segunda-feira, 6 de junho de 2011

O day after

Foto: Pérola de Cultura, 5 de Junho de 2011

Os conturbados dias de governação de José Sócrates terminaram. O próprio líder do PS aceitou esta derrota. Ela era algo que, ao longo dos últimos meses, foi aparecendo cada vez com mais clareza e evidência na minha cabeça como uma inevitabilidade.

Se me perguntarem se estou aliviada, estou. Mas se me perguntarem se estou feliz, nem por sombras posso estar feliz com a subida da direita no meu país e em todos os países europeus.

Porém, nos aspectos que me tocam, sobretudo a nível profissional, penso que nenhum ME fez tão mal à classe docente como os destes dois últimos governos. Nem David Justino ou Manuela Ferreira Leite conseguiram desferir golpes tão duros e penosos à classe docente e à escola pública. Ever! Nem sequer Roberto Carneiro, do CDS chegou nunca, nem de perto, à prepotência, autoritarismo e arrogância de Maria de Lurdes Rodrigues e os seus secretários de estado. Nenhum ministro da Educação foi tão incompetente como Isabel Alçada. Claro está, em ambos os casos, com o beneplácido deste líder carismático chamado José Sócrates.

O day after preocupa-me. É evidente. E muito. Mas esta liderança doente tinha mesmo de cair. Para isso uma grande parte dos professores se mobilizou. Se se mobilizou para o sítio certo ou não, isso não sei, já será outra discussão. Mas como primeira etapa, imprescindível para a sobrevivência dos professores, a derrota de Sócrates foi-se construindo na mente de muitos como uma necessidade inquestionável. Por isso esta noite houve tantos professores felizes, a comemorar.

O que virá a seguir, só a partir de amanhã se pensará. E, se for preciso, a luta continuará pela recuperação da nossa dignidade e do nosso estatuto de trabalhadores da educação de plenos direitos, a quem os mesmos têm vindo sem pudor a ser roubados.

2 comentários:

  1. Lelé, não te prendas a esterótipos de direita e de esquerda porque isto está tudo baralhado. Acho que o ps governou mais à direita do que governaria o cds, não te parece? Então onde fica direita e esquerda?
    Anabela Magalhães

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  2. Sem dúvida, as políticas deste PS foram, desde o início, mais à direita do que alguns partidos de direita que por lá passaram. Daí falar em Manuela Ferreira Leite ou Roberto Carneiro, que foram ministros da educação, mais democratas do que Maria de Lurdes Rodrigues, que, de socialista nada tinha, para nosso mal.
    O PS governou à direita, sem medidas socialistas. O que não invalida que não olhemos para a Europa e não se reconheça uma crescente viragem à direita, que pode vir a ser perigosa...

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