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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Deficit na Democracia


"Peguemos então na máquina de calcular e deitemos contas à democracia que temos. De mais de 9 milhões e meio de eleitores inscritos, 63% (mais de 6 milhões) entenderam, no passado domingo, que não valia a pena votar. Considerando que outros 4,63%, tendo votado, o fizeram em branco, negando a confiança a qualquer partido, e que houve 2% de votos nulos, os portugueses que confiam ainda nos partidos que temos são já menos de um terço (30%)."

Manuel António Pina, Jornal de Notícias

Cartoon de Rodrigo no Expresso

terça-feira, 9 de junho de 2009

A questão sensível da Ficha de Auto-Avaliação


Muita tinta tem corrido em torno deste tema sensível. Já na altura da entrega dos Objectivos Individuais os debates entre colegas foram acesos e o ambiente nas Escolas ficou tenso e gerou fracturas.

Creio que esses momentos difíceis foram suficientes para que todos tenhamos aprendido que a defesa de uma posição, a sua manutenção e as suas consequências, têm de ser assumidas individualmente e de acordo com a consciência de cada um.

Sem querer estar a penalizar ou a condenar quem, assumindo colectivamente uma posição, depois em termos pessoais fez o seu contrário, chamo a atenção para a ponderação reflectida e crítica acerca de mais esta decisão que temos em mão.

- Entregar a Ficha de auto-Avaliação é implicitamente ceder ao modelo de Avaliação imposto e contra o qual nos temos andado a bater.

- Não entregar a Ficha de Auto-Avaliação significa não querer ser avaliado e assumir as consequências legais que possam advir, como não contagem deste biénio para a progressão, segundo o ME anunciou.

Já aqui escrevi que não acredito que o ME enverede pelos procedimentos disciplinares; nem me parece exequível, nem interessa aos Conselhos Executivos ir por aí, e, por último, não me parece que depois deste "recado" que o governo apanhou com as eleições europeias, a Maria de Lurdes Rodrigues e aos seus Secretários de Estado seja conveniente encetar uma guerra desse teor.

Cada um de nós terá de se informar e ponderar sobre o assunto e fazer uma escolha consciente.

Deixo aqui dois links para boas reflexões sobre este assunto, respeitando a coragem e coerência destes dois colegas:


No Blog A Educação do meu Umbigo:
Opiniões – Maurício Brito
E agora? Agora é tão fácil… basta querermos!


No Blog de Octávio Gonçalves:
Não estou disponível para colaborar na farsa desta avaliação do desempenho, pelo que não entregarei a Ficha de Auto-Avaliação

Cartoon de Antero Valério in Anterozóide

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A palavra aos deputados que defendem os professores



Transcrevo agora dois textos de deputados que são dignos da nossa confiança e apreço:

A cabeça perdida da Educação

"Durante o dia 2 de Junho tivemos a magna oportunidade de testemunhar na primeira pessoa a fúria de um Ministério da Educação que, quer através da Ministra, quer dos seus Secretários de Estado, se vem demonstrando fiel aprendiz da doutrina da retórica de propaganda e mentira que este Governo por aí propala com o Primeiro-Ministro ao leme.

