"O Rio de Janeiro continua lindo, e agora a sua capital consta na lista dos Patrimónios Culturais da Humanidade. A classificação da paisagem cultural urbana da "Cidade Maravilhosa" - incluindo a Baía de Guanabara, a floresta, as praias, o "calçadão", as montanhas e o Cristo Redentor - foi anunciada ontem pela UNESCO.É a primeira vez que uma cidade inteira é eleita Património da UNESCO. O conceito "paisagem cultural urbana" foi criado em 1992.A candidatura da cidade do Rio de Janeiro, apresentada em 2009, foi aprovada durante a 37ª Reunião do Comité do Património Mundial da Unesco, realizado em São Petrsburgo, na Rússia."
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terça-feira, 3 de julho de 2012
O Rio de Janeiro continua lindo
Tumbuktu em risco de destruição
Não é caso inédito; a destruição de relíquias arquitetónicas que são património mundial já ocorreu em várias partes do mundo, como por exemplo no Afeganistão. Os Budas gigantes, esculpidos em nichos escavados na rocha, foram objeto de cargas explosivas por parte dos talibans. Estes fanáticos consideraram que os Budas de Bamyan eram símbolos pagãos, logo, atentados contra o Islão, a destruir pela base. Lá ficaram portanto feitos em destroços.
Agora, a cidade de Tombuktu, património da Humanidade, está em risco de ser destruída, pelas fações islâmicas extremistas. O grupo que destruiu já seis dos dezasseis mausoléus classificados pela UNESCO, tem ligações à Al-Qaeda e prometeu destruir todos os símbolos, incluindo cemitérios, mesquitas e outros monumentos. Quem consegue pôr cobro a esta barbárie?
“Eles [combatentes islamistas] arrombaram a porta de entrada de uma das mesquitas classificadas (a de Sidi Yahia) e prometem destruir todos os lugares considerados sagrados, incluindo os cemitérios e os locais com símbolos artísticos”, contou Lassana Cissé, explicando que os islamistas “querem destruir todo o património significativo ligado a um Santo ou uma tradição ancestral (crença em fenómenos sobrenaturais e lendas)”. “A única razão é o extremismo religioso, o fanatismo e o obscurantismo cultural.”
(...) Situada às portas do deserto do Sara, Tombuctu fica a mil quilómetros da capital, e tem 30 mil habitantes. É património da humanidade desde 1988 e deve a sua fundação aos tuaregues. Graças à prosperidade que atingiu, sobretudo nos séculos XV e XVI devido ao comércio das grandes caravanas, transformou-se no centro cultural e espiritual de África, pólo a partir do qual o islão se alargou a grande parte do continente."
Notícia aqui.
Lendas de Wenceslau de Moraes por José Ruy (3)
Lenda Amaterasu*
Ilustrações: (c) José Ruy, todos os direitos reservados.
* Wenceslau de Moraes, Serões no Japão
1ª versão 1949, in revista "Flama" suplemento "O Papagaio"
In «Selecções BD» segunda série, Edições Meribérica, 2000
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Lendas de Wenceslau de Moraes por José Ruy (2)
Lenda Hurashima o Pescador *
Ilustrações: (c) José Ruy, todos os direitos reservados.
In Cadernos de Banda Desenhada, Edição de Catherine Labey, 1987
* Wenceslau de Moraes, Serões no Japão
Lendas de Wenceslau de Moraes ilustradas por José Ruy
Ilustração de capa (c) Catherine Labey
Por ocasião do aniversário de Wenceslau de Moraes, tenho o privilégio de publicar algumas lendas deste autor ilustradas pelo mestre desenhador José Ruy. Primeiramente publicadas na revista "Flama" de 1950, foram depois republicadas nos Cadernos de Banda Desenhada, uma Edição de Catherine Labey, em 1987.
Lenda Yamabushi e a Serpente *
(c) José Ruy, todos os direitos reservados.
In Cadernos de Banda Desenhada, Edição de Catherine Labey, 1987
* Wenceslau de Moraes, Serões no Japão
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Dia de S. Pedro
Desejo um feliz dia de S. Pedro a todos os que por aqui passarem.
As sardinhas assadas são o meu prato preferido nesta época. Tive um belo almoço, digno de Pedro, O Pescador, em companhia de bons e queridos colegas.
