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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Malala Yousafzai recebeu o Prémio Sakarov no Parlamento Europeu


Malala Yousafzai deixa-me sempre boquiaberta. Hoje não foi exceção. Ao receber o Prémio Sakarov das mãos de Martin Schulz, proferiu mais um dos seus discursos diretos, curtos e acutilantes, bem dirigidos a quem de direito.
É comovente a coragem e a determinação desta jovem paquistanesa de 16 anos, que, após ter sido baleada pelos talibans, ainda lhes fala direta e abertamente, dispensado ódios ou desejos de vingança. Continuará a sua luta pelo direito à educação de todas as crianças, causa que há muito abraçou e que por pouco não lhe custou a vida.
Reparem nas suas palavras: "Pensem nos 57 milhões de crianças (...) que não querem um IPad, uma XBox, uma Playstation ou chocolates; apenas um livro e uma caneta".
Ver notícia aqui

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança

Crianças - Edward Pothast

Feliz como uma Criança
Oh! A idade venturosa da infância! Onde há outra mais feliz e mais tranquila, mais sorridente - isto é, mais egoísta?... Em volta de nós podem suceder as piores catástrofes. Se elas nos não arrancam nem os brinquedos nem os bolos, não nos atingem de forma alguma... não as compreendemos sequer...
Quando muito, correm-nos lágrimas vendo chorar as nossas mães. No entanto, é só ainda vagamente que percebemos a dor humana. Por isso as nossas lágrimas secam depressa diante dos brinquedos. E se o quadro em que nos agitamos é risonho, a infância transforma-se-nos então num jardim maravilhoso. Para as crianças felizes, só para elas, existe realmente um céu - o ceú dos seus primeiros anos.

Mário de Sá-Carneiro, in 'O Incesto'
Enviado por Tita Fan 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Crime repugnante sobre crianças

Escola no Afeganistão 
"O ataque ocorreu na província de Takhar, Afeganistão, e, segundo a polícia, pertence a um grupo de radicais islâmicos que se opõe à educação de raparigas.
As alunas foram contaminadas com um pó tóxico que não foi identificado.
Mais de 120 alunas e três professores da escola morreram. Muitas crianças ficaram inconscientes.
Este já é o segundo ataque semelhante este ano, há um mês, 150 alunas foram envenenadas através da água.
Lutfullah Mashal, porta-voz do National Directorate of Security, acredita que, em 2014, após a retirada das forças estrangeiras do Afeganistão, os talibãs vão fechar as escolas. “Com o envenenamento das raparigas, os talibãs querem provocar o medo. Estão a tentar que as famílias não enviem os filhos para a escola”, acrescentou.
O Ministro da Educação do Afeganistão afirmou que os rebeldes conseguiram fechar 550 escolas em onze províncias."
(Daqui) 

Parecem não ter fim os atentados contra os direitos humanos, sejam eles a educação, a liberdade ou até a própria vida. Para estas pessoas, ditas "talibans", estes, que são valores universais e consensuais parecem não fazer sentido. O respeito pelos direitos humanos fundamentais, como a vida, e das crianças em particular, como a educação, são sistemática e selvaticamente desrespeitados. Isto é a simples destruição civilizacional e a total perversão da vida em sociedade. Não há argumentos de índole cultural, religiosa ou outra, que me convençam a aceitar estas e outras barbaridades!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ter filhos: os melhores e os piores países



Pela segunda vez comento o relatório do estudo anual sobre as condições da maternidade em alguns países do mundo. Portugal ocupa um honroso 15º lugar; embora no ano passado estivesse em 14º lugar, em 2012 estava em 19º. 
Efetivamente, desde há algumas décadas, sobretudo com a criação do Serviço Nacional de Saúde (que devemos, entre outros, ao Dr. António Arnauld), a mortalidade infantil decresceu enormemente. Com o acesso aos cuidados de saúde primários nos Centros de Saúde da área da residência (dos quais, em teoria, todos os cidadãos devem poder usufruir), monitoriza-se a gravidez, ensina-se a contraceção e acompanha-se o crescimento das famílias.