O Ministério da Educação está de cabeça perdida, de facto. A ira, o ataque desmedido, o sentimento anti-Escola, anti-professores e "anti-tudo-o-que-não-seja-do-meu-querido-PS", toldou a capacidade de raciocínio à própria Ministra que escolhe agora o insulto como arma política, à falta de argumento e de bom-senso. O estilo trauliteiro, quase arruaceiro, que presidiu a esta última audição do Ministério da Educação na Comissão de Educação e Ciência demonstrou bem a natureza anti-democrática de uma Ministra que impôs uma política de subversão, à margem da Lei de Bases do Sistema Educativo e da Constituição da República Portuguesa.
A Ministra adoptou uma postura de uma arrogância tal que só vem reforçar, ainda que já de forma ridícula, a sua obstinação contra os professores, o seu ódio visceral pela escola pública e a sua concepção de Estado enquanto propriedade do Governo. Concebe, pois a Escola, não como uma construção dos portugueses, dos professores, auxiliares de acção educativa e de outros homens e mulheres que entregaram um generoso contributo para a edificação de uma Escola Pública que, em pouco mais de trinta anos, cresceu permitindo a massificação do Ensino; mas como uma propriedade sujeita aos caprichos e ditames, à ditadura tecnocrata dos gabinetes da ministra em funções.
Exactamente porque a razão não sustenta a sua acção, a Ministra ostenta a sua irracional paixão que se traduz numa total perda da lucidez política para lidar com o Sistema Educativo. Mas mais do que tudo: a Ministra não gosta da Lei. Não gosta da Lei de Bases, não gosta da Constituição e por isso mesmo, actua na marginalidade: à margem da lei, fazendo por ignorar que a lei existe e abusando da sua posição de poder para a contornar sempre que a lei não satisfaz os seus caprichos.
A estratégia está clara. A agudização do comportamento agressivo e autoritário da Ministra reflecte uma cabeça perdida que tenta agora captar os votos de todos quantos não conhecem as escolas, o seu dia-a-dia, tenta ainda seduzir os pais responsabilizando os professores pelas falhas das escolas que sentem, tenta captar a fidelidade de um punhado de eleitores que se revêem na política de direita autoritária e que concebe a escola como uma fábrica, os professores como operários e os estudantes como produtos. Tenta fidelizar os votos desses miseráveis espectros políticos porque sabe que não conta com os votos dos professores, dos democratas e de todos os que defendem uma Escola Pública de qualidade, e sabe que não contaria com esses votos, nem que viesse agora chorar falsos arrependimentos.
Ao menos assim, sabemos todos com o que contar no dia das eleições."

Miguel Tiago, deputado do PCP, Expresso 9:00, 8 de Junho de 2009

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Uma, e outra, e outra vez – as vozes de quem faz a escola pública

"Vieram de novo, aos milhares, de todos os pontos do país. Voltaram a encher as ruas de Lisboa com a sua luta, e a sua perseverança na defesa de um modelo democrático da escola pública. Dizendo "categoria só há uma - professor e mais nenhuma". Nem mais.
Ao longo destes últimos quatro anos, os professores têm sido a voz mais forte e mais ousada na contestação ao Governo. E são-no porque têm sido eles a experimentar, mais do que em qualquer outro sector, o que significa a "empresarialização" dos serviços públicos.
Alguém pensou: "temos que alcançar os níveis europeus em matéria de resultados escolares, mas sem fazer o esforço de investimento que fizeram os outros países europeus". A solução do Governo PS: indicar um culpado, os professores; pressionar os resultados; e juntar a propaganda.
Quatro anos do triunvirato Mª Lurdes Rodrigues - Valter Lemos - Jorge Pedreira, resumem-se a isso. Resume-se a duas ideias centrais: primeiro, uma escola organizada como uma cadeia de comando capaz de produzir, rapidamente, resultados "politicamente" simpáticos para quem governa; e segundo, uma classe docente domesticada pelo medo e pela concorrência interpares, que cumpra ordens sem pinga de crítica, e saia baratinha na factura salarial do Ministério da Educação (ME). Toda a arquitectura legislativa, toda a orientação política do ME seguiu neste sentido. Modelo de avaliação, modelo de gestão, estatuto do aluno, e o Magalhães para ajudar à festa...
Quando se provou que os professores não se iriam deixar humilhar e enxovalhar pelo Governo, e que estavam dispostos a lutar, veio a chantagem e as ameaças do ME - ameaça de processos disciplinares, de não progressão na carreira, o afastamento e a intimidação de Conselhos Executivos que não vergavam.
Mesmo assim, uma, e outra, e outra vez, os professores saíram à rua. Porque sabem o que está em causa. Sabem que hoje a escola pública enfrenta uma crise, mas que não pode perder a confiança da opinião pública. Sabem que a multiplicação burocrática não trouxe rigor nem exigência às práticas escolares, apenas aumentou o espaço de manobras dos burocratas políticos de serviço. Sabem que se criaram e inventaram novos problemas, sem nunca resolver os velhos e determinantes problemas do sistema educativo português - o abandono e o insucesso escolar. Sabem que hoje as escolas enfrentam todos os desafios - a herança da iliteracia e a globalização mediática - ; sabem que à escola se pede todas as funções, da educação clássica, às novas competências, e ao apoio social às famílias e aos excluídos; e sabem que lhes faltam todos os instrumentos para fazer esse combate, e essa tarefa.
Quem saiu à rua sabe exactamente o que quer - pacificar as escolas, esquecer Maria de Lurdes Rodrigues, investir no sistema educativo e nos profissionais que fazem a escola pública. Em Setembro ou Outubro, os professores sairão de novo à rua. De outra maneira voltarão a dizer ao PS que não aceitam ser humilhados e perseguidos. Tenho a sensação que dessa vez o PS vai ouvir com muito mais atenção."

