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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Do horror em Paris e algumas boas suspresas

Já foi dito e escrito quase tudo sobre os trágicos acontecimentos dos últimos dias em Paris.
A intolerância e o racismo, a violência e obscurantismo, a liberdade de imprensa ou os seus limites, o retrocesso civilizacional de quem quer reinstaurar a pena de morte, o circo mediático em torno de dezenas de chefes de Estado, uns mais sinceros, outros mais hipócritas, e uns que mais valia terem ficado em casa, já que, direitos humanos são coisa com a qual não costumam propriamente tomar o pequeno almoço.

De qualquer modo saliento duas ou três notas positivas a respeito do desempenho de alguns políticos:

1ª) a comparência (quase imediata) junto do escritório do Charlie Hebdo, vandalizado e objeto de uma carnificina, do presidente da república François Hollande.

2ª) a assunção (quase imediata) das responsabilidades pela falha na segurança nacional que permitiu a ocorrência de atentados perpetrados por criminosos já referenciados, por parte do primeiro-ministro Manuel Vals.

3ª) a participação na manifestação de Pedro Passos Coelho e Assunção Esteves, em representação de do Estado português. Não simpatizo com nenhum dos dois, mas gostei de vê-los por lá nesta ocasião.

4º) a participação do casal real da Jordânia, do qual já tinha boa impressão, em particular de Rânia, sobre quem já tinha escrito aqui em 2009 por ocasião da sua visita a Portugal.
Ao contrário das tradicionais rainhas árabes, que sempre vivem à sombra dos maridos e submetidas à tradição, Rânia da Jordânia continua a surpreender-me pela positiva.
Foi a primeira vez que vi uma rainha a desfilar numa manifestação, ainda mais sendo uma mulher árabe. A sua posição permite-lhe, felizmente, lutar e defender alguns direitos das mulheres no mundo árabe, como o direito à instrução e a uma participação ativa no mundo do trabalho.
Ficam aqui as suas palavras na página oficial do Facebook:
"As a Muslim, it pains me when someone derides Islam and my religious beliefs. It also pains me when someone derides other religions and other people’s religious beliefs. But what offends me more, much more, are the actions of the criminals who, this week, dared to use Islam to justify the cold-blooded murder of innocent civilians. This is not about Islam or being offended by the Charlie Hebdo magazine. This is about a handful of extremists who wanted to slaughter people for any reason and at any cost.
Islam is a religion of peace, tolerance and mercy. It is a source of comfort and strength for more than 1.6 billion Muslims – the same people who are shocked, saddened and appalled by the events in Paris this week.

Today, I join His Majesty King Abdullah in Paris to stand in solidarity with the people of France in their darkest hour... To stand in unity against extremism in all its forms and to stand up for our cherished faith, Islam. And so that the lasting image of these terrible events is an unprecedented outpouring of sympathy and support between people of all faiths and cultures."

sábado, 7 de junho de 2014

Dia D, 70 anos

Foto: Pérola de Cultura, Normandia, Agosto de 2012

Recordamos hoje o Dia D nas praias do desembarque na Normandia, 70 anos depois. 
No dia 6 de Junho de 1944 deu-se o princípio do fim do nazismo.
Hoje na Normandia, mais propriamente na praia de Arronches-les-bains, juntaram-se muitas personalidades dos países envolvidos e também antigos combatentes que participaram na operação, uma das mais bem planeadas e inteligentes das forças aliadas. 
Muitos meses e muitos mortos depois era assinalado o fim da II Guerra Mundial, uma das mais mortíferas, sangrentas e cruéis que a História já conheceu.
Pela componente racista e paranóide dessa guerra, que permitiu o extermínio de milhões de seres humanos, hoje mais do que nunca, é preciso ler precocemente os sinais e evitar a todo o custo que estas memórias se apaguem. Para que o mundo nunca mais assista nem suporte algo de semelhante.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Na Mauritânia, meninas obesas sob tortura


Quvenzhané Wallis (a mais jovem atriz nomeada para um Óscar)

Silvana Mota-Ribeiro divulgou hoje na RTP Porto uma notícia que me arrepiou e me fez decidir voltar a este espaço comunicar o que me vai na alma. Então leiam, mas sentadas:
- Sabiam que na Mauritânia há campos de engorda, onde meninas e adolescentes são obrigadas a tornar-se obesas, sob tortura, para arranjar melhor marido?
Parece que 70% da população da Mauritânia acredita piamente que está a fazer um bem a estas meninas, pois segundo a sua crença ancestral, "quanto mais pesada for uma mulher maior o espaço que ocupará no coração de um homem"!!!

