domingo, 30 de setembro de 2012
Week-end movie: Brave
Foi esta a minha escola de fim de semana. Não me arrependo, mesmo tenho ficado literalmente escaldada com o preço exorbitante do bilhete, com uma taxa para a versão em 3D e mais o custo dos respetivos óculos. Ainda assim, vale a pena ver esta pequena maravilha tecnológica ao serviço da 7ª Arte. Recomendo a versão original para poderem escutar a autêntica pronúncia escocesa. A voz de Ema Thompson no papel da rainha, a maravilhosa criação digital dos milhões de fios de cabelos ruivos de Mérida e as aventuras em que se mete esta jovem princesa endiabrada, são realmente uma deliciosa combinação.
sábado, 29 de setembro de 2012
Aniversário de Caravaggio
Retrato de Caravaggio por Ottavio Leoni (1621)
Pinturas de Caravaggio
Michelangelo Merisi da Caravaggio (29 de setembro de 1571 – 18 de jullho de 1610) foi um artista italian que desenvolveu a sua atividade em Roma, Nápoles, Malta e Sicília entre 1593 e 1610. As suas pinturas combinam uma observação realista dos humanos, tanto física como emocional, com um uso muito especial da luz, de modo a obter efeitos verdadeiramente dramáticos. Caravaggio teve uma influência clara na pintura Barroca.
Mailinda
(c) Antero Valério
Eu que o diga, que recomecei a trabalhar há um mês e já parece que me passou um autocarro por cima!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Abu Simbel em Óbidos
"Abul-Simbel é um complexo arqueológico constituído por dois grandes templos escavados na rocha, situados no sul do Egipto, no banco ocidental do rio Nilo perto da fronteira com o Sudão, numa região denominada Núbia, a cerca de 300 quilómetros da cidade de Assuão. No entanto, este não é o seu local de construção original; devido à construção da barragem de Assuão, e do consequente aumento do caudal do rio Nilo, o complexo foi trasladado do seu local original durante a década de 1960, com a ajuda da UNESCO, a fim de ser salvo de ficar submerso.Os templos foram construídos por ordem do faraó Ramsés II em homenagem a si próprio e à sua esposa preferida Nefertari. O Grande templo de Abu Simbel é um dos mais bem conservados de todo o Egipto."
In Wikipedia
(Foto: Câmara Municipal de Óbidos)
Para quem, como eu, considera remota a hipótese de ver o templo original no Egito, dispõe agora de uma possibilidade mais à mão; trata-se de uma réplica deste monumento, em menor dimensão, instalada em Óbidos desde o dia 14 de setembro e até 31 de outubro. Esta obra é de autoria de Hany Mostafa e está instalada na cerca do Castelo, no Terreiro de Santiago. As entradas variam entre 1,5 e 5 euros.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
A beleza da simplicidade
Filme de promoção turística de Portugal, premiado internacionalmente.
De vez em quando ainda há uma ou outra boa notícia, por entre o cinzento das nuvens que teimam em tolher-nos a existência nos tempos que correm.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
sábado, 22 de setembro de 2012
José Gomes Ferreira e Fernando Lopes Graça em Belém
"Acordai", uma canção com poesia de José Gomes Ferreira e música de Fernando Lopes Graça, foi entoada por um coro de 300 pessoas em frente ao Palácio de Belém durante a vigília de ontem.
O povo não é estúpido e a cultura também saiu à rua como (mais uma) forma de protesto.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
Centenas de milhar nas ruas. E agora?
Fotos: (c) Pérola de Cultura, Lisboa, 15/09/2012
Leia também "A indignação tranquila" de Luís Diferr
sábado, 15 de setembro de 2012
É a hora!
Fernando Pessoa
(c) Jean-Claude Fournier
NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra
Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal hoje és nevoeiro...