Ana Drago, Deputada do BE, in Esquerda.Net, 02 de Junho de 2009

Dois textos que vale a pena ler

Transcrevo aqui um fragmento de um texto da APEDE e outro de Mário Carneiro do Blog "O ESTADO DA EDUCAÇÃO E DO RESTO" que me parecem bastante lúcidos e bem oportunos; subscrevo-os na íntegra:


(...) "Os professores, bem como outras classes profissionais vilipendiadas e agredidas pelo actual Governo PS, terão oportunidade para que a justiça seja reposta no seu quotidiano laboral.
Essa oportunidade, porém, não virá dos céus, nem da boa vontade dos futuros governantes.
Ela nascerá dos combates que os professores souberem travar.
E, se eles forem determinados, são grandes as probabilidades de se inverter todo o mal que foi feito:

• Acabar com a divisão da carreira e repor uma carreira única.

• Colocar um ponto final, sem parágrafo, a este malfadado e absurdo modelo de avaliação do desempenho.

• Restaurar a gestão democrática das escolas.

A ÚNICA COISA QUE SE ESPERA DOS PROFESSORES É QUE, NAS LUTAS FUTURAS QUE SE AVIZINHAM, NÃO CEDAM NEM EMBARQUEM NA ILUSÃO DEPRESSIVA DO "FACTO CONSUMADO".
EM POLÍTICA NÃO HÁ FACTOS CONSUMADOS.
EM POLÍTICA HÁ AQUILO QUE CONSEGUIMOS CONQUISTAR, QUANDO SABEMOS LUTAR POR ISSO."

APEDE, Domingo, 7 de Junho de 2009 ÀS 16:38

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MÁRIO CARNEIRO - Um alento para a batalha que vai prosseguir

"Temos razões para estarmos contentes.

A manifesta derrota do Partido Socialista, nas eleições europeias, constitui uma objectiva derrota de tudo aquilo que muitos de nós temos combatido: a arrogância, a incompetência, a mentira, a grosseria, a insensibilidade política e social.

É também uma derrota de todos aqueles que, nos locais de trabalho, escudados nos exemplos de prepotência e de pesporrência que vinham de cima, julgavam ter como certa e segura a concretização das suas ambições a pequenos tiranetes.

É igualmente a derrota da onda de mediocridade e de manipulação que já há muito mina o país e que ameaçava tomar conta dele por inteiro.
Todavia, todos sabemos que não se trata ainda de uma derrota irreversível. É um vigoroso alento que todos recebemos após tantos meses de tanta luta, é um alento para nós e é um travão, ainda que não definitivo, para os inimigos da Liberdade, mas todos sabemos que não é mais do que isso.

Que este alento nos reforce a vontade e a determinação de levarmos a nossa luta até ao fim.
A luta a que a nossa consciência profissional e ética nos obriga."

Mário Carneiro em “O Estado da Educação e do Resto”, 8 de Junho de 2009

A quem os professores devem agradecer


A esta derrota do PS não são alheios os muitos milhares de professores que se sentiram maltratados, prejudicados e até enxovalhados na sua dignidade profissional por esta equipa ministerial, suportada incondicionalmente por José Sócrates.

A julgar pelas três mega-manifestações que se verificaram durante este ano lectivo e duas greves com cerca de 90% de adesão, perceberemos facilmente que talvez uma grande maioria dos 150000 professores e as suas famílias não devem ter tido muita vontade de dar novamente o benefício da dúvida a este PS.

Os professores, indubitavelmente, uma das classes profissionais mais castigadas por este governo, contribuiu para este resultado que o PS não esperava. Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates nem sequer conseguiram esconder a sua crispação e este último nas suas respostas da conferência de imprensa começou a andar em looping por já não saber mais o que dizer.

É provável que depois do resultado de hoje se intensifiquem as estratégias de sedução para as legislativas e o governo comece a dar uns rebuçadinhos para nos adoçar e tentar fazer-nos esquecer os vexames e os prejuízos incalculáveis destes quatro anos. Contra essa possibilidade há que estar atentos e vigilantes e mais do que nunca e mantermo-nos unidos e firmes nos nossos propósitos.

