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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sobre o dia mundial de luta contra a SIDA

Gustav Klimt - Water serpents 
Portugal continua a ser campeão dos infetados por VIH na União Europeia; uma vergonha e uma tristeza. 
Este ano foi diagnosticado um milhar de novos casos. Haverá falta de informação sobre esta doença? Nem por sombras! 

Dos estudos realizados, a maioria das pessoas inquiridas, em amostras de população diversificadas, conhece os riscos, as formas de transmissão e os procedimentos a adotar para a contenção desta epidemia.

As populações mais jovens, nomeadamente nas Universidades, são as que mais conhecem sobre a doença, desde os sintomas até às formas de contágio, mas são também as que mais assumem comportamentos de risco. 

Isto para mim constitui um paradoxo e, como todos os paradoxos, é irresolúvel. 
Segundo relato de especialistas, esses jovens confessam em consulta que sabem os riscos que correm, assumem-nos, e vão fazendo testes de despistagem de 3 em 3 ou 4 em 4 meses, a fim de driblar aquilo que eles calculam como ‘período de janela’ do vírus. 

Isto é como andar a dar voltas na borda do poço da morte em busca da adrenalina.
Mas o paradoxo não fica por aqui: esses indivíduos, muitas vezes de origem socio-cultural média ou elevada, um dia recebem um teste de VIH positivo e depois indignam-se com as situações de discriminação social com que mais tarde ou mais cedo se deparam.

Os estereótipos e o preconceito ainda por aí andam instalados e estes doentes continuam muitas vezes a ser conotados com os anteriormente designados “grupos de risco”, conceito hoje em dia obsoleto. A prostituição, os consumidores de drogas (por via intra-venosa) e os homossexuais masculinos foram inicialmente os grupos onde a doença mais se difundiu. Hoje em dia estas são situações cujos envolvidos passaram a proteger-se muito mais, o que fez com que o número de infetados tenha vindo a diminuir drasticamente. Primeiro nos EUA e depois em toda a Europa.

É no continente africano que o problema persiste de forma mais grave em todas as faixas da população, inclusivamente com muitas crianças a nascerem já infetadas. A escassez de meios de combate à doença, mas também as dificuldades profundas no âmbito da educação para a saúde, com todo um desfazer de mitos que isto implica, são os maiores obstáculos.

No mundo ocidental hoje já não se fala em grupos de risco, mas continua a falar-se em comportamentos de risco. E esses continuam a existir, e muitas vezes com consciência, à revelia de todas as campanhas e avisos por parte das instituições de Saúde, técnicos especializados e publicidade institucional. 
Em Portugal nem ONGs como a Abraço ou outras, têm conseguido com as suas campanhas, mudar este estado de coisas.

As relações sexuais fortuitas desprotegidas e o número elevado de parceiros são a principal causa de transmissão do VIH entre a população jovem portuguesa; a frequência de prostitutas e o subsequente contágio da parceira são a maior causa de disseminação da doença entre a população idosa (consideremos, para facilitar, os maiores de 65 anos). Ainda assim, as pessoas sabem disto. 

Sabemos que é muito difícil alterar comportamentos nas camadas mais idosas. Mas seria de esperar que as gerações mais jovens, mais esclarecidas, pudessem ter uma consciência maior da necessidade de assumir certos hábitos saudáveis, tanto sobre a educação para a Saúde, como a consciência de Cidadania que consiste em não se estar nas tintas para o outro com quem se está. Quer esse "estar" signifique uma vida, um ano ou apenas uma noite.

Faço questão de chamar a atenção dos meus alunos para o sentido de responsabilidade que deve estar associado à sexualidade, nas aulas de Educação Sexual. Mas parece não ser suficiente quando chegam à Universidade. No meio das praxes e dos copos, não se sabe bem, mas parece que tudo pode acontecer.

Poderemos neste ponto perguntar: - E as faixas etárias intermédias, como estão? As dos trintões, quarentões, cinquentões? Ou já se safaram entre os pingos da chuva e entretanto ganharam juízo, ou já morreram, ou então ainda fazem parte dos que continuam a jogar à roleta russa… Até um dia! 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

100 a 140 milhões de meninas mutiladas


Este é o número estimado de meninas que sofreram mutilação genital no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. É alarmante esta verdade que, apesar da crueldade que a prática implica, continua a existir debaixo dos nossos olhos distraídos.