Embora as taxas de natalidade só se mantenham neste momento à custa das famílias de imigrantes residentes em Portugal, as crianças que nascem dispõem de bons cuidados de neonatologia e as mães podem contar com um acompanhamento com uma razoável eficácia de meios durante o período da gestação.


Também a educação ocupa um papel importante neste ranking, pelo que é expectável que as raparigas portuguesas, antes de serem mães, tenham frequentado a Escola pelo menos até aos 16 anos e sejam portanto alfabetizadas. 

Segundo o State of the World's Mothers 2012, a lista está assim ordenada:


1. Noruega 
2. Islândia
3. Suécia
4. Nova Zelândia
5. Dinamarca
6. Finlândia
7. Austrália
8. Bélgica
9. Irlanda
10. Holanda
11. Reino Unido
12. Alemanha
13. Eslovénia
14. França
15. Portugal
16. Espanha
17. Estónia
18. Suiça
19. Canadá
20. Grécia
21. Itália
25. EUA
27. Áustria


Nas posições finais surgem países como:
- Afeganistão
- Iémen
- Guiné-Bissau
- Mali
- Eritreia
- Chade
- Sudão
- Sudão do Sul 
- República Democrática do Congo 
- Níger


O documento de estudo que serve de suporte a este ranking assenta em diversos critérios: 
1. as condições imediatas, como a nutrição e o estado de saúde das mães; 
2. as condições intermédias, como a facilidade de acesso aos bens alimentares, aos cuidados de saúde materno-infantil e as condições de higiene e de serviços de saúde em geral;
3. as causas subjacentes à maternidade, como as instituições, o enquadramento político e ideológico, a estrutura económica e os recursos humanos, tecnológicos e ambientais.


Não admira pois que a Noruega seja o melhor país para ter filhos e o Níger o pior do mundo. Olhando para as classificações melhores e para as piores, o que se constata, é o de sempre: as melhores condições encontram-se nos países ricos, com predomínio para o Norte da Europa e Oceania e os piores em África. Este continente cheio de assimetrias, tem ainda regiões onde a pobreza e a fome continuam a ser os campeões, aliados de excelência das condições de higiene deficitárias, a doença, a falta de escolaridade e de instituições de apoio em todas estas áreas de intervenção prioritárias.


Notícia aqui.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Internacional da Síndrome de Down



Trata-se do direito à inclusão social, à educação, à felicidade de todas as crianças nascidas com Síndrome de Down.
Esta malformação genética deve-se à presença de um cromossoma a mais no par 21; por isso a doença também é conhecida como "trissomia 21". 
Acarreta algumas dificuldades cognitivas e atraso global no desenvolvimento da criança, sendo facilmente identificável nas feições do rosto. Os olhos enviesados fizeram com que no passado se chamasse a estas crianças "mongolóides". 
Estima-se que nasça 1 em cada 800 a 1000 crianças com esta malformação; contudo, já é possível fazer uma deteção pré-natal da presença da trissomia 21 no exame do líquido amniótico, durante a gravidez. Esta doença afeta todas as etnias e classes sociais, mas tem maior incidência nas mães com idade superior a 35 anos.