Esta vitória contra este PS vem demonstrar que é possível unir a esquerda e a direita quando as razões são de peso e inequívocas. Vimos do nosso lado nas manifestações candidatos hoje eleitos, como Diogo Feio, Ilda Figueiredo e Miguel Portas. Paulo Rangel na Assembleia da República tomou posições de apoio inequívoco à luta dos professores, assim como no elogio ao documento "Compromisso pela Educação". Os professores e as suas famílias souberam dar a estes deputados a sua gratidão, elegendo-os para Estrasburgo.

Aos que por cá ficarão, agradeço a Bernardino Soares, Cecília Honório, Francisco Louçã e muito especialmente Ana Drago a defesa intransigente dos interesses dos professores, tanto na Assembleia da República como nas ruas em todas as ocasiões em que os professores as percorreram, pela solidariedade activa que manifestaram.

Aos Movimentos Independentes de Professores que impulsionaram muitas vezes as nossas lutas ajudando as forças sindicais e aos colegas bloggers, o meu mais sincero obrigada.

Porém, a luta não pode abrandar; este recado ao PS foi só a primeira etapa da derrota que tem de ser dada nas legislativas.

domingo, 7 de junho de 2009

Europeias, a análise que se impõe


Primeira realidade a assinalar: a elevadíssima abstenção deve-se à decepção e à hesitação de muitos simpatizantes e militantes do Partido Socialista, confrontados com o estrondoso falhanço da sua política governativa nos últimos quatro anos.

Embora seja uma tendência europeia crescente, a abstenção nunca tinha atingido níveis tão preocupantes. Nem o fim-de-semana era de praia e nem de sol e ainda assim a grande maioria dos cidadãos recusou-se a participar nestas eleições.

Segunda realidade digna de realce: a tremenda lição que os eleitores que se manifestaram deram ao Partido Socialista. Para isso terão, em boa medida, contribuído as lutas de sectores profissionais específicos como os professores, que foram particularmente castigados ao longo desta governação.

O desemprego e a derrapagem económica, juntamente com a postura arrogante e prepotente deste governo, em nada dialogante e em nada negocial, fizeram o resto. Por fim, as graves suspeitas que têm vindo a recair sobre o primeiro-ministro José Sócrates não são de excluir como uma das causas que terão ajudado a esta queda.

Em terceiro lugar: a subida da esquerda, com resultados equiparados do Bloco de Esquerda e da CDU, que juntos, somam mais de 20% dos votos, o que se traduz numa realidade de resistência muito significativa e consistente.

Em quarto lugar: a vitória do PSD e a relativa recuperação da imagem algo decepcionante e frágil da sua líder Manuela Ferreira Leite, que agora, mercê da competência e seriedade demonstrada por Paulo Rangel, podem vir a fazer dela uma espécie de "Fénix renascida das cinzas", com hipóteses crescentes nas próximas legislativas.

O Partido Socialista que se cuide, pois isto hoje foi só o começo!

A noite por aqui é de festa!

Prémio LEMNISCATA


O Blog Pérola de Cultura agradece reconhecido mais este prémio atribuído pela amiga Tétis, do blog "Um Farol chamado Amizade".

"O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.

Cabe-nos, mais uma vez, a dificíl tarefa de repassar este selo a 7 blogues considerados merecedores de receber este prémio", devendo eles proceder de igual modo.

Assim, desta vez escolhemos:

Utopie Calabresi

Bilros e Berloques

O Estado da Educação e do Resto

De Rerum Natura

Correntes

Professores Lusos

El Universo de Arwen

Todos se encontram linkados na barra lateral e a todos envio os meus parabéns pelo excelente trabalho realizado.

Sobre o significado de LEMNISCATA:

LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”

Lemniscato: ornado de fitas
Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores


(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)

Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.

Hoje vamos pensar e agir como Europeus que somos. Até logo!

Regressa a mi - Il Divo

sábado, 6 de junho de 2009

Ao meu amigo Luís Alves da Costa


Pela perda do seu pai, o Dr. Francisco Alves da Costa, escritor, filólogo e membro da Sociedade de Língua Portuguesa, a quem "o Destino reservou o dia de hoje para a sua grande viagem para a Eternidade".

