Continua a fazer sentido a defesa dos ideais republicanos. A República portuguesa faz hoje, dia 5 de Outubro, 107 anos e, felizmente, o feriado nacional foi reposto. É uma questão de História e de valores. E sobretudo de respeito pela memória de um povo.
É importante manter este feriado, tal como o do dia 1 de Dezembro, em que uns bravos restauraram a independência nacional face ao domínio espanhol.
Infelizmente, Castela, até hoje, em 2017, ainda não perdeu as tendências de domínio ibérico a todo o custo, nem que para isso tenha de usar a força. São tristes os conflitos na Espanha e oxalá não se repita uma guerra civil de má memória. Se a Catalunha decretar a independência, isso pode transformar-se num rastilho para outras províncias, como o País Basco ou a Galiza.
Não concordo nada com alguns comentadores portugueses que tenho ouvido nos media, como por exemplo o historiador Jaime Nogueira Pinto, que defende que a posição deve tomar deve ser aquela que for mais vantajosa para Portugal. Portugal recuperou a sua independência em 1640; tem mantido desde então a sua soberania. Se pensássemos apenas em termos de vantagens, talvez fosse vantajoso que fizéssemos parte de uma espécie de União Ibérica, assim tipo um grande país.
Mas é isso que queremos? Não seria isso andarmos para trás uns séculos?
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quinta-feira, 5 de outubro de 2017
domingo, 1 de dezembro de 2013
A Independência e a Restauração - texto de Carmela
Este senhor, que dá pelo nome de Miguel de Vasconcelos e a quem de nada valeu esconder-se num armário, acabou de ser defenestrado. Foi assim que se fez a Restauração e se proclamou a independência. Dantes era feriado, agora já não é - a independência anda pelas ruas da amargura e a restauração tem o IVA a 23%, salvo erro e, salvo erro, com tendência para subir; os vasconcelos é que não tendem a descer e as conjuras perdem-se inter-conjurados, com golpes palacianos em que se arrecadam as pratas, em vez de as atirarem pela janela.
1º de Dezembro, apesar de já não ser feriado
Convém não deixar que nos apaguem as memórias de um país que sempre lutou pela sua independência.
Ver texto e imagem daqui
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sábado, 1 de dezembro de 2012
Conjurados e exconjurados
Os tempos vão mesmo beras. E há sintomas e sinais de destruição de uma nação profundamente doente e cujas chagas não cessam de se aprofundar. Hoje não venho referir a tristeza e o desconforto dos bolsos vazios de muitos portugueses. Disso nem é bom falar.
Mas não posso deixar de falar do retrocesso que constitui a progressiva tentativa de abolir as nossas memórias históricas, como datas de comemorações importantes para a nossa identidade nacional.
Fazer passar ao esquecimento dias como o 5 de outubro ou o 1º de dezembro são uma afronta a quem preza minimamente a cultura e a História de um país e de um povo.
Homenagear aqueles que, com bravura, lutaram pela independência nacional em 1640, era o que se costumava fazer a 1 de dezembro, assinalando o dia como feriado, pelo seu significado simbólico.
Haverá algo mais importante para a identidade de um país do que a sua independência? Parece-me básico. No entanto, ao que se diz, este será o último 1º de dezembro como feriado nacional.
O mesmo se anunciou a 5 de outubro. Pode passar a não se falar mais sequer daqueles que derrubaram o regime monárquico em 1910 para instaurar uma forma de governo com ideais republicanos e democráticos, com vista ao desenvolvimento do país em moldes mais justos e igualitários.
Manter vivas estas duas datas na memória dos portugueses, seria o mínimo do respeito pelas efemérides em causa na História de Portugal, se para tal houvesse brio e vergonha.
Por este caminho, dentro de poucas gerações, já mais ninguém saberá o que foram a restauração da independência ou a implementação da República e passarão rapidamente a ficar envoltas nas brumas da memória.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Definitivamente tenho alma helénica
Até no nome, por decisão acertada da minha mãe. Ainda eu estava na sua barriga e já a estética e os nomes gregos a tinham conquistado. Parecia que adivinhava ela que eu me iria apaixonar por um país, uma paisagem, uma cultura, um berço civilizacional.
Está-me a vir ao de cima um sentimento que não sei se é somente de preocupação com a Grécia, ou com todos os países europeus, que, sendo periféricos, se arriscam a desaparecer do mapa por domínio dos mais fortes.
Hoje sinto-me grega. Não sei fazer cocktails Molotov, só fazia o pudim e mal.
Não aprovo violência nem destruição, mas ia à luta, se preciso fosse, em caso de...
Que ao menos deixassem os gregos encontrar o seu caminho, sem lhes retirar a soberania.
E já agora, se não for pedir muito, a nós também.
O que vai acontecer à Grécia e a Portugal?