No mesmo programa esta feminista fez ainda uma chamada de atenção que me parece pertinente: - ao mesmo tempo que naquele país se engorda as meninas à força, a escassos milhares de Km, na Europa, é outra a tortura: a do emagrecimento forçado, pela moda, pelo medo da exclusão social, e talvez também, para arranjar melhor marido... quem sabe!
Concordo, pois esta situação tem aumentado exponencialmente nos países desenvolvidos, com clínicas de emagrecimento a proliferar por toda a parte e meninas cada vez mais novinhas a pedir aos pais cirurgias plásticas para transformar o corpo. No desejo de se assemelharem às top-models anoréticas das passarelles da moda internacional, estas "torturas" auto-infligidas são também elas contra-natura. Ou não?  

Também as tristemente célebres mutilações genitais, que se praticam quase por toda a África, e não só, se fazem ainda em nome de uma tradição ancestral e uma crença antiga e fortemente arreigada nas populações, segundo a qual se estará a "fazer um bem à menina", evitando assim a sua exclusão social, além de ter a vantagem de lhe "retirar os demónios do corpo"!

Multiculturalismo, muito bem. Tolerância, muito bem. Aceitação das diferenças entre os povos, muito bem. Mas nunca, se as práticas em questão, ainda que em nome da Cultura, forem autênticas barbaridades que atentam contra os mais elementares Direitos dos seres Humanos, na sua integridade física ou psíquica. 
Jamais situações deste teor são aceitáveis e deveriam ser fortemente sancionadas. 
Mas para isso teriam os governos de ter vontade política e desenvolver campanhas de esclarecimento massivas junto das populações para desmitificar tais barbaridades ancestrais e remover os meios para as suas práticas. 
No caso da Mauritânia, é urgente uma ampla denúncia para acabar com esses campos de tortura. Nos países onde se praticam as mutilações genitais, estas deveriam ser proibidas pura e simplesmente, prendendo os prevaricadores. Estes, quer sejam médicos, cirurgiões encartados, curandeiros, bruxos, comadres, avós ou tias velhas, se não matam mesmo, mutilam para sempre, no corpo e na alma, meninas a quem é negado o direito de ser mulher.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Tumbuktu em risco de destruição


Não é caso inédito; a destruição de relíquias arquitetónicas que são património mundial já ocorreu em várias partes do mundo, como por exemplo no Afeganistão. Os Budas gigantes, esculpidos em nichos escavados na rocha, foram objeto de cargas explosivas por parte dos talibans. Estes fanáticos consideraram que os Budas de Bamyan eram símbolos pagãos, logo, atentados contra o Islão, a destruir pela base. Lá ficaram portanto feitos em destroços. 
Agora, a cidade de Tombuktu, património da Humanidade, está em risco de ser destruída, pelas fações islâmicas extremistas. O grupo que destruiu já seis dos dezasseis mausoléus classificados pela UNESCO, tem ligações à Al-Qaeda e prometeu destruir todos os símbolos, incluindo cemitérios, mesquitas e outros monumentos. Quem consegue pôr cobro a esta barbárie? 


“Eles [combatentes islamistas] arrombaram a porta de entrada de uma das mesquitas classificadas (a de Sidi Yahia) e prometem destruir todos os lugares considerados sagrados, incluindo os cemitérios e os locais com símbolos artísticos”, contou Lassana Cissé, explicando que os islamistas “querem destruir todo o património significativo ligado a um Santo ou uma tradição ancestral (crença em fenómenos sobrenaturais e lendas)”. “A única razão é o extremismo religioso, o fanatismo e o obscurantismo cultural.”  
(...) Situada às portas do deserto do Sara, Tombuctu fica a mil quilómetros da capital, e tem 30 mil habitantes. É património da humanidade desde 1988 e deve a sua fundação aos tuaregues. Graças à prosperidade que atingiu, sobretudo nos séculos XV e XVI devido ao comércio das grandes caravanas, transformou-se no centro cultural e espiritual de África, pólo a partir do qual o islão se alargou a grande parte do continente."
Notícia aqui