Perante o Luís, grande artista, poeta, professor e blogger, a Pérola de Cultura curva-se com reverência pela sua dor.


Pintura de Luís Alves da Costa - "Les Chants de Maldoror", Chant Deuxième, strophe 7

Eu vou votar porque sou cidadã europeia. Tu não?

Vejam lá onde é que vão pôr os votozinhos...!



Amanhã não se abstenham nas eleições europeias, isso não serve para resolver nada. É uma fuga e uma demissão. É inútil. Não, é prejudicial. É um tremendo erro estratégico.

O que é necessário é minar a excessiva auto-confiança desta maioria absoluta e começar já por dar-lhe exactamente esse recado.

Não se esqueçam de que Portugal viveu 48 anos debaixo de ditadura, na qual não era possível escolher os nossos representantes e as eleições eram manipuladas.

Felizmente, nas democracias parlamentares não há partido único. Há pois que aproveitar o direito ao voto para manifestar a nossa vontade. E, neste momento, o nosso descontentamento.

Lembrem-se de quem mais castigou, prejudicou, humilhou e até insultou os professores deste país. E não só.

Há que não tornar a dar-lhe(s) o benefício da dúvida.


Cartaz de Protesto Gráfico.
Cartoon de autor que não foi possível identificar.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia Mundial do Ambiente e da Ecologia






No âmbito das iniciativas do Programa da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Ambiente, comemora-se hoje o DIA MUNDIAL DO AMBIENTE E DA ECOLOGIA.

Aproveitando esta data, estreia hoje a nível mundial o filme documental «Home - O Mundo é a Nossa Casa», do fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand.
O filme, que é lançado em simultâneo no cinema, na televisão, na Internet e em DVD, é uma colagem de imagens de rara beleza do planeta Terra visto a partir do céu, captadas em mais de 50 países.
O objectivo deste magnífico documentário, que pode ser visto a partir de hoje nas salas de cinema, no You Tube ou na RTP2 às 20:28 horas, é alertar-nos para as várias ameaças ambientais e incitar a acções concertadas no sentido da preservação do nosso habitat.


www.youtube.com/homeproject
www.home-2009.com

O Atestado Médico


Agora que se aproxima a época de Exames, faz sentido recordar alguns dos constrangimentos a que os professores estão sujeitos.

"Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância.
Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa.
Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta.

Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la?

Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico.

Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.

Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI.

O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente.
O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.

Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente.
Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.

Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.

Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados. Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o 'ET', que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões. O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D.Afonso Henriques, que Deus me perdoe.

A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados. Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade. Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal.

Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei.

Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho.
Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.

Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.

Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio."

José Ricardo Costa, professor de filosofia que escreve semanalmente para o jornal "O Torrejano".

(enviado por O Que Não Sabe Pensar)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Domingo, não se enganem a pôr os votozinhos!



Como se pode ver, a senhora do vestidinho às flores também foi à manifestação do dia 30 de Maio para ver se estava lá a Ana Drago.
Mas quando viu por lá o Antero desatou a fugir...
Ela percebeu que ali ninguém estava vestido de cor de rosa.
E pressentiu que por aquelas bandas não irá apanhar mais votozinhos!


Cartoons de Antero Valério sobre fotos da manifestação de 30 de Maio.

Há 20 anos o Dragão cuspiu fogo na Paz Celestial





Ironicamente, Tiananmen, o nome da Praça onde no dia 4 de Junho de 1989 milhares de estudantes foram massacrados, significa Paz Celestial.

Contra essa paz podre imposta há mais de 40 anos pelo governo de Pequim, manifestavam-se desde as últimas semanas milhares de estudantes chineses, aos quais se foram progressivamente juntando muitos cidadãos descontentes e activistas pela Liberdade.

Não conseguindo evitar os protestos pela persuasão e pelas operações gigantescas de propaganda pró regime, o governo de Deng Xiao Ping acabou por ordenar o fim das manifestações pela força. Foram então massacrados pelas forças militares milhares e milhares de estudantes e outros cidadãos, muitos feitos prisioneiros e outros encarcerados em campos de trabalhos forçados.

Jornalistas estrangeiros enviados para o local conseguiram filmar os massacres e fazer chegar as imagens ao Ocidente.

Perante o choque do mundo inteiro face às imagens de repressão e violência brutal, as autoridades chinesas minimizaram os acontecimentos, fornecendo como 200 o número oficial das vítimas, embora tudo leve a crer que morreram mais de 2700 pessoas, houve outras tantas presas e os hospitais de Pequim ficaram repletos de feridos.