terça-feira, 6 de março de 2012

União Europeia e UNICEF empenhadas em acabar com a mutilação genital feminina


"Brussels, 06 March 2012 - An innovative EU and UNICEF project has helped thousands of families, communities and countries to change attitudes and end harmful traditional practices like female genital mutilation/cutting (FGM/C) in Africa, says a report on the EU funded project ahead of International Women's Day. As a result of education and awareness raising, girls in thousands of communities in Egypt, Eritrea, Ethiopia, Senegal and Sudan are no longer subjected to this practice."
Parece que finalmente as organizações internacionais, como a UNICEF, empenham-se verdadeiramente em projetos de sensibilização educativa e consciencialização de milhares de famílias africanas, para que seja possível acabar com a mutilação genital de muitas raparigas do Egito, Eritreia, Etiópia, Senegal e Sudão.
O projeto, implementado pela UNICEF no terreno entre 2008 e 2011, foi financiado pela UE e conseguiu uma taxa de adesão significativa por parte de muitas famílias e comunidades. 
"In Senegal, where 28% of women aged 15-49 have undergone female genital mutilation/cutting, astonishing progress has been made. In just under a decade, over 5,300 communities have abandoned the practice, bringing the country close to becoming the first in the world to declare total abandonment, expected by 2015.
In Egypt, where 91% of women are affected by the practice, the project has also made some progress, with female genital mutilation/cutting becoming less common amongst younger age groups. The number of families signing up to the abandonment of the practice also increased substantially: from 3,000 in 2007 to 17,772 in 2011. In Ethiopia, despite high prevalence rates, the practice is similarly declining (between 2000 and 2005 rates dropped from 80 to 74%)."
É bom, muito bom, mas não é o bastante: é preciso acabar com esta prática no mundo inteiro. A OMS estima que na África sejam 28 os países onde se pratica esta barbaridade. E ainda em alguns países do Médio Oriente, na Ásia (por exemplo Indonésia), em algumas regiões da Oceania e mesmo em comunidades africanas residentes na Europa, incluindo Portugal e Espanha.  

domingo, 4 de março de 2012

A denúncia é uma arma


Governo pronto para processar responsáveis por mutilação genital feminina

Falar, escrever e partilhar amplamente a denuncia de um crime como este, que não acontece só em África, mas também entre nós, é a melhor arma para acabar com esta prática bárbara e intolerável.
Eu tenho feito o que posso. Façam também do vosso lado. Todos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

100 a 140 milhões de meninas mutiladas


Este é o número estimado de meninas que sofreram mutilação genital no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. É alarmante esta verdade que, apesar da crueldade que a prática implica, continua a existir debaixo dos nossos olhos distraídos.

Estão referenciados 28 países africanos onde a mutilação genital feminina é prática corrente e socialmente aceite, mais uns quantos no resto do mundo, como a Indonésia. Portugal é considerado pela OMS como um país de risco. Esta ação tem lugar entre nós, por muito que nos custe a acreditar, assim como na vizinha Espanha, apesar de ser considerada crime.

A jornalista Conceição Queiroz apresentou um trabalho de reportagem a 28 de Março de 2011 sobre este flagelo, depois de ter andado por África a fazer um levantamento da situação. Numa região entre o Quénia e o Uganda encontrou uma província em que 90% das meninas eram mutiladas. E numa determinada comunidade propuseram-lhe algo como “se quiser, nós fazemos, para a sua reportagem”. Tratava-se de uma menina de três anos! A jornalista, não só evidentemente não quis, como nunca mais voltou ao Quénia.

Em Portugal, mais concretamente na região de Lisboa, a sua equipa de reportagem organizou uma simulação com câmara oculta para, fingindo-se interessada, encontrar o rastilho dos seus praticantes. Foi-lhe indicada uma mulher da Guiné, a viver no Cacém. Não chegaram a combinar o preço, mas o contacto disse-lhe que, “se ela não pudesse fazê-lo, ele conhecia quem poderia.”

Casos existem em que as meninas, quase sempre africanas, embora muitas vezes nascidas em Portugal, são levadas pelos familiares em período de férias aos seus países de origem para serem submetidas a esta barbaridade.  Há épocas propícias, à luz das culturas africanas, para a realização das mutilações: nalguns países é na época das chuvas, noutros no inverno, o que coincide com o período do nosso verão.

