do Afeganistão afirmou que os rebeldes conseguiram fechar 550 escolas em onze províncias."
Parecem não ter fim os atentados contra os direitos humanos, sejam eles a educação, a liberdade ou até a própria vida. Para estas pessoas, ditas "talibans", estes, que são valores universais e consensuais parecem não fazer sentido. O respeito pelos direitos humanos fundamentais, como a vida, e das crianças em particular, como a educação, são sistemática e selvaticamente desrespeitados. Isto é a simples destruição civilizacional e a total perversão da vida em sociedade. Não há argumentos de índole cultural, religiosa ou outra, que me convençam a aceitar estas e outras barbaridades!
sábado, 5 de maio de 2012
Guia islâmico para bater na mulher
(Foto e artigo daqui)
"Puxa a tua mulher pelas orelhas e bate-lhe com a mão. Ou com um siwak [espécie de escova de dentes em madeira]." É um dos conselhos de A Gift for Muslim Couple (Prenda para casal muçulmano), guia matrimonial islâmico escrito pelo académico Maulavi Ashraf Ali Thanvi. Disponível em várias lojas muçulmanas online, e até há poucos dias no eBay, o livro esgotou numa livraria canadiana pouco depois de um jornalista do Toronto Sun o ter encontrado à venda.
De acordo com algumas interpretações radicais do Corão, a violência doméstica sobre as mulheres é permitida e até incentivada pela sharia, lei religiosa islâmica. Mas um livro de conselhos maritais é uma novidade.
Tudo depende da forma como os académicos e juristas muçulmanos interpretam o verso 4.34 de uma das 114 suras (espécie de capítulos) do Corão. Nele, afirma-se que quando a mulher provoca problemas maritais, deve ser advertida, afastada da cama e, em última instância, “idribu”. É esta última palavra que gera a polémica. Onde os moderados lêem evitada ou afastada (eles acreditam que Alá condena a violência), os radicais interpretam espancada.
Publicado pela Idara Impex, editora indiana de Nova Deli, o livro sugere que não se bata na cara e não se deixe marcas nas mulheres. A Gift for Muslim Couple tem 160 páginas e destina-se a ajudar a “gerir com sucesso a instituição do casamento”. A noção de “sucesso” é explicada logo no início: “O marido deve tratar a sua mulher com carinho e amor, mesmo que ela tenha tendência a ser por vezes lenta e estúpida.” Se insistir nessa atitude, “pode ser necessário refreá-la à força, e ameaçá-la”. Entre os deveres da mulher citados no livro estão a necessidade de pedir “autorização” ao marido sempre que sai e a obrigação de “se pôr bonita para ele”.Relativamente aos castigos físicos, há algumas regras: não se deve bater na cara ou de forma a deixar marcas no corpo. E a agressão “não deve ser muito violenta”.
Segundo o Daily Mail, o guia tem causado indignação entre os muçulmanos moderados, que protestam contra o “incitamento à violência” que ele contém.Em 2011, o UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) revelou que há mais vítimas femininas de violência doméstica na Turquia do que em qualquer outro país europeu. Um levantamento do próprio Governo turco admite que 41,9% das mulheres são submetidas a violência física e sexual.
Comentem, pois eu, depois de ler isto, já fiquei quase sem palavras... É simplesmente intolerável e nem sequer parece que estamos a falar no século XXI... Não há Allah, Jeová ou qualquer outro deus que possa legitimar semelhante estupidez e violência.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Coragem de ensinar
"Coragem de Ensinar" é uma reportagem da jornalista Conceição Queiroz, com imagem de Gonçalo Prego e montagem de Miguel Freitas. Será emitida no dia 23 de Abril, no "Jornal das 8".
O "Repórter TVI" ouviu testemunhos de professores que enfrentam as dificuldades que decorrem da experiência de trabalhar com alunos que lhes transformam a vida num inferno, sem deixar de dar voz aos estudantes que provocam esses conflitos.
O que aconteceu para que o professor perdesse prestígio e autoridade? Os professores queixam-se da extrema indisciplina vivida na sala de aula, das ameaças e do desrespeito. Também reconhecem que a classe perdeu prestígio com o passar dos anos.
