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domingo, 24 de março de 2013

A censura da "primavera árabe"

"A jovem Amina, de 19 anos, acreditou na democracia da Tunísia, depois da "Primavera Árabe" de 2011, e foi condenada à morte pela justiça islâmica por colocar esta foto profana no seu blog.
A frase escrita em árabe significa “meu corpo pertence a mim e não é a fonte da honra de ninguém”, o bastante para ser perseguida pelas autoridades muçulmanas.
O Forum Social Mundial 2013 começará em Túnis na terça-feira, mas a jovem não poderá ir, pois a família internou-a num manicómio para que escapasse da execução da sentença."
É esta a liberdade de que se goza nos países onde se diz ter existido uma revolução democrática. Sem liberdade de expressão, sem direitos para as mulheres, com condenações à morte por crimes que não o são, enfim, mais do mesmo no mundo onde os fundamentalismos islâmicos continuam a fazer lei, à revelia do direito internacional e da salvaguarda dos direitos humanos fundamentais.

(A notícia e a foto são do Facebook e já foram retirados no Brasil. Aqui também não tardará a ser retirada. Por isso resolvi reproduzi-la aqui, antes que seja tarde demais. Continuo a pensar que a denúncia é a melhor forma de lutar contra a discriminação das mulheres.)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Que vergonha!


"Sócrates queixou-se de Crespo ao director da SIC"

"Foi o primeiro-ministro a dirigir-se a Nuno Santos, director de programas da SIC, para lhe dizer que o jornalista Mário Crespo era "um problema" que tinha de ser resolvido. Santos almoçava com Bárbara Guimarães no Hotel Tivoli, em Lisboa, no dia da entrega no Parlamento do Orçamento do Estado.

Nuno Santos, director de programas da SIC, é o "executivo de televisão" referido por Mário Crespo na coluna de opinião recusada pelo "Jornal de Notícias" e a quem José Sócrates disse que o pivot do "Jornal das Nove" da SIC Notícias era "um louco" e "um problema" que teria de "ter solução".

Segundo fontes da estação contactadas pelo Expresso, a conversa decorreu no dia de apresentação ao Parlamento da proposta de Orçamento de Estado para 2010, durante a hora de almoço, no Hotel Tivoli, em Lisboa.

Iniciativa da conversa foi de Sócrates

Segundo as mesmas fontes, terá sido José Sócrates e os seus dois ministros dos Assuntos Parlamentares e da Presidência (Jorge Lacão e Silva Pereira) a dirigirem-se à mesa onde se encontrava Nuno Santos a almoçar com a apresentadora de televisão Bárbara Guimarães.

Em tom exaltado e facilmente audível pelos presentes no restaurante, o primeiro-ministro terá tido a iniciativa de falar de Mário Crespo e do conteúdo do seu noticiário, considerando mesmo que o jornalista deveria "ir para o manicómio". "Definiram-me como um problema que teria de ter solução", escreveu Mário Crespo na crónica censurada.

Nuno Santos confirmou palavras do primeiro-ministro

A informação sobre o teor desta conversa chegou ao conhecimento de Mário Crespo, não através dos seus colegas da SIC, mas através de um e-mail "de uma pessoa que estava presente no restaurante e me transmitiu o que ouviu", disse o jornalista ao Expresso.

Crespo confirmou, em seguida, as informações junto de Nuno Santos e de Bárbara Guimarães, antes de escrever a sua habitual crónica destinada ao "Jornal de Notícias". Aliás, no artigo - que seria recusado pelo director do JN por, alegadamente, a informação não ter sido confirmada - Mário Crespo sublinha que o relato "é fidedigno. Confirmei-o" e transcreve mesmo partes do e-mail recebido."


Do EXPRESSO, 2 de Fevereiro de 2010

O que será ainda necessário para percebermos de que massa é feito José Sócrates?

sexta-feira, 6 de março de 2009

"Big Brother" legal na Finlândia


(foto de Païvi, Deviant'Art)

O jornal finlandês “Helsingin Sanomat” publicou uma notícia segundo a qual alguns funcionários da Nokia andariam a permitir fugas de informação que terão chegado às mãos da concorrente chinesa Huawei.
Em virtude disso, a Nokia terá começado a espiar os e-mails dos seus funcionários, assim como as respostas e os anexos, tendo feito circular a presumível “ ameaça” de que, se não o pudesse fazer legalmente para defender os interesses da empresa, esta se mudaria para qualquer outra parte do mundo.
Durante dois anos a fabricante exerceu alguma pressão para que a lei fosse alterada. Isto depois de sofrer as consequências de diversas fugas de informação.
Apesar de a porta voz da empresa, Arja Suominen, ter negado veementemente tal ameaça, a legitimação legal do controle da correspondência privada dos funcionários vem corroborar as fortes suspeitas de que a lei foi feita para assegurar a permanência da Nokia em território finlandês.
Dado que a Nokia emprega 16.000 funcionários, o que representa uma importante fatia na economia da Finlândia, não é de estranhar que o Parlamento tenha vindo a aprovar aquilo que já está a ser chamado de “Lex Nokia”.
A oposição finlandesa criticou a decisão aprovada no Parlamento, já que considera que a lei vai contra os direitos fundamentais dos cidadãos, pelo que a adopção da mesma é uma forma “descabida” de apoiar a violação da liberdade individual dos cidadãos, diminuindo os direitos fundamentais de cada um face aos interesses da Nokia.
Manifesto a minha preocupação pelo que considero ser atentatório das liberdades e da individualidade das pessoas, porque, em nome dos interesses económicos de uma empresa, o que se antevê é que todos os funcionários de todas as empresas vejam de um dia para o outro, a sua correspondência pessoal devassada, quer sejam e-mails ou chamadas telefónicas.
Da espionagem industrial se passará rapidamente à espionagem pessoal, com todos os riscos de retaliação e perseguição pessoal que isso, inevitavelmente, irá acarretar.
Por este andar, para onde vamos …?

Leituras recomendadas: http://www.cn-c114.net
http://www.infowars.com/finland-passes-unlimited-internet-surveillance-law/
http://techdirt.com
http://www.vidasalternativas.eu

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Opiniões


“Se, em vez de nos distrairmos com incidentes como o do quadro de Courbet, pequenina censura que se dissipou aos primeiros raios de Sol, déssemos atenção ao Congresso do PS e ao que diz Sócrates, grande censura vinda do poder político, sombria e agressiva, aplaudida, silenciada, perigosa? Muito perigosa, até porque é tratada com uma excessiva indiferença por uma comunicação social que, pelos vistos, acha normal que seus pares sejam atacados em palavras de comício violentas, destinadas a limitar a nossa liberdade de discutir matérias cívicas, destinadas a que não se possa discutir o caso Freeport, sem ser nos termos que convém ao Primeiro-ministro? Não. É inaceitável (…).”
José Pacheco Pereira, Abrupto, 28 de Fevereiro de 2009