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Memórias de Auschwitz


Photo/Fot. Paweł Sawicki 
"The 70th anniversary of the mutiny and escape of prisoners from penal company in Auschwitz II-Birkenau (10 June 2012). August Kowalczyk, the last living participant of the escape was an honorary guest of the ceremony. He gave his testimony and commemorated the victims of the camp at the site of the escape. 
The Museum is a state institution, reporting directly to the Polish Minister of Culture and National Heritage. On December 31, 2008, there were 253 people employed at the Museum. This number does not include approximately 230 rigorously trained guides, who work in 15 languages. The International Center for Education about Auschwitz and the Holocaust has been operating at the Museum for several years."


Para que a memória nunca nos falte, é útil de vez em quando reavivar as mentes sobre aquele que foi talvez um dos maiores genocídios da História da Humanidade: o Holocausto nazi. 
Auschwitz é um dos lugares de memória, na Polónia, que já foi vandalizado mais de uma vez. 
Não podemos deixar que sejam destruídos lugares como este, pois o objetivo é obviamente destruir provas onde as memórias do terror nazi estão justamente mais vivas. Hoje é um Museu, a preservar e apoiar.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Crime repugnante sobre crianças

Escola no Afeganistão 
"O ataque ocorreu na província de Takhar, Afeganistão, e, segundo a polícia, pertence a um grupo de radicais islâmicos que se opõe à educação de raparigas.
As alunas foram contaminadas com um pó tóxico que não foi identificado.
Mais de 120 alunas e três professores da escola morreram. Muitas crianças ficaram inconscientes.
Este já é o segundo ataque semelhante este ano, há um mês, 150 alunas foram envenenadas através da água.
Lutfullah Mashal, porta-voz do National Directorate of Security, acredita que, em 2014, após a retirada das forças estrangeiras do Afeganistão, os talibãs vão fechar as escolas. “Com o envenenamento das raparigas, os talibãs querem provocar o medo. Estão a tentar que as famílias não enviem os filhos para a escola”, acrescentou.
O Ministro da Educação do Afeganistão afirmou que os rebeldes conseguiram fechar 550 escolas em onze províncias."
(Daqui) 

Parecem não ter fim os atentados contra os direitos humanos, sejam eles a educação, a liberdade ou até a própria vida. Para estas pessoas, ditas "talibans", estes, que são valores universais e consensuais parecem não fazer sentido. O respeito pelos direitos humanos fundamentais, como a vida, e das crianças em particular, como a educação, são sistemática e selvaticamente desrespeitados. Isto é a simples destruição civilizacional e a total perversão da vida em sociedade. Não há argumentos de índole cultural, religiosa ou outra, que me convençam a aceitar estas e outras barbaridades!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Petição pela não matança desportiva de animais



As Viages El Corte Inglés organizam safaris milionários para caçar animais em África, que vão desde babuínos e impalas, até leões, passando por rinocerontes, elefantes e girafas. Com tabelas de preços, que aumentam proporcionalmente ao porte e peso do animal. Por exemplo caçar uma girafa custa 2.200 euros, enquanto que matar um elefante pode ir até 70.000 euros.
Há uma petição para boicotar este absurdo aqui
Eu já assinei e não me apetece comprar viagens no Corte Inglés nunca mais na vida.


Levem este selo e difundam nos vossos Blogues.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Inqualificável abuso sobre animais



Pensavam que já sabiam tudo a respeito de sexo no seu pior? Violação? Pedofilia? Prostituição? Abuso de menores? Incesto? Etc.? 
Não! Aposto que isto ainda não vos tinha ocorrido esta baixaria aberrante: que se capturem fêmeas de orangotango, se coloquem em bordeis e se utilizem como prostitutas. Para gáudio de tarados e lucro de madames.
Que há pessoas que não são gente, pois são destituídas de respeito e compaixão, já sabíamos. Mas que se queira fazer negócio com escravos sexuais, sejam eles adultos ou crianças, é absolutamente execrável, como se faz na Tailândia, por exemplo. 
Com animais é porventura ainda mais inqualificável. Não tenho adjetivos para expressar a minha indignação perante semelhante façanha, já que se trata de animais tornados indefesos, provavelmente drogados, violados e que não sabem falar. Isto é, nestes casos, a provável denúncia ou fuga das vítimas é impossível!
Isto passa-se na Indonésia, onde a maior parte dos orangotangos já tem o seu habitat destruído pela desflorestação massiva para cultivar óleos alimentares. Estes símios correm o risco de desaparecer, pois já se perderam 50.000 nos últimos anos. Violar e prostituir as fêmeas é o derradeiro golpe nesta espécie de primatas, que têm bastante proximidade genética com os seres humanos.
O nojo que sinto não é ditado por razões moralistas, é mesmo repulsa pela crueldade que significa maltratar animais desta forma abjeta. Eles não se sabem defender, não podem telefonar, mandar emails, ir para os jornais ou pedir ajuda aos vizinhos, à Polícia ou à APAV. 
E tristemente, também nem sequer podem dar um justo corretivo às tais madames ou aos energúmenos "clientes"!