Mais de 4 mil ocorrências de natureza criminal em contexto escolar foram participadas no ano letivo 2010/2011, no âmbito do programa Escola Segura. O Observatório de Segurança em Meio Escolar registou quase 250 casos de agressões contra professores e funcionários. Ofensas à integridade física, injúrias, vandalismo ou furtos são alguns dos crimes detetados.
Enviado por Ana C. Silva
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Inqualificável abuso sobre animais
Pensavam que já sabiam tudo a respeito de sexo no seu pior? Violação? Pedofilia? Prostituição? Abuso de menores? Incesto? Etc.?
Não! Aposto que isto ainda não vos tinha ocorrido esta baixaria aberrante: que se capturem fêmeas de orangotango, se coloquem em bordeis e se utilizem como prostitutas. Para gáudio de tarados e lucro de madames.
Que há pessoas que não são gente, pois são destituídas de respeito e compaixão, já sabíamos. Mas que se queira fazer negócio com escravos sexuais, sejam eles adultos ou crianças, é absolutamente execrável, como se faz na Tailândia, por exemplo.
Com animais é porventura ainda mais inqualificável. Não tenho adjetivos para expressar a minha indignação perante semelhante façanha, já que se trata de animais tornados indefesos, provavelmente drogados, violados e que não sabem falar. Isto é, nestes casos, a provável denúncia ou fuga das vítimas é impossível!
Isto passa-se na Indonésia, onde a maior parte dos orangotangos já tem o seu habitat destruído pela desflorestação massiva para cultivar óleos alimentares. Estes símios correm o risco de desaparecer, pois já se perderam 50.000 nos últimos anos. Violar e prostituir as fêmeas é o derradeiro golpe nesta espécie de primatas, que têm bastante proximidade genética com os seres humanos.
O nojo que sinto não é ditado por razões moralistas, é mesmo repulsa pela crueldade que significa maltratar animais desta forma abjeta. Eles não se sabem defender, não podem telefonar, mandar emails, ir para os jornais ou pedir ajuda aos vizinhos, à Polícia ou à APAV.
E tristemente, também nem sequer podem dar um justo corretivo às tais madames ou aos energúmenos "clientes"!
Na imagem vemos a fotografia da fêmea Pony no seu habitat normal, as árvores da floresta, com a sua pelagem natural de um castanho forte e abundante e depois drogada, violada e depilada, presa a uma parede com correntes e abusada como escrava sexual num bordel do Bornéu. Foi encontrada numa "prostitute village" pela Orangutan Survival Foundation.
O mínimo que podemos fazer é assinar esta petição on-line para acabar com esta barbaridade. Ainda só há 22.123 assinaturas; é muito pouco! É necessário bombardear o Ministro do Ambiente em Jakarta com muitas centenas de milhar de assinaturas e denunciar este escândalo internacionalmente, pois as florestas são património mundial e os animais são seres vivos que sofrem, mas não têm voz e nem sabem escrever. Assinem, o site é seguro e não custa nada.
A foto é daqui. A notícia está no Expresso.
Obrigada, Anabela Magalhães pela denúncia.
Últimos dados: a petição à 01.00 de dia 13 de abril, já tem 23.525 assinaturas.
É pouco; temos de chegar às 50.000.
A petição é dirigida a:
- Indonesia Ministry of Environment, Mr. Dana A. Kartakusuma
- Embassy of Indonesia, Deputy Chief of Mission Mr. Salma Al Farisi
sexta-feira, 16 de março de 2012
George Clooney preso por boa causa
Ele não é apenas um belíssimo homem e um grande ator; é também um excelente ser humano. Tem-se envolvido em sérias causas pelos direitos humanos, como no caso do Darfour e do Sudão do Sul.
Hoje exigia, com outros ativistas, junto à Embaixada sudanesa em Washington, o fim dos massacres sobre o povo, que sofre fome, violações e emboscadas com minas.