Ao certo nunca se soube qual a realidade dos números, mas o que é óbvio é que depois desta brutalidade, e já lá vão 20 anos, nunca mais ninguém se atreveu a contestar nas ruas o regime chinês.

Agora tudo é mais difícil, pois além de ter começado a travestir-se de democracia pró ocidental, a China tornou-se um potentado económico temível.

Até quando permanecerá adormecida a fúria do dragão?


(Na última foto vê-se Wang Dan, um dos líderes estudantis nas manifestações em Tiananmen que vive exilado nos Estados Unidos e pode dar ao mundo o seu testemunho dos acontecimentos.)

Compromisso Educação



"Os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, constatam que, em consequência da prolongada e tenaz resistência dos professores contra as políticas educativas deste Governo, foi emergindo um consenso natural entre todas as forças políticas da oposição acerca da rejeição das políticas em causa, tal é a inconsistência e a injustiça das mesmas.

Assim, atendendo a que:
1) é desejável que as reformas educativas, pela sua dimensão estruturante e pelo alcance temporal dos seus efeitos, sejam geradoras do maior consenso político e social possível, para aí se poderem ancorar de forma duradoura, de molde a evitarem-se mudanças ao sabor de maiorias e de umbigos de circunstância, que apenas servem para destabilizar as escolas e perturbar o sistema de ensino;

2) este Governo embarcou, de forma impreparada e casuística, em aventureirismos reformistas que procurou implementar nas escolas através de uma estratégia de arrogância, a qual subalternizou qualquer respaldo político-partidário fora da maioria socialista (e nem todos), assim como ignorou os saberes, as experiências e as dinâmicas dos actores no terreno;

3) as pretensas reformas vieram a ser impostas de modo hostil e autocrático, muitas delas escoradas na inaceitável injustiça que consumou a divisão da carreira, pelo que apenas contribuíram para a degradação do ambiente nas escolas e para desencadear a indignação e a resistência dos professores;

4) se verificou uma convergência de posições entre os professores e os partidos políticos da oposição à volta de um núcleo de reivindicações fundamentais, especificamente a propósito da não aceitação da divisão da carreira e da rejeição do modelo de avaliação proposto, o que vem reforçar a adequação e a justeza da contestação encetada pelos professores;

Os movimentos independentes de professores consideram estarem reunidas as condições para a efectivação de um contrato público, em matéria de educação, com os partidos da oposição, as suas estruturas dirigentes e os seus membros mais destacados, a nível nacional e distrital, que se possa traduzir num compromisso de, no que venha a depender de cada um e no quadro da próxima da legislatura, tudo procurarem fazer para:

1) colaborarem na valorização do prestígio e da autoridade dos professores e na implementação de um ensino público de qualidade;

2) abrirem um processo negocial com as estruturas representativas dos professores que incida sobre a imprescindível e urgente revisão do ECD (Estatuto da Carreira Docente), no sentido de ser revogada a divisão arbitrária e injusta da carreira, enquanto condição indispensável à pacificação das escolas, de ser substituído o actual e desacreditado modelo de avaliação, bem como de se pôr fim à aplicação das quotas ao sistema de ensino;

3) manifestarem abertura para negociar com as estruturas representativas dos professores dossiers candentes, como: a revisão do modelo de gestão, que seja susceptível de garantir uma maior democraticidade e participação dos professores nos processos de gestão e tomadas de decisão nas escolas; a questão da estabilidade profissional dos docentes; a manutenção do carácter nacional dos concursos de professores;

4) reconhecerem a necessidade de uma revisão do Estatuto do Aluno, de molde a promover uma cultura de responsabilidade.

Desta forma, os professores portugueses e as suas famílias terão uma percepção clara de quais as forças políticas e os dirigentes políticos que serão merecedores da sua confiança e do seu voto, nos próximos actos eleitorais.

Os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, submetem este documento às estruturas e aos elementos destacados dos partidos políticos da oposição, ficando na expectativa de poderem contar, da parte dos mesmos, com uma intervenção pública e/ou com um documento escrito que subscreva este Compromisso Educação."

