quarta-feira, 13 de maio de 2009

Um fenómeno chamado Alena Khmelinskaia


Melhor aluna de Portugal é russa

"Em 2008 obteve a melhor nota do país no 12.º ano: 19,7 valores. Mas, sendo a melhor aluna de Portugal, não é portuguesa – nasceu na Rússia. Com todos os cursos à disposição, escolheu Bioquímica. A sua grande paixão é, contudo, o piano, onde soma prémios internacionais. Chama-se Alena e tem 18 anos. Quando, aos nove anos, Alena convenceu os pais a inscrevê-la em aulas de piano, os progenitores podiam suspeitar que a menina tinha jeito para a coisa. Não seria de estranhar – na família Khmelinskaia os três irmãos formaram-se no conservatório, a mãe estudou piano. Do ‘ter jeito’ para o ‘ser bom’ houve uma caminhada, cada passo concluído com afinco e trabalho, ao mesmo tempo que carregava a desvantagem de ter começado tarde o estudo do piano. Mas havia nela algo mais, algo que só se revelou, mesmo aos olhos da sua professora, há cinco anos: o talento.

Que não se explica, que ilumina salas – e que muitas vezes tem agenda própria para se declarar.
Agora com 18 anos e a frequentar o curso de Bioquímica em Lisboa, Alena divide-se entre a capital e Faro, onde está a família, e entre as aulas e as três a seis horas diárias que quer dedicar ao piano. Pelo meio ainda há que arranjar tempo para preparar recitais e concursos. Não se queixa, sabe exactamente o que quer: uma licenciatura em música. «Tenciono mestrar-me, doutorar-me e ser pianista», afirma.

Há quase dez anos, quando começou a ter aulas de piano com Oxana Anikeeva – que já arrebatou, pelas mãos destras e delicadas dos seus pupilos, mais de meia centena de prémios internacionais –, a professora recorda que «ela não sabia nada, nada, nada!».

No ano em que começou a aprender, ganhou o 1.º prémio no V Concurso de Piano Florinda Santos, em São João da Madeira, em 2000. Mas nada que fizesse marca profunda na docente. «A música abre os horizontes das crianças», a transformação deu-se aos poucos e o talento deixou-se descobrir. Oxana Anikeeva, formada pelo conservatório de Lvov, na Ucrânia, explica, no seu português articulado com sotaque russo, e amaciado pelo entusiasmo com que fala de Alena: «Quando acabou o 5.º grau já brilhava. Vi esta força interior com que toca. Tenho um imenso respeito por ela»."

SOL-10-Abril-2009

PIANISTA ALENA KHMELINSKAIA

"Alena Khmelinskaia tem 17 anos e frequenta o 8º grau de piano na classe da Professora Oxana Anikeeva, no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, Faro.
Galardoada com vários prémios internacionais de piano, recebeu em 2008 o 2º prémio no VIII Concurso Internacional de Piano do Conservatório de Paris Alexandre Scriabine.
Em 2008 realizou diversos recitais a solo, pelo Algarve e em Lisboa, nomeadamente no Grémio Literário.
Em 2006 participou ainda no 7º. Festival de Piano Les Rencontres de Jeunes Pianistes, em Namur, Bélgica.
Em 2003 realizou o concerto op.44 para piano e orquestra de Berkovich, sob a direcção do Maestro Ferreira Lobo e com a Orquestra do Norte, em Braga. Em 2002 tocou no Centro Cultural de Belém, Lisboa, no âmbito do Dia da Europa. Ao longo dos anos tem participado em diversos concertos por Espanha e pelo Algarve.
Participou em master-classes com Álvaro Teixeira Lobo, professor na Universidade de Aveiro, e com Diane Andersen, presidente da EPTA Belgium."

Fundação Oriente/Museu

5 comentários:

  1. Quero avisar que a minha entrevista passa hoje na RTP1, às 18 horas, no programa PORTUGAL EM DIRECTO.

    Um grande abraço de amizade.

    Domenico

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  2. Pessoalmente acho um grande insulto aos verdadeiros alunos brilhantes de portugal criarem um artigo com um titulo como este. pode ate ser um grande aluna com um grande media, mas se fossem mais precisos nas pesquisas e mais humildes iriam ver que existem dezenas de pessoas mais qualificadas para o estatudo de melhor aluno portugues, e nunca se esqueçam que é pura ignorancia confundir inteligencia com notas ou classificaçoes escolares.

