domingo, 28 de junho de 2009

STAR TREK








Passado, presente e futuro não são como eram

"O filme “STAR TREK”, ainda em exibição, longe de desiludir quem, como eu, assistiu na Televisão aos episódios da série original homónima, traz uma curiosa lufada de ar fresco àquela mítica série.

Mas, 40 anos depois, quem se lembra de “Star Trek”? Muita gente, a começar pela legião de fervorosos “fans” usualmente conhecidos como “Trekkies”, e que certamente reconhecerão neste filme um legítimo herdeiro da sua série de culto.

A série original, criada por Gene Roddenberry – já falecido e a quem o filme é dedicado –, conheceu 3 temporadas entre 1966 e 1969 que ficaram na memória de milhares de pessoas, graças ao carisma das personagens, é certo, mas também à qualidade de muitos dos seus episódios (alguns devidos a excelentes autores de FC, como Theodore Sturgeon). O trio central, constituído pelo irónico e impulsivo Capitão James Kirk (William Shatner, 1931), o 1º oficial Mr. Spock (Leonard Nimoy, 1931), sempre (ir)repreensivelmente lógico, e o céptico Dr. “Bones” McCoy (DeForrest Kelly, 1920-1999), contribuiu fortemente para o mito que se criou naqueles anos e nos subsequentes da década de 70, durante os quais a série foi re-exibida. O trio, que frequentemente trocava comentários agri-doces entre si, era secundado por bem caracterizadas personagens secundárias: Uhura, Mr. Sulu e Mr. Chekov na ponte de comando e o engenheiro Scott na sala das máquinas.

Todas estas personagens são agora interpretadas com talento por uma galeria de jovens actores: Chris Pine (Kirk), Zachary Quinto (excelente como Spock), Karl Urban (Eomer em “O Senhor dos Anéis”, aqui McCoy), Zoe Saldana (uma bela Uhura), John Cho (Sulu), Anton Yelchin (um russo a fazer de russo, Pavel Chekov) e Simon Pegg (Scott, cuja aparição se anuncia enfim pelo sotaque escocês); a fechar o “bouquet”, temos actores como Bruce Greenwood (Cap. Pike) ou Winona Ryder (mãe de Spock).

A história do filme “STAR TREK” fala de vingança, de coragem, de emoções, do valor da lógica e da contra-lógica, de crescimento e relações humanas... Nada de novo, naturalmente; assim como nos clássicos folhetins de aventuras, nós sabemos que os heróis não morrerão, que se salvarão no último instante e que acabarão por vencer. Mas queremos saber como e em que circunstâncias o farão! E é aí que reside o talento e a imaginação dos contadores de histórias. Neste caso, a performance é brilhantemente assumida pelos argumentistas Robert Orci e Alex Kurtzman (que escreveram “A Lenda de Zorro”, de 2005, com Antonio Banderas e Catherine Zeta-Jones) e traduzida em imagens com mestria por Jeffrey J. Abrams (um homem que, além de director, é também produtor, argumentista e compositor), com apoio num imenso batalhão de especialistas em CGI (Computer Generated Images). E, neste capítulo, também, o resultado é fabuloso!

O filme recupera os velhos paradoxos das Viagens no Tempo, a começar pela natureza da narrativa: um “flash back” à primeira viagem da nave espacial USS Enterprise, que não o é verdadeiramente porque o futuro é alterado pelas acções dos heróis e do vilão: o Romulano Nero, soberbamente interpretado por Eric Bana. Neste confronto passado/futuro, a grande surpresa é a aparição do próprio Leonard Nimoy, na pele de um velho Spock que acaba por se reencontrar a si próprio em início de carreira. A presença de Nimoy parece ser também uma espécie de caução a um filme que respeita profundamente o espírito da série original e das suas personagens, reiventando-o com inteligência, criatividade e engenho. É nesse sentido, aliás, que, no final, reconhecemos a equipa básica reunida, pronta a partir para a sua missão em direcção ao desconhecido; e, neste momento, viajamos nós ao nosso próprio passado, com sabor moderado a nostalgia: o filme acaba com a célebre legenda em voz “off” (agora do velho Spock) que iniciava os episódios televisivos.

Mas, já que o futuro foi alterado, os episódios que conhecemos poderão deixar de existir; e assim, também para nós, que fomos ao passado da Enterprise, o seu futuro passa a ser uma incógnita. Como deve ser, talvez!..."

Luís Diferr, 28 de Junho de 2009

Imagens:
1. Spock e Kirk a bordo da 'nova' USS-Enterprise
2. Mr. Spock (Leonard Nimoy)
3. A nave USS-Enterprise
4. A equipa da série original

Sem comentários:

Enviar um comentário