Fernando Pessoa
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
No centenário de Jorge Amado
Passaram 100 anos sobre o nascimento daquele que o jornal O Globo considerou "o homem que melhor escreveu um país".
O Brasil de Jorge Amado acompanhou a minha juventude nas noites incontáveis em que, presa às suas páginas, me imaginava a viajar pelos seus areais, as roças de cacau, as praias e as praças das cidades baianas.
Depois vieram as adaptações televisivas de alguns dos seus melhores romances e a seguir o cinema. Obras como"Gabriela, cravo e canela", "Dona Flor e seus dois maridos", "Tieta do Agreste" ou "Capitães da areia" ganharam forma e corpo nas imagens do écran. E com elas um novo desafio à nossa imaginação e as habituais comparações entre a obra literária e as formas narrativas associadas ao cinema.
Agora, por altura do centenário de Jorge Amado, surge um remake de Gabriela, da TVGlobo, onde aparece, surpreendentemente bem no papel, Juliana Paes e mais um excelente elenco. Apetece rever Gabriela e recordar, sempre, Jorge Amado.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
11 anos sobre o 11 de setembro
World Trade Center, New York, 11/09/2001
Naquele dia aparentemente calmo de setembro tinha trabalhado em casa de manhã, por ser feriado no meu município. Parei para almoçar e liguei o televisor na SIC.
Paulo Camacho dava a notícia de um acidente no World Trade Center. Por causas até ao momento desconhecidas, uma aeronave tinha embatido numa das torres e causado um incêndio de enormes proporções. Estavam a dirigir-se algumas viaturas de bombeiros para lá e as primeiras imagens tinham sido captadas por um transeunte.
Pouco depois assisti incrédula e literalmente boquiaberta ao embate do segundo avião na outra torre.
Lembro-me de balbuciar "Porra, isto não pode ser um acidente. Acidente coisíssima nenhuma!!!"
Sozinha no silêncio da minha casa, assisti, sem conseguir almoçar, ao desenrolar de toda aquela tragédia em direto. Nunca tinha até esse momento visto nada assim. E também nunca tinha tinha visto um pivot de televisão a ficar branco e gago no meio de um telejornal.
A tragédia era de proporções incalculáveis e até hoje contam-se os mortos e desaparecidos, em várias versões, mas com a tónica comum do horror, da intolerância e do ódio. Muitos dos sobreviventes são hoje pessoas irremediavelmente doentes física e psicologicamente.
Nunca mais o 11 de setembro me soube a feriado, nunca mais o gozei como uma folga, pois ele sabe-me a luto e a fel. Gostaria de apagá-lo do calendário, mas a História não volta para trás.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
As origens do tango
Tango nuevo - (c) Pedro Alverez
No principio o Tango era dançado entre homens, como é o Sirtaki, dança tradicional grega.
Levou mais de 20 anos até que o TANGO fosse dançado com uma mulher (a partir de 1910).
Este vídeo é uma obra de arte. O estilo é uma pequena jóia ...
Reparem na mudança de mãos, que decide quem conduz quem...
(Enviado por Tita Fan)
domingo, 9 de setembro de 2012
sábado, 21 de julho de 2012
Intermission
O Blogue fica temporariamente encerrado para descanso do pessoal.
Até breve, meus amigos. A todos umas boas férias.
José Hermano Saraiva (1919-2012)
José Hermano Saraiva era um professor e comunicador nato. Figura algo controversa, tida por petulante, desde cedo se habituou a contestar as versões tradicionais da História e a desafiar a autoridade dos seus professores.
Ministro do Estado Novo a partir de 1968, conheceu e privou com Salazar e Caetano, tendo ousado dar conselhos e tomado decisões que vieram a revelar-se úteis na pasta da Educação. Por exemplo impediu uma vez que a Polícia com os cães investisse contra os estudantes e aumentou em 5 tostões a taxa sobre os maços de cigarros para com esses milhões de contos poder aumentar o salário dos professores primários, à altura extremamente mal pagos, segundo o próprio referia.