Estão referenciados 28 países africanos onde a mutilação genital feminina é prática corrente e socialmente aceite, mais uns quantos no resto do mundo, como a Indonésia. Portugal é considerado pela OMS como um país de risco. Esta ação tem lugar entre nós, por muito que nos custe a acreditar, assim como na vizinha Espanha, apesar de ser considerada crime.

A jornalista Conceição Queiroz apresentou um trabalho de reportagem a 28 de Março de 2011 sobre este flagelo, depois de ter andado por África a fazer um levantamento da situação. Numa região entre o Quénia e o Uganda encontrou uma província em que 90% das meninas eram mutiladas. E numa determinada comunidade propuseram-lhe algo como “se quiser, nós fazemos, para a sua reportagem”. Tratava-se de uma menina de três anos! A jornalista, não só evidentemente não quis, como nunca mais voltou ao Quénia.

Em Portugal, mais concretamente na região de Lisboa, a sua equipa de reportagem organizou uma simulação com câmara oculta para, fingindo-se interessada, encontrar o rastilho dos seus praticantes. Foi-lhe indicada uma mulher da Guiné, a viver no Cacém. Não chegaram a combinar o preço, mas o contacto disse-lhe que, “se ela não pudesse fazê-lo, ele conhecia quem poderia.”

Casos existem em que as meninas, quase sempre africanas, embora muitas vezes nascidas em Portugal, são levadas pelos familiares em período de férias aos seus países de origem para serem submetidas a esta barbaridade.  Há épocas propícias, à luz das culturas africanas, para a realização das mutilações: nalguns países é na época das chuvas, noutros no inverno, o que coincide com o período do nosso verão.

Quando estas meninas sobrevivem, crescem e acabam por casar e ser mães, em Portugal ou noutro país europeu. E nos serviços de saúde pode ocorrer um fenómeno tão bizarro quanto chocante: num número significativo de casos, os técnicos de saúde, por exemplo na sala de partos, não identificam as cicatrizes ou a dificuldade de dar à luz destas mulheres como sendo decorrentes de uma mutilação genital na infância; atribuem frequentemente estas anomalias a malformações de nascença ou partos anteriores realizados de forma incorreta! 
Como me custa a acreditar que tais sinais anatómicos não sejam por demais evidentes, pergunto: não será mais “confortável” não querer ver, do que encarar uma realidade que é chocante e com a qual não se sabe exatamente como lidar???

No Egito, país onde esta prática parece remontar ao tempo dos Faraós, alguns dos médicos adotaram a seguinte medida, que eles consideram profilática: já que a mutilação genital se faz, então que se faça com instrumentos cirúrgicos esterilizados, para evitar infeções. Na realidade, a OMS proibe que os médicos pratiquem qualquer mutilação que não seja por razões estritamente médicas e sempre para salvar uma vida, nunca para arruiná-la!

As “comadres”, “tias”, “avós” ou curandeiras, que normalmente fazem isto nas aldeias, podem usar desde facas, até lâminas de barbear, latas, cacos de vidro ou qualquer objeto cortante que tenham à mão. Estirpam o clítoris e os pequenos lábios da vulva das meninas e posteriormente cosem-na com uma agulha e uma linha.
Evidentemente que existe um grande número de meninas que morre por hemorragias ou infeção generalizada. Outras contraem infeções pélvicas graves, com sequelas crónicas de esterilidade. Outras ainda contraem hepatite B ou VIH, acabando por morrer também, ou contaminar os seus bebés, se chegarem a tê-los, contribuindo assim para espalhar o flagelo da SIDA em África.

Do ponto de vista da integridade física, aquelas raparigas nunca aprendem a lidar com o seu corpo como algo que dá prazer, pois sempre associam a sexualidade à dor. São mulheres que não estão (nem estarão nunca) inteiras. Também as sequelas psicológicas são incalculáveis. Sentimentos de frustração, rancor e  ódio aos seus carrascos são frequentes. Muitas vezes ao pai, pois embora a prática seja levada a cabo por mulheres, é incentivada pelos homens.

