sábado, 23 de maio de 2009

João Bénard da Costa foi conhecer Deus


João Bénard da Costa: 1935-2009

"Sabia tudo com paixão. Acreditava que a criação humana era "uma forma de nos defendermos contra a morte". Acreditava em dar "testemunho do que vai durar contra o que parece que está para durar". Acreditava em convencer "quem eu quero que goste tanto como eu gosto" e, "se possível, goste como eu gosto". Escreveu num português vintage de frase lançada. Quando ele escrevia, acreditávamos que sabia tudo.

(...) Comia bem, fumava três maços (...) por dia e nunca deixou de rezar. Durante muito tempo achou que ia morrer no ano 2000, aos 65 anos. Sabia que não havia céu com anjos de nuvem em nuvem ou caldeirões com diabos a picarem. "Mas acredito que esta vida não pode acabar aqui: nada faria sentido, para mim, se assim fosse."

Quando lhe perguntaram qual era a sua maior esperança para o futuro, respondeu: "Conhecer Deus." Assim seja."

Alexandra Lucas Coelho, IPSILON, 21.05.2009

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"Quando falamos de João Bénard da Costa, é inevitável lembrarmos o estudioso da história do cinema, o analista metódico do cinema português e também o homem da Cinemateca, sempre empenhado na defesa do património fílmico.
Mas, do tempo em que trabalhei com ele, precisamente na Cinemateca, nos anos 80, gostaria de lembrar, sobretudo, a vontade de descoberta. Ou seja: o João Bénard era alguém que nunca desistia de descobrir, de continuar a descobrir o cinema e as suas convulsões. Isso tem um nome muito especial: cinefilia - e é uma belíssima herança."

Texto lido na Antena 1
Foto de Miguel A. Lopes

1 comentário:

  1. João Bénard da Costa era um sábio no mundo do cinema. Tive o privilégio de falar com ele algumas vezes, para lhe pedir filmes emprestados que só uma vez não me negou, assistir na Cinemateca Nacional à estreia do filme "Cães em Coleira" que Rosa Coutinho Cabral realizou sobre o cinema ambulante inspirando-se na minha actividade, e,pasme-se(!) quando um jornalista nos preparou um encontro no auditório da FNAC-CASCAIS, para que eu, na qualidade de ambulante de cinema, entrevistasse este grande homem da 7ª arte. Durante 45 minutos e perante uma plateia interessada, nenhuma das minhas questões ficou sem resposta, mas, senti neste homem sábio um certo embaraço, quando lhe falei do filme "Branca de Neve" de João César Monteiro, que eu tinha tido a coragem e a paciência para ver (!?) até ao fim, numa sessão em que todos os restantes espectadores tinham a pouco e pouco abandonado a sala. Até na forma de defender um filme sem imagens, João Bénard da Costa se mostrou um grande senhor.
    Se ele foi à procura de Deus, e se o encontrou, pois que Deus o abençoe. Cá na terra, quem gosta de cinema, como eu, continuaremos a lembrá-lo,que o mesmo é dizer: Até sempre Senhor João Bénard da Costa.

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