José Hermano Saraiva começou por licenciar-se em História e ser professor no Liceu Passos Manuel e mais tarde formou-se em Direito e exerceu advocacia, em cujo escritório os seus filhos continuam a atividade. Mas foi como historiador que ficou mais conhecido; eu diria que era essa a sua grande e mais expressiva vocação. Pelo entusiasmo com que falava, a História de Portugal, com ele, parecia reviver e voltávamos no tempo aos episódios mais picarescos e inusitados.
A facilidade de comunicação de Saraiva fez dele um dos mais importantes divulgadores da História em televisão, o que permitiu a muitas pessoas conhecerem fragmentos do passado português que, de outra forma, jamais conheceriam.
Com dificuldade em assumir-se de direita, considerou contudo Salazar "um santo" e Marcelo um tanto ingénuo. Repudiava igualmente a ideia das esquerdas por ser, dizia ele, um homem "contra a revolução".
Enfim, esta figura controversa, mas inquestionavelmente popular, fechou ontem os olhos, aos 92 anos, após centenas de programas de televisão e dezenas de livros editados.
Por tudo isso e por ser uma personalidade incontornável da Cultura portuguesa, a Pérola de Cultura presta-lhe aqui homenagem, desejando que descanse em paz.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Mortes por HIV diminuem
De vez em quando lá há uma notícia animadora. Segundo a ONU o número de mortes por SIDA diminuiu em 24% desde 2005.
"Os 2,2 milhões de vítimas mortais de 2005 passaram para 1,7 milhões com 2011. No que respeita aos tratamentos, as notícias são, igualmente, animadoras. No espaço de um ano, entre 2010 e 2011, o número de pessoas com acesso aos procedimentos de tratamento passou de 6,6 milhões para 8 milhões, o que corresponde a um aumento de 20%."Isto é o que diz o relatório da UNAIDS, o organismo das Nações Unidas dedicado à doença.
(Notícia daqui)
Resta saber quantos casos de pessoas infetadas com HIV existem ainda por reportar por esse mundo fora. É que sobre o desconhecido as estatísticas não podem funcionar... e entretanto essas pessoas vão contagiando os seus parceiros, os bebés, etc.
Parece podermos concluir que esta diminuição de mortes por SIDA se deve à possibilidade de que mais pessoas tenham acesso aos tratamentos, mas não parece existir uma diminuição dos comportamentos de risco. Pelo menos a julgar pelas informações das autoridades de saúde, que parecem identificar maior número de pessoas infetadas por ISTs, como sífilis, gonorreia e clamídia, que recrudescem nomeadamente em Portugal e na população juvenil.
Um Matisse recuperado
Trata-se do quadro "Odalisque aux pantalons rouges" de Henri Matisse, desaparecido há uma década.
Notícia aqui
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Tall Ships Race 2012 em Lisboa
Creoula
Chega hoje a Lisboa uma importante regata com os mais emblemáticos veleiros europeus, entre os quais se contam alguns portugueses, como o Sagres, o Creoula, o Santa Maria Manuela e a caravela Vera Cruz; outros dos mais importantes são o Juan Sebastian de Elcano, o Fryderyk Chopin e o novo veleiro alemão Alexander von Humboldt II.
Esta primeira etapa iniciou-se em St. Malo, na França; a seguir a Lisboa, os navios rumam a Cádiz e depois a La Coruña, em Espanha e finalmente a Dublin, na Irlanda, onde termina a regata.
Alexander von Humboldt II
Notícia para ler aqui.
"Demasiado grave" por Mário Carneiro
"Fazer política não pode ser sinónimo de desprezar ou sinónimo de maltratar ou sinónimo de ignorar as pessoas. Se assim não for, o exercício da política transforma-se num expoente de perversidade e de iniquidade.
