domingo, 10 de outubro de 2010

Os Macondes de Moçambique

 Os portugueses chegaram ao Planalto Maconde em 1917 e depararam-se com um povo com uma unidade cultural. No entanto, este povo não possuía um chefe que ocupasse uma posição central ou que fosse detentor do poder político e que mantivesse os numerosos grupos locais ou povoações – makaya - sob a sua autoridade.

Cada povoação era uma pequena unidade social e política independente. Obedecendo a um chefe local que era o chefe da família extensa, sendo a autoridade do chefe nula. A atomização do poder central é a expressão de uma forma de vida de longa tradição e não a consequência de qualquer acontecimento histórico recente.

Os Macondes viviam completamente fechados e segregados, ninguém se aventurava a penetrar no seu território. Mas, somente, em caso de guerra é que todos se unem combatendo o inimigo comum. As numerosas povoações independentes fecham-se ao convívio com os vizinhos, hostilizando as outras populações, criando um estado de alarme constante e fazendo da guerra uma ocupação e uma preocupação. As aldeias são fortificadas na periferia com cercas de árvores e arbustos espinhosos com a espessura de 20 a 24 metros.


O povo Maconde é uma comunidade política constituída por pequenos núcleos populacionais, independentes entre si, cada um dos quais dirigido por um chefe. O chefe da população – mwene – não tem autoridade política absoluta, a autoridade advém-lhe do facto de ser o chefe de uma família extensa. Quando há uma disputa dentro da povoação, todos recorrem a ele, para que dê uma solução. Apesar destas atribuições judiciais não se pode dizer que ele actue como juiz. Nas suas decisões é sempre ajudado pelo Conselho de Anciões, formado pelos representantes das famílias conjugais.

Becas

4 comentários:

  1. Adorei este post pois conheci os macondes.

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  2. Por que você parou de escrever sobre os povos da África, por favor continue, esta África desconhecida tem de ser vista por muitos ainda, quanto mais agora, que o Estado moçambicano tenta voltar a utilizar as autoridades tradicionais como intermediárias entre ele, Estado e a população.
    Esmeralda

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