Quando estas meninas sobrevivem, crescem e acabam por casar e ser mães, em Portugal ou noutro país europeu. E nos serviços de saúde pode ocorrer um fenómeno tão bizarro quanto chocante: num número significativo de casos, os técnicos de saúde, por exemplo na sala de partos, não identificam as cicatrizes ou a dificuldade de dar à luz destas mulheres como sendo decorrentes de uma mutilação genital na infância; atribuem frequentemente estas anomalias a malformações de nascença ou partos anteriores realizados de forma incorreta! 
Como me custa a acreditar que tais sinais anatómicos não sejam por demais evidentes, pergunto: não será mais “confortável” não querer ver, do que encarar uma realidade que é chocante e com a qual não se sabe exatamente como lidar???

No Egito, país onde esta prática parece remontar ao tempo dos Faraós, alguns dos médicos adotaram a seguinte medida, que eles consideram profilática: já que a mutilação genital se faz, então que se faça com instrumentos cirúrgicos esterilizados, para evitar infeções. Na realidade, a OMS proibe que os médicos pratiquem qualquer mutilação que não seja por razões estritamente médicas e sempre para salvar uma vida, nunca para arruiná-la!

As “comadres”, “tias”, “avós” ou curandeiras, que normalmente fazem isto nas aldeias, podem usar desde facas, até lâminas de barbear, latas, cacos de vidro ou qualquer objeto cortante que tenham à mão. Estirpam o clítoris e os pequenos lábios da vulva das meninas e posteriormente cosem-na com uma agulha e uma linha.
Evidentemente que existe um grande número de meninas que morre por hemorragias ou infeção generalizada. Outras contraem infeções pélvicas graves, com sequelas crónicas de esterilidade. Outras ainda contraem hepatite B ou VIH, acabando por morrer também, ou contaminar os seus bebés, se chegarem a tê-los, contribuindo assim para espalhar o flagelo da SIDA em África.

Do ponto de vista da integridade física, aquelas raparigas nunca aprendem a lidar com o seu corpo como algo que dá prazer, pois sempre associam a sexualidade à dor. São mulheres que não estão (nem estarão nunca) inteiras. Também as sequelas psicológicas são incalculáveis. Sentimentos de frustração, rancor e  ódio aos seus carrascos são frequentes. Muitas vezes ao pai, pois embora a prática seja levada a cabo por mulheres, é incentivada pelos homens.

A deformidade resultante de uma mutilação genital pode ser ligeiramente atenuada com uma cirurgia plástica de reconstrução, o que pode custar cerca de 15 mil euros. Mas a mulher nunca chegará a obter prazer sexual, o que resulta numa incapacidade para ultrapassar completamente o traumatismo.

Há que alertar as consciências para esta barbaridade e não há outra forma senão a denúncia sistemática e contundente destas práticas. Há quem lhes chame “medievais”, mas têm a sua raíz muito mais para trás da Idade Média. Perde-se no tempo e nos mais remotos ritos tribais ancestrais, desde há pelo menos 3000 anos.

Há do meu ponto de vista uma componente machista nesta prática, pois a mulher mutilada é uma mulher que não tem prazer no sexo; logo, não procurará outros homens e a função dos seus órgãos será meramente reprodutora. Daqui podemos inferir que ela passa a ser um bem patrimonial, mas não um ser com direitos iguais, que poderia até desejar outros homens. Então, a mulher mutilada confere ao homem uma espécie de "garantia" de propriedade e de fidelidade! Logo, a continuidade das mutilações convém à mentalidade machista, reinante nas sociedades fortemente patriarcais.

As organizações ativistas neste campo alertam para o facto de que esta prática está mais difundida em países onde as meninas são impedidas de ir à escola, têm menos direitos que os seus irmãos rapazes e a quem é vedada uma série de direitos: à instrução, ao emprego, à autonomia e à cidadania, pois muitas vezes nem registo de nascimento possuem.
Portanto, como muitas vezes acontece, é o atraso civilizacional e o atavismo das mentalidades retrógradas a atentar contra os direitos humanos.