(Pintura cujo autor não foi possível identificar)
Ler aqui o artigo completo.Fazer política sob o comando de uma folha de Excel é fácil, contudo, é profundamente estúpido e perigoso: salvam-se os números, mas destroem-se as pessoas.Desgraçadamente, para grande parte dos portugueses, é sob este paradigma político que vivemos."
(Pintura cujo autor não foi possível identificar)
quarta-feira, 18 de julho de 2012
O MEC meteu os pés pelas mãos
As recentes medidas do MEC são de um perfeito desgoverno. Não há maneira de pôr em ordem uma casa nestes moldes. Mesmo depois de todos os países onde as experiências de agrupar escolas e criar turmas grandes já terem recuado, o MEC persiste nestes erros. A consequência direta destas medidas é o despedimento de milhares de docentes, a que apareceram estranhas (mas expectáveis) comunicações de horário zero.
Eu gosto de chamar os bois pelos nomes, deve ter-me ficado esta mania dos tempos de sindicalista: a isto chama-se despedimento em massa. E não venha o Sr. Ministro dizer que não é, porque ninguém acredita.
No meu Grupo Disciplinar houve duas colegas a quem já foram dados os patins, ambas na casa dos quarenta anos e com 18 a 20 e tal anos de serviço, cada uma com dois filhos para acabar de criar. Uma talvez seja "repescada", a outra não.
Já se me acabou há muito tempo a paciência para tanta incompetência junta. Começou em 2006 com a arrogância prepotente de Maria de Lurdes Rodrigues, prosseguiu com o sorriso pateta de Isabel Alçada e continua (acreditem que tenho mesmo pena de escrever isto), com Nuno Crato. Estaremos presos de alguma maldição?
Deixo aqui um texto que vale a pena ser lido, sobretudo pelas pessoas não ligadas ao ensino.
Um Caso Inédito de Engenharia Profissional: Os Docentes
Paulo Guinote *
Há poucos dias terminou o prazo para que as direcções dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas indicassem os docentes que consideram não terem componente lectiva a partir de Setembro.
Esta indicação aconteceu num contexto diferente em relação a anos anteriores, tanto devido à reorganização da estrutura curricular como por causa de outras mudanças relacionadas com a gestão escolar. Em complemento, surgiu a indicação formal de responsabilização disciplinar por indicações incorrectas e a recomendação informal para que, na dúvida, indicassem todos os docentes em que tal possibilidade existisse. Que depois, a meio de Agosto poderiam retirar os docentes para os quais fosse possível encontrar componente lectiva, na sequência da evolução das matrículas. Isto significa que a quantidade de professores indicada para mobilidade interna foi, em muitas situações, bastante sobredimensionada.
O processo que está em decurso de empurrão de muitos milhares de docentes para uma dança de cadeiras sem cadeiras é do foro do obsceno e eu nem costumo colorir muito a adjectivação. E tanto maior é a obscenidade quanto se sabe ser uma dança inútil e desnecessária. Que apenas visa assustar as pessoas e prepará-las para eventuais medidas a implementar nos próximos meses relacionadas com a mobilidade especial ou a aposentação antecipada.
Os números relativos aos horários-zero são certamente muito acima das piores perspectivas, sendo também difíceis de calcular em relação aos contratados que deixarão de ter emprego em Setembro. São vários os agrupamentos e escolas em que 30, 40, 50 docentes receberam indicação para concorrer, sendo alguns grupos disciplinares particularmente dizimados. O que é ridículo a vários níveis. Desde logo porque – em especial porque os horários para contratados vão diminuir radicalmente – não é credível que existam tantos docentes sem horário na rede pública de ensino, mesmo com as medidas tomadas por este Governo. Por outro porque, se em quase todo o lado há (alegadamente) professores a mais, não existirão vagas para este tipo de mobilidade e os professores voltarão em Setembro para as escolas de origem, depois de um processo a roçar o kafkiano em plena pausa lectiva de Verão.
