domingo, 7 de junho de 2009

Europeias, a análise que se impõe


Primeira realidade a assinalar: a elevadíssima abstenção deve-se à decepção e à hesitação de muitos simpatizantes e militantes do Partido Socialista, confrontados com o estrondoso falhanço da sua política governativa nos últimos quatro anos.

Embora seja uma tendência europeia crescente, a abstenção nunca tinha atingido níveis tão preocupantes. Nem o fim-de-semana era de praia e nem de sol e ainda assim a grande maioria dos cidadãos recusou-se a participar nestas eleições.

Segunda realidade digna de realce: a tremenda lição que os eleitores que se manifestaram deram ao Partido Socialista. Para isso terão, em boa medida, contribuído as lutas de sectores profissionais específicos como os professores, que foram particularmente castigados ao longo desta governação.

O desemprego e a derrapagem económica, juntamente com a postura arrogante e prepotente deste governo, em nada dialogante e em nada negocial, fizeram o resto. Por fim, as graves suspeitas que têm vindo a recair sobre o primeiro-ministro José Sócrates não são de excluir como uma das causas que terão ajudado a esta queda.

Em terceiro lugar: a subida da esquerda, com resultados equiparados do Bloco de Esquerda e da CDU, que juntos, somam mais de 20% dos votos, o que se traduz numa realidade de resistência muito significativa e consistente.

Em quarto lugar: a vitória do PSD e a relativa recuperação da imagem algo decepcionante e frágil da sua líder Manuela Ferreira Leite, que agora, mercê da competência e seriedade demonstrada por Paulo Rangel, podem vir a fazer dela uma espécie de "Fénix renascida das cinzas", com hipóteses crescentes nas próximas legislativas.

O Partido Socialista que se cuide, pois isto hoje foi só o começo!

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