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| (c) Sebastião Salgado |
Cores e brilhos de várias tonalidades para dar alegria à casa e compensar alguma da falta de luz que nos rodeia.
Obrigada por visitarem estas páginas.
Sejam felizes em 2014.
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| (c) Sebastião Salgado |
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| Nelson Mandela (1918-2013) Pintura de Olinda Gil |
Este senhor, que dá pelo nome de Miguel de Vasconcelos e a quem de nada valeu esconder-se num armário, acabou de ser defenestrado. Foi assim que se fez a Restauração e se proclamou a independência. Dantes era feriado, agora já não é - a independência anda pelas ruas da amargura e a restauração tem o IVA a 23%, salvo erro e, salvo erro, com tendência para subir; os vasconcelos é que não tendem a descer e as conjuras perdem-se inter-conjurados, com golpes palacianos em que se arrecadam as pratas, em vez de as atirarem pela janela.
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| Hannah Arendt (1906-1975) |
Malala Yousafzai deixa-me sempre boquiaberta. Hoje não foi exceção. Ao receber o Prémio Sakarov das mãos de Martin Schulz, proferiu mais um dos seus discursos diretos, curtos e acutilantes, bem dirigidos a quem de direito.
É comovente a coragem e a determinação desta jovem paquistanesa de 16 anos, que, após ter sido baleada pelos talibans, ainda lhes fala direta e abertamente, dispensado ódios ou desejos de vingança. Continuará a sua luta pelo direito à educação de todas as crianças, causa que há muito abraçou e que por pouco não lhe custou a vida.
Reparem nas suas palavras: "Pensem nos 57 milhões de crianças (...) que não querem um IPad, uma XBox, uma Playstation ou chocolates; apenas um livro e uma caneta".Ver notícia aqui
"As pessoas não devem ser criticadas pelos nomes ou pelo aspecto físico mas os meninos exageram, e eu não sei se os nomes que usam são verdadeiros: existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé? É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal."
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| 1 de Agosto de 2013 - Reabertura do Cinema Girassol, Vila Nova de Milfontes |
Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah, com que felicidade, infecundo cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
(Enviado por Becas)
"Cada instante de liberdade é preciso construí-lo e defendê-lo como um reduto. Representa um estado de esforço alegre e doloroso; alegre, porque dá ao homem a consciência do seu valor; e doloroso porque lhe exige trabalho nos dias de paz e a vida nas horas de guerra.
A escravidão é feita de descanso e de tristeza."
Teixeira de Pascoaes
Por que foi que cegámos,
Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão,
Queres que te diga o que penso,
Diz,
Penso que não cegámos, penso que estamos cegos,
Cegos que vêem,
Cegos que, vendo, não vêem."
José Saramago, "Ensaio sobre a Cegueira"
Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros...
Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este!More Sharing Services
Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública.Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…Ando há 12 anos na escola, na escola pública.Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!Talvez resida ai a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro!Onde mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem?Onde morava essa preocupação quando cortaram os horários lectivos para metade e mantiveram os programas?Onde morava essa preocupação quando criaram os mega-agrupamentos?Onde morava essa preocupação quando cortaram a acção social ou o passe escolar?Onde mora essa preocupação quando parte dos alunos que vão a exame não podem sequer pensar em usá-lo para prosseguir estudos pois não têm posses para isso?Não somos reféns nessa altura?E a preocupação com o futuro dos meus professores? Onde morava essa preocupação quando milhares de professores foram conduzidos ao desemprego e o número de alunos por turma foi aumentado?Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este!Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro!De facto, Crato tem razão quando diz que somos reféns, engana-se é na escolha do sequestrador!E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados... Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a "porra" de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas! Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco.Este texto foi publicado originalmente na página de Facebook de Inês Gonçalves
O QUE ESTÁ EM CAUSA NA GREVE DOS PROFESSORES
"O que está em causa para o governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.
Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa."
José Pacheco Pereira
ULISSES“O mito é um nada que é tudoO mesmo sol que abre os céusÉ um mito brilhante e mudo –O corpo morto de Deus,Vivo e desnudo.Este, que aqui aportou,Foi por não ser existindo.Sem existir nos bastou.Por não ter vindo foi vindoE nos criou.Assim a lenda se escorreA entrar na realidade,E a fecundá-la decorre.Em baixo, a vida, metadeDe nada, morre.”Fernando Pessoa, A Mensagem, 1934