domingo, 14 de março de 2010

Em memória de Luis Carmo*


"A culpa não tem desculpa
E a morte não tem regresso.
O resto é o deserto sufocado
Na jaula do silêncio
Onde o medo se mede
Ao milímetro minuto
Enquanto a tela se tece
Com negro de bréu.
Uma clave de sol com dó de si
Numa arena de tigres
Retocando nos retalhos da chacota
O seu nocturno de Chopin.
Faça-se silêncio por favor
Que o pavor ainda ressoa
À tona das águas."


Maria Isabel Fidalgo

* Professor que se suicidou na Ponte 25 de Abril, vítima de violência escolar.

Foto de Pérola de Cultura, Lisboa

3 comentários:

  1. Lindo poema. Em memória de mais uma vítima

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  2. Que tristeza...as nossas orações...
    Um abraço,
    Suziley.

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  3. A minha homenagem ao Luís, colega também do mesmo grupo disciplinar.
    Que a vida do Luís possa ser para nós exemplo e nos ajude a pensar um pouco mais e a fazermos o que tem que ser feito. É cruel que se use a "fragilidade psicológica" do Luís para justificar a sua decisão. Seria o Luís realmente frágil ou estaria cansado de lutar por aquilo em que acreditava sem que isso implicasse resultados?

    "O Luís era uma daquelas pessoas já raras, porque digna, guiado por princípios e valores, exigente consigo próprio"

    Não há legitimidade para que pessoas como o Luís, dignas, guiadas por princípios e valores, exigentes consigo próprias se sintam cansadas, gastas e exaustas?!... Por que oferecemos tanta resistência a olharmos para nós próprios e fazermos auto-crítica e aceitarmos as críticas construtivas, se isso nos pode fazer mais felizes a nós e aos que nos rodeiam e é um excelente contributo para que a nossa sociedade possa ser melhor, mais justa e mais fraterna?

    Pode ser duro termos que nos olharmos "ao espelho" em certas alturas mas vale a pena!

    Obrigada ao Paulo Ambrósio por este belo texto!

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