George Clooney foi preso pela polícia, algemado com as mãos atrás das costas e metido num carro celular, assim como o seu pai, o jornalista Nick Clooney e Martin Luther King III. Por desacato às autoridades, dizem eles. Vai a julgamento e será condenado a pagar uma multa. Mas terá valido a pena, pois, pelo menos conseguiu fazer-se ouvir nas televisões do mundo.
De vez em quando na História, há um filho da puta que se lembra de fazer "limpezas étnicas" e é evidente que nesses casos pessoas como Clooney, que vão ao terreno, se tornam testemunhas bastante incómodas. Mas ele não desiste; ainda ontem jantou com Barack Obama e James Cameron, na Casa Branca, aproveitando para falar destes assuntos e do papel que, no seu entender, a China deveria assumir na luta pela paz mundial.
George Clooney está envolvido no Enough Project, com John Prendergast, co-fundador desta ONG, com o propósito de combater crimes contra a humanidade, onde quer que eles existam.
What else, George?sexta-feira, 9 de março de 2012
O caso de Joseph Kony, mediático por más razões
"Kony y otros tres dirigentes del Ejército de Resistencia del Señor llevan eludiendo su detención desde 2005, cuando la Corte Penal Internacional (CPI) los acusó de crímenes de lesa humanidad y una serie de crímenes de guerra, entre los que se incluyen el asesinato, el reclutamiento forzoso de niños y niñas menores de 15 años, la esclavitud sexual y la violación."(In Amnistia Internacional )
"Um vídeo que pretende chamar a atenção para o ugandês Joseph Kony, procurado por crimes de guerra e contra a humanidade, contava hoje mais de 50 milhões de visualizações, três dias depois de ter sido divulgado.O objectivo do vídeo, acessível no «site» Youtube, é tornar «famoso e visível» e levar à justiça o líder do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), acusado de milhares de mortes e raptos, torturas e exploração de dezenas de milhares de crianças nos últimos 20 anos, de acordo com o realizador Jason Russell.O filme de 30 minutos, da organização não governamental «Invisible Children» (crianças invisíveis) com sede em São Diego (Califórnia), reclama uma intervenção militar norte-americana para deter Kony, procurado pelo Tribunal Penal Internacional."
Violência doméstica: um passo em frente
"O Bloco viu hoje aprovado o seu projeto de lei que visa reforçar os mecanismos legais de proteção às vítimas de violência doméstica através de uma maior aplicação das pulseiras eletrónicas, quer como medida de coação, quer no contexto da pena acessória de proibição de contacto com a vítima."(Notícia daqui.)
Passo a passo, as causas justas irão fazendo valer a sua razão.
Este foi um passo em frente.
Só não compreendo a abstenção da bancada do PS, pois o diploma foi aprovado com os votos favoráveis de todos os outros partidos. É que, no meu modesto entendimento, para este tipo de situações, não há ideologias de esquerda nem de direita. A violência não tem cor partidária...
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
100 a 140 milhões de meninas mutiladas
Este é o número estimado de meninas que sofreram mutilação genital no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. É alarmante esta verdade que, apesar da crueldade que a prática implica, continua a existir debaixo dos nossos olhos distraídos.
Estão referenciados 28 países africanos onde a mutilação genital feminina é prática corrente e socialmente aceite, mais uns quantos no resto do mundo, como a Indonésia. Portugal é considerado pela OMS como um país de risco. Esta ação tem lugar entre nós, por muito que nos custe a acreditar, assim como na vizinha Espanha, apesar de ser considerada crime.
A jornalista Conceição Queiroz apresentou um trabalho de reportagem a 28 de Março de 2011 sobre este flagelo, depois de ter andado por África a fazer um levantamento da situação. Numa região entre o Quénia e o Uganda encontrou uma província em que 90% das meninas eram mutiladas. E numa determinada comunidade propuseram-lhe algo como “se quiser, nós fazemos, para a sua reportagem”. Tratava-se de uma menina de três anos! A jornalista, não só evidentemente não quis, como nunca mais voltou ao Quénia.