A deformidade resultante de uma mutilação genital pode ser ligeiramente atenuada com uma cirurgia plástica de reconstrução, o que pode custar cerca de 15 mil euros. Mas a mulher nunca chegará a obter prazer sexual, o que resulta numa incapacidade para ultrapassar completamente o traumatismo.

Há que alertar as consciências para esta barbaridade e não há outra forma senão a denúncia sistemática e contundente destas práticas. Há quem lhes chame “medievais”, mas têm a sua raíz muito mais para trás da Idade Média. Perde-se no tempo e nos mais remotos ritos tribais ancestrais, desde há pelo menos 3000 anos.

Há do meu ponto de vista uma componente machista nesta prática, pois a mulher mutilada é uma mulher que não tem prazer no sexo; logo, não procurará outros homens e a função dos seus órgãos será meramente reprodutora. Daqui podemos inferir que ela passa a ser um bem patrimonial, mas não um ser com direitos iguais, que poderia até desejar outros homens. Então, a mulher mutilada confere ao homem uma espécie de "garantia" de propriedade e de fidelidade! Logo, a continuidade das mutilações convém à mentalidade machista, reinante nas sociedades fortemente patriarcais.

As organizações ativistas neste campo alertam para o facto de que esta prática está mais difundida em países onde as meninas são impedidas de ir à escola, têm menos direitos que os seus irmãos rapazes e a quem é vedada uma série de direitos: à instrução, ao emprego, à autonomia e à cidadania, pois muitas vezes nem registo de nascimento possuem.
Portanto, como muitas vezes acontece, é o atraso civilizacional e o atavismo das mentalidades retrógradas a atentar contra os direitos humanos.

Mito, religião, magia? Não sei, mas a Cultura e as Tradições não podem justificar tudo. Nem tudo o que é “cultural” é aceitável do ponto de vista dos Direitos Humanos. Esta prática é intolerável sob todos os pontos de vista: físico, psicológico, social, cultural, ético e religioso.

O Sheik Munir, Imã da mesquita de Lisboa, foi ouvido a este respeito e afirmou categoricamente que tal prática não está enquadrada em sítio algum do Corão. E acrescentou ainda que “o próprio profeta Maomé teve várias filhas e nenhuma delas foi mutilada”. Também não há na Bíblia ou em qualquer outro livro sagrado apelos a esta prática, pelo que tentar fundamentá-la na religião é um argumento falacioso.

O pessoal médico deve ser alertado, assim como os governantes, os legisladores, os professores e toda a comunidade: uma prática que implique um desrespeito pelos valores da vida humana e da integridade dos indivíduos, física ou psicológica, deve ser pura e simplesmente banida e criminalizada, tanto à luz das leis dos países como do Direito Internacional.
 Lelé Batita
(Ilustração de autor que não foi possível identificar)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Terá ele estado sexta feira na AR?

O Papa Bento XVI diz que (do DN Globo):

Matrimónio heterossexual é único "digno" para procriar  


O papa Bento XVI afirmou hoje que a união entre um homem e uma mulher no matrimónio é o único "lugar digno" para trazer ao mundo um novo ser humano, procriação que é expressão da sua união biológica e espiritual.

Fotografia © REUTERS/Giampiero Sposito

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Do incesto nos humanos

Escrevia uma amiga minha ontem no Facebook:
"Acho que devia haver um mecanismo biológico que levasse uma gravidez incestuosa a aborto espontâneo. Nesta faceta a evolução falhou. Não imagino o que seja ser filha e neta do mesmo homem. Estou a imaginar um mecanismo tipo chave-fechadura, como existe nos enzimas e nos respectivos substratos, que impedisse a violação dum pai sobre uma filha."

Terá a evolução das espécies falhado ao não bloquear as relações incestuosas nos humanos, ou, no caso de estas existirem, terá falhado algum mecanismo que impedisse a fecundação ou provocasse um aborto espontâneo?