Crepes, a magia da culinária
Considero os crepes, uma invenção de origem francesa, uma das ideias mais geniais para fazer render a comida e também um prodígio de versatilidade. Quando tenho alguma paciência e inspiração, gosto do exercício de tecer aquela finura, qual tecido, que depois enrolo com carinho, dobro em quatro ou franzo, tentando fazer habilidades culinárias.
Hoje tive a ideia de fazer crepes e aproveitá-los para "desenrascar" um jantar e um lanche.
Para a massa usei apenas 150 gr de farinha, 1 ovo, 1 chávena de leite, 1 colher de sopa de azeite e 1 pitada (mínima) de sal de cozinha. Deu para fazer 10 crepes finos, numa frigideira pequena. É necessário que o fundo seja mesmo anti-aderente.
O resto vem de acordo com a inspiração do momento e os ingredientes que na altura existirem em casa. Deixo aqui as "fases" do procedimento, que não pode ser mais simples; até uma criança faz.
Uma parte dos crepes foi recheada com queijo creme com ervas e 200 gr de salmão fumado em fatias finas, que temperei previamente com sumo de limão e endro.
Deu para enrolar 7 crepes, o que rende uma boa refeição para três pessoas.
Cobri com molho bechamel e levei ao forno a gratinar um pouco (10 minutos).
É importante não juntar sal ao molho porque o salmão fumado e o queijo creme já têm sal mais do que suficiente. Senão corre-se o risco de que o prato resulte salgado, o que não faz nada bem à saúde. Para acompanhar preparei entretanto uma salada de alface, pepino e tomate, com coentros.
O sumo de laranja ou a limonada combinam muito bem com este prato. Mas quem preferir, pode acompanhar com vinho branco ou rosé, cerveja ou até sangria.
Aos crepes que sobraram juntei morangos cortados em quartos e gelado caseiro de banana, maçã e kiwi sem açúcar (foto do topo).
Fotos (c) Pérola de Cultura
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Culinária fresca para os dias quentes de Verão
Às vezes tenho poucas condições físicas ou apetência para me pôr ao fogão a fazer refeições muito elaboradas. Nessas ocasiões, a solução é optar pela confeção de pratos simples e rápidos. Este ano, por vários condicionalismos, comi mais em casa do que fora dela. Percebi como isso se traduz em poupança de dinheiro, o que neste momento, faz mais falta do que nunca.
Agora, que chegaram os dias quentes, as saladas, as sopas frias e as frutas (na foto de cima são cerejas do Fundão) são sempre boas opções a considerar. A carne continua a fazer visitas cada vez mais esporádicas cá a casa.
Hoje partilho convosco uma salada, duas sopas e duas sobremesas, que também podem servir de lanche. Com estas opções também se poupa tempo e ganha-se em termos de saúde.
Salada de abacate, camarão, tomate-cereja e duas alfaces.
Temperada com um fio de azeite e umas gotas de limão.
Broscht: sopa fria de beterraba e vegetais com iogurte.
Ameixas pretas.
Gaspacho, cebolinho e torrada em pão de sementes.
Maçãs reinetas cozidas em vapor com pau de canela.
Framboesas com iogurte grego de limão e tangerina.
Fotos (c) Pérola de Cultura
terça-feira, 26 de junho de 2012
"Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar"
Ilustração e projecto de capa (c) Luís Diferr
Decorreu hoje no Museu da Música em Lisboa o lançamento do livro "Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar" da autoria da Dra. Isabel Ribeiro Monteiro, uma conceituada poetisa, cronista e blogger.
Esta querida amiga e colega é professora de Língua e Literatura Portuguesas na Universidade de Lisboa para a 3ª idade e esta é a sua sétima obra literária publicada.
Este livro contou com uma ilustração inédita de autoria de Luís Diferr*, concebida especialmente para se harmonizar com a temática dos afectos, que este conjunto de poemas retrata.
É sempre com enorme prazer e honra que partilho os momentos em que os livros da Isabel Ribeiro Monteiro vêem a luz do dia; e hoje foi mais um belíssimo momento em que os mais chegados puderam ouvir alguns dos seus poemas recitados e peças de música a envolver este lançamento.