Na imagem vemos a fotografia da fêmea Pony no seu habitat normal, as árvores da floresta, com a sua pelagem natural de um castanho forte e abundante e depois drogada, violada e depilada, presa a uma parede com correntes e abusada como escrava sexual num bordel do Bornéu. Foi encontrada numa "prostitute village" pela Orangutan Survival Foundation.


O mínimo que podemos fazer é assinar esta petição on-line para acabar com esta barbaridade. Ainda só há 22.123 assinaturas; é muito pouco! É necessário bombardear o Ministro do Ambiente em Jakarta com muitas centenas de milhar de assinaturas e denunciar este escândalo internacionalmente, pois as florestas são património mundial e os animais são seres vivos que sofrem, mas não têm voz e nem sabem escrever. Assinem, o site é seguro e não custa nada.


A foto é daqui. A notícia está no Expresso.
Obrigada, Anabela Magalhães pela denúncia.


Últimos dados: a petição à 01.00 de dia 13 de abril, já tem 23.525 assinaturas. 
É pouco; temos de chegar às 50.000.
A petição é dirigida a: 
- Indonesia Ministry of Environment, Mr. Dana A. Kartakusuma
- Embassy of Indonesia, Deputy Chief of Mission Mr. Salma Al Farisi

sexta-feira, 9 de março de 2012

O caso de Joseph Kony, mediático por más razões

"Kony y otros tres dirigentes del Ejército de Resistencia del Señor llevan eludiendo su detención desde 2005, cuando la Corte Penal Internacional (CPI) los acusó de crímenes de lesa humanidad y una serie de crímenes de guerra, entre los que se incluyen el asesinato, el reclutamiento forzoso de niños y niñas menores de 15 años, la esclavitud sexual y la violación."
(In Amnistia Internacional )


"Um vídeo que pretende chamar a atenção para o ugandês Joseph Kony, procurado por crimes de guerra e contra a humanidade, contava hoje mais de 50 milhões de visualizações, três dias depois de ter sido divulgado.O objectivo do vídeo, acessível no «site» Youtube, é tornar «famoso e visível» e levar à justiça o líder do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), acusado de milhares de mortes e raptos, torturas e exploração de dezenas de milhares de crianças nos últimos 20 anos, de acordo com o realizador Jason Russell.O filme de 30 minutos, da organização não governamental «Invisible Children» (crianças invisíveis) com sede em São Diego (Califórnia), reclama uma intervenção militar norte-americana para deter Kony, procurado pelo Tribunal Penal Internacional."

(Notícia daqui)

O vídeo pode ser visto no You Tube, tem 30 minutos de duração e começa com a frase:
"Nothing is more powerfull than an idea whose time has come". 
Vejam até ao fim.
(Vídeo enviado por P.D.)