Bom, só seria assim, se a própria Natureza soubesse fazer a distinção entre os indivíduos da espécie humana e os outros, os não humanos, onde se assiste ao livre cruzamento de pais com filhos, pelo menos em algumas espécies, sem problemas aparentes.
Porque há problemas nos humanos? Porque é o incesto um comportamento reprovável e até repugnante?
Porque a espécie humana é a única dotada de uma consciência moral e de uma Ética social. Efetivamente existe um mecanismo que normalmente bloqueia as relações incestuosas, mas é cultural, não biológico. 


Os seres humanos foram os únicos a evoluir até um estádio de desenvolvimento do córtex cerebral que permitiu a criação de uma inteligência superior e com ela um sistema de valores.
Sempre que há valores, há códigos de conduta a eles associados. A família nuclear, entendida com célula base das civilizações, normalmente reprova o incesto e desse modo em muitas sociedades humanas ele torna-se um crime. Se do incesto resultam filhos, que podem ser filhos e netos ao mesmo tempo, o cenário torna-se hediondo, difícil de gerir e leva muitas vezes à criminalização.


Nalguns dos casos em que o incesto ocorre, encontramos as chamadas psicopatias ou sociopatias, em pessoas com distúrbios de personalidade, que podem ser mais ou menos violentas, mas são certamente destituídas dos valores morais aceites pela sociedade. Esses indivíduos manifestam muitas vezes viver alheados das noções do sofrimento que podem causar aos que lhes estão próximos. O incesto está muitas vezes associado à violação de menores, dentro de famílias em que basta um indivíduo assumir um comportamento desviante, para desestruturar todos os membros. 
Havendo ruptura na consciência moral, o que existe nos sociopatas, a relação incestuosa pode dar-se, mas quase sempre por violação de uma das partes, a mais forte subjugando a mais fraca. 


Assim, o bloqueio do desejo sexual pelos familiares só existe se existir uma interiorização de valores como o respeito pelo outro e pela estrutura da família. Esse bloqueio existe naturalmente nas famílias saudáveis, na medida em que estas se vão estruturando enquanto unidades orgânicas, assentes num equilíbrio e numa harmonia, onde constrangimentos como os comportamentos de natureza incestuosa não teriam sequer lugar. 


Um pai equilibrado protege a sua filha, não a seduz. Ama-a, mas não a deseja. Faz-lhe carinhos, mas não a viola. E o mesmo se dirá das mães em relação aos filhos rapazes. Os irmãos em geral não têm relações sexuais entre si, mas nas espécies como os cães, gatos ou macacos, isso é frequente. É uma questão de genes? De um par de cromossomas a mais? Não, é uma questão da consciência moral, que só existe nos humanos e com ela a auto-repressão e a censura que vai filtrar todos os seus atos.


Trata-se pois fundamentalmente de uma questão Ética e não biológica em sentido estrito, como desejaria a minha amiga. A prova disso é que muitas pessoas dizem não conseguir namorar ou casar com amigos de infância, na medida em que foram desenvolvendo por esses parceiros/as de brincadeiras uma espécie de "sentimento de irmandade". Embora não haja com eles/as nenhuma consanguinidade, o desejo sexual não funciona por as/os sentirem como irmãos/ãs. 


Se se detetam comportamentos tais como: é o pai ou o tio a desflorar a noiva no dia do casamento, logo entendemos isso como "tribal", "primitivo" ou "bárbaro", e nos provoca um sentimento de reprovação. E mais uma vez é de valores morais que falamos e não de impedimentos biológicos.


Até na literatura, o incesto gera sempre sofrimento: veja-se o caso das tragédias gregas, como Édipo, por exemplo (que acasala com a sua mãe), ou "Os Maias" de Eça de Queirós (em que Carlos e Maria Eduarda se amam sem saber que são irmãos). 


Mesmo o incesto sendo por vezes praticado sem a consciência da consanguinidade dos agentes envolvidos, (como ocorreu nestes casos, pelo menos numa primeira instância), eles acabam sempre por ser punidos pelas circunstâncias que daí advêm, e, de algum modo, arcar com um sofrimento, maior ou menor, mas para a vida toda, como forma de redenção dos seus crimes. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"Querem-me casado, vil, quotidiano..."


