domingo, 26 de abril de 2009

25 de Abril - sensação de tristeza e desânimo



Parece ter sido geral o sentimento de que alguma coisa se perdeu e não se recuperou.
Talvez a alegria e a esperança de outrora já não possam mesmo ter lugar.
Muita depressão e arrependimento por ter votado "neste" Partido Socialista deve andar por aí, o que ditou um 25 de Abril morno, triste, desmobilizado.

Os mais antigos, que viveram a festa de esperança e entusiasmo em 1974, ficaram em casa ou foram para o CCB ouvir concertos de Bach em catadupas.
É bom, é bonito, a gente evade-se e embebeda-se de beleza e emoção, numa fruição estética que nos afasta do que se passa na realidade concreta.
Eu própria tive a tentação de "fugir" para lá e embebedar-me de Bach...

Mas quis ver de perto este 25 de Abril, passados 35 anos.
E o que vi não foi de molde a deixar dúvidas: estamos mesmo no fundo!

Os mais jovens, ainda não eram nascidos, não sabem de nada.
Contudo, se havia alguns pólos de entusiasmo no desfile, eram mesmo constituídos por alguns grupos de jovens, que, vendo a sua vida muito complicada, aproveitam a oportunidade para protestar; pode ser que alguém os oiça.

O Jornal de Notícias de hoje noticia:

"Vidas para lá dos 500 euros.
Ninguém escapa hoje ao contacto com os call centers. O sector emprega cerca de 50 mil pessoas, na sua maioria jovens ou recém-licenciados."


Com este panorama de desemprego, sub-emprego, precariedade, exclusão, pobreza galopante, autoritarismo e demagogia, seria de esperar que "a grande massa" (perdoem-me o chavão) aproveitasse para comparecer em força às ruas para manifestar o seu descontentamento. Tal não aconteceu. Se calhar, estão conformados. Ou estarão somente cansados?

Algo tem de ser repensado. Talvez as pessoas tenham direito ao recolhimento e mesmo à depressão.
Só espero que recuperem dela a tempo de não voltar a dar o benefício da dúvida a esta equipa governamental, pois isso seria o descalabro deste país.


Ilustrações:
1. Jornal "O Libertário"
2. Henri Cartoon

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