terça-feira, 6 de março de 2012

União Europeia e UNICEF empenhadas em acabar com a mutilação genital feminina


"Brussels, 06 March 2012 - An innovative EU and UNICEF project has helped thousands of families, communities and countries to change attitudes and end harmful traditional practices like female genital mutilation/cutting (FGM/C) in Africa, says a report on the EU funded project ahead of International Women's Day. As a result of education and awareness raising, girls in thousands of communities in Egypt, Eritrea, Ethiopia, Senegal and Sudan are no longer subjected to this practice."
Parece que finalmente as organizações internacionais, como a UNICEF, empenham-se verdadeiramente em projetos de sensibilização educativa e consciencialização de milhares de famílias africanas, para que seja possível acabar com a mutilação genital de muitas raparigas do Egito, Eritreia, Etiópia, Senegal e Sudão.
O projeto, implementado pela UNICEF no terreno entre 2008 e 2011, foi financiado pela UE e conseguiu uma taxa de adesão significativa por parte de muitas famílias e comunidades. 
"In Senegal, where 28% of women aged 15-49 have undergone female genital mutilation/cutting, astonishing progress has been made. In just under a decade, over 5,300 communities have abandoned the practice, bringing the country close to becoming the first in the world to declare total abandonment, expected by 2015.
In Egypt, where 91% of women are affected by the practice, the project has also made some progress, with female genital mutilation/cutting becoming less common amongst younger age groups. The number of families signing up to the abandonment of the practice also increased substantially: from 3,000 in 2007 to 17,772 in 2011. In Ethiopia, despite high prevalence rates, the practice is similarly declining (between 2000 and 2005 rates dropped from 80 to 74%)."
É bom, muito bom, mas não é o bastante: é preciso acabar com esta prática no mundo inteiro. A OMS estima que na África sejam 28 os países onde se pratica esta barbaridade. E ainda em alguns países do Médio Oriente, na Ásia (por exemplo Indonésia), em algumas regiões da Oceania e mesmo em comunidades africanas residentes na Europa, incluindo Portugal e Espanha.  

domingo, 4 de março de 2012

A denúncia é uma arma


Governo pronto para processar responsáveis por mutilação genital feminina

Falar, escrever e partilhar amplamente a denuncia de um crime como este, que não acontece só em África, mas também entre nós, é a melhor arma para acabar com esta prática bárbara e intolerável.
Eu tenho feito o que posso. Façam também do vosso lado. Todos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

100 a 140 milhões de meninas mutiladas


Este é o número estimado de meninas que sofreram mutilação genital no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. É alarmante esta verdade que, apesar da crueldade que a prática implica, continua a existir debaixo dos nossos olhos distraídos.

Estão referenciados 28 países africanos onde a mutilação genital feminina é prática corrente e socialmente aceite, mais uns quantos no resto do mundo, como a Indonésia. Portugal é considerado pela OMS como um país de risco. Esta ação tem lugar entre nós, por muito que nos custe a acreditar, assim como na vizinha Espanha, apesar de ser considerada crime.

A jornalista Conceição Queiroz apresentou um trabalho de reportagem a 28 de Março de 2011 sobre este flagelo, depois de ter andado por África a fazer um levantamento da situação. Numa região entre o Quénia e o Uganda encontrou uma província em que 90% das meninas eram mutiladas. E numa determinada comunidade propuseram-lhe algo como “se quiser, nós fazemos, para a sua reportagem”. Tratava-se de uma menina de três anos! A jornalista, não só evidentemente não quis, como nunca mais voltou ao Quénia.

Em Portugal, mais concretamente na região de Lisboa, a sua equipa de reportagem organizou uma simulação com câmara oculta para, fingindo-se interessada, encontrar o rastilho dos seus praticantes. Foi-lhe indicada uma mulher da Guiné, a viver no Cacém. Não chegaram a combinar o preço, mas o contacto disse-lhe que, “se ela não pudesse fazê-lo, ele conhecia quem poderia.”

Casos existem em que as meninas, quase sempre africanas, embora muitas vezes nascidas em Portugal, são levadas pelos familiares em período de férias aos seus países de origem para serem submetidas a esta barbaridade.  Há épocas propícias, à luz das culturas africanas, para a realização das mutilações: nalguns países é na época das chuvas, noutros no inverno, o que coincide com o período do nosso verão.

Quando estas meninas sobrevivem, crescem e acabam por casar e ser mães, em Portugal ou noutro país europeu. E nos serviços de saúde pode ocorrer um fenómeno tão bizarro quanto chocante: num número significativo de casos, os técnicos de saúde, por exemplo na sala de partos, não identificam as cicatrizes ou a dificuldade de dar à luz destas mulheres como sendo decorrentes de uma mutilação genital na infância; atribuem frequentemente estas anomalias a malformações de nascença ou partos anteriores realizados de forma incorreta! 
Como me custa a acreditar que tais sinais anatómicos não sejam por demais evidentes, pergunto: não será mais “confortável” não querer ver, do que encarar uma realidade que é chocante e com a qual não se sabe exatamente como lidar???