A coisa parece que surge num manual de Estudo do Meio: pede-se aos alunos que realizem uma espécie de cronograma da sua vida e dos seus antecedentes, para o qual se pede não só a data do casamento dos seus pais, como para adicionar uma foto do casamento.
As crianças cujos pais vivam em união de facto ou sejam filhas de mãe solteira, ou de famílias monoparentais, podem ver-se numa situação no mínimo embaraçosa e no máximo discriminatória. Serão os modelos do Estado Novo a voltar aos manuais escolares?

Ler aqui o artigo do Rerum Natura sobre este assunto.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A bater no fundo


Em Budapeste é com orgias que uma empresa alemã recompensa os seus melhores vendedores.
É logo a Alemanha, que se prepara para nos governar a todos, a dar exemplos deploráveis como este.
A notícia dá-me voltas ao estômago, pela misoginia, o abuso e servidão, quase com requintes de escravidão!
Que tipo de precedente é que isto pode abrir? Onde vamos parar?
Depois disto, quem é que tem moral para condenar o turismo sexual da Tailândia, as redes de prostituição, as Mafias do Leste, a pornografia em casa de Bin Laden, etc?
À vista disto, Berlusconi é um aprendiz!

(Obrigada Anabela Magalhães)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os partidos sem representação parlamentar


Este Blogue muito raramente se aventura na análise política, fazendo raramente comentários acerca de actividades político-partidárias. Não é essa a sua vocação. Ao contrário de vários colegas da blogosfera docente, que vão puxando a brasa aos seus partidos de eleição, este Blogue não faz campanha por ninguém e não dá indicações de voto. Porém, vê-se que os que o fazem, se centram nos cinco partidos com assento no parlamento. Pela Lei de Hondt, os pequenos partidos nunca deixarão de o ser e as hipóteses de eleger deputados são mínimas.

A propósito do debate de ontem na RTP1 com responsáveis de partidos sem representação parlamentar, decidi partilhar convosco o meu sentir a respeito das diversas prestações. Para mim, o debate revelou aquilo de que já suspeitava: alguns deles mereciam, sem dúvida lá estar, constitundo uma mais valia para a democracia parlamentar, enquanto outros é melhor que de lá continuem arredados.

- Garcia Pereira do PCTP/MRPP foi o mais eloquente, assertivo e certeiro; dono de uma capacidade retórica difícil de ultrapassar, é um jurista muito bem conceituado no mundo do Direito do Trabalho e tem muitos anos de experiência na militância política. Daí que não seja surpreendente a sua eficácia no discurso sobre os problemas que mais afligem o país neste momento.

- Paulo Borges, do PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza) foi o maior defensor da Ética. Filósofo de formação humanista, tem vasta obra de reflexão sobre Agostinho da Silva, Fernando Pessoa e muitos outros. É professor universitário de Filosofia e presidente da União Budista Portuguesa, seguindo muitos dos ensinamentos do Dalai-Lama.

- Rui Marques, do Movimento Esperança Portugal, tem uma intervenção notável ao nível da Juventude, da Emigração e de várias causas sociais e humanitárias. Defende os direitos de protecção à família.

- Pedro Quartin Graça, do Movimento Partido da Terra, defende uma linha de ambientalismo antropocentrista, como partido ecologista que é, com provas dadas.

- Paulo Estevão do Partido Popular Monárquico, defende uma monarquia constitucional, com aliança aos valores da Igreja e a manutenção do número de deputados por distrito.

Todos estes representantes estiveram bem, demonstrando estar perfeitamente à altura de participar num debate televisivo. Foram correctos, esclarecedores, educados, respeitando as ideias alheias.

Chegámos a José Manuel Coelho, do Partido Trabalhista Português, e ficou tudo, mas mesmo tudo estragado: provocação, insulto, boçalidade, impreparação, enfim, uma participação ao mais baixo nível. Estas atitudes fizeram por mais de uma vez perigar a continuação do debate. Deplorável!