Vila Real e Lisboa, 1 de Junho de 2009

Os movimentos independentes de professores,
APEDE, MUP e PROmova

quarta-feira, 3 de junho de 2009

We all stand together

Pela luta de todos os Professores, do Pré-escolar até ao Superior



Paul McCartney - "We all stand together"
Mais uma contribuição da Carmela, sempre atenta ao You Tube.

Professores do Ensino Superior manifestam-se hoje em Lisboa


"Contra as propostas do estatuto da carreira docente, os professores do ensino superior manifestam-se hoje frente ao Parlamento, em Lisboa, e encerram simbolicamente três instituições. Trata-se de uma acção conjunta da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e do Sindicato Nacional do Ensino Superior (Snesup).

Os institutos superiores de Engenharia de Lisboa (ISEL) e do Porto foram os locais escolhidos para os professores se concentrarem, logo de manhã. Também os docentes do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra se juntou ao protesto. A escola será encerrada e os professores vão concentrar-se à porta.

Em causa está a “intransigência” do ministro Mariano Gago, diz Gonçalo Xufre, presidente do Snesup. O ministério da Ciência e do Ensino Superior prevê um período de transição para que os professores do politécnico possam fazer formação e, posteriormente aceder à carreira através de concurso público. Mas, para os professores e sindicatos, esta medida mantém cerca de quatro mil professores numa situação precária por mais seis anos, o prazo para concluírem a formação, com o risco de não entrarem na carreira.

Há uma semana, o ISEL enviou uma carta aberta ao ministro, assinada por cerca de 300 professores, incluindo o conselho directivo. Os docentes pedem um “regime de transição digno e justo” pois receiam “situações de ruptura”.

A Fenprof está ainda preocupada com o caso dos leitores, cerca de 160 universitários em todo o país, que estão numa situação semelhante aos professores dos politécnicos."

Bárbara Wong, Público.pt 03.06.2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Os professores (não) sabem avaliar


Transcrevo um excelente texto do Blog "De Rerum Natura", que não podia ser mais oportuno:

"A senhora Ministra da Educação tem afirmado em diversas ocasiões que os professores sabem avaliar o desempenho docente. E isto porque avaliam os seus alunos e, portanto, sabem como a avaliação se processa; porque estão na escola e, portanto, têm conhecimento do ethos em que a avaliação ocorre; porque desenvolvem estratégias e instrumentos para concretizar as directrizes da tutela e, portanto, são parte activa na construção do modelo de avaliação; etc.

Ora, não é preciso ser-se muito entendido em matéria de pedagogia para se perceber que avaliar os professores não é a mesma coisa que avaliar os alunos, que a avaliação colegial pode ser (e geralmente é) uma enorme dor de cabeça, que as estratégias e instrumentos de avaliação requerem um referencial que não pode derivar apenas e só do entendimento de cada escola…

Parece que o Conselho Científico para a Avaliação dos Professores, depois de investigar, se pronunciou sobre o assunto. O seu presidente, Alexandre Ventura salientou ao Diário de Notícias que, entre vários problemas, muitos professores “alegam falta de experiência, pouco à vontade para apreciar o trabalho dos seus pares, que se reflecte no receio de que isso afecte o relacionamento interpessoal, ou falta de perfil” e que “alguns avaliados não reconhecerem competências pedagógicas aos avaliadores”.

Aqui ocorre-me uma pergunta: estes dados não seriam de prever? Mesmo sem investigação no contexto português, temos investigação suficiente que permite evitar o que aqui se refere.

Esta pergunta sugere-me outra: a lógica não deveria ter sido: investigação, formação e aplicação, uma coisa depois da outra, em vez de aplicação, investigação enquanto se aplica, e formação depois e durante a aplicação?

Só mais uma nota: recomenda este Conselho que os professores avaliadores façam formação em instituição de ensino superior, sendo que as acções de “algumas dezenas de horas não são suficientes para dotar os avaliadores das competências necessárias”.

Quem se pode opor a tal proposta? É claro que os professores, a terem de avaliar, devem saber o que fazer e como fazer, mas conseguirão arranjar tempo para mais esta formação, que se quer de média ou longa duração?

Se conseguirem, até poderão ficar aptos para avaliar o ensino e para serem avaliados, mas como encontrarão disponibilidade e calma para concretizar a sua principal tarefa, que é, lembremos: preparar o ensino, ensinar e avaliar os alunos?"