Percebe-se que está a ser feita uma experiência inédita e com contornos vergonhosos de engenharia profissional, sem respeito alguma pelas pessoas e famílias dos envolvidos, colocados numa situação de vulnerabilidade e fragilidade, em grande parte só para satisfazer o ego de alguns teóricos do Estado Gordo e do ir-além-da-troika.
Também em relação aos professores contratados há anos a insensibilidade é total, bem como a aparente falta de previsão dos efeitos secundários do lançamento de pelo menos uns 10-15.000 trabalhadores qualificados para o desemprego ou sub-emprego, atingindo quase tantos milhares de famílias e agravando uma situação de ruptura social, indecorosa quando comparada com a forma leve e descontraída como continuam a mover-se a maioria dos interesses instalados na órbita do Orçamento de Estado.
Infelizmente não existem entre nós mecanismos eficazes de responsabilização dos políticos por medidas erradas tomadas após repetidos avisos sobre as suas péssimas consequências. É mais certo ver um péssimo ministro acabar como comendador ou administrador de um grande grupo empresarial do que encontrá-lo num tribunal a responder pelos seus actos lesivos para o interesse nacional. Até porque as instituições formais para defesa da legalidade e dos interesses dos cidadãos são pasto para os jogos políticos, sendo os seus ocupantes de topo escolhidos por aqueles cujos excessos devem controlar.
Repito: o que se está a passar com a definição de horários-zero neste final de ano lectivo é algo vergonhoso e obsceno, um exercício espúrio, moral e eticamente inaceitável, de engenharia profissional em que um MEC sem capacidades de planeamento anda a brincar com a vida profissional, pessoal e familiar, daqueles que deveria saber mobilizar para uma melhoria da Educação, não para o objectivo mesquinho da Educação possível com o preço mais baixo.
* – Professor do Ensino Básico, ainda com horário.
terça-feira, 17 de julho de 2012
"O Infante Portugal" de José de Matos-Cruz no CNBDI
Ilustração: (c) Daniel Maia
Agora o 3º livro da trilogia de José de Matos-Cruz dedicada ao Infante Portugal, "O Infante Portugal e as sombras mutantes", será objeto de um lançamento oficial no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora no dia 19, pelas 19 horas. Trata-se de uma obra de ficção, profusamente ilustrada por cerca de três dezenas de artistas portugueses do mundo da Banda Desenhada.
Centro
Nacional de Banda Desenhada e Imagem
Av. do
Brasil, nº 52-A
2700-134
Amadora
T: 214369057 Fax: 214962353
O Dinheiro
O dinheiro é tão bonito,Tão bonito, o maganão!Tem tanta graça, o maldito,Tem tanto chiste, o ladrão!O falar, fala de um modo...Todo ele, aquele todo...E elas acham-no tão guapo!Velhinha ou moça que veja,Por mais esquiva que seja,Tlim!Papo.E a cegueira da justiçaComo ele a tira num ai!Sem lhe tocar com a pinça;E só dizer-lhe: «Aí vai...»Operação melindrosa,Que não é lá qualquer coisa;Catarata, tome conta!Pois não faz mais do que isto,Diz-me um juiz que o tem visto:Tlim!Pronta.Nessas espécies de examesQue a gente faz em rapaz,São milagres aos enxamesO que aquele demo faz!Sem saber nem patavinaDe gramática latina,Quer-se um rapaz dali fora?Vai ele com tais falinhas,Tais gaifonas, tais coisinhas...Tlim!Ora...Aquela fisionomiaÉ lábia que o demo tem!Mas numa secretariaAí é que é vê-lo bem!Quando ele de grande gala,Entra o ministro na sala,Aproveita a ocasião:«Conhece este amigo antigo?»— Oh, meu tão antigo amigo!(Tlim!)Pois não!
João de Deus, Campo de Flores'
(Enviado por Gabi e Carmela)
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