No Egito, país onde esta prática parece remontar ao tempo dos Faraós, alguns dos médicos adotaram a seguinte medida, que eles consideram profilática: já que a mutilação genital se faz, então que se faça com instrumentos cirúrgicos esterilizados, para evitar infeções. Na realidade, a OMS proibe que os médicos pratiquem qualquer mutilação que não seja por razões estritamente médicas e sempre para salvar uma vida, nunca para arruiná-la!

As “comadres”, “tias”, “avós” ou curandeiras, que normalmente fazem isto nas aldeias, podem usar desde facas, até lâminas de barbear, latas, cacos de vidro ou qualquer objeto cortante que tenham à mão. Estirpam o clítoris e os pequenos lábios da vulva das meninas e posteriormente cosem-na com uma agulha e uma linha.
Evidentemente que existe um grande número de meninas que morre por hemorragias ou infeção generalizada. Outras contraem infeções pélvicas graves, com sequelas crónicas de esterilidade. Outras ainda contraem hepatite B ou VIH, acabando por morrer também, ou contaminar os seus bebés, se chegarem a tê-los, contribuindo assim para espalhar o flagelo da SIDA em África.

Do ponto de vista da integridade física, aquelas raparigas nunca aprendem a lidar com o seu corpo como algo que dá prazer, pois sempre associam a sexualidade à dor. São mulheres que não estão (nem estarão nunca) inteiras. Também as sequelas psicológicas são incalculáveis. Sentimentos de frustração, rancor e  ódio aos seus carrascos são frequentes. Muitas vezes ao pai, pois embora a prática seja levada a cabo por mulheres, é incentivada pelos homens.

A deformidade resultante de uma mutilação genital pode ser ligeiramente atenuada com uma cirurgia plástica de reconstrução, o que pode custar cerca de 15 mil euros. Mas a mulher nunca chegará a obter prazer sexual, o que resulta numa incapacidade para ultrapassar completamente o traumatismo.

Há que alertar as consciências para esta barbaridade e não há outra forma senão a denúncia sistemática e contundente destas práticas. Há quem lhes chame “medievais”, mas têm a sua raíz muito mais para trás da Idade Média. Perde-se no tempo e nos mais remotos ritos tribais ancestrais, desde há pelo menos 3000 anos.

Há do meu ponto de vista uma componente machista nesta prática, pois a mulher mutilada é uma mulher que não tem prazer no sexo; logo, não procurará outros homens e a função dos seus órgãos será meramente reprodutora. Daqui podemos inferir que ela passa a ser um bem patrimonial, mas não um ser com direitos iguais, que poderia até desejar outros homens. Então, a mulher mutilada confere ao homem uma espécie de "garantia" de propriedade e de fidelidade! Logo, a continuidade das mutilações convém à mentalidade machista, reinante nas sociedades fortemente patriarcais.

As organizações ativistas neste campo alertam para o facto de que esta prática está mais difundida em países onde as meninas são impedidas de ir à escola, têm menos direitos que os seus irmãos rapazes e a quem é vedada uma série de direitos: à instrução, ao emprego, à autonomia e à cidadania, pois muitas vezes nem registo de nascimento possuem.
Portanto, como muitas vezes acontece, é o atraso civilizacional e o atavismo das mentalidades retrógradas a atentar contra os direitos humanos.

Mito, religião, magia? Não sei, mas a Cultura e as Tradições não podem justificar tudo. Nem tudo o que é “cultural” é aceitável do ponto de vista dos Direitos Humanos. Esta prática é intolerável sob todos os pontos de vista: físico, psicológico, social, cultural, ético e religioso.

O Sheik Munir, Imã da mesquita de Lisboa, foi ouvido a este respeito e afirmou categoricamente que tal prática não está enquadrada em sítio algum do Corão. E acrescentou ainda que “o próprio profeta Maomé teve várias filhas e nenhuma delas foi mutilada”. Também não há na Bíblia ou em qualquer outro livro sagrado apelos a esta prática, pelo que tentar fundamentá-la na religião é um argumento falacioso.

O pessoal médico deve ser alertado, assim como os governantes, os legisladores, os professores e toda a comunidade: uma prática que implique um desrespeito pelos valores da vida humana e da integridade dos indivíduos, física ou psicológica, deve ser pura e simplesmente banida e criminalizada, tanto à luz das leis dos países como do Direito Internacional.
 Lelé Batita
(Ilustração de autor que não foi possível identificar)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mutilação genital feminina, uma barbaridade!