Obrigada Isabel por continuares a oferecer-nos tanta beleza e sentimento. Esperamos que o faças muitas mais vezes e durante muitos anos. Cá estaremos para te apoiar e ajudar a difundir o teu talento e a força telúrica da tua poesia, tão humanamente sensível e tão profundamente feminina.
"A poesia é para ler, dizer, cantar", dizia hoje uma das representantes das Edições Esgotadas.
Eu acrescentaria: a poesia é para mastigar, digerir, sentir, embriagar-nos e encantar-nos. Até às entranhas, como a Isabel sabe tão bem fazer!
* Ver aqui a homenagem do ilustrador à autora do livro.
Foto (c) Pérola de Cultura
Luís Diferr com Isabel Ribeiro Monteiro no lançamento do livro "Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar" publicado por "Edições Esgotadas", Museu da Música, em Lisboa. (26 de Junho de 2012)
sábado, 23 de junho de 2012
Wenceslau de Moraes - tributos do Japão
Wenceslau
de Moraes, apesar de ter adotado os costumes japoneses, ao contrário do que
muitos afirmaram nunca deixou de se considerar português. Conhecedor da
literatura e da alma do povo japonês, sabia ser impossível essa transformação.
Por
outro lado, os japoneses, que acolhem com agrado a ideia de alguém não japonês
amar o seu país e gostam de quem admira a sua cultura, desconsideram quem não
respeita a sua própria identidade e as suas origens, pelo que nunca poderiam
considerar Wenceslau de Morais um dos seus.
“Kaymiô”,
o nome budista atribuído após a sua morte, que se encontra gravado no seu
túmulo em Tokushima, significa:" o homem que abriu a janela do Japão para
o exterior através dos livros".
As
traduções japonesas, das suas obras, têm tido uma grande aceitação. A sua
capacidade de abertura humana, a sua intimidade com o povo nipónico, seus
símbolos, lendas e mitos, amando os seus costumes e venerando os seus deuses,
revelando ao mundo um Japão real, é muito apreciado, nomeadamente, pelos
críticos literários japoneses.
Os Japoneses estão-lhe gratos. Ergueram-lhe
um monumento na principal praça de Kobe, outro em Tokushima, na principal
avenida, que tem uma inscrição:
"Aquele que trocou a sua alma pela
japonesa". Em Tokushima há também o Museu
Wenceslau de Moraes, onde estão reunidos todos os seus livros, objetos de arte
e muitas das suas recordações íntimas, uma Sociedade de Amigos e outros
memoriais.
É o único português a quem se rezam
sutras e que recebe no aniversário da sua morte um serviço budista.
Na festa dos mortos “Bon-Odori”, que
ele tão bem descreveu no livro com o mesmo nome, considerado, a par de “Dai
Nippon”, das suas melhores obras, raparigas e rapazes vão cantar e dançar
alegremente em roda do seu monumento em Tokushima.
Não pode haver consagração mais
viva.
Nos livros elementares das escolas
do Japão figuram o retrato e duas páginas sobre Wenceslau de Moraes.
Os seus grandes amores, infelizmente
bastante dramáticos, foram japoneses; por isso não surpreende que ele escreva
como nenhum outro estrangeiro sobre o fascínio da mulher japonesa:
Mas também o Japão deu muito a
Wenceslau, tanto, que ele não se cansou de o enaltecer nas suas obras. Beleza,
gentileza, calma, serenidade…
Tokushima está geminada com Leiria desde 5 de Setembro de 1969.
FONTES:
Filme
de Paulo Rocha “A Ilha de Moraes”
Dicionário
Cronológico de Autores Portugueses Vol. II
Dicionário
Ilustrado da História de Portugal Vol. II
Livros
de Wenceslau de Moraes – biblioteca pessoal
Pesquisa, organização e texto:
Tita Fan
Tita Fan
O jogo Alemanha - Grécia em versão Monty Python
Genial o humor dos Monty Python! Reparem bem nos nomes dos jogadores e nos termos do jogo.
Milan Kundera premiado
Kundera, Premio Bibliothèque Nationale de France 2012
O autor do inesquecível romance "A insustentável leveza do ser" recebeu a 11 de junho um prémio da instituição francesa.
Ler aqui.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Isto é muito grave!