Helena Damião em De Rerum Natura, 1 de Junho de 2009

Cartoon: Antero Valério em Anterozóide

Isto parece un "déjà vu"...



Enviado pela Carmela

Não fiquem em casa no dia 7!


Tenho ouvido algumas pessoas menosprezarem as eleições europeias por considerarem que o que se passa por lá nos é alheio e o importante acontece cá dentro. Essas pessoas, talvez sejam muitas, não irão votar no próximo domingo.

Considero esta posição um erro e uma falta de visão de conjunto.

A nossa inclusão na EU veio introduzir muitas alterações, umas boas, outras nem tanto, mas não podemos ignorar que, cada vez mais, os nossos destinos vão depender não só do governo do país, mas também das orientações europeias.

Não se deve subestimar a presença dos deputados portugueses no Parlamento Europeu e a importância estratégica das suas intervenções nessa estrutura.

Problemas como o desemprego, a flutuação da economia, a militarização e até a educação, não podem ser vistos como problemas dos países isoladamente, mas como “tendências” europeias. Na Europa se joga muito do nosso destino.

Somos pequenos e somos periféricos, está certo. Mas nem por isso devemos deixar de nos fazer ouvir.

Sou por princípio contra os votos brancos e nulos. Penso que é sempre preferível a escolha, mesmo quando ela se nos afigura difícil. Não votar significa que tanto nos faz quem possa ser eleito. Votar em branco significa entregar a escolha nas mãos dos outros.

Se temos cabeça para pensar, que a usemos também para fazer opções quando elas se impõem. De entre as várias candidaturas tem de haver alguma que vos inspire alguma confiança. Lembrem-se que os resultados das escolhas dos portugueses podem influenciar os resultados das legislativas daqui a 4 meses. E dessas ninguém se pode demitir.

Não fiquem em casa no dia 7! Votem nas eleições europeias!


Foto: Parlamento Europeu em Bruxelas

Em tom de Requiem




"Je Crois Entendre Encore" de Bizet - vale a pena ouvir até ao fim
Vídeo enviado pela Carmela

Dedico este post aos desaparecidos do Airbus A-330, esperando que encontrem o caminho da paz, onde quer que estejam e para onde quer que vão.

A Senhora Ministra


Miguel Real, pseudónimo artístico de um professor de Filosofia da zona de Sintra, escritor, ensaísta e blogger, publica este mês um livro que não poderia vir mais a propósito chamado "A MINISTRA", editado pela Quid Novi.
É o seguinte o resumo da história:


"Uma mulher seca, que nunca conheceu o amor, de passado trágico e futuro marcado pelo desejo de auto-afirmação; uma mulher de mentalidade despótica, adversa à espiritualidade dos valores, crente de que a única dimensão do bem reside na sua utilidade social; uma mulher cuja especialização académica consiste na manipulação de estatísticas, moldando a realidade à medida dos seus interesses; uma mulher que usa o trabalho, não como forma de realização, mas como modo de exaltação do poder próprio, criando, não o respeito, mas o medo em seu redor; uma mulher ensimesmada, arrogante, feia e triste, que ama a solidão e despreza os homens; uma mulher autoritária e severa consigo própria, imune ao princípio da tolerância; uma mulher que ambiciona ser Ministra".

Apetecível. Qualquer semelhança com personagens ou factos reais é pura coincidência!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

1 de Junho - Dia Mundial da Criança











Para que pensemos nos seus sorrisos, na sua dor, na sua fome, nos seus anseios... e, sobretudo naqueles que não têm a possibilidade de ser meninos!

O papel dos bloggers na luta dos professores










Eu sou assim mesmo, distraída, mas parece que o Mário Nogueira no discurso de ontem na manifestação salientou o papel importante dos Movimentos Independentes de Professores na mobilização para a sua luta, assim como dos Blogs que apelaram à participação nesta iniciativa.

Este trabalho dos professores-bloggers é uma actividade não-remunerada, sem apoios institucionais, sem horário, às vezes acarreta dissabores pela exposição que acaba por trazer e frequentemente entra pelas horas que deviam ser de sono, repouso, lazer ou convívio com a família.

Então, por que se faz?
Pela convicção, pelo imperativo da participação e da solidariedade.

Fotografei alguns desses bloggers amigos e “pilhei” as fotos daqueles que não consegui encontrar mas que sei que estão sempre presentes.

A todos a minha enorme admiração.
Até que a vista nos doa.