Assinalou-se na segunda-feira, dia 6, o "dia da tolerância zero com a mutilação genital feminina", um procedimento que já fez 140 milhões de vítimas no mundo. Portugal inclui-se (por inacreditável que pareça) nos países onde chegam às consultas de Ginecologia mulheres e meninas brutalmente mutiladas, com graves sequelas físicas e psicológicas para toda a vida. Muitos casos haverá por descobrir, em função da vergonha e do medo de represálias por parte dos pais ou maridos, sobretudo em raparigas originárias de países africanos. A denúncia sistemática é a melhor forma combater ferozmente esta barbaridade, que ainda assola a condição de muitas mulheres no século XXI. Não se pode tolerar esta prática cruel, ainda que em nome de uma qualquer cultura ou tradição. Ela viola os mais elementares direitos de cidadania e igualdade de género que a ONU e a OMS defendem. 
Lelé Batita


(Ver aqui notícia sobre o assunto.)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Memória do holocausto


On January 27, 1945, on Saturday, at around 9 a.m. the first Russian soldier from a reconnaissance unit of the 100th Infantry Division appeared on the grounds of the prisoners' infirmary in Monowitz. The entire division arrived half an hour later. The same day a military doctor arrived and began to organize assistance.
In the afternoon soldiers of the Red Army entered the vicinity of the Auschwitz main camp and Birkenau. Near the main camp they met resistance from retreating German units. 231 Red Army soldiers died in close combat for the liberation of Auschwitz, Birkenau and Monowitz. Two of them died in front of the gates of Auschwitz main camp. One of them was Lieutenant Gilmudin Badryjewicz Baszirow. 
The first Red Army troops arrived in Birkenau and Auschwitz at around 3 p.m. and were joyfully greeted by the liberated prisoners. After the removal of mines from the surrounding area, soldiers of the 60th Army of the 1st Ukrainian Front marched into the camp and brought freedom to the prisoners who were still alive. On the grounds of the main camp were 48 corpses and in Birkenau over 600 corpses of male and female prisoners who were shot or died in the last few days.
At the time of the Red Army's arrival there were 7,000 sick and exhausted prisoners in the Auschwitz, Birkenau and Monowitz camps.
Auschwitz Memorial / Muzeum Auschwitz

Para que a memória deste horror  nunca se apague e a História nunca consinta a repetição de semelhante barbárie.  

segunda-feira, 25 de julho de 2011

domingo, 24 de julho de 2011

Anders Behring Breivik, cavaleiro templário 2083


Ainda não estou em mim de incredulidade a respeito do que aconteceu em Oslo e na ilha de Utoya. Já aqui o afirmei: a Noruega é dos países que conheço provavelmente aquele onde o sentido de cidadania é mais elevado. Mas não só: é tembém o país onde melhor se exerce aquilo a que eu chamo a democracia directa, ou seja, os cidadãos têm uma enorme proximidade dos seus governantes e as suas opiniões são efectivamente consideradas.

Há um cerca de um ano, por ocasião do Oslo Blog Gathering ainda se respirava em Oslo um clima de paz, segurança e tranquilidade. O grupo internacional de bloggers, que integrei com Luís Diferr, foi recebido pelo Mayor de Oslo na sala nobre da Câmara Municipal, sem quaisquer medidas de segurança. Seria pois o país onde menos eu esperaria ver aparecer uma acção terrorista. 

Nessa altura, certamente, este fundamentalista já estaria a preparar estes actos terroristas, na medida em que elaborou um manifesto de 1518 páginas! Usa uma cruz semelhante à dos Templários e é iniciado de uma tal "Loja Azul" pertencente à Maçonaria. É ultranacionalista de extrema-direita e membro activo de um forum sueco de tendência neo-nazi. É contra o multiculturalismo e contra o islão. Há dias citou John Stuart Mill no twitter e parece ter feito uma interpretação muito peculiar da sua citação "Uma pessoa com uma crença equivale à força de 100 mil que só têm interesses".

De vez em quando aparece no mundo um paranóico capaz de espalhar o terror e praticar inqualificáveis genocídios. Este passou à história por ter morto centenas de pessoas num só dia.