(imagem do jornal Sol)
O mais grave de tudo é que não se trata de uma medida pontual, mas algo para durar anos, quem sabe, para sempre. Mas ninguém do governo parece muito preocupado com o empobrecimento real das pessoas. A bem dizer, ninguém está preocupado com as pessoas. Só com os números.
Isto é um roubo legal. É o roubo institucionalizado. O Estado rouba àqueles a quem pode roubar e que não lhe podem roubar a ele; os funcionários públicos são aqueles que justamente não fogem ao fisco, têm sempre os seus impostos em dia, retidos a tempo e horas, quase sempre a mais.
Os funcionários públicos não têm participações nos lucros, não entram nas empresas por cunhas, sujeitaram-se a concursos, em muitos casos têm décadas de tempo de serviço prestado ao Estado, que agora se torna um rigoroso e castigador padrasto.
Foi apresentada uma queixa sobre estes cortes ao Provedor de Justiça, que entretanto já revelou que a análise pode demorar muito tempo...
Sorry, mas hoje estou mesmo muito amarga!
Mulheres gladiadoras?
Há um artigo muito interessante para ler aqui.
Roubo sem precedentes
Pela primeira vez na minha vida profissional, que já soma 30 anos, vejo-me na situação inusitada de não receber o subsídio de férias, sem o qual as mesmas dificilmente se realizarão.
Sempre tive direito a ele e nada fiz para perdê-lo. Não esbanjei, não me endividei, não gastei mais do que podia e, no entanto, dizem que devo, assim como todos os cidadãos, não sei quanto...
A função pública vê-se, deste modo, espoliada de um direito conquistado há muitos anos; e em muitos casos esta falta é mesmo vital para as famílias, tal como o subsídio de Natal. E não me refiro só às férias, a que todo o trabalhador deve ter direito, mas a despesas a cujo rendimento mensal (normal) não consegue fazer face, como por exemplo seguros, gastos de saúde e outros.
Mais valia dizerem logo de uma vez "a bolsa ou a vida".
Por pouco esta situação não leva a bolsa e a vida. Até ver.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Solstício de Verão
Dia 21 de junho, às 00:09, entramos no Verão.
Será Verão até às 15:49 do dia 22 de setembro.
Nublado e ventoso, além de pobre e roubado.
Wenceslau de Moraes e o Japão
"……país atraente entre todos, pela sua paisagem ameníssima, pelo puro azul do céu privilegiado, pelo seu povo interessante, pela tradição lendária..."…”Já vos falaram do asseio japonês? Um cúmulo!....as notinhas nipónicas tão gentis de impressão, com anos de uso…conservam sempre a mesma frescura primitiva… sem uma mancha,,,,,com vago perfume a não sei quê…
A sua grande admiração pela mulher asiática, em particular pela japonesa, livre mas submissa e gentil, de quem exaltava sempre as mãos pequeninas e delicadas, leva-o a casar-se em 1900, segundo os ritos shintoístas, com O-Yoné Fukumoto.
Na sua obra, de escrita sobretudo impressionista, documenta as paisagens, a história, a tradição e a alma Japonesas. Durante trinta anos Wenceslau de Moraes tornou-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o Oriente.
Amargurado com a morte, por doença cardíaca, de Ó-Yoné em 1913, e também desiludido e desgostoso com a política em Portugal, Wenceslau de Moraes rompe todas as ligações que mantinha com o Estado português (era na altura Cônsul de Portugal em Kobe e Osaka e ainda oficial da Marinha Portuguesa, graduado em Tenente-coronel/Capitão de fragata), e muda-se para Tokushima, terra de Ó-Yoné.
"...este bom povo de Tokushima, arisco, conservativo, detestando cordialmente o europeu...".
Contudo, uma Bonza a quem ele legou por morte 500 iénes, bastante dinheiro na época, rezava uma vez por mês, em sua casa, no altar de Yoné e Ko-Haru.
Morreu a 1 de julho de 1929 e foi, conforme o seu desejo, cremado e enterrado segundo os ritos budistas, e as suas cinzas colocadas junto das de Ko-Haru.
Filme de Paulo Rocha “ A Ilha de Moraes”
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses – Vol. II
Dicionário Ilustrado da História de Portugal – Vol. II
Livros de Wenceslau de Moraes- biblioteca pessoal
Texto de Tita Fan
Fotos digitalizadas por José Ruy
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