Não consigo escrever comentários, pois fiquei com a alma embargada depois de ler esta notícia. Parece que já estivemos mais longe de ver os países periféricos perderem a sua soberania. Mas, para todos os efeitos, apagando o 1º de dezembro, tal coisa parece já não interessar para nada! Só a simples conjetura me causa arrepios...
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Dia da Restauração da Independência
Ao que tudo indica, este pode ser o último 1º de Dezembro que se assinala como dia feriado. Na onda de acabar com pontes e feriados por razões economicistas, cortam-se também memórias de acontecimentos importantes da História de Portugal.
No dia 1 de dezembro de 1640 Portugal viu-se liberto por valentes conjurados do jugo espanhol, recuperando desse modo a sua independência, após 60 anos de domínio.
Hoje mais do que nunca faz todo o sentido falar de independência, já que, por razões económicas, a nossa autonomia está a ficar seriamente comprometida.
Outro feriado a abolir parece ser o 5 de Outubro, dia da implantação da República, que fez 100 anos em 2010. São datas referenciais para uma comunidade, importantes em termos identitários, e que, inexplicavelmente, vão ser remetidas para o esquecimento das coisas que não importam. Sou frontalmente contra e republico o post que fiz no Blogue há um ano. Provavelmente pela última vez.
"Por um outro Portugal, dimensionado à escala planetária, que se especialize no universal, no abraço ao mundo e a todos os seres vivos: o Portugal que urge fundar, por sobre as ruínas do velho Portugal e do velho mundo que agonizam."
Paulo Borges
Há que comemorar o 1º de Dezembro, enquanto nos deixarem ter este feriado e enquanto existe (alguma) independência nacional. Leia aqui a história contada por Luís Diferr no seu livro"Portugal", Edições ASA, Junho de 2010.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
1 de Dezembro - dia da restauração da independência
"Por um outro Portugal, dimensionado à escala planetária, que se especialize no universal, no abraço ao mundo e a todos os seres vivos: o Portugal que urge fundar, por sobre as ruínas do velho Portugal e do velho mundo que agonizam."
Paulo Borges
Há que comemorar o 1º de Dezembro, enquanto nos deixarem ter este feriado e enquanto existe (alguma) independência nacional. Leia aqui a história contada por Luís Diferr no seu livro "Portugal", Edições ASA, Junho de 2010.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
1 de Dezembro de 1640 - Restauração da Independência


“Durante 60 anos, Portugal viveu sob domínio espanhol. Muitos portugueses, sobretudo da nobreza, não viam nisso inconveniente, bem pelo contrário já que esse estado de coisas lhes era conveniente. Mas outros, apesar de impotentes, nunca o aceitaram. E eis que em 1638 o cônsul francês em Lisboa prometeu ajuda aos portugueses em caso de insurreição contra os espanhóis.
Miguel de Vasconcelos – um esbirro diligente dos espanhóis, que simbolizava aos olhos de todos a infâmia da traição – governava como ministro absoluto, na qualidade de Secretário de Estado da vice-rainha, a Duquesa de Mântua.
Depois de uma violenta revolta em Évora, rebentou uma série de levantamentos que acabou com a inesperada tomada do poder por um grupo de nobres, em Lisboa, no dia 1 de Dezembro de 1640.
Nesse dia, de manhã cedo, oito nobres chegaram ao Palácio Real e, abrindo fogo com as suas pistolas, ultrapassaram a guarda e subiram aos salões. Dirigiram-se ao escritório de Miguel de Vasconcelos; um guarda foi morto, dois outros feridos mas, para sua surpresa, não encontraram aí o Secretário.
Descobriram-no enfim, escondido num cofre!... “Tiraram-no do cofre, deram-lhe uns tiros de pistola e mataram-no sem lhe dar tempo de pedir um confessor”, no dizer de um padre da Companhia de Jesus que narrou estes acontecimentos. O corpo foi atirado “pela janela que dá para o Terreiro do Paço”, onde terminou ultrajado pela raiva popular devida a um traidor.
Foi a “Restauração da Independência”: o resto do país seguiu os acontecimentos, os contra-revolucionários fugiram ou foram eliminados sem demora e o jovem Duque de Bragança foi rapidamente aclamado rei, com o título de D. João IV.
Era a época da Guerra dos Trinta Anos, que espalhou tanta miséria e sofrimento pela Europa. Portugal conseguiu obter o apoio da França e da Inglaterra, o que permitiu a reorganização do exército e a defesa contra as invasões dos espanhóis, vencidos em várias batalhas na fronteira durante uma guerra que durou 28 anos!”
Texto de Luís Diferr
Excerto traduzido do livro «Les Voyages de Loïs – Le Portugal», de Luís Diferr e Jacques Martin, a ser publicado em Março de 2010 pelas Éditions Casterman, Bruxelas.
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