Como se já não bastassem criminosos com Hitler, Sadam Hussein, Kadafhi e outros mais, agora aparece na Noruega, o país do Prémio Nobel da Paz, alguém que em tudo se assemelha a uma besta nazi, não fosse o facto de agir, ao que parece sozinho. Os nazis tinham um fortíssimo sentimento de grupo e Hitler apoiava-se muito na máquina de propaganda do partido para arregimentar os jovens e moldá-los ideologicamente.

Este parece que não precisou muito de uma máquina partidária atrás de si, pois segundo disse à polícia, agiu sozinho. Mas, tal como os nazis, Breivik deve por certo achar-se investido de uma missão divina de salvar a Europa dos males do multiculturalismo.



Os princípios onde baseia a sua ideologia "de esperança" são: Força, Honra, Sacrifício e Martírio! Os seus heróis: Charles Martel, El Cid, Richard The Lionheart, Jacques de Molay (o último dos Templários), Vlad Tepes (conhecido como o empalador por lutar contra o Califado Otomano na Roménia), John III Sobiesky (rei lutador contra o Califado Otomano-Islâmico na Polónia e Lituânia), e o Czar Nicolau I (imperador da Rússia)!
Lindo, não é?

O auto-denominado "Cavaleiro Templário 2083" identifica (preconiza?) uma Guerra Civil Europeia entre 1999 e 2083, ano em que deverá estar erradicado o multiculturalismo e a diversidade, que, segundo ele, estão a destruir a cultura dos países europeus. E o manifesto termina com um apelo: "Needless to say, my brothers; we, the conservatives of Europe, have a lot of work to do. Before we can star our Crusade, we must do our duty by decimating cultural marxism".

Estou atónita! Tenho a sensção de ter acabado de ler o Mein Kampf!

Pode ver aqui (de preferência sentado!) os vídeos com o perfil de Breivk e a visita de solidariedade da família real norueguesa às vítimas e às suas famílias.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A «sexualidade imoral» no Bangladesh é punida com a morte


Menina de 14 anos morre após receber 80 chicotadas

"No Bangladesh, uma adolescente de 14 anos morreu após ter recebido 80 chicotadas como punição por ter tido um relacionamento com um primo casado. A sentença foi decretada por um tribunal religioso de Shariatpur no sudoeste do país, a 56 quilómetros da capital, Daca.
Hena Begum foi acusada de ter mantido uma relação sexual com seu primo de 40 anos, que era casado. A BBC avança que ele, condenado a receber 100 chicotadas, conseguiu fugir.
A adolescente desmaiou enquanto era chicoteada e chegou a ser levada para um hospital local, mas morreria seis dias depois, não tendo resistido aos ferimentos."

Notícia completa no Sol.

Esta barbaridade parece nunca mais acabar. Todos os meses me chegam notícias deste teor. Não há argumentos de respeito pela diversidade de culturas que me façam engolir estas decisões criminosas. A violência e a barbárie não podem ser desculpadas. Enquanto as páginas deste Blogue estiverem abertas, elas farão a denúncia destas práticas revoltantes.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Jafar Panahi - cineasta preso e banido no Irão


Estas são algumas das notícias que se podem ler hoje na página "Artists" do Facebook:

"IRAN: The acclaimed Iranian filmmaker JAFAR PANAHI winner of the Venice, Cannes and Berlin film festivals was sentenced to 6 years of prison and banned from directing and producing films for the next 20 years from AHMADINEJAD dictatorship regime."

"Nous apprenons avec colère et inquiétude le jugement du Tribunal de la République Islamique à Téhéran, condamnant très lourdement le cinéaste iranien Jafar Panahi. La sentence : six ans de prison ferme, vingt ans d'interdiction d'écrire et de réaliser des films, de donner des interviews aux médias, de quitter le territoire et d'entrer en relation avec des organisations culturelles étrangères."


Este artista é um realizador muito conceituado e premiado internacionalmente e a sua condenação está a causar consternação e revolta nos meios cinematográficos. E não é para menos. Alguns dos seus filmes são: "Circle of Women" e "Il palloncino bianco". Actores como Juliette Binoche já deram a sua opinião em público sobre mais esta arbitrariedade e atentado contra a liberdade de expressão que continua a existir na divulgação da opressão que as mulheres sofrem no Irão e outros temas sociais.

Leia mais aqui e aqui.