Mito, religião, magia? Não sei, mas a Cultura e as Tradições não podem justificar tudo. Nem tudo o que é “cultural” é aceitável do ponto de vista dos Direitos Humanos. Esta prática é intolerável sob todos os pontos de vista: físico, psicológico, social, cultural, ético e religioso.

O Sheik Munir, Imã da mesquita de Lisboa, foi ouvido a este respeito e afirmou categoricamente que tal prática não está enquadrada em sítio algum do Corão. E acrescentou ainda que “o próprio profeta Maomé teve várias filhas e nenhuma delas foi mutilada”. Também não há na Bíblia ou em qualquer outro livro sagrado apelos a esta prática, pelo que tentar fundamentá-la na religião é um argumento falacioso.

O pessoal médico deve ser alertado, assim como os governantes, os legisladores, os professores e toda a comunidade: uma prática que implique um desrespeito pelos valores da vida humana e da integridade dos indivíduos, física ou psicológica, deve ser pura e simplesmente banida e criminalizada, tanto à luz das leis dos países como do Direito Internacional.
 Lelé Batita
(Ilustração de autor que não foi possível identificar)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A palavra é "desejo, amor, comprometimento"



Ouçam até ao fim o depoimento da psicóloga Conceição Nogueira
É hora de banir preconceitos. Porque a questão é de preconceito; nada mais.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Incrível, Melga! Fantástico, Mike!

"O projecto de lei do BE sobre a adopção homossexual foi rejeitado com os votos contra do PSD, do CDS e do PCP e de apenas nove deputados do PS." (Daqui)


O PCP a fazer "coro" com os partidos de direita no voto contra a adoção de crianças por casais homossexuais! Assim, não admira que tenham dado os pêsames pela morte do ditador da Coreia do Norte.
Os pormenores aqui.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Adoção de crianças por casais homossexuais

O tema é fraturante e não é nada pacífica a sua discussão na sociedade. A iniciativa vai à Assembleia da República por via do Bloco de Esquerda e dos Verdes, que consideram a presente proibição "inadmissível".  


BE defende apadrinhamento civil e procriação medicamente assistida para casais do mesmo sexo. 
"Queremos resolver uma situação inadmissível. Portugal é o único país do mundo que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, impossibilitando, no entanto, a adopção”, referiu Cecília Honório. (Notícia Daqui )


A deputada do Bloco de Esquerda Cecília Honório defendeu hoje no parlamento dois projetos de lei, com base no facto de que me Portugal há 23000 crianças que são criadas por homossexuais ou casais homossexuais. 





(Post atualizado dia 24, às 18:00)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Vaticano - a permanente indigestão


São tantas as incongruências e as pontas deixadas pelo caminho no comportamento da Igreja de Roma, que o mínimo que se pode dizer é que esta instituição não me convence da sua honestidade e pretensa transparência.

Perante a onda de religiosidade efusiva que tem varrido o país nos últimos dias, não há publicação decente que não tenha feito dossiers mais ou menos exaustivos sobre as histórias da pedofilia no seio da Igreja, o silêncio cúmplice do Papa e as respectivas omissões.

Depois dos discursos inflamados de apelo à tolerância e compaixão, alguns dos quais me dei ao trabalho de ouvir, fica-me de tudo aquilo uma sensação de inautenticidade e falta de consistência.

O então Cardeal Josef Ratzinger esteve desde 1981 até 2005 à frente da Congregação da Doutrina da Fé, a instituição que sucedeu à Inquisição. Os chamados "dissidentes liberais" foram perseguidos; e teólogos progressistas, como por exemplo, Leonardo Boff, do Brasil, foram excomungados.

Aos seus homens de confiança, encarregados de investigar os casos de abusos sexuais de menores no seio da Igreja, a dita Congregação recomendou votos de segredo e silêncio, à boa maneira da Mafia, ameaçando-os de excomunhão, caso quebrassem o dever de discrição, sendo considerados traidores.