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  3. Boa tarde,

    conhecia a Alena quando representou o Algarve na final nacional das Olimpíadas do Ambiente em 2004 na categoria ensino básico. Era uma adolescente extraordinária, diferente das raparigas da sua idade, alguém com quem podíamos falar de conceitos abstractos como religião ou política, dotada de uma maturidade impressionante. Por isso, caro Anónimo, insultuoso é o seu comentário. Conhece alguma jovem com este currículo no nosso país?

    LFGR,Porto

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  4. Caro Anónimo
    Penso que não se inclui entre os candidatos a melhor aluno, pois nem a pontuação respeita e não sabe que a seguir a um ponto final se escreve uma maíuscula...!
    E, já agora, se só quer criticar, que tal dar a cara ou o nome?
    Não é brilhante nos ataques e esconde-se atrás do anonimato...

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  5. Vi na semana passada um pequeno programa dedicado pela RTP1 a Alena Khmelinskaia, o qual chamou a minha atenção para essa jovem de algum modo sobredotada. A minha filha de quatro anos, que anda a aprender piano, também viu a emissão e, perante as imagens da Alena a tocar ainda em criança, perguntou-me, arrebatada: "Papá, papá, quando é que vou tocar assim?". Expliquei-lhe que era preciso muito trabalho ao piano, todos os dias e durante muitos anos. Quando um ou dois dias depois soube que a pianista vinha agora aqui a Bruxelas, anunciei-lhe a boa nova e perguntei-lhe se queria que a fôssemos ver. Aceitou de imediato e com alegria. Ao anunciar-lhe hoje que tinha chegado o "grande dia", perguntou-me: "E ela vai dizer-me 'bonjour'?"!... Fomos então, a minha esposa, a nossa filha e eu próprio, assistir nesta tarde de Sábado (ou melhor, ontem de tarde, pois estou a escrever na madrugada de Domingo) ao recital de Alena Khmelinskaia aqui em Bruxelas. A jovem pianista não disse 'bonjour' à minha filha mas aceitou de bom grado que eu tirasse uma fotografia com a minha filha ao lado dela junto ao piano, antes do recital. Quanto ao recital em si, apreciámo-lo bastante, obviamente, nomeadamente a minha filha. Embora não seja um especialista, a sua interpretação do op. 59 (Rondo) de Kabalevski pareceu-me bem conseguida. E, talvez por eu ser luso, a do "Estudo" de J. Vieira Brandão comoveu-me particularmente, o mesmo acontecendo com a obra extra-programa, de cujo compositor não foi anunciado o nome. Quem seria? Talvez Vianna da Motta?...

    Quis ver depois - na realidade, há alguns minutos apenas - se já havia referências a Alena na Internet. Descobri que com efeito já existem e em número considerável. No entanto, apercebi-me de algo estranho: é que um dos principais prémios anunciados como tendo sido atribuídos à jovem pianista, a saber o 2° prémio do Concurso Internacional de Piano "Alexandre Scriabine" de 2008 do Conservatório Russo de Paris foi obtido na categoria de Nível Médio, existindo ainda dois níveis acima desse: o Superior I e o Superior II. Devo dizer que fiquei algo decepcionado, pois tanto do programa visto na televisão como do que foi distribuído antes do recital de hoje nada deixava antever que se tratava de uma pianista ainda em plena formação de nível intermédio, não superior. Eu acho que não se devem esconder tais bemóis. A pessoa tem talento, é inegável, espera-se que alcance os níveis superiores e até os ultrapasse, mas o que é facto é que ainda não os alcançou. E o referido 2° prémio não é propriamente um 2° prémio; é um 2° prémio, sim, mas de uma categoria que não é a mais elevada do referido concurso, antes sendo precisamente a terceira.

    Desejo a Alena Khmelinskaia que prossiga na sua senda e que vá tão longe quanto possível ou mais ainda, que se ultrapasse. Mas já agora, permita-se-me outra reflexão(certamente polémica, bem sei, mas porquê calar-me?, tanto mais que a resposta é sua, dela): se Alena Kmelinskaia está efectivamente apaixonada pelo piano, se é, como parece sê-lo, reconhecidamente talentosa, e se realmente ambiciona ir longe nessa via, porquê embrenhar-se nos meandros tortuosos da bioquímica? [Digo isto sem desprimor para esta última, obviamente; não é a bioquímica que está em causa, mas sim a tibieza face a uma certa exigência de opção clara e exclusiva em favor daquilo que realmente conta para a pessoa, a saber, neste caso, aparentemente, o piano.]

    Desejo obviamente o melhor para Alena Khmelinskaia, passe ele ou não pelo piano. Mais do que de uma reflexão eventualmente crítica, tratou-se aqui de uma mera divagação sobre um momento de magia para a minha filha e para mim próprio: a aparição inesperada, aqui, de uma simpática pianista antes vista na televisão.

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