Por fim o representante do sector mais à extrema-direita, como eu pensava já não existir em Portugal: José Pinto Coelho, do Partido Nacional Renovador puxou dos valores mais retrógrados que se possa imaginar, defendendo a saída da zona euro, o fechamento das fronteiras aos emigrantes, imputando-lhes a culpa da criminalidade crescente em Portugal, a revogação da lei do aborto e do casamento dos homossexuais, chamando-lhes aberrações; sempre numa perspectiva de regresso ao nacionalismo, em tudo faz recordar o isolamento dos tempos de Salazar, em que vivíamos "orgulhosamente sós". Uma tristeza sem tamanho, fora do tempo e de toda a razoabilidade, como se o tempo pudesse, alguma vez, voltar para trás!

Espero muito sinceramente que estes dois partidos não elejam um único deputado. Para bem da democracia e da liberdade, num caso, e do civismo e educação para a cidadania, no outro.

domingo, 15 de maio de 2011

Ah, bando de hipócritas!


Então não era a exposição do corpo da mulher um dos pomos da crítica à cultura do Ocidente???
Não tinham os apoiantes de Bin Laden 70 virgens à sua espera no paraíso, sendo essa uma das justificações para o suicídio em nome da Jihad???
Para quê então uma colecção de filmes pornográficos em casa???
Que tenha embarcado com bilhete só de ida para o inferno, o hipócrita!

sábado, 2 de abril de 2011

Porque não há pilhagens no Japão?

(Imagem do Cafferty File)

Após o terramoto e tsunami de há três semanas no Japão, o mundo assiste com estupefacção a um fenómeno completamente inusual nestas circunstâncias: quando uma boa parte do país sofre com o caos e a destruição, ninguém ouve falar de roubos ou pilhagens, como aconteceu em 2005 nos EUA com o furacão Katrina, e após os terramotos do Haiti e do Chile.

O povo japonês, devastado pela perda de habitações, indústrias e campos de cultivo, anda ainda à procura dos seus familiares desaparecidos e conta os seus mortos. A acrescer a tudo isso, a ameaça nuclear é um perigo real que se abate sobre este país, já castigado no passado com duas bombas atómicas.

Tem sido notada a contenção, o civismo e a cidadania demonstarda pelos habitantes das zonas mais devastadas, que choram a sua desgraça, evidentemente, mas não se esquecem de ajudar o vizinho. No terreno multiplicam-se equipas de voluntários, que, sem nada ganhar, se vão revezando na busca de sobreviventes e resgate de pessoas e haveres no meio da destruição.

Nos supermercados os preços baixaram drasticamente logo que foi possível restabelecer o funcionamento dentro da "normalidade" possível na vida das populações. Os donos de máquinas de venda de bebidas passaram a distribui-las gratuitamente, por via do entendimento de que "todos trabalham para a sobrevivência de todos".

Onde nos outros países haveria vandalismo, ali há solidariedade. Onde haveria pilhagens, ali há generosidade. Qual a diferença? Como se explicam comportamentos em tudo contrários àquilo que é historica e sociologicamente expectável em situações de catástrofe?

Não páro de me espantar com esta elevada postura de cidadania e de me interrogar sobre os seus fundamentos, que contrastam aparentemente com o resto do mundo em condições idênticas.


Jack Cafferty, da CNN no seu artigo "Why there's no looting in Japan?" refere a possibilidade de haver uma relação entre esta demonstração de civismo e prática do Budismo e do Xintoísmo no Japão, decorrente dos valores éticos e morais inerentes à sua interiorização. Como refere Caffferty "values of conformity and consensus are considered virtues in their culture".

Cafferty fala num "vazio de moralidade" que acompanha os sentimentos das pessoas em situação de perdas múltiplas. No Japão, definitivamente, mesmo perdendo quase tudo, (algumas pessoas perderam mesmo tudo, incluindo a sua família e amigos), não se perdeu a moralidade.

(Obrigada ao Francisco Trindade pelo envio do artigo de Jack Cafferty).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Campanha contra a homofobia nas escolas é barrada pelo ME


A acusação é de que a campanha é ideológica! Claro que é! E há porventura alguma que não o seja?

Leia aqui.