Em Portugal, mais concretamente na região de Lisboa, a sua equipa de reportagem organizou uma simulação com câmara oculta para, fingindo-se interessada, encontrar o rastilho dos seus praticantes. Foi-lhe indicada uma mulher da Guiné, a viver no Cacém. Não chegaram a combinar o preço, mas o contacto disse-lhe que, “se ela não pudesse fazê-lo, ele conhecia quem poderia.”
Casos existem em que as meninas, quase sempre africanas, embora muitas vezes nascidas em Portugal, são levadas pelos familiares em período de férias aos seus países de origem para serem submetidas a esta barbaridade. Há épocas propícias, à luz das culturas africanas, para a realização das mutilações: nalguns países é na época das chuvas, noutros no inverno, o que coincide com o período do nosso verão.
Quando estas meninas sobrevivem, crescem e acabam por casar e ser mães, em Portugal ou noutro país europeu. E nos serviços de saúde pode ocorrer um fenómeno tão bizarro quanto chocante: num número significativo de casos, os técnicos de saúde, por exemplo na sala de partos, não identificam as cicatrizes ou a dificuldade de dar à luz destas mulheres como sendo decorrentes de uma mutilação genital na infância; atribuem frequentemente estas anomalias a malformações de nascença ou partos anteriores realizados de forma incorreta!
Como me custa a acreditar que tais sinais anatómicos não sejam por demais evidentes, pergunto: não será mais “confortável” não querer ver, do que encarar uma realidade que é chocante e com a qual não se sabe exatamente como lidar???
Como me custa a acreditar que tais sinais anatómicos não sejam por demais evidentes, pergunto: não será mais “confortável” não querer ver, do que encarar uma realidade que é chocante e com a qual não se sabe exatamente como lidar???
No Egito, país onde esta prática parece remontar ao tempo dos Faraós, alguns dos médicos adotaram a seguinte medida, que eles consideram profilática: já que a mutilação genital se faz, então que se faça com instrumentos cirúrgicos esterilizados, para evitar infeções. Na realidade, a OMS proibe que os médicos pratiquem qualquer mutilação que não seja por razões estritamente médicas e sempre para salvar uma vida, nunca para arruiná-la!
As “comadres”, “tias”, “avós” ou curandeiras, que normalmente fazem isto nas aldeias, podem usar desde facas, até lâminas de barbear, latas, cacos de vidro ou qualquer objeto cortante que tenham à mão. Estirpam o clítoris e os pequenos lábios da vulva das meninas e posteriormente cosem-na com uma agulha e uma linha.
Evidentemente que existe um grande número de meninas que morre por hemorragias ou infeção generalizada. Outras contraem infeções pélvicas graves, com sequelas crónicas de esterilidade. Outras ainda contraem hepatite B ou VIH, acabando por morrer também, ou contaminar os seus bebés, se chegarem a tê-los, contribuindo assim para espalhar o flagelo da SIDA em África.
Do ponto de vista da integridade física, aquelas raparigas nunca aprendem a lidar com o seu corpo como algo que dá prazer, pois sempre associam a sexualidade à dor. São mulheres que não estão (nem estarão nunca) inteiras. Também as sequelas psicológicas são incalculáveis. Sentimentos de frustração, rancor e ódio aos seus carrascos são frequentes. Muitas vezes ao pai, pois embora a prática seja levada a cabo por mulheres, é incentivada pelos homens.
A deformidade resultante de uma mutilação genital pode ser ligeiramente atenuada com uma cirurgia plástica de reconstrução, o que pode custar cerca de 15 mil euros. Mas a mulher nunca chegará a obter prazer sexual, o que resulta numa incapacidade para ultrapassar completamente o traumatismo.
Há que alertar as consciências para esta barbaridade e não há outra forma senão a denúncia sistemática e contundente destas práticas. Há quem lhes chame “medievais”, mas têm a sua raíz muito mais para trás da Idade Média. Perde-se no tempo e nos mais remotos ritos tribais ancestrais, desde há pelo menos 3000 anos.