O resultado foi o silenciamento criminoso de todos os casos que era possível calar e o escamotear sistemático das violações de crianças por responsáveis de paróquias e dioceses, perpetuando na prática o abuso e a violência sobre inúmeros menores, em vários países ao longo de décadas.

Um exemplo flagrante de impunidade é o caso do Wisconsin nos EUA, onde o Padre Murphy abusou de cerca de 200 crianças surdas, e, apesar dos repetidos avisos de bispos norte-americanos, o Vaticano e Ratzinger, então Arcebispo na Alemanha e prefeito da Congregação, nada fizeram para afastá-lo.

Segundo documentos da Igreja entretanto vindos à luz do dia, o agora Papa pura e simplesmente ignorava as cartas dos bispos (por exemplo do Milwaukee), às quais nem sequer dava resposta, e mandou arquivar um processo aberto por ordem do Cardeal Tarcísio Bertone (actual Secretário de Estado do Vaticano) para demitir o padre Murphy.

Apesar de D. Saraiva Martins falar num "plano bem organizado, com um objectivo claro", dando a entender que essa pretensa "conspiração" visava descredibilizar a Igreja por ocasião da visita do Papa a Portugal, é por demais evidente que sobre o Vaticano pesa o ónus da culpa.

O ter silenciado crimes tão repugnantes ao longo do tempo, sem nunca termos verdadeiramente assistido a excomunhões de responsáveis pela pedofilia, (crime muitas vezes "punido" com ligeireza através de simples transferências de diocese e sem os devidos procedimentos disciplinares dentro da instituição), constitui, no meu entender, motivo mais do que suficiente para não depositar qualquer confiança nesta Igreja nem no seu responsável máximo.

Quando irá o Vaticano reconhecer estes erros, que são em grande medida da responsabilidade daquele que dizem por aí ser o doce, santo, amigo, sucessor de Pedro e o maior pensador do século XXI?



Ilustração do topo: PBertrams, Hel Parool, Amsterdam.
2ª Ilustração: autor desconhecido.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Toca a fazer bebés, que por aqui está-se bem!


Portugal está entre os 20 melhores (!) países do mundo para se ser mãe!
Os critérios prendem-se com a escolaridade das mães, a assistência médica nos nascimentos e a taxa de mortalidade de mães e bebés.
À frente como melhor país para ser mãe está a Noruega e no fim da lista o Afeganistão. Estes resultados são apresentados no Ranking da organização Save the Children.
Estes extremos não me surpreendem. Mas surpreende-me que Portugal esteja à frente dos Estados Unidos e do Canadá.
Deve ser porque trabalhei durante vinte anos numa comunidade escolar com população de maioria africana e as gravidezes na adolescência, associadas à miséria social e à baixa escolaridade, nos últimos tempos me causaram muitas dores na alma.

Leia a notícia aqui.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Conto de fadas ou abuso do trabalho infantil?




Júlia Lira, de sete anos, autorizada pela juíza da Vara de Infância e Juventude brasileira a desfilar no Sambódromo do Rio de Janeiro como "rainha da bateria" da Escola de Samba Viradouro, causou enorme polémica junto dos organismos de protecção de menores brasileiros, que receiam o futuro aproveitamento deste facto para o abuso de crianças.

No canal CNN destacou-se o enorme apelo sexual tradicionalmente atribuído às actrizes e modelos que têm vindo a desempenhar este papel, o que não condiz com a pouca idade e inocência desta menina.

Júlia rompeu em lágrimas perante o stress das câmaras de televisão, mas depois desfilou na Marquês de Sapucaí mais de 50 minutos, demonstrando a vontade indómita de quem parece ter nascido com o samba no pé...

... ou de quem fez questão de explorar a sua imagem e o seu talento...