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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Halloween na sala de aula


Tal como todas as modas que vêm dos EUA, estas comemorações do Halloween trazem consigo uma ótima oportunidade para os negócios de festas e eventos que nestas alturas florescem. Sobretudo entre os jovens. Queiramos ou não, eles aderem mesmo a estas modas, quer seja a noite das bruxas, o dia dos namorados ou os hamburgueres.

Hoje, logo de manhã, chegando à Escola, ouvi uma música altíssima, infernal e um burburinho de festa. Havia toda uma montagem cénica de teias de aranha, corujas e morcegos a pairar, e circulavam, compenetrados, diabos, duendes, dráculas e zombies de cabelos ruivos e lábios negros. 

Junto às paredes da Associação de Estudantes havia mesas com crepes e shots de "sangue", bolos de "relva"... e toda a sorte de iguarias de meter medo.

Devo ter passado com uma cara entre o espantado e o assustado e um aluno meu gritou lá de dentro:
- "Olá setora, bom dia! Não quer um cafezinho?"
Eu, que não, que só bebia água, mas agradecia muito... pois então! 
Sei lá que mistela de olhos de morcego, rabo de cobra, dentes de rato ou patas de coelho me dariam num copo, com cor de café??? 

Juro que não cheguei a descobrir quais os ingredientes usados naquela "culinária do terror", mas tudo tinha um aroma tão delicioso, que me confundiu, pois era inversamente proporcional ao aspeto repelente das iguarias.

Tudo estaria bem se não fosse eu iniciar a aula, tencionando distribuir os enunciados de um teste sumativo, e começar a ver entrar-me pela sala adentro uma trupe de zombies, autênticos mortos-vivos, que eu juraria terem saído diretamente do "Thriller" de Michael Jackson

Vestidos e maquilhados a rigor, sobretudo as raparigas, os alunos do 10º ano de Artes estavam literalmente de meter medo. Bocas cozidas, rasgões na pele a sangrar pela cara e pescoço abaixo, olhos afundados em olheiras tão profundas como caveiras, lábios e unhas pintados de preto, tudo ali apareceu, como num cenário de filme de terror.

Convenhamos que ter um teste marcado numa situação tão inusitada me confundiu, dado que tinha no mesmo espaço e tempo a realidade e a ficção! Em coexistência perfeitamente pacífica.

Vi aqueles 26 jovens, entre os 15 e os 17 anos assumirem o seu papel como gente grande, que faz uma pausa na sua performance para realizar a tarefa que lhes foi dada, como se fossem os próprios Cristopher Lee ou Vincent Price cumprindo um diabólico compromisso.

Senti ao mesmo tempo estranheza e uma contida diversão, mas confesso que preferiria ter na minha sala de aula o Gandalf, em vez daquelas criaturas das trevas... 
Mas, o que fazer? C'est l'air du temps, ça??? 


Talvez tenhamos de repensar a nossa forma de gerir as aulas, certamente abrindo as portas à criatividade. Se soubesse que eles se tinham preparado daquela forma, juro que tinha levado um chapéu em bico, uma capa preta e uma vassoura... 
Mesmo não gostando das modas americanas que nos invadem, lá teria ido brincar ao Halloween! 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pearl em jeito de Halloween


Os posts do Halloween do ano passado assinalavam uma considerável boa disposição, e também algum gosto pela pesquisa, coisa que este ano, por várias razões, não possuo. Voltei a lê-los; há um ano a vida parecia estar a correr-me bem. Não é o caso neste momento.
(Pronto, lá vai o Paulo Guinote dizer que este é um Blogue confessional, apesar de que tenho feito um grande esforço de descentramento do Eu nas últimas semanas, but... Sorry, há épocas difíceis na vida.)

Contudo, a moda do Halloween ou noite das bruxas, parece ter vindo para ficar e não há como inverter esta tendência. Por isso e porque tenho amigos do outro lado do mar, não quero deixar de assinalar esta data simbólica para a cultura anglo-americana.

Por gentileza de um dos colaboradores deste espaço, os leitores são premiados com mais uma imagem da Pearl, a musa deste Blogue, desta vez vestida de bruxinha. Eu acho que devem deixar-se enfeitiçar por ela e ter uma noite de Halloween memorável.
Luís Diferr desenhou-a especialmente para a Pérola de Cultura e para vosso prazer. Enjoy it!
Obrigada, Luís!

(Ilustração: desenho de Luís Diferr sobre fundo de imagem web)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-feira 13






Superstições e crenças associam desde há muito os gatos pretos à bruxaria. Porém, em algumas culturas, o gato preto era reverenciado, como no Antigo Egipto, como símbolo de boa sorte.

Na Pérsia antiga havia uma crença segundo a qual quando alguém maltratava um gato preto estava na verdade maltratando um espírito amigo, que lhe tinha sido enviado para companhia.

A superstição de que os gatos pretos trazem consigo o azar surgiu na Idade Média, em que a cor negra era associada à noite e à escuridão, pelo que eles passaram a ser considerados seres diabólicos, relacionados com as práticas de bruxaria.

Os gatos pretos foram injustamente acusados no Século XV pelo Papa Inocêncio VIII e foram queimados juntamente com as supostas bruxas, suas donas.

A perseguição a estes animais perdurou até ao Século XVI, quando houve um aumento inexplicável deles pelas ruas. Acreditou-se, logicamente, que isso havia resultado de um acto de feitiçaria.

Até aos nossos dias, há indivíduos que acham que todas as vezes que se avista um gato preto há uma bruxa por perto, podendo até desenvolver medos patológicos, que vão muito para além da simples crendice ou superstição.

Muitas vezes os gatos pretos estão presentes em histórias de terror, como por exemplo o conto clássico de Edgar Allan Poe “O Gato Preto”, uma história de terror escrita em 1843, onde há ingredientes de crime, perversidade e loucura.

Engraçado: o título do post que queria escrever era "Sexta-feira 13".
Reparo agora que me pus à procura de imagens de gatos pretos e não escrevi uma só linha sobre o 13 ou a sexta-feira... azar!

domingo, 1 de novembro de 2009

Entre bruxas e finados...




...espero que esta noite tenha um fim, entre o barulho ensurdecedor das crianças, umas mais novas que outras a cultivar a irreverência que toca as raias da má educação e falta de civilidade.

Encapuçadas convenientemente para a festa das bruxas, made in USA e, como tudo o que é ruim, rapidamente importada para os lusos costumes, podem os diabinhos esmurrar portas e janelas, gritar como condenados nas ruas e nos prédios, a horas impróprias, sem que os respectivos progenitores façam disso caso algum.

Porém, ao raiar da aurora será a manhã do dia de finados, em que vamos chamar os mortos do seu descanso para, aliviando as nossas culpas, nos apegarmos às tantas vezes fingidas saudades daqueles que já partiram.

Terrível fim-de-semana este, onde o desassossego das almas oscila entre o corrupio aos cemitérios e o consumismo da festa profana do Halloween!