Há do meu ponto de vista uma componente machista nesta prática, pois a mulher mutilada é uma mulher que não tem prazer no sexo; logo, não procurará outros homens e a função dos seus órgãos será meramente reprodutora. Daqui podemos inferir que ela passa a ser um bem patrimonial, mas não um ser com direitos iguais, que poderia até desejar outros homens. Então, a mulher mutilada confere ao homem uma espécie de "garantia" de propriedade e de fidelidade! Logo, a continuidade das mutilações convém à mentalidade machista, reinante nas sociedades fortemente patriarcais.
As organizações ativistas neste campo alertam para o facto de que esta prática está mais difundida em países onde as meninas são impedidas de ir à escola, têm menos direitos que os seus irmãos rapazes e a quem é vedada uma série de direitos: à instrução, ao emprego, à autonomia e à cidadania, pois muitas vezes nem registo de nascimento possuem.
Portanto, como muitas vezes acontece, é o atraso civilizacional e o atavismo das mentalidades retrógradas a atentar contra os direitos humanos.
Portanto, como muitas vezes acontece, é o atraso civilizacional e o atavismo das mentalidades retrógradas a atentar contra os direitos humanos.
Mito, religião, magia? Não sei, mas a Cultura e as Tradições não podem justificar tudo. Nem tudo o que é “cultural” é aceitável do ponto de vista dos Direitos Humanos. Esta prática é intolerável sob todos os pontos de vista: físico, psicológico, social, cultural, ético e religioso.
O Sheik Munir, Imã da mesquita de Lisboa, foi ouvido a este respeito e afirmou categoricamente que tal prática não está enquadrada em sítio algum do Corão. E acrescentou ainda que “o próprio profeta Maomé teve várias filhas e nenhuma delas foi mutilada”. Também não há na Bíblia ou em qualquer outro livro sagrado apelos a esta prática, pelo que tentar fundamentá-la na religião é um argumento falacioso.
O pessoal médico deve ser alertado, assim como os governantes, os legisladores, os professores e toda a comunidade: uma prática que implique um desrespeito pelos valores da vida humana e da integridade dos indivíduos, física ou psicológica, deve ser pura e simplesmente banida e criminalizada, tanto à luz das leis dos países como do Direito Internacional.
Lelé Batita
(Ilustração de autor que não foi possível identificar)
Outros textos que fiz sobre este assunto:
- Pelo fim da mutilação genital feminina em todo o mundo
- Mutilação genital feminina: uma barbaridade!
- Waris Derie
- Filme "Flor do Deserto"- a não perder
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Morte por apedrejamento banida no Irão?
A decisão só peca por tardia. Tal barbaridade nunca deveria sequer ter existido. Será para cumprir?
A notícia está aqui.
A notícia está aqui.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Mutilação genital feminina, uma barbaridade!
Assinalou-se na segunda-feira, dia 6, o "dia da tolerância zero com a mutilação genital feminina", um procedimento que já fez 140 milhões de vítimas no mundo. Portugal inclui-se (por inacreditável que pareça) nos países onde chegam às consultas de Ginecologia mulheres e meninas brutalmente mutiladas, com graves sequelas físicas e psicológicas para toda a vida. Muitos casos haverá por descobrir, em função da vergonha e do medo de represálias por parte dos pais ou maridos, sobretudo em raparigas originárias de países africanos. A denúncia sistemática é a melhor forma combater ferozmente esta barbaridade, que ainda assola a condição de muitas mulheres no século XXI. Não se pode tolerar esta prática cruel, ainda que em nome de uma qualquer cultura ou tradição. Ela viola os mais elementares direitos de cidadania e igualdade de género que a ONU e a OMS defendem.
Lelé Batita
(Ver aqui notícia sobre o assunto.)
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Continua a violência sobre professores
"Um professor de matemática de 63 anos, que expulsou uma aluna da sala de aula por estar a perturbar a lição, foi agredido à frente da escola por alegados familiares da estudante do 6.º ano."Um professor de 63 anos, agredido a murros e pontapés em Vila Nova de Gaia foi parar ao Hospital. A notícia está aqui e parece que as supostas sanções que se impunham nestes casos ainda estão para chegar. Mas que país é este que consente que os seus educadores e mestres sejam tratados como lixo????
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