Publicado por Luís Diferr

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A «sexualidade imoral» no Bangladesh é punida com a morte


Menina de 14 anos morre após receber 80 chicotadas

"No Bangladesh, uma adolescente de 14 anos morreu após ter recebido 80 chicotadas como punição por ter tido um relacionamento com um primo casado. A sentença foi decretada por um tribunal religioso de Shariatpur no sudoeste do país, a 56 quilómetros da capital, Daca.
Hena Begum foi acusada de ter mantido uma relação sexual com seu primo de 40 anos, que era casado. A BBC avança que ele, condenado a receber 100 chicotadas, conseguiu fugir.
A adolescente desmaiou enquanto era chicoteada e chegou a ser levada para um hospital local, mas morreria seis dias depois, não tendo resistido aos ferimentos."

Notícia completa no Sol.

Esta barbaridade parece nunca mais acabar. Todos os meses me chegam notícias deste teor. Não há argumentos de respeito pela diversidade de culturas que me façam engolir estas decisões criminosas. A violência e a barbárie não podem ser desculpadas. Enquanto as páginas deste Blogue estiverem abertas, elas farão a denúncia destas práticas revoltantes.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Criancinhas


"A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos."

Miguel Carvalho - A DEVIDA COMÉDIA
Artigo publicado na revista VISÃO online

(Enviado por Becas)

sábado, 20 de novembro de 2010

Bento XVI fez uma pirueta com o preservativo

(Cartoon de António)

Ratzinger finalmente acordou? É inacreditável!
Estava eu a tentar digerir as últimas sobre a Cimeira da NATO, eis que sou surpreendida com a notícia (confirmada em dois canais e mais num jornal) de que o Papa Bento XVI aceitou finalmente o uso do preservativo.
Contrariamente a tudo o que tinha vindo a afirmar até agora, assim como os antecessores da sua Igreja, para quem o único método contraceptivo admitido até hoje era a abstinência, Bento XVI declara a um jornalista alemão que "se for para controlar a propagação da infecção pelo virus da SIDA, sim", é legítimo usar o preservativo. Mas vai mais longe ao referir que "esse pode ser um passo em frente para se viver uma sexualidade mais humana"!
Por este andar, ainda vai acabar por reconhecer a necessidade de acabar com a obrigatoriedade do celibato dos padres.
É caso para até eu dizer: haja Deus! Antes tarde do que nunca...
O que não se sabe é qual irá ser a reacção dos sectores mais conservadores do Vaticano (o ex-Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa, pertencia à ala mais retrógrada), a estas declarações, ainda por cima no dia de hoje, em que foram entronizados 24 novos cardeais...
Não será isto bom demais para ser verdade?
O Vaticano esclarece as possíveis dúvidas quanto ao sentido das afirmações do Papa aqui.
D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas disse à Lusa que "rejubilou" com esta notícia e que os católicos há muito tomaram esta medida por uma questão de responsabilidade ética.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Irão suspende lapidação de Sakineh Ashtiani



Sakineh Ashtiani, a mulher iraniana condenada à lapidação, além de 99 chicotadas, pela prática de adultério, parece ter visto a sua pena suspensa pelas autoridades.

(Leia aqui a notícia.)

Parece enfim ter dado resultado a campanha de protesto a que, aliás, a Pérola de Cultura se associou, conforme se pode ver na barra lateral.
Depois de Carla Bruni-Sarkozy, Isabelle Adjani e outras celebridades se terem envolvido nesta campanha para salvar a vida desta mulher, foram acusadas pelo governo iraniano de incitarem à infidelidade, de atentarem contra as tradições milenares da cultura persa e, por isso mesmo, merecerem morrer também, conforme se pode ler aqui abaixo.

Se percebermos que o crime de Sakineh foi ter tido relações sexuais depois de ficar viúva, só podemos concluir que depois de os maridos morrerem, as mulheres do Irão devem continuar a guardar fidelidade, neste caso, a um defunto! Bela tradição!

Não se pode admitir a morte por lapidação, e as razões evocadas são de um ridículo e de uma crueldade atroz. Isto não é Cultura, é Barbárie!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Carla Bruni merece morrer" diz-se no Irão

A actual primeira-dama francesa, Carla Bruni-Sarkozy, "merece morrer", diz-se num jornal iraniano.
Por estar envolvida com outras celebridades francesas, como a actriz Isabelle Adjani, numa campanha de protesto contra o apedrejamento de mulheres por adultério, a ex-modelo e cantora é acusada de fazer de modo subtil nas suas canções um apelo à infidelidade. Merece, por isso morrer, já que isso é um atentado, dizem eles, à cultura milenar de uma das mais antigas civilizações do mundo, a persa.

Se cultura é atentar contra a liberdade, a integridade física e até a vida do seu semelhante, eu, definitivamente, preferia ser um golfinho, do que uma cidadã de um país fundamentalista, onde o poder está na mão de esbirros, que nem à espécie dos humanos deveriam pertencer!

Porca miséria! Mundo cão!


Leia aqui os pormenores da notícia.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ascensão ou Assunção - a Nossa Senhora do feriado de 15 de Agosto em Portugal


A Assunção de Maria é a crença tradicional realizada pelos cristãos católicos, ortodoxos, anglicanos, e algumas igrejas protestantes que a Virgem Maria no final da sua vida foi fisicamente para o céu.

O dogma da Assunção refere-se a que a Mãe de Deus, no fim da sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial. Este dogma foi proclamado ex-cathedra pelo Papa Pio XII, no dia 1º de Novembro de 1950, por meio da Constituição Munificentissimus Deus:


"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus omnipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, ascendeu em corpo e alma à glória do céu".


Diz-se que este dogma da subida ao céu de Maria, mãe de Jesus, radica na seguinte lenda:

"São Juvenal, Bispo de Jerusalém , no Concílio de Calcedónia em 451 levou ao conhecimento do Imperador Marciano e Pulquéria, que desejava possuir o corpo da Mãe de Deus, que Maria morreu na presença de todos os Apóstolos, mas que o seu túmulo, quando aberto, a pedido de St. Thomas, foi encontrado vazio; donde os Apóstolos concluiram que o corpo fora levado para o céu."

A festa da assunção para o céu da Virgem Maria é celebrada como a "Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria" pelos católicos, e como a Dormição por cristãos ortodoxos.

Embora com diferentes denominações a festa da Assunção/Ascensão de Maria é normalmente comemorada no dia 15 de Agosto pelo mundo cristão e é feriado em Portugal e noutros países.

Curioso é também lembrar que a 15 de Agosto se assinala o dia da abertura do Festival de Woodstock em 1969, apenas 19 anos após a proclamação do dogma por Pio XII...

Imagens: a Nossa Senhora da Ascensão representada pelos pintores Murillo, Tiziano e André Gonçalves (1730).

(Fontes de informação e pinturas da Wikipédia)

sábado, 14 de agosto de 2010

Época de Ramadão


O Ramadão em 2010 começou na quarta-feira, 11 de Agosto e prolongar-se-á por 30 dias, até quinta-feira, 9 de Setembro.

De acordo com o calendário islâmico, deve jejuar-se desde o nascer até ao pôr do sol, sendo apenas dispensados dessa privação os doentes e as crianças. Como parte do ritual os muçulmanos procedem à lavagem das mãos e dos pés nos períodos de oração.

O sheik David Munir explicou que este é um período sagrado, de oração e recolhimento, em que as pessoas se deverão aproximar mais da religião, fazendo leituras do Corão e frequentando mais as mesquitas.


«Sagrado porque foi neste mês, o nono mês do calendário islâmico, que o profeta Maomé recebeu o início da revelação do Alcorão», explicou o sheik.

Mas mesmo bom era que as falanges intelectuais islâmicas aproveitassem este período, que se quer de purificação e reflexão, para organizar grupos de estudo e intervenção para o combate às horríveis tradições fundamentalistas, atentatórias dos mais elementares direitos humanos. É que os grupos e governos fundamentalistas islâmicos continuam a promover contra-valores e medidas retrógradas e repressivas, sempre em nome de Alá e dos princípios mandatados pelo Profeta...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Igreja Anglicana vai ordenar mulheres Bispos

Para quando o Vaticano a tomar idêntica decisão? Provavelmente nunca.
A ala mais conservadora da Igreja anglicana já ameaçou mudar-se para a Igreja de